Desde 27 000 euros

Testámos o Mercedes-Benz Classe A mais barato que podes comprar. Vale a pena?

Será que encontramos atributos suficientes no Mercedes-Benz A 160, o mais acessível dos Classe A, para considerá-lo como uma opção a ter em conta?

O A 160 é o Mercedes-Benz Classe A mais barato que podes comprar e a unidade testada destacava-se ainda por estar praticamente “d’origem”, quase sem extras, algo pouco habitual em viaturas de testes e ainda menos nos automóveis de marcas premium.

Apenas estavam presentes o Pack Parking (câmara marcha-atrás, sistema de estacionamento ativo) e o Pack Espelhos (espelhos exteriores rebatíveis electricamente e retrovisor exterior do condutor e retrovisor interior com função automática de anti-encadeamento) que adicionam “apenas” 1250 euros ao preço base de 27 000 euros do A 160.

Nada de mega-rodas, nem kits AMG ou vistosas “bufadeiras”; até os faróis são simples itens de halogénio e a pintura não era mais que um simples preto.

A NÃO PERDER: Qual é que tu escolhias? BMW Série 2 Gran Coupé contra Mercedes-Benz CLA
Mercedes-Benz A 160 © Raul Mártires / Razão Automóvel
Mais simples, só mesmo com tampões e jantes de ferro em vez de jantes em liga leve.

Preto sobre preto

No interior a austeridade mantém-se, com o preto a ser também o tom dominante, mas com diferentes superfícies de acabamento. Mas o que se destaca é o “mar” de plástico em preto brilhante à volta do par de ecrãs de 7″ do painel de instrumentos e do sistema de info-entretenimento — os mais pequenos disponíveis.

Ok… Não ficam tão bem como os maiores de 10,25″, mas a arquitetura do interior do A é tão distinta e contrastante dos seus rivais mais diretos e potenciais, que mesmo neste patamar mais acessível, continua a ser um dos interiores mais interessantes e originais do segmento, nunca parecendo despido ou… “pobre”.

E com a exposição mais prolongada acabei até por apreciar a maior simplicidade deste interior — nada de luzes ambiente, saídas de ventilação mais discretas, até a cor preta nos braços do volante, etc… Reduzido à sua essência, sem distrações decorativas, a original arquitetura evidencia os seus méritos em desenho e apresentação.

VÊ TAMBÉM: Já conduzimos o novo Audi S3 pelas estradas reviradas dos Açores

Potência não é tudo, mas…

… em certas situações faz falta. O mais acessível dos Classe A tem apenas 109 cv de potência e ao acusar 1350 kg na balança as prestações do A 160 são pouco mais que modestas — algo que sentimos nas subidas mais íngremes e em algumas ultrapassagens mais ambiciosas, onde de bom grado daria o mindinho por mais 20 ou 30 cv.

O sacrifício do meu mindinho seria desnecessário noutros mercados, onde existe um A 180, não comercializado em Portugal, com o mesmo motor, mas com 136 cv de potência — uma opção que no papel me parece mais equilibrada.

A verdade é que retirei mais satisfação (e diversão) em conduzir o A 160 que outros Classe A, mais potentes, automáticos, e com limites dinâmicos mais elevados…

Mas não deixem que este pormenor os desanime — o 1.33 turbo é uma unidade “nervosa”, enérgica, de resposta pronta (atraso devido ao turbo é mínimo, só sentido quando o acelerador é esmagado). Os médios regimes é onde este está mais à vontade, mas não se coíbe de subir até ao regime de potência máxima con gusto.

Mercedes-Benz A 160 © Raul Mártires / Razão Automóvel
Só 109 cv? Mais que suficiente para o dia a dia, até porque o 1.33 Turbo revela-se bastante solicito. Mas não diria não a mais 20-30 cv

Para mais, o 1.33 vem acompanhado de uma caixa manual de seis velocidades, e… que surpresa — foi o primeiro Classe A com três pedais que tive oportunidade de conduzir e fiquei fã. A caixa é precisa e rápida q.b., apesar de que o curso poderia ser um pouco mais curto, e é a principal responsável por elevar a experiência de condução do Classe A a um novo patamar que, até agora, nenhuma das eficazes opções automáticas (que já conduzi) conseguiu igualar.

Mas não é tudo, pois para aqueles que optem pela caixa manual no Classe A são brindados ainda com mais uma agradável surpresa. Ao selecionarmos o modo de condução Sport temos acesso à intrigante funcionalidade de… ponta-tacão automático. Isto no mais modesto dos Classe A e não em nenhuma versão made by Affalterbach (onde nem sequer temos qualquer opção manual) — torna-se difícil não resistir a dar ainda mais gostinho ao pé numa estrada mais enrolada…

Mercedes-Benz A 160 © Raul Mártires / Razão Automóvel
Uma simples caixa manual acabou por se revelar um dos destaques, pela positiva, do A 160 #savethemanuals

Sendo a gasolina, não esperem os mesmos consumos que um A 180 d, mas o que perdem em economia ganham em agradabilidade de utilização e sonoridade.

Mesmo assim os consumos não são elevados. Mantendo um ritmo estável a uma velocidade moderada de à volta dos 90 km/h, o computador de bordo registou 4,6-4,8 l/100 km. Acelerem o passo para velocidades de autoestrada, e o consumo sobe para valores à volta dos 5,5 l/100 km, e só em cidade vemos o consumo “disparar” para valores já elevados, na casa dos 8,0 l/100 km.

A NÃO PERDER: Os citadinos vão ACABAR?

Mais do que estava à espera

Certamente já ouviram aquela máxima de que “os carros lentos são mais divertidos de conduzir”; o Mercedes-Benz A 160 encaixa que nem uma luva. Não vai ganhar nenhuma corrida, mas o motor tem caráter e convida a puxar por ele; a caixa manual garante uma experiência mais interativa; e não podemos esquecer o chassis, que apesar de mais modesto do que noutros Classe A com mais “poder de fogo”, eleva-se à altura.

Mercedes-Benz A 160 © Raul Mártires / Razão Automóvel
Um pneu com uma senhora “parede”… Bom para o conforto, se calhar não tanto para a acutilância ou estética, mas no cômputo geral não compromete.

Atrás temos um mais simples eixo de torção e as rodas são as mais pequenas que podem encontrar num Classe A, “apenas” 205/60 R16. A Mercedes-Benz define a suspensão como “conforto rebaixada”, e esta parece fazer o que promete: garante níveis de conforto bastante razoáveis (complementado pelos bancos, mesmo sendo firmes), sem que no entanto isso signifique movimentos de carroçaria excessivos ou indesejados.

O chassis é mais complacente e deixa-se de ter aquela perceção de estar a curvar sobre carris como no CLA ou nos A com suspensão traseira independente, mas não são más notícias, bem pelo contrário. O A 160 continua a ser um excelente companheiro para as curvas — eficaz, seguro, progressivo e previsível —, mas é também mais envolvente e orgânico.

A verdade é que retirei mais satisfação (e diversão) em conduzir o A 160 que outros Classe A, mais potentes, automáticos, e com limites dinâmicos mais elevados — uma agradável surpresa, mais do que estava à espera no degrau de acesso à gama. O elevado nível de harmonia entre as partes que o constituem acabam por o tornar também num dos mais agradáveis Classe A de conduzir.

VÊ TAMBÉM: Mercedes-Benz GLA. Estes são os preços para Portugal

É o carro certo para mim?

O Mercedes-Benz A 160 revela uma “honestidade” de caráter que é refrescante, e para aqueles que estão à procura de carro novo e são fãs da marca da estrela à procura de entrar no seu universo, não acredito que se arrependam desta escolha, mesmo não sendo tão vistoso (por fora e por dentro) como muitos Classe A com que nos cruzamos na estrada.

Os 27 mil euros pedidos (sem opcionais) não deixam de ser elevados — bem, não deixa de ser um Mercedes… E a verdade é que, mesmo esforçando-nos para nos contermos, vamos ter que recorrer obrigatoriamente à extensa lista de opcionais; por exemplo, o nosso A 160 não trazia o Pack Integração de Smartphone, um opcional de 350 euros que dá acesso ao Android Auto e Apple CarPlay, um item praticamente indispensável nos dias que correm.

Pela quantia pedida é impossível não reparar em outras opções mais em conta, melhor equipadas e até mais cativantes ao volante, e não, não vêm das (previsíveis) arquirrivais da marca de Estugarda. O Mazda3 2.0 Skyactiv-G tem um interior mais sóbrio, mas soberbamente apresentado e montado; caixa manual referencial e comportamento mais apurado; mais estilo, apesar de menos prático — é, a meu ver, uma alternativa mais que credível ao A 160, mesmo que o símbolo na grelha não tenha o mesmo cachet.

Preço

unidade ensaiada

28.250

Versão base: €27.000

IUC: €137

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1332 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta, turbo
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil.
    • Potência: 109 cv às 5500 rpm
    • Binário: 180 Nm entre as 1375 e 3500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 vel.
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4419 mm / 1796 mm / 1440 mm
    • Distância entre os eixos: 2729 mm
    • Bagageira: 370 l
    • Jantes / Pneus: 205/60 R16
    • Peso: 1350 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,8-5,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 132-127 g/km
    • Vel. máxima: 200 km/h
    • Aceleração: 10,9s
  • Garantias
    • Mecânica: 2 anos
  • Equipamento
    • Cruise Control
    • Suspensão conforto rebaixada
    • Bancos conforto
    • Faróis em halogéneo com luzes diurnas integradas em LED
    • Volante Multifunções Pele
    • Painel de instrumentos digital com 7" e Display central com ecrã tátil de 7"
    • Assistente de faixa de rodagem
    • Assistente de Limite de Velocidade
    • Active Brake Assist
    • Câmara de marcha atrás
    • Sensor de luz e de chuva
    • Retrovisores exteriores aquecidos e reguláveis eletricamente com vidro asférico e indicadores de mudança de direção integrados
    • Sistema de controlo da pressão dos pneus
Extras
Pack Parking, 750 €; Pack Espelhos, 500 €;
Avaliação
7 / 10
Será que o Classe A mais barato que podes comprar vale a pena? Tenho que admitir, com alguma surpresa, que sim. O A 160 surpreendeu-me, um clássico caso de o todo ser mais do que a soma das partes. O seu caráter é efervescente, muito mais interessante no todo do que o mais comum A 180 d, mesmo sendo tão ou mais lento e mais gastador. Sim, não anda muito, o que obriga a puxar mais vezes pelo "nervoso" motor; a caixa manual adiciona a interação (em falta nos Classe A automáticos), e em conjunto com o chassis mais modesto acabam por, do meu ponto de vista, tornar toda a experiência de condução mais cativante. De resto é o Classe A que já conhecemos: um interior distinto, montagem e materiais acima da média, e o sistema de infotainment MBUX, que parece algo intimidante de início, mas é referencial não só no segmento, como na indústria. O espaço para ocupantes e carga é suficiente, o conforto está num bom patamar (mais do que outros Classe A) e os consumos são moderados, exceto em cidade. Objetivamente o preço é elevado para o equipamento de série, e há itens que já não deveriam estar na lista de opcionais, mas é assim no mundo dos premium alemães.
  • Condução cativante
  • Conjunto motor/caixa
  • Consumos em "estrada aberta"
  • Interior "sci-fi"
  • Sistema de info-entretenimento MBUX
  • Consumos em cidade
  • Equipamento de série
  • Lista extensa de opcionais e o seu custo
  • Prestações modestas
Sabes responder a esta?
Em que ano foi apresentado o Mercedes-Benz 190?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

A história (mal contada) do revolucionário Mercedes-Benz 190 (W201)

Mais artigos em Testes, Ensaio