Ensaio Testámos o Corolla Cross. O SUV híbrido que faltava à Toyota?

Desde 38 190 euros

Testámos o Corolla Cross. O SUV híbrido que faltava à Toyota?

O Toyota Corolla Cross vem preencher o vazio entre o C-HR e o RAV4 e apresenta-se apenas com uma motorização híbrida. Uma excelente proposta, que apenas peca pela falta de uma motorização de acesso.

Depois de o Guilherme Costa lhe ter «sentido o pulso» há uns meses, em Espanha, chegou a vez de andar com o novíssimo Toyota Corolla Cross em solo nacional; um modelo que fazia falta ao catálogo europeu da marca nipónica.

Isto porque vem colmatar o vazio que a Toyota tinha no segmento C: o C-HR é mais pequeno e focado no estilo do que nos aspetos práticos e o RAV4, se tem a vertente prática do seu lado, já é muito grande e caro.

Para mais a Toyota fica naquele que é talvez o segmento mais importante do momento e onde há forte concorrência: basta olhar para nomes como o Peugeot 3008, o Nissan Qashqai ou até o Volkswagen Tiguan, sem esquecer o novíssimo Renault Austral.

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Toyota Corolla Cross Hybrid traseira
As dimensões do Corolla Cross confirmam o posicionamento entre o C-HR e o RAV4. Comprimento de 4,46 m contra os 4,39 m do C-HR e dos 4,6 m do RAV4. Altura de 1,62 m do Corolla Cross está mais próxima da do RAV4 (1,64 m) do que da do C-HR (1,57 m). Largura é de 1,82 m, precisamente a meio dos 1,79 m do C-HR e 1,85 m do RAV4. A distância entre-eixos de 2,64 m iguala a do C-HR, mas fica abaixo dos 2,69 m do RAV4. © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld
A tarefa está, por isso, longe de ser simples. Mas será que este Toyota Corolla Cross tem o que é preciso para vingar?

Imagem algo «cinzenta»

As comparações entre o Corolla Cross e os «irmãos» C-HR e RAV4 podem estender-se também para o campo da imagem. Não é tão dramático e ousado como os seus irmãos — não é uma crítica, é uma constatação.

Aqui, o Corolla Cross aproxima-se mais do funcionalismo do RAV4 do que propriamente da abordagem mais estilosa do C-HR. Se este último sempre se destacou por ter um estilo arrojado e diferenciador, o Corolla Cross segue uma abordagem mais «segura», um pouco à imagem do seu «irmão» mais velho, ainda que visualmente menos agressivo.

Toyota Corolla Cross Hybrid dianteira
A estética exterior é algo genérica mas madura. Mas a presença em estrada é garantida pela imponente grelha dianteira. As proteções proeminentes em plástico garantem um look mais aventureiro. © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld
E aqui, posso já dizer-vos que o Corolla Cross não faz «virar cabeças». A esse nível, esperava uma abordagem mais ousada da Toyota e, por consequência, um estilo mais em linha com as últimas criações da marca.

Até porque esse é um trunfo que muitas vezes se joga neste segmento; basta olhar para grande parte da concorrência. Talvez esta abordagem mais racional da Toyota dê os seus frutos. Como veremos adiante não lhe faltam argumentos.

Toyota Corolla Cross Hybrid
A designação “Hybrid” na traseira não deixa dúvidas acerca da motorização que está na base deste modelo. © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld

Interior: a tua «cara» não me é estranha

Entrando no habitáculo, salta à vista uma imagem muito familiar, já que este SUV partilha o desenho (e os materiais) com os restantes Corolla. Mas isso está longe de ser uma crítica: este interior está bem construído, é sólido, e não desilude pela escolha dos materiais. É um Toyota.

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Destaca-se ainda o painel de instrumentos digital de 12,3”, que é o mais recente da fabricante nipónica, tal como o ecrã central multimédia de 10,5”, que é compatível com Android Auto e Apple CarPlay.

Face aos sistemas anteriores da Toyota, este destaca-se por ser mais rápido e por ter grafismos mais simples de interpretar. A esse nível este Corolla Cross representa, sem qualquer dúvida, um passo em frente.

ecrã central do sistema de infoentretenimento do Toyota Corolla Cross
Os novos grafismos do ecrã central oferecem uma leitura mais rápida e mais simples. © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld

Espaço atrás e bagageira convencem?

Ao nível dos lugares traseiros, esperava uma diferença mais óbvia para os outros Corolla e, sobretudo, para o C-HR.

Contudo, os números não mentem e no final do dia este Corolla Cross tem exatamente a mesma distância entre eixos do seu irmão mais «novo».

Toyota Corolla Cross Hybrid bancos
A posição de condução é ligeiramente superior aos Corolla “não-SUV”, como seria de esperar. © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld
Ainda assim, o espaço nos bancos traseiros é satisfatório e chega para acomodar dois adultos de forma confortável e a silhueta exterior mais «quadrada» garante mais espaço em altura.

Já ao nível da bagageira, o Corolla Cross disponibiliza 428 l de capacidade, um valor que o deixa próximo dos 430 l reivindicados pelo Renault Austral (E-Tech Full Hybrid) e ligeiramente abaixo dos 479 l anunciados pelo Nissan Qashqai (e-POWER).

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A somar a isso, e como seria de esperar, surge posicionado — também aqui — acima do Toyota C-HR (377 l) e abaixo do RAV4 (580 l).

Sistema híbrido está ainda melhor

O Corolla Cross está disponível em Portugal apenas com uma motorização híbrida, que junta um motor a gasolina de quatro cilindros com 2,0 l de capacidade (152 cv) a um motor elétrico com 83 kW (113 cv), alimentado por uma bateria de iões de lítio (arrumada sob o banco traseiro), para uma potência máxima combinada de 197 cv.

Coube ao SUV estrear o sistema híbrido de quinta geração da Toyota, que se traduz numa melhoria efetiva face ao que conhecíamos antes. Em termos de potência absoluta, os ganhos estão longe de ser significativos, mas é notória a evolução deste sistema ao nível da agradabilidade e fluidez.

A intervenção do motor elétrico faz-se sentir sempre, mas aqui, além da boa resposta logo a partir dos baixos regimes, destaca-se a suavidade com que tudo acontece. Tudo se passa de forma orgânica e progressiva e, acima de tudo, de forma mais silenciosa. Porque agora já não temos um motor a combustão a «gritar» quando aceleremos de forma mais convicta.

E quando isso acontece, sentimos que a resposta é muito sólida, com o Corolla Cross a presentear-nos com um sprint dos 0 aos 100 km/h que demora 7,6s a cumprir. E isso é um número de respeito para um modelo como este. É verdadeiramente rápido.

Mas provavelmente aquilo que mais me impressionou foi mesmo a sensação de tranquilidade ao volante — volto a repetir, o sistema híbrido é muito progressivo e agradável de usar — e a boa atitude do chassis em estrada, além do conforto, que já aqui elogiei, mesmo estando esta unidade equipada com jantes de 18”.

Toyota Corolla Cross Hybrid jantes de 18"
As maiores jantes disponíveis na gama têm 18″. © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld
O comportamento em curva não chega a entusiasmar — não é esse o propósito — mas é eficaz e de reações neutras, com os movimentos da carroçaria a parecerem bem controlados (a suspensão independente às quatro rodas ajuda) e a direção a mostrar-se previsível e com um nível adequado de assistência.

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Já fora de estrada, quando resolvemos «sujar» as rodas, a eficácia mantém-se, com o sistema híbrido a representar uma verdadeira vantagem: conseguimos ter sempre a tração adequada desde cedo sem que seja necessário acelerar muito.

Toyota Corolla Cross Hybrid em trilho, traseira
A confiança do Toyota Corolla Cross também se sente fora de estrada… © Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld
O controlo de tração é sempre competente, a suspensão consegue absorver relativamente bem as irregularidades e o conjunto mostra-se sempre muito sólido e firme.

Consumos baixos? Sim, muito

Que é competente, disso ninguém tem dúvidas, mas este Corolla Cross traz um preço algo elevado — já lá vamos… Por isso mesmo, é bom que a sua motorização híbrida compense nos consumos, para ser uma alternativa efetivamente viável relativamente a outras propostas.

Nos dias que fui o seu «dono» fiz 629 km e quando o entreguei, registava uma média de consumos de 6 l/100 km. Uma média geral afetada pelos muitos quilómetros que acabei por fazer em autoestrada, o cenário onde, teoricamente, este sistema híbrido está menos à vontade. Mesmo assim é um valor muito bom para um modelo destas dimensões e potência.

Já em cidade, onde naturalmente também acabei por fazer muitos quilómetros, as coisas melhoram ainda mais: aqui é possível andar abaixo dos 5 l/100 km, tirando mais proveito da máquina elétrica.

E neste tipo de cenário ainda fui surpreendido com a informação dos quilómetros livres de emissões que consegui fazer: fiz percursos urbanos em que a percentagem de tempo que andei em “modo elétrico” rondou os 50%.

É o carro certo para si?

O sistema híbrido acaba por ser o maior trunfo do Corolla Cross, é também o seu maior contra, porque é precisamente o sistema híbrido — e a fiscalidade que incide no motor a gasolina de 2,0 l — que encarece este SUV japonês no nosso país.

Toyota Corolla Cross Hybrid dianteiro
© Miguel Dias / Razão Automóvel — editado por Thomas V. Esveld
Em Portugal o Corolla Cross arranca nos 38 190 euros, mas na versão Luxury, a mais equipada da gama e a testada por mim, vê o preço subir para os 43 490 euros, valor ao qual ainda temos de juntar os 800 euros da pintura opcional Branco Platina. Fica a faltar uma motorização mais acessível, como acontece no Corolla «carro».

Mas quem optar por este nível de equipamento não vai poder escolher sequer outro opcional para além da cor, já que esta versão está «recheada» com tudo o que a Toyota oferece neste modelo. E esse acaba por ser um fator importante para atenuar o preço algo elevado. Vejam a lista de equipamento de série: tem quase tudo o que possam imaginar.

Se a utilização que fazem do automóvel privilegia os consumos, precisam de um familiar e querem um SUV, este Corolla Cross pode vir efetivamente a mostrar-se muito poupado.

Testámos o Corolla Cross. O SUV híbrido que faltava à Toyota?

Toyota Corolla Cross 2.0 HEV Luxury

7/10

Competente. Este é um adjetivo que assenta que nem uma luva ao Toyota Corolla Cross. Pode não vos encantar com a imagem (algo cinzenta); nem pelo interior, que apesar de cuidado e sólido, não é tão apelativo quanto o de alguns concorrentes, mas é difícil apontar-lhe defeitos. Faz tudo bem, é confortável, agradável de usar e bem construído. O sistema híbrido é suave, eficaz e poupado, sobretudo na "malha" urbana. Mas o preço elevado no nosso país obriga a fazer contas.

Prós

  • Consumos
  • Solidez do conjunto
  • Vasto equipamento

Contras

  • Preço
  • Motorizações disponíveis

Versão base:€38.190

IUC: €215

Classificação Euro NCAP: 5/5

€44.190

Preço unidade ensaiada

  • Arquitectura:4 cilindros em linha
  • Capacidade: 1987 cm3 cm³
  • Posição:Dianteira transversal
  • Carregamento: Injeção Sequencial de Combustível
  • Distribuição: 4 cilindros em linha
  • Potência: Potência máxima combinada: 197 cv
  • Binário: Binário máximo combinado: N.D.

  • Tracção: Dianteira
  • Caixa de velocidades:  Automática (e-CVT)

  • Largura: 4460 mm
  • Comprimento: 1825 mm
  • Altura: 1620 mm
  • Distância entre os eixos: 2640 mm
  • Bagageira: 428 litros
  • Jantes / Pneus: 225/50 R18
  • Peso: 1575-1580 kg

  • Média de consumo: 5,1 l/100 km
  • Emissões CO2: 116 g/km
  • Velocidade máxima: 180 km/h
  • Acelaração máxima: >7,7s

    Tem:

    • Espelhos retrovisores exteriores aquecidos, elétricos e retráteis
    • Faróis de nevoeiro dianteiros LED
    • Jantes em liga leve de 18''
    • Moldura do arco das rodas em preto
    • sensores de estacionamento traseiros e dianteiros
    • Ar condicionado automático duas zonas
    • Banco do condutor com ajuste em altura e lombar elétrico
    • Carregador sem fios para smartphone
    • Câmera auxiliar traseira
    • Luzes ambiente em azul nas portas dianteiras
    • Pneu suplente temporário
    • Sensor de chuva
    • Sistema de iluminação de entrada
    • Volante em pele (ajustável em altura e profundidade)
    • 2 entradas USB para os bancos traseiros
    • Instrumentação digital com ecrã de 12,3''
    • Ecrã multimédia central com 10,5''
    • Integração com smartphone sem fios
    • Alerta de ângulo morto
    • Assistência de condução inteligente
    • Assistência à travagem
    • Aviso de aproximação de veículo
    • Aviso de saída de faixa de rodagem com assistência na direção
    • Cruise control adaptativo inteligente
    • Deteção traseira de aproximação de veículos
    • Limitador de velocidade com reconhecimento de sinais de trânsito
    • Toyota Safety Sense

Pintura em Branco Platina — 800 €

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Saab 9-2x, o “Saabaru”. Um japonês mascarado de sueco