Poderá ser esta a base do próximo Lexus? Perguntámos a Joachim Kunz, da Mazda

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Entrevista

Poderá ser esta a base do próximo Lexus? Perguntámos a Joachim Kunz, da Mazda

A Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture é a nova plataforma de tração traseira da Mazda. Por agora exclusiva, mas que no futuro poderá vir a ser partilhada com outros construtores.

A Razão Automóvel esteve na pré-apresentação mundial do novo Mazda CX-60, o primeiro modelo a recorrer à nova plataforma Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture da marca japonesa.

Não se trata de uma plataforma «normal» nos dias que correm diferindo muito do caminho que temos visto ser escolhido pela maioria dos construtores de automóveis.

É uma plataforma de tração traseira, totalmente nova, preparada para receber motores de combustão com até seis cilindros (em linha) e que pode inclusivamente albergar baterias para versões híbridas plug-in.

VEJAM TAMBÉM: Wankel, tração traseira, SUV e híbridos plug-in. As apostas da Mazda para 2022

Desenvolvida de raíz pela Mazda

Falámos com Joachim Kunz, Senior Manager Technical Development Co-Creation da Mazda, sobre as vantagens da Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture, e sobre a possibilidade desta vir a ser partilhada com outros fabricantes.

Joachim Kunz, Senior Manager Technical Development Co-Creation da Mazda

Uma conversa que aconteceu à margem da apresentação do novo Mazda CX-60, o primeiro modelo a recorrer a este nova plataforma.

Assistam ao vídeo:

Efectivamente, a Mazda colocou as «fichas todas» nesta plataforma que dará corpo aos seus modelos topo de gama. Estão por isso afastados os utilitários e pequenos familiares.

Desenvolvemos esta nova plataforma de raíz, de acordo com as características que achámos que melhor podem servir os nossos clientes. O prazer de condução, a ligação homem/máquina, a segurança e a eficiência estiveram no topo das nossas prioridades.

Joachim Kunz, Senior Manager Technical Development Co-Creation da Mazda

Com tração traseira — ainda que seja possível assumir versões com tração integral — e espaço suficiente para albergar mecânicas mais nobres de até seis cilindros, esta plataforma parece talhada para «altos voos» e poderá ser cobiçada por outras marcas.

“Para já, apenas está previsto o uso desta plataforma em modelos Mazda”, disse-nos este responsável. Mas a história diz-nos que estes planos podem mudar, e é a própria marca que não afasta esta hipótese.

Partilhar a plataforma. Porque não?

Questionámos este responsável da Mazda sobre a possibilidade de vir a partilhar a nova plataforma com outras marcas, entre as quais a Toyota e a Lexus, como alguns rumores já indicaram.

Fiat 124 Spider
Fiat 124 Spider

Afinal de contas, não é a primeira vez que outros batem à porta da Mazda para comprar uma plataforma. Recordamos, por exemplo, que o Fiat/Abarth 124 Spider recorre à mesma plataforma do Mazda MX-5.

Não afastamos essa possibilidade. Porque não? A partilha de custos é uma realidade cada vez mais comum na indústria automóvel moderna.

Joachim Kunz, Senior Manager Technical Development Co-Creation da Mazda

Uma plataforma à medida da Toyota e Lexus?

A Toyota também tem uma plataforma de tração traseira, a GA-L, que serve de base a modelos como o Lexus LC, LS ou o novo Toyota Mirai.

Contudo, os modelos que assentam sobre ela são todos de grandes dimensões, um a dois segmentos de mercado acima da maioria dos modelos que derivarão da nova Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture da Mazda.

O que deixa modelos como os Lexus IS e RC, mais pequenos e posicionados no mesmo segmento do mercado que modelos como o CX-60, numa posição delicada. Estes também são de tração traseira, mas assentam sobre a antecessora da GA-L, a plataforma N.

Não sabemos até que ponto a GA-L pode ser «encolhida» para servir os sucessores destes modelos, mas é aqui que a nova plataforma de tração traseira da Mazda pode ser a opção ideal.

Vamos conhecer uma nova geração do Lexus RC em 2023 ou 2024 — o IS foi substancialmente renovado em 2020 e retirado da Europa; uma geração totalmente nova deverá chegar mais tarde.

Poderá o novo RC assentar sobre a nova plataforma de tração traseira da Mazda? A possibilidade de isso acontecer tem sido discutida.

Lexus RC
Lexus RC.

Temos depois o Toyota GR GT3, o protótipo de um novo coupé revelado no início do ano que terá como destino os campeonatos de resistência. A Lexus já disse que o novo RC «beberá» bastante deste protótipo.

Mas que base é a do GR GT3? É definitivamente um carro de tração traseira, mas não deriva do GR Supra (plataforma BMW) ou do GR86 (plataforma Subaru), os outros dois desportivos de tração traseira da Toyota.

E depois há as suas proporções, que são praticamente idênticas às do Mazda RX Vision, o concept de um espampanante coupé com motor Wankel mostrado originalmente no já distante ano de 2015.

Mazda RX-Vision
Mazda RX Vision.
Toyota GR GT3 Concept
Toyota GR GT3.

Partilha de recursos. Alguns exemplos recentes

No panorama atual da indústria automóvel, marcado pela instabilidade nas cadeias de abastecimento e incerteza relativamente às metas ambientais, é mais importante que nunca alcançar economias de escala.

Uma necessidade que no passado presente já nos brindou com algumas parcerias improváveis. A Mazda está neste momento a comercializar o Toyota Yaris como Mazda2. E a Suzuki está a fazer exatamente o mesmo com Corolla.

Mas não se pense que estas sinergias são um exclusivo entre marcas japoneses. A Toyota lançou o novo GR Supra com base numa plataforma desenvolvida em parceria com a BMW e, como já referimos, o Fiat/Abarth 124 Spider partilha a plataforma com o Mazda MX-5.

A necessidade de cortar custos e melhorar a margem operacional — transversal a toda a indústria automóvel — diz-nos que este tipo de parcerias continuarão a acontecer. A plataforma Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture é uma excelente candidata.

Mazda Vision Coupé

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