Ensaio

Toyota Prius Plug-in. Pode a condução elétrica ser «eletrizante»?

Depois de um primeiro contacto em Barcelona, voltámos a sentar-nos ao volante da segunda geração do Toyota Prius Plug-in. Agora pelas ruas de Lisboa...

É impossível falar de modelos híbridos sem referir a Toyota. A relação da marca nipónica com as motorizações «mais amigas do ambiente» começou há precisamente 20 anos atrás com a primeira geração do Prius. Uma relação que, como todas as outras, também conheceu altos e baixos.

Duas décadas e 10 milhões de veículos depois, a relação parece estar mais forte do que nunca – falamos do Toyota Prius Plug-in. Desde que foi lançado, em 2012, o modelo nipónico tem acompanhado a evolução da indústria e o crescimento de vendas de modelos híbridos em todo o mundo, e particularmente em Portugal. Nesta segunda geração, Toyota prometeu redefinir toda a tecnologia plug-in no modelo híbrido. Prometido é devido…

Comportamento mais envolvente e resposta eficaz

Comecemos por um das bandeiras desta nova geração do Toyota Prius Plug-in: a autonomia. No coração deste novo modelo está a mais recente geração da tecnologia PHV da Toyota. A capacidade da bateria de iões de lítio, localizada por baixo da bagageira, duplicou dos 4,4 para 8,8 kWh, e a autonomia em modo 100% elétrico cresceu na mesma medida: dos 25 km para os 50 km. Um salto significativo que permite (pela primeira vez no Prius Plug-in) relegar o motor de combustão para segundo plano – é possível cumprir os percursos do dia a dia exclusivamente em modo elétrico.

Se dúvidas houvesse, o Toyota Prius Plug-in é de facto um modelo talhado para a selva urbana. Promove uma condução suave, progressiva e silenciosa, ausente de emissões e consumos de combustível – em modo 100% elétrico, claro. A posição de condução é boa, embora o apoio de braço na coluna central seja demasiado alto – nada de muito grave, principalmente se as mãos estiverem onde deveriam estar: no volante.

Para quem não é um habituée ao volante de um modelo híbrido ou elétrico, a ausência de um painel de instrumentos imediatamente à nossa frente pode parecer algo estranha, mas rapidamente nos habituamos ao mostrador no centro do tablier.

Se por um lado o Prius Plug-in é um excelente aliado nos percursos de cidade, desligando o modo ECO e passando para ritmos mais desafogados o modelo nipónico cumpre os mínimos olímpicos. A transição da unidade elétrica para o motor 1.8 litros a gasolina é feita de forma um pouco mais discreta (leia-se, silenciosa) do que, por exemplo, no C-HR (Hybrid), também equipado com uma caixa CVT.

Neste particular, não podemos esquecer a melhoria em 83% da potência elétrica (agora com 68 kW), graças ao desenvolvimento de uma motorização com sistema de duplo motor elétrico – a nova embraiagem unidirecional dentro do transeixo permite utilizar o gerador do sistema híbrido como segundo motor elétrico. O resultado é uma velocidade máxima em modo «zero-emissões» de 135 km/h, face aos anteriores 85 km/h.

O Prius Plug-in proporciona uma condução que, embora não seja «eletrizante», acaba por ser envolvente, mesmo em velocidades mais elevadas. Com a ajuda do motor de combustão, o Prius Plug-in é capaz de acelerar dos 0-100 km/ em 11,1 segundos e alcança uma velocidade máxima de 162 km/h.

Em termos dinâmicos, é um Toyota Prius… E o que é que isso quer dizer? Não é um carro talhado para conduzir com a «faca nos dentes» nem para acelerar a fundo curva após curva (não queriam mais nada…), mas o comportamento do chassis, suspensão, travões e direção cumpre.

E não, não nos esquecemos dos consumos. A Toyota anuncia uma média combinada de 1,0 l/100 km (ciclo NEDC), um valor utópico para quem vai bastante além dos 50 km de autonomia elétrica mas não muito longe da realidade para quem fizer percursos mais pequenos e opte pelo carregamento diário da bateria. E por falar no carregamento, também aí o Prius Plug-in dá um passo em frente face ao seu antecessor. A potência máxima de carregamento subiu de 2 para 3,3 kW, e a Toyota garante tempos até 65% mais rápidos, ou seja, 3 horas e 10 minutos numa tomada doméstica convencional.

Um design… único

Conhecidas as sensações ao volante, focamos-nos agora num dos aspetos mais subjetivos e menos consensuais do Prius, e por arrasto, do Prius Plug-in: o design.

Nesta segunda geração, o Prius Plug-in não só adotou um novo look como foi o segundo modelo a recorrer à nova plataforma TNGA – Toyota New Global Architecture. Com 4645 mm de comprimento, 1760 mm de largura e 1470 mm de altura, o novo Prius Plug-in é 165 mm mais comprido, 15 mm mais largo e 20 mm mais baixo que o modelo anterior, e pesa 1625 kg.

Em termos estéticos, o desafio proposto à equipa de design da Toyota não era fácil: pegar num design que nunca convenceu e torná-lo mais marcante, sedutor e aerodinâmico. O resultado foi um modelo com projeções de carroçaria mais alongadas, uma assinatura luminosa completamente revista (com recurso a luzes LED) e uma secção dianteira com tratamento acrílico tridimensional. É mais marcante e sedutor? Achamos que sim, mas a traseira é demasiado… diferente. Já quanto à aerodinâmica, o Cd mantém-se nos 0,25.

No interior

No interior, o Prius Plug-in não abdica do estilo moderno e arrojado. O ecrã tátil de 8 polegadas (semelhante ao do C-HR) concentra em si todas as atenções e permite ter acesso aos habituais sistemas de navegação, entretenimento e conectividade.

Os grafismos (algo datados e confusos) relativos à tecnologia PHV da Toyota podem ser consultados num outro mostrador no tablier, composto por dois ecrãs TFT de 4.2 polegadas dispostos horizontalmente. O Prius Plug-in conta ainda com uma estação de carregamento sem fios para smartphones.

Mais atrás, os dois lugares para passageiros estão separados por um túnel. Já a bagageira foi vitima da bateria de maiores dimensões. Ao aumentar em 66% o seu volume, a bateria obrigou a subir o piso da bagageira em 160 mm, e a volumetria passou dos 443 litros para os 360 litros – o mesmo que o Auris, um modelo 210 mm mais curto. Em compensação, a porta da bagageira em fibra de carbono – uma novidade em modelos de produção em massa – permitiu atenuar o aumento de peso na traseira.

Dito isto, o novo Toyota Prius Plug-in é mais um passo importante no sentido da democratização dos híbridos (plug-in). Um passo que acaba por ficar mais curto do que se esperaria, se tivermos em conta o preço algo elevado para um modelo cujos benefícios continuam a estar reféns da autonomia elétrica – apesar das melhorias significativas.

Ficha técnica
Toyota Prius Plug-in

Preço

unidade ensaiada

42.100

Versão base: €41.200

  • Motor
    • Arquitectura: Quatro cilindros em linha/unidade elétrica (síncrono de magneto permanente)
    • Capacidade: 1798 cc
    • Posição: Transversal
    • Carregamento: Injeção eletrónica de combustível
    • Potência: 122 cv (total combinada)
    • Binário: 142Nm/163 Nm (combustão/elétrico)
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: CVT
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4645 mm / 1760 mm / 1470 mm
    • Distância entre os eixos: 2700 mm
    • Bagageira: 360 litros (191 litros até à chapeleira)
    • Jantes / Pneus: 15 polegadas, 1955/65 R15
    • Peso: 1625 kg
    • Relação peso/potência: 13.32 kg/cv
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 1.0 litros/100 km
    • Emissões de CO2: 22 g/km
    • Vel. máxima: 162 km/h
    • Aceleração: 11.1 segundos
  • Equipamento
    • Pintura Metalizada Especial
Avaliação
7 / 10
Depois do Prius, o Prius Plug-in foi o segundo modelo a recorrer à plataforma TNGA, e com isso acrescenta um estilo mais impactante e uma bateria de maiores dimensões. Melhorias suficientes para compensar a diferença de preço face ao Prius «normal»? Muito provavelmente. Mas será que chega para nos convencer a trocar um modelo tradicional por um plug-in híbrido? Temos dúvidas...
  • Bem equipado
  • Condução envolvente
  • Pouco espaço na bagageira, apenas dois lugares atrás
  • Design pode não agradar a todos
  • Preço

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