Coupés Anos 90

Coupés dos anos 90 (parte 1). Lembras-te de todos eles?

Novamente coupés dos anos 90? Sem dúvida — foi uma boa década para coupés. Depois dos pequenos coupés, revisitamos agora os seus "irmãos mais velhos".

Depois de já te termos falado acerca dos pequenos coupés dos anos 90, continuamos nessa gloriosa década, mas subimos um degrau, em posicionamento e performance, e relembramos os “irmãos mais velhos” de muitos desses modelos.

Neste Especial da Razão Automóvel dedicado aos Coupés dos Anos 90, acabámos por reunir tantos modelos que até o dividimos em duas partes: coupés europeus e coupés japoneses — sim, o mundo automóvel parecia ser muito mais colorido na última década do séc. XX. Não é como hoje em dia, em que só conseguimos escolher o tamanho do SUV; havia muito mais formas automóveis à escolha.

E mesmo entre os coupés o que não faltava era variedade. Havia propostas para todos os gostos, que iam das mais elegantes e requintadas, às mais ousadas e desportivas.

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Nesta primeira parte dedicamos-nos apenas aos coupés dos anos 90 made in Europa — com uma exceção… norte-americana. As propostas japonesas, tão ou mais interessantes que as europeias — como o exemplar da imagem baixo —, ficam para uma próxima, mas breve, ocasião.

Toyota Celica
O Celica será um dos muitos coupés japoneses a surgir na parte 2 do nosso Especial Coupés dos Anos 90.

Por isso, regressa connosco no tempo e recorda os Coupés dos Anos 90 que marcaram a última década do século XX.

Distintos por fora, “humildes” por dentro

Apesar de se demarcarem pela sua carroçaria e linhas mais apuradas, a verdade é que a larga maioria dos coupés que reunimos derivavam de automóveis mais mundanos, regra geral, de vocação mais familiar — as economias de escala na indústria automóvel não são só de agora.

No entanto, não foi impedimento para criar algumas das máquinas mais interessantes, desejáveis e até excitantes da década de 90. E para mais eram um sonho (razoavelmente) acessível, ao alcance de muitos mais do que outros desportivos ou GT de outro calibre — na mesma desejáveis, mas a habitar as camadas mais elevadas da atmosfera automóvel.

Essa… “filosofia” não podia ser melhor exemplificada do que pelo próximo trio, tendo eles já merecido uma atenção especial nas páginas da Razão Automóvel: FIAT COUPÉ (1993-2000), OPEL CALIBRA (1989-1997) e VOLKSWAGEN CORRADO (1988-1995).

Enquanto o Calibra e o Coupé representaram o ponto final numa rica história em coupés nas respetivas marcas (houve ainda um Astra Coupé, mas a sombra do Calibra eclipsou-o), o Corrado ainda conheceu uma “espécie” de sucessão — o “nosso” Scirocco —, mas que só viria mais de uma década depois.

O Fiat Coupé deixou-nos no ano 2000, mas ainda hoje, 20 anos depois, a versão 2.0 20v Turbo ostenta o título do “mais rápido Fiat de série alguma vez produzido”.

Já o Opel Calibra, não só marcou por ter sido “esculpido pelo vento”, como ainda deixou a sua marca nos circuitos, nos tempos áureos do DTM.

Quanto ao Volkswagen Corradook… tecnicamente não é um coupé, mas enquadrava-se bem no grupo —, na memória dos petrolhead deixou detalhes como o spoiler traseiro automático ou a muito desejada versão equipada com o 2.9 VR6 com cerca de 190 cv.

Três carros muito diferentes — em design, mecânica e caráter —, mas todos marcantes. E para mais quando por baixo das suas distintas vestes se escondem fundações “humildes” que nestes coupés vêem o seu potencial extraído ao máximo.

Por baixo das radicais linhas do Fiat Coupé “esconde-se” um Tipo (o original); por baixo das aerodinâmicas linhas do Opel Calibra um  Vectra A; e por baixo das evocativas linhas do Volkswagen Corrado um comum Golf II.

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Design Masters

O mesmo acontecia com o próximo par de coupés dos anos 90 nesta lista: ALFA ROMEO GTV (1993-2004) AUDI TT (1998-2006). O italiano tinha fortes “laços familiares” com o Fiat Coupé, logo com o Tipo, enquanto o alemão escondia uma modificada plataforma do Golf IV. Mas o que se destaca neste par de coupés? O seu design.

Algo a que já estamos historicamente habituados quando nos referimos à Alfa Romeo, mas desta vez o maior impacto caberia à Audi com o seu TT, tendo surgido já perto do final da década. O nome do Audi TT foi herdado da competição — Tourist Trophy —, e do pequeno NSU TT — marca absorvida décadas antes pela Audi.

Seria, porém, o seu desenho que se tornaria, talvez, o mais marcante da década de 90. Tal foi o impacto das geométricas e precisas linhas do Audi TT, que tornou-se numa das peças fundamentais para elevar a visibilidade e percepção da marca dos anéis ao mesmo nível das — hoje — arquirrivais, BMW e Mercedes-Benz.

Teve alguns percalços pelo caminho, como a sua… instabilidade dinâmica inicial, ou o facto de ser mais associado a… cabeleireiros (hairdresser car), mas a verdade é que pulmão nunca faltou ao TT.

O 1.8 Turbo (cinco válvulas por cilindro) assim o garantia, e receberia mais tarde um ainda mais possante 3.2 VR6, além de ter sido o primeiro modelo de produção (por uma curta margem) a receber uma caixa de dupla embraiagem, a conhecida DSG — a mesma combinação motor/caixa do Golf R32.

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Também o Alfa Romeo GTV recuperava um nome do passado — Gran Turismo Veloce — e apesar da ousadia e originalidade do seu design, a herança estilística italiana era mais evidente no GTV do que nas radicais linhas do “primo” Fiat Coupé. Nunca foi consensual, mas também nunca ninguém lhe ficou indiferente.

Apesar da proximidade do Alfa Romeo GTV com o Fiat Coupé, porém havia muito mais a separá-los que apenas o design. O GTV era brindado com uma suspensão independente traseira específica, um mais sofisticado esquema multilink. E por baixo do seu capot podíamos encontrar o lendário V6 Busso. Foram várias as versões do Busso a equipá-lo: desde o 2.0 V6 Turbo ao 3.2 V6 atmosférico que também equipou o 156 GTA.

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O (quase) trio alemão “do costume”

Se os exemplares acima distanciavam-se o mais possível das suas origens mundanas, houve outros coupés da década de 90 que não escondiam a sua proximidade com as berlinas das quais derivavam — maior parte deles até estavam integrados nas suas respetivas gamas.

Mesmo assim, eram senhores de um perfil mais fluído, elegante e distinto, ao mesmo tempo que garantiam uma convivência diária praticamente tão fácil como os “quatro portas” em que eram baseados.

Começamos com o trio alemão do costume, mesmo antes de serem o… trio alemão do costume: AUDI COUPÉ (1988-1995), BMW SÉRIE 3 COUPÉ E36 (1992-1998) e MERCEDES-BENZ CLK (1997-2003).

As três marcas premium alemãs são, hoje em dia, as únicas que mantém este tipo de modelos. Estes são os antecessores dos atuais Audi A5, BMW Série 4 e Mercedes-Benz Classe C/E Coupé.

Não significa, no entanto, que tenham sido sempre histórias de sucesso. Repare-se no Audi Coupé B3 (outro “falso” coupé, como o Corrado). Sucedeu ao bem… sucedido Coupé (B2) — sim, aquele que serviu de base ao ur-Quattro e aos feitos lendários no WRC.

Infelizmente, a segunda geração do Coupé nunca conseguiu capturar a mesma aura ou sucesso do antecessor. Nem mesmo quando a Audi apimentou-o com o lançamento do S2 (o primeiro S da marca), equipado com o penta-cilíndrico turbo (220-230 cv).

Audi S2 Coupé
Audi S2 Coupé
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O sucesso nos coupés na Audi seria conseguido com o mais especializado TT; e na performance com… carrinhas — um ano antes da carreira do Audi Coupé terminar, nascia a lendária RS2 Avant! Demorou tempo até a Audi regressar a este tipo de coupés: o primeiro A5, o verdadeiro sucessor do Coupé B3, só chegaria em 2007.

O BMW Série 3 Coupé (E36) e o Mercedes-Benz CLK (C208), por outro lado, tiveram muito melhor recepção e sucesso.

Pela primeira vez a BMW separava de forma mais clara o Coupé da berlina no Série 3, mas pode ter passado ao lado de muitos de nós. Apesar de não partilharem quaisquer painéis entre si, e o resultado final ser elegante e atrativo, a verdade é que a proximidade estilística entre a berlina e o coupé eram, talvez, excessivas.

Mas quem queria saber disso quando à nossa disposição estava um dos melhores, senão o melhor chassis do segmento — destacava-se também por ser um dos poucos coupés existentes com tração traseira — e deliciosos seis cilindros em linha? E para mais, no topo da hierarquia, havia um… M3.

Ao contrário do Série 3 Coupé, distinção visual é o que nunca faltou ao Mercedes-Benz CLK. A massiva transformação pela qual a marca da estrela passou na década de 90 estendeu-se também aos coupés. Primeiro vimos a conservadora Mercedes “chocar” meio mundo com o concept Coupe Studie de 1993 — a primeira vez que vimos aqueles faróis duplos à frente.

Mercedes-Ben Coupe Studie
Em 1993, conhecíamos o Coupe Studie que antecipava uma nova era visual na Mercedes e também… o CLK

Solução que chegaria ao mercado em 1995 com o Classe E W210. Ao contrário do antecessor, o Classe E W124, o W210 não teria um coupé nem um descapotável. Ao invés de criar dois coupés, para o Classe C e Classe E, a Mercedes decidiu posicionar mais ou menos a meio uma gama composta por um coupé e um cabrio com nome próprio — assim nascia, em 1997, o primeiro CLK, a versão de produção do Coupe Studie de 1993.

Tinha à mesma, no BMW Série 3 Coupé — sobretudo o E46, sucessor do E36 —, o seu principal rival, mas a verdade é que nunca conseguiu rivalizar com ele do ponto de vista dinâmico. O CLK parecia mais vocacionado para longas (e confortáveis) viagens nas autobahn — mesmo quando nos referimos às lunaticamente crescentes variantes AMG.

O CLK conheceria uma segunda geração, mas a Mercedes acabaria por “dividir” o CLK em dois modelos: o Classe C Coupé e Classe E Coupé, que se mantém até hoje.

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Em alternativa aos alemães

Os coupés dos anos 90 derivados das berlinas médias não se resumirem, felizmente, aos alemães. Já a década de 90 caminhava a passos largos para o seu fim quando um trio de distintos coupés ripostaram aos alemães: PEUGEOT 406 COUPÉ (1997-2004), VOLVO C70 (1997-2005) e FORD COUGAR (1998-2002).

O que foi notório é que estas “respostas” correram melhor para uns do que para outros — o Ford Cougar acabou por ter um fim prematuro. Tecnicamente é um modelo norte-americano e sucedeu ao Probe — será referido na segunda parte relativa aos coupés… japoneses e perceberão rapidamente porquê —, mas o Cougar conheceu ainda menos sucesso que o mal sucedido predecessor.

Derivado do Ford Mondeo, o Cougar estaria conceptualmente mais próximo daquilo que vimos no Opel Calibra. Terá sido o seu controverso e ousado design (um dos mais expressivos membros do New Edge Design da Ford) uma das razões do seu insucesso? Talvez…

Por outro lado, não havia razões de queixa do chassis — um dos melhores do segmento —, mas os motores eram… “calmos”. Nem o 2.5 V6 de 170 cv revelou “poder de fogo” suficiente para alegrar o vasto coupé. Desapareceu sem deixar sucessor (e talvez nem muitas saudades) e a Ford só regressaria aos coupés em 2015, após “globalizar” o Ford Mustang — e esse sim, tem sido um sucesso.

Melhor fado tiveram o Peugeot 406 Coupé e o Volvo C70. Ao contrário do Cougar, controvérsia era coisa que não havia à volta das linhas do 406 Coupé e do C70; eram dois elegantes coupés, dos mais belos a surgirem nesta década.

A longa ligação entre a Peugeot e a italiana Pininfarina voltava a dar graciosos frutos e ainda hoje o 406 Coupé é considerado um dos mais belos Peugeot de sempre. Curiosamente, as suas elegantes linhas tiveram como génese uma proposta da Pininfarina para o design do… Fiat Coupé, anos antes!

Rapidamente se estabeleceu na altura uma ligação entre as fluídas linhas do 406 Coupé com alguns Ferrari by Pininfarina da mesma época — o 550 Maranello vem-nos à memória.

Se o design exterior foi amplamente elogiado, o mesmo não se disse do interior — decalcado da berlina 406 —, ou da dinâmica/performance. O 406 Coupé era mais sobre conforto do que comportamento acutilante e nem mesmo a presença de motores V6 na gama conseguiu dar um cunho mais desportivo ao modelo gaulês.

Não deixou de ser um grande sucesso para a marca e garantiu um sucessor: o (nada elegante) 407 Coupé, que esteve longe, longe de igualar o sucesso do 406 Coupé.

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O Volvo C70 também foi uma lufada de ar fresco quando surgiu. Longe do visual quadrado típico dos modelos da marca sueca — imagem da qual procurava se afastar —, o C70 é um dos Volvo mais elegantes de sempre (perde talvez apenas para o P1800).

Baseado no 850, o C70 contrapunha às suas elegantes linhas verdadeiro músculo, nem sempre capaz de ser acompanhado pelo seu chassis. Os penta-cilíndricos turbo da Volvo — e que acabaram também em alguns Ford — são hoje quase lendários. E capazes de lançar facilmente o C70 até aos 180 km/h… e mais além. O seu sucessor adotaria o mesmo nome, mas era uma criatura distinta: um coupé-cabriolet.

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Coupés dos anos 90, parte 2

É o fim da primeira parte do nosso Especial sobre os Coupés dos Anos 90, com a segunda parte a estar concentrada nos coupés japoneses, alguns deles hoje a serem verdadeiros modelos de culto. Aliás, é ao Japão que temos que agradecer o renascimento do interesse pelos coupés na década de 90 na Europa, e que estiveram por detrás da decisão de tantos destes coupés europeus nascerem.

Mantém-te atento pois a parte 2 está a caminho.

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