Guia de compra

Campeões dos consumos. Quais os carros que gastam menos?

Fomos procurar os verdadeiros campeões dos consumos, aqueles que gastam meras "gotas" de combustível. Usámos dados de utilizadores reais para formar esta lista.

Ao contrário do nosso guia de compra anterior, nesta procura pelos campeões dos consumos não impusemos um limite de preço. O (quase) único critério de escolha foi mesmo o quão é comedido o apetite por combustível de um modelo.

De seguida, focámos a nossa atenção apenas nos carros novos que podemos comprar em Portugal e separámos-los em três grupos: Diesel, gasolina e híbrido (gasolina). E, finalmente, queríamos usar não os dados oficiais, mas sim dados reais.

Para esse fim, recorremos ao Spritmonitor, um site alemão que reúne dados de consumos de utilizadores reais. De momento, já são mais de 500 mil utilizadores registados, a que correspondem mais de 750 mil carros.

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Aston Martin Vantage
Cenário que queremos evitar neste artigo… o de atestar 😉

Considerando as múltiplas variáveis que afetam os consumos — tráfego, velocidade, condutor, clima, geografia, etc. —, sabemos que não é possível afirmar com certeza o quanto gasta um determinado modelo, mas dada a escala que o Spritmonitor permite, ficamos com uma ideia bem mais realista do potencial económico de cada um deles. Fomos buscar apenas os mais poupadinhos…

Se há modelos novos que parecem estar em falta, tal acontece porque são ainda demasiado recentes ou estão a ser introduzidos no mercado, pelo que ainda não há dados de utilização dos mesmos ou em número suficiente.

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Diesel

Para abrir as “hostilidades”, começamos com aqueles que são conhecidos tradicionalmente como campeões dos consumos. O ano de 2019 viu o mercado nacional ficar desprovido de uma série de motorizações Diesel, sobretudo nos modelos dos segmentos mais baixos, devido à introdução do WLTP ao mesmo tempo que a fiscalidade passou a penalizar mais o gasóleo.

Estes dois fatores significaram em alguns modelos subidas expressivas de preço, na casa dos milhares de euros, pelo que os representantes das marcas simplesmente decidiram retirá-los do catálogo português, apesar de se manterem em comercialização noutros países europeus — esta lista contém apenas modelos à venda em Portugal.

Nota: o valor de consumo que surge em destaque na lista abaixo provém da Spritmonitor; os preços, quando disponíveis, foram retirados dos sites das marcas.

4,44 l/100 km — Peugeot 208, a partir de 17 743€

1.5 BlueHDI, 100 cv, 4,6 l/100 km, 120 g/km

Peugeot 208

O seu sucessor já foi apresentado, mas o seu lançamento no mercado só ocorrerá lá para o outono. A atual geração do Peugeot 208 revela aqui todo o seu potencial económico, como um dos Diesel mais poupados do mercado.

ALTERNATIVA: o “irmão” Citroën C3, mais recente, vem equipado com a mesma motorização e consegue consumos similares. Preços a partir de 17 157 euros.

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4,71 l/100 km — Ford Fiesta, preço não disponível

1.5 TDCI, 85 cv, 4,9 l/100 km, 128 g/km

Ford Fiesta 2017

Um dos melhores chassis do segmento pode ser também combinado com um dos motores Diesel mais poupados. O Ford Fiesta Vignale (na foto) vem equipado com a variante de 120 cv do mesmo propulsor.

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4,78 l/100 km — Citroën C-Elysée, a partir de 16 946€

1.5 BlueHDI, 100 cv, 4,7 l/100 km, 122 g/km

Citroën C-Elysée

Bastante conhecido da nossa praça… de táxis, o Citroën C-Elysée convence pelo preço acessível e pelos baixos consumos do seu motor Diesel.

ALTERNATIVA: o Dacia Logan Blue DCI 95 obedece às premissas do C-Elysée, com preço acessível — a partir dos 13 670 euros —, e baixos consumos.

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4,81 l/100 km — Renault Clio, a partir de 21 007€

1.5 dCi, 90 cv, 4,8-4,9 l/100 km, 127-130 g/km

Renault Clio

Tal como o arquirrival 208, também a atual geração do Renault Clio está em fim de vida, mas os seus argumentos relativos à economia de combustível permanecem tão atuais como sempre. A versão dCI 90 considerada garante melhores consumos que a dCi 75, ainda que por uma pequena margem, mas capaz de oferecer prestações superiores.

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4,97 l/100 km — Honda HR-V, a partir de 27 920€

1.6 i-DTEC, 120 cv, 4,0 l/100 km, 104 g/km

Honda HR-V

O “esquecido” Honda HR-V volta a surgir numa das nossas seleções, graças ao seu comedido 1.6 i-DTEC. Espaço, versatilidade e também economia — o HR-V merecia outra sorte no mercado.

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5,03 l/100 km — Fiat Tipo, a partir de 18 113€

1.3 Multijet, 95 cv, 4,7 l/100 km, 122 g/km

Fiat Tipo

Outra presença frequente nas nossas estradas, sobretudo em formato carrinha. O Fiat Tipo vem equipado com o conhecido 1.3 Multijet, atualmente o motor Diesel mais pequeno à venda no nosso mercado, mas quase que ficava fora deste grupo.

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Gasolina

Os motores a gasolina têm ganho terreno no mercado nos últimos anos, sobretudo graças à popularização dos pequenos motores de três cilindros turbo, prometendo maior refinamento que os Diesel, sem penalizar excessivamente nos consumos. Será que é mesmo assim?

Os modelos listados revelaram outra realidade. Nem um turbo à vista nesta seleção e como dá para constatar, todos eles carros pequenos e leves — o maior carro presente é o… muito compacto Swift da Suzuki, marca que acaba por dominar este grupo.

4,73 l/100 km — Suzuki Celerio, a partir de 8866€

1.0, 68 cv, 4,8 l/100 km, 108 g/km

Suzuki Celerio

Suzuki… quê? Este é o Celerio, o modelo mais acessível da Suzuki em Portugal, e ao que parece, também o carro mais económico exclusivamente a gasolina que podemos comprar.

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5,1 l/100 km — Citroën C1, a partir de 10 067€

1.0, 72 cv, 4,8 l/100 km, 110 g/km

Citroën C1

Um modelo que caiu definitivamente nos nossos afetos, revelando-se uma entusiasmante máquina de competição. Esta é a segunda geração do C1 e o motor de origem Toyota, revela-se voluntarioso, fiável e económico.

ALTERNATIVA: Caso não apreciem o seu estilo, sempre podem escolher entre os seus “irmãos” Peugeot 108 (a partir de 10 070€) e Toyota Aygo (a partir de 11 295 €), equipados com o mesmo motor, garantindo consumos idênticos.

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5,12 l/100 km — SEAT Mii, a partir de 13 241€

1.0, 60 cv, 5,2 l/100 km, 117 g/km

SEAT Mii by Cosmpolitan © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
SEAT Mii by Cosmpolitan

O SEAT Mii faz parte de outro trio de citadinos. A versão de 60 cv consegue os melhores consumos, mas a variante de 75 cv não lhe fica muito atrás, com prestações um pouco melhores.

ALTERNATIVA: os “irmãos” Volkswagen Up! (a partir de 12 495€) e Skoda Citigo (a partir de 11 408€) garantem níveis de consumo idênticos.

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5,22 l/100 km — Mitsubishi Space Star, a partir de 11 750€

1.2, 80 cv, 5,4 l/100 km, 123 g/km

Mitsubishi Space Star

Outro alegre desconhecido? O pequeno Mitsubishi Space Star destaca-se pelas suas dimensões compactas, similares ao Suzuki Swift, e o baixo peso — apenas 920 kg. Talvez um dos principais fatores para os baixos consumos que os 80 cv do seu motor permitem.

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5,37 l/100 km — Suzuki Ignis, a partir de 14 099€

1.2, 90 cv, 5,3 l/100 km, 120 g/km

Suzuki Ignis

O segundo Suzuki nesta lista, o Ignis é um citadino “arraçado” de crossover, com um estilo único, e com 90 cv…, mas muito poupadinhos. Tem inclusive variantes com tração às quatro rodas, o que a este nível é… raro.

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5,49 l/100 km — Suzuki Swift, a partir de 14 682€

1.2, 90 cv, 6,1 (5,6) l/100 km, 115 (113) g/km

Suzuki Swift © Diogo Teixeira / Razão Automóvel

Não há duas sem três… A Suzuki encerra esta tabela com o Swift, que em dimensões, fica algures a meio entre os citadinos e os utilitários. É muito leve, tal como o Space Star, com apenas 915 kg de peso. O 1.2 que encontramos no Ignis não tem problemas em movimentar o maior Swift mantendo o apetite comedido por combustível.

Nota: não foi possível separar os dados da versão regular da SHVS (mild-hybrid). Os dados oficiais relativos ao SHVS estão entre parêntesis.

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Híbridos

Definitivamente não são os mais acessíveis se queremos consumos reais baixos, mas que são capazes de os atingir, sem dúvida. Para esta seleção não considerámos os híbridos plug-in, mas os restantes híbridos, que oferecem condições de utilização similares às motorizações convencionais.

Os híbridos plug-in, devido às particularidades da sua unidade motriz, permitindo circular dezenas de quilómetros em modo elétrico, acaba por originar resultados completamente díspares — um exemplo, no Kia Niro PHEV é possível encontrar utilizadores com consumos de 1 l/100 km, como outros com mais de 6 l/100 km.

Os plug-in podem, no entanto, ser a opção certa para vocês, mas tenham sempre atenção às vossas rotinas diárias, para perceber se um híbrido plug-in “encaixa” realmente nelas, de modo a poderem tirar o máximo proveito das potencialidades do seu grupo motriz.

Quantos aos restantes híbridos, dado a oferta ampla, não admira que a Toyota domine esta seleção.

4,48 l/100 km — Toyota Prius, a partir de 36 590€

1.8, 122 cv, 4,8 l/100 km, 108 g/km

Toyota Prius

O seu design e estilo mantém-se altamente divisivos — um restyling já foi apresentado —, mas é inquestionável a eficácia do seu sistema híbrido. Para algo mais fácil de digerir, o novo Corolla vem com sistema híbrido similar, assim como o CH-R, mais abaixo nesta lista. Em opção existe um Toyota Prius plug-in.

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4,81 l/100 km — Hyundai Ioniq HEV, preço não disponível

1.6, 141 cv, 4,6 l/100 km, 105 g/km

Hyundai Ioniq © Razão Automóvel

Menos conhecido que o Prius, o Hyundai Ioniq não deixa de ser uma excelente alternativa, com um design e estilo mais consensual, e sem perder muito para o Prius em consumos. O Ioniq destaca-se também por estar disponível numa variante híbrida plug-in e outra 100% elétrica.

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4,83 l/100 km — Toyota Yaris Hybrid, a partir de 18 870€

1.5, 100 cv, 4,8 l/100 km, 108 g/km

Toyota Yaris Hybrid

O mais pequeno e acessível híbrido do mercado, o Toyota Yaris Hybrid herda do Prius II o seu grupo motriz. Com o desaparecimento progressivo dos Diesel nos segmentos baixos, conseguir consumos realmente baixos em ambiente urbano poderá estar dependente de carros com o Yaris.

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5,18 l/100 km — Kia Niro HEV, a partir de 24 620€

1.6, 141 cv, 4,8 l/100 km, 110 g/km

Kia Niro

O Kia Niro assume o formato de um espaçoso crossover, mas tem tido uma carreira relativamente discreta. Relaciona-se com o Hyundai Ioniq ao partilhar com este o seu grupo motriz, conseguindo também consumos muito comedidos. E tal como o Ioniq, apresenta-se também com uma variante híbrida plug-in, e uma 100% elétrica, recentemente apresentada (recorre ao grupo motriz do Kauai Electric).

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5,27 l/100 km — Toyota CH-R, a partir de 27 670€

1.8, 122 cv, 4,9 l/100 km, 110 g/km

Toyota C-HR

Talvez o visualmente mais apelativo dos híbridos da Toyota atualmente. O CH-R revelou-se um enorme sucesso para a marca japonesa, que também ajudou a disseminar a sua tecnologia híbrida. Herda do Prius o grupo motriz, e as concessões ao estilo e ao formato crossover fazem-se pagar nos consumos mais elevados, mas ainda assim, bastante baixos.

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