Desde 19.298 euros

No Suzuki Swift é tudo novo. Mas continua a entusiasmar?

O novo Suzuki Swift é realmente novo. Nova plataforma, motor e até tem assistência elétrica. Continua a cativar como os antecessores?

Olho para o computador de bordo e vejo 4,4 – não pode estar certo, pensei. Não ia a “pisar ovos”, a extensão do percurso ainda foi alguma, com gradientes pelo meio, e as velocidades praticadas andaram entre os 80 e 90 km/h e no final indicava apenas 4,4 litros aos 100 km. Fosse um Diesel ou um híbrido e não ficaria surpreendido. Mas 111 cavalos a gasolina? O novo Suzuki Swift 1.0 Boosterjet estava a impressionar mais do que previa.

Sejamos realistas. O pequeno Swift não liderará o segmento, seja em vendas ou num duelo objectivo com os rivais. Mas como tem acontecido desde 2004, ano em que assistimos à “reinvenção” do Suzuki Swift, consegue manter um apelo expressivo graças a uma forte personalidade visual, mecânica e dinâmica. E agora vem munido ainda de mais argumentos racionais para lá do preço.

Suzuki Swift 1.0 Boosterjet SHVS GLX

Tudo novo, mas por fora não parece

Ver o novo Swift é como encontrar um velho conhecido. Agradável, sem dúvida, evoluindo os temas visuais dos predecessores e com melhores proporções, mas lamentamos que a Suzuki não tenha ido mais longe. Isto porque o Swift é, segundo a marca, o seu utilitário “emocional” contrapondo à racionalidade do seu outro utilitário – o Baleno.

Falta mais emoção e arrojo ao desenho e podia prescindir dos clichés visuais, como o recurso ao pilar C “flutuante”. É que ao contrário de outras propostas, o novo Swift é realmente novo. Tem uma nova plataforma – denominada HEARTECT e estreada pelo Baleno.  É ela a principal responsável pelas evoluções objectivas verificadas.

Mais espaço, menos peso, sempre compacto

Graças a esta nova plataforma, o Swift permanece resolutamente compacto – ao contrário de outros utilitários que já se confundem com o segmento acima. Com 3,84 metros de comprimento, é inclusivamente um centímetro mais curto que o predecessor – e à volta de 15-20 cm mais curto que a concorrência. É também mais baixo e largo e a distância entre eixos cresceu cerca de dois centímetros.

O packaging superior da plataforma HEARTECT é evidente nas cotas internas. Segundo a marca japonesa, os ocupantes traseiros ganham 23 mm de espaço em largura e altura. Mas para os que já conhecem o Swift das últimas duas gerações, o que se destaca é a bagageira – são 265 litros de capacidade, mais 54 litros que os antecessores. Finalmente, uma bagageira digna de um…utilitário.

O que esta nova plataforma não trouxe foi lastro. É de tal forma leve – mesmo na versão mais potente que testei fica-se pelos 875 kg sem condutor -, conseguindo ser mais ligeiro que alguns dos citadinos um segmento abaixo. Dá azo à imaginação: 111 cv e 950 kg em ordem de marcha (norma EU que acrescenta 68 kg de peso para condutor e 7 kg de carga) garante uma relação peso-potência de 8,55 kg/cv, bastante próxima dos 8,23 kg/cv do anterior Swift Sport – 136 cv e 1120 kg (EU) .

Será um Boosterjet um Sport disfarçado?

A resposta, infelizmente, é um redondo não, tanto nas prestações como dinamicamente. Para performances realmente animadas teremos de aguardar pelo Swift Sport. O 1.0 Boosterjet foi claramente otimizado para beneficiar os consumos – surpreendendo até, como refiro no primeiro parágrafo. Mas está longe de ser lento. O “booster” em Boosterjet fornece 170 Nm entre as 2000 e as 3500 rpm, garantindo prestações convincentes e acessíveis em condições reais.

Permite andamentos vivos, à distância de um calcar de acelerador, quase não tem lag e responde de forma vivaz aos nossos pedidos. Se todos os pequenos “gasolinas turbo” fossem assim, talvez não parasse de ansiar pelo regresso de bons atmosféricos.

E (quase) que não dá para resistir aos andamentos vivos. Porque tal como os antecessores, o Swift continua a cativar pelas proezas dinâmicas. Bons níveis de aderência, uma frente super-incisiva e mesmo quando vamos para lá dos limites, mantém sempre uma atitude saudável e interactiva. Peca no entanto por dois aspectos: a direção e a caixa de velocidades.

Relativamente à direção, com o hábito ganhamos confiança, mas no início foi desconcertante rodar o volante, e durante aqueles primeiros graus iniciais, parecer que a ligação às rodas não estava lá. A caixa de cinco velocidades manual é rápida e precisa q.b., mas falta algum tacto mecânico. GLX não é sinónimo de desportivo, é certo, mas pedia-se também um pouco mais de apoio lateral nos bancos.

Mas pela qualidade das fundações, eleva as expectativas para o Sport.

SHVS, mais um acrónimo para poupar combustível

Apesar dos consumos comedidos, quando conduzimos com mais entusiasmo pode-se ver consumos na casa dos 8,0 litros, mas mesmo assim não parece muito.  Realisticamente, consumos médios a rondar os 5,5 litros são facilmente alcançáveis num contexto urbano e suburbano. E para mais temos o sistema SHVS a ajudar.

SHVS ou Smart Hybrid Vehicle by Suzuki permite que o Swift seja classificado como um mild-hybrid, ou semi-híbrido. Consiste num motor elétrico que serve de motor de arranque e gerador, uma bateria de lítio e um sistema de travagem regenerativa. Ao contrário dos sistemas mais badalados com uma arquitetura de 48V, o do Swift é de apenas 12V. Tal solução permitiu reduzir custos, complexidade e peso – pesa apenas 6 kg.

A sua função é de assistir o motor térmico – mobilidade 100 % elétrica não é possível. Reduz o fardo do motor térmico nos arranques e garante um sistema start-stop mais eficaz e suave no seu funcionamento.

Equipamento para dar e vender

Se por fora estávamos à espera de mais ousadia, o interior do novo Suzuki Swift convence mais depressa. O desenho é bastante mais contemporâneo e atractivo do que o antecessor, apesar de se manter um mar de plástico sem grandes ambições. Estes não são os mais agradáveis ao toque ou ao olhar, mas estão no geral bem montados. Dito isto notou-se na unidade testada um ruído parasita algures no porta-luvas.

Falta também ao Swift mais refinamento – o ruído de rolamento tende para o excessivo, e a velocidades mais elevadas o atravessar do ar torna-se bastante audível.

Suzuki Swift 1.0 Boosterjet SHVS GLX

A carroçaria de cinco portas passa a ser a única na gama, pelo que, como temos assistido em alguns concorrentes, o manípulo da porta traseira passa a estar “disfarçado”, colocado numa posição elevada, embutido no pilar C. Se o seu efeito exterior é atingido com sucesso, a sua colocação prejudica bastante a visibilidade traseira, adicionando muitos centímetros ao pilar C.

A versão testada, GLX, é a mais equipada. Neste nível de equipamento, o Swift oferece muito pelo preço pedido – tudo por menos de 20 mil euros. O volante é regulável em profundidade, tem quatro vidros elétricos, ar condicionado automático, cruise control, bancos aquecidos e faróis e farolins em LED. A única opção reside mesmo na pintura bi-tom que adiciona 590€ ao preço.

Mas mais importante é vir com todos os equipamentos de segurança que lhe permite chegar às quatro estrelas nos testes Euro NCAP – alerta de mudança de faixa, alerta anti-fadiga e travagem de emergência autónoma.

Ficha técnica
Suzuki Swift 1.0 Boosterjet SHVS GLX

Preço

unidade ensaiada

19.888

Versão base: €19.298

IUC: €100

Classificação Euro NCAP: 4

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cilindros em linha
    • Capacidade: 998 cm3
    • Posição: Transversal dianteira
    • Carregamento: Injecção Direta, Turbo
    • Distribuição: 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 111 cv às 5500 rpm
    • Binário: 170 Nm entre as 2000 e 3500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 5 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 3840 mm / 1735 mm / 1495 mm
    • Distância entre os eixos: 2450 mm
    • Bagageira: 265 litros
    • Jantes / Pneus: 185/55 R16
    • Peso: 950 kg
    • Relação peso/potência: 8,55 kg/cv
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,3 l/100 km
    • Emissões de CO2: 97 g/km
    • Vel. máxima: 195 km/h
    • Aceleração: 10,6 segundos
  • Equipamento
    • Vidros eléctricos traseiros
    • Botão de arranque sem chave
    • Climatizador automático
    • Volante de três raios em pele, com comandos audio e cruise control, regulável em altura e profundidade
    • Faróis dianteiros e farolins traseiros em LED
    • Retrovisores exteriores Rebatíveis electricamente
    • Travagem de emergência autónoma
    • Alerta de mudança de faixa
    • Alerta anti fadiga
    • Assistência de luzes de largo alcance
    • Sistema Auto Start Stop
    • Sistema SHVS (Smart Hybrid Vehicle by Suzuki)
    Extras
    Pintura metalizada bi-tom: 590 €
Avaliação
8 / 10
O novo Suzuki Swift é realmente 100% novo. A nova plataforma garante melhores cotas internas - sem aumento de dimensões externas -, e peso reduzido - é o utilitário mais leve no mercado. Continua a cativar pela dinâmica, apesar deste GLX ser mais orientado para o conforto. Os 111 cv do 1.0 Boosterjet respondem prontamente aos nossos pedidos e permitem um bom nível de performances com consumos comedidos - ajudados pelo sistema semi-híbrido SHVS. Pode não apresentar a qualidade interior aparente de outras propostas, mas a montagem e robustez geral estão em bom nível. A lista de equipamento é bastante completa, mas o preço, ainda assim, permanece concorrencial.
  • Consumos/Performances
  • Comportamento Dinâmico
  • Preço/Equipamento
  • Materiais no Interior
  • Visibilidade Traseira
  • Ruídos aerodinâmicos e de rolamento

Mais artigos em Testes, Ensaio

Os mais vistos

Pub