In Memoriam 2020

“In memoriam” 2020. É o fim para estes 15 modelos

Ano novo, vida nova… mas não para todos. O fim das carreiras destes modelos aconteceu em 2020, sem sucessores para tomar o seu lugar. Altura de nos despedirmos de todos eles.

Culpe-se as normas de emissões, os conquistadores SUV, ou simplesmente o facto de a carreira comercial esperada não ter sido a conseguida, para justificar o fim de tantos modelos durante o ano de 2020.

São as mesmas razões por detrás dos que tinham desaparecido em 2019 e se a lista de modelos já era grande nesse ano, a de 2020 não lhe fica atrás. A indústria automóvel está a passar por uma rápida transformação e isso significa que o velho tem de dar lugar ao novo, obrigando a fechar (demasiados) capítulos de uma história sobre rodas.

Como sempre, os modelos mencionados referem-se, sobretudo, aqueles que eram comercializados em Portugal e na Europa.

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Skoda Citigo-e iV
Skoda Citigo-e iV.

Dos mais pequenos aos maiores

Este apanhou-nos de surpresa pois tinha sido revelado… em 2019. O Skoda Citigo-e IV, a versão 100% elétrica do citadino, desaparece em 2020, após um ano em comercialização. O fim desta versão significa também o fim de carreira do Citigo, lançado em 2011 — o que significará para os “irmãos” SEAT Mii e Volkswagen up?

Do mais pequeno damos o salto para alguns dos maiores modelos que nos deixam em 2020. O fim de produção dos Classe S Coupé e Classe S Cabrio (geração C117) terminou no verão de 2020 com o início da produção do novo Classe S (W223) e não terão sucessores. Porquê? Não só as vendas de coupés e descapotáveis continuam a contrair, como a eletrificação rampante pela qual a Mercedes-Benz passa, obriga a prescindir de alguns modelos para que outros (sobretudo elétricos) possam ser desenvolvidos.

Uma carreira comercial abaixo das expetativas foi o principal motivo para a Bentley terminar a produção do Mulsanne, o seu topo de gama, lançado em 2009. A enorme e luxuosa berlina britânica não teve argumentos para o seu maior rival, o Rolls-Royce Phantom. Com o fim do Mulsanne termina também a longa — muito longa — carreira do seu V8 de 6,75 l, cuja primeira versão chegou ao mercado em… 1959. O Flying Spur assume, de momento, o papel de topo de gama na Bentley.

Em relação ao fim do Aston Martin Rapide (lançado em 2009), de quatro portas, a razão para não haver um sucessor prende-se com a chegada do Aston Martin DBX, o primeiro SUV da marca. É certo que o modelo já contava com uma década de vida, mas ao invés de criar uma nova berlina a partir do DB11 para tomar o seu lugar, a Aston Martin também quis aproveitar o maior potencial de retorno de um SUV — tendo em conta os problemas por que passou no último ano, é imperativo que esse maior retorno aconteça.

Um dos mais ousados e controversos Ferrari até hoje feitos também conhece o seu fim sem haver um sucessor direto. Refiro-me, claro ao Ferrari GTC4Lusso (lançado em 2016), a verdadeira e única shooting brake, o mais familiar modelo de sempre da marca de Maranello. Teremos de aguardar por 2022 para conhecer uma espécie de sucessor e assumirá os contornos de um… SUV — nem a Ferrari conseguiu resistir. Por enquanto é conhecido como Purosangue!

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Digam também adeus a estes pequenos familiares

2021 para a Alfa Romeo significará uma gama mais reduzida, concentrada no Giulia e Stelvio. Isto porque temos de dizer adeus ao veterano Giulietta, o representante da marca italiana no segmento C que foi lançado em 2010 e já alvo de várias atualizações. O melhor ano da sua carreira foi em 2012 com mais de 79 mil unidades vendidas, mas a sua avançada idade num segmento em constante renovação não perdoa: em 2019 ficou-se por pouco mais de 15 mil unidades.

Alfa Romeo Giulietta
Alfa Romeo Giulietta

Termina a sua carreira sem sucessor direto e teremos ainda de esperar pelo final de 2021 ou início de 2022 para conhecer um novo modelo da Alfa Romeo para o segmento: o Tonale. E sim, é um SUV.

A chegada de um novo Citroën C4 significa também o fim do original C4 Cactus. Lançado em 2014, como uma interessante e original alternativa à bitola SUV que invadia ferozmente o mercado, foi-lhe pedido, alguns anos mais tarde, que tomasse o lugar da segunda e sensaborona geração do C4. O restyling que recebeu atenuou-lhe as suas características mais originais e agora é substituído… por outro crossover, mas de contornos mais dinâmicos.

O Volvo V40, o degrau de acesso da marca sueca, também termina uma longa carreira no segmento, tendo sido lançado em 2012. Que modelo tomará o seu lugar? Não sabemos; a Volvo continua a manter o mistério, apesar de estar prometido um novo modelo para o segmento. Ao início assumimos que fosse a versão de produção do concept 40.2, mas essa acabou por se transformar no Polestar 2.

Também é o fim dos modelos Q30 e QX30 da Infiniti. As esperanças eram grandes em 2015 quando ambos os modelos — praticamente indistinguíveis um do outro — foram lançados, tendo como objetivo cimentar a presença da marca premium da Nissan na Europa. Mas não foi isso que aconteceu… As vendas pouco mais foram que residuais para o par de modelos derivados do Mercedes-Benz Classe A, e com o seu fim também a Infiniti como marca despede-se da Europa.

Por fim, em 2020 também o e-Golf (geração 7), a versão elétrica do conhecido modelo, deixa de ser produzida — a geração 8 não terá variante elétrica. A sua produção até se prolongou mais do que o planeado, não só para fazer face às vendas que continuavam a crescer, como também para complementar o arranque do ID.3, enquanto a Volkswagen limava as arestas do seu primeiro modelo exclusivamente elétrico.

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Há mais?

Sim, há. A lista de modelos que desaparecem em 2020 ainda continua. No caso do Lexus IS, não se trata do fim da sua produção, pois foi recentemente renovado, mas é uma renovação que não chegará até nós — o IS vai deixar de ser comercializado na Europa. As baixas vendas assim o justificam — fenómeno que vemos em outros sedãs “clássicos” — em contraponto às crescentes vendas dos seus crossover e SUV.

O BMW Série 3GT desaparece dos catálogos sem deixar sucessor. Podemos afirmar que se trata de um crossover — o mix possível entre um fastback e um MPV — que nunca conseguiu verdadeiramente convencer no mercado, apesar dos bons argumentos de ordem espacial e prática. Curiosamente, o maior 6GT continua em comercialização, graças à sua performance em mercados como o chinês.

Não saindo do tema familiar, também o SEAT Alhambra — esse mesmo, que é produzido em Palmela, na Autoeuropa —, termina a sua carreira depois da atual geração estar 10 anos em produção. O fim da Volkswagen Sharan não deve estar longe. A razão é fácil de compreender, pois agora existe um SUV Tarraco de sete lugares.

Mudando de formato, também temos de dizer adeus à Mercedes-Benz Classe X, que se revelou um flop comercial, apesar das pick-up na Europa terem visto as suas vendas crescer nos últimos anos. A pick-up, derivada da Nissan Navara, sai do mercado após parcos três anos de vida (lançada em 2017) com as vendas a nunca terem ido de encontro às expetativas da marca da estrela.

Por fim, mas não menos importante, assistimos ao fim de um par de modelos mais focados na performance. O futurista BMW i8, lançado em 2014 como coupé e em 2018 como roadster, foi o primeiro híbrido plug-in da marca e deixa de se ser produzido ao fim de terem sido feitas 20 500 unidades.

O fim de produção do Peugeot 308 GTI é significativo, pois o hot hatch representa também o fim da histórica sigla GTI na marca francesa — doravante veremos chegar um novo acrónimo, PSE, para identificar as versões mais desportivas dos Peugeot.

Nota ainda para os italianos Abarth 124 Spider e Alfa Romeo 4C Spider. Apesar do fim destes modelos ter acontecido ainda em 2019 na Europa, permaneceram em comercialização durante 2020 noutros pontos do planeta. Mas agora é mesmo o fim definitivo para ambos os modelos.

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