2018 foi assim

As notícias que “pararam” o mundo automóvel

Balanço do ano 2018. O mundo automóvel gira cada vez mais a uma velocidade estonteante, mas há momentos em que toda a gente pára e toma atenção.

Uma indústria de alcance tão vasto como a automóvel só poderia resultar num ritmo avassalador de notícias. O mundo automóvel passa pelo seu maior período de mudança de sempre com o futuro a trazer desafios complexos e de grande dimensão.

Por um lado desdobra-se em esforços — não só financeiros — para eletrificar o automóvel. Não só pelo apertar das normas de emissões que obriga a seguir este caminho, mas também pela imposição, por decreto, de terem automóveis elétricos, isto se querem manter-se presentes em alguns dos principais palcos mundiais.

Por outro lado, o futuro da indústria e da mobilidade nunca foi tão incerto como hoje em dia. A razão? O maior fator disruptivo que esta indústria enfrenta: a condução autónoma. Significará a reinvenção, extinção e criação de muitos modelos de negócio, com consequências ainda difíceis de prever.

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A condução autónoma, as normas de emissões mais rigorosas e consequente eletrificação acabaram por ser o principal motivador de muitas das notícias que publicámos este ano. Estes são alguns dos destaques:

Diesel

Após um ano de 2017 “negro”, 2018 não foi diferente, com as vendas do Diesel ainda em queda. Para muitas marcas torna-se pouco viável investir em motorizações Diesel, e para mais, com as ameaças de proibição de circulação que ocorrem em muitas cidades europeias. Não admira que muitas tenham decidido puramente abandonar este tipo de motorização.

WLTP

A data de introdução do novo protocolo de testes já estava no calendário à muito tempo — pré-Dieselgate —, mas isso não impediu o caos em muitos construtores na preparação e certificação das suas motorizações para o novo protocolo.

O Grupo Volkswagen foi particularmente afetado, dado a imensidão das suas gamas e das inúmeras combinações motor-transmissão que possuem. Nalguns casos, como a Bentley, os problemas foram “quase catastróficos”, como noticiámos.

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Herbert Diess
Herbert Diess, CEO do Grupo Volkswagen

Outras das consequências devido à introdução do WLTP, referem-se à suspensão da produção de algumas versões de alguns modelos até ao fim prematuro de outros:

Mas as consequências do WLTP não se ficam por aqui. Além de os consumos e emissões oficiais aumentarem e as autonomias dos elétricos diminuirem — o que ainda pode ter consequências ao nível dos preços e impostos — , a introdução de filtros de partículas nos motores turbo a gasolina e recalibração de muitas motorizações, levou a que alguns perdessem cavalos pelo caminho:

BMW Z4 M40i First Edition

Joint-ventures

O futuro está a colocar grandes desafios a todos os grupos e construtores automóveis — terão, essencialmente, de reinventar-se para se manterem relevantes ao entrarmos num mundo automóvel eletrificado, autónomo e conectado.

Ford Galaxy, Volkswagen Sharan
Depois dos MPV de Palmela, Ford e Volkswagen unem esforços novamente

Como enfrentar os desafios? Unindo-se. Nos últimos anos temos assistido a todo o tipo de parcerias e até aquisições, até com empresas que à partida pouco ou nada têm a ver com a indústria automóvel. Deixamos alguns exemplos:

CEO

Os “capitães” da indústria também estiveram em evidência em 2018, nem sempre pelas melhores razões. Ainda devido ao Dieselgate vimos o agora ex-CEO da Audi, Rupert Stadler ser detido, e a terminar o ano, também Carlos Ghosn foi detido (pai da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi), acusado de má conduta financeira, numa história da qual ainda não conhecemos todos os detalhes.

renault k-ze com carlos ghosn
Carlos Ghosn

Uma palavra também para o falecimento de Sergio Marchionne, CEO da FCA e Ferrari. Goste-se ou não de Marchionne — nunca foi uma figura consensual —, conseguiu pegar em dois grupos praticamente falidos e torná-los viáveis. Uma lenda na indústria, deixou um grande vazio de liderança — conseguirá Mike Manley (ex-CEO da Jeep) levar a FCA avante?

Tesla

Com um CEO tão mediático como Elon Musk ao seu leme, a Tesla foi presença constante na Razão Automóvel. Relatámos os problemas na linha de produção do Model 3 e sugestões para melhorar este modelo, tudo sempre intercalado com declarações bombásticas de Musk.

No entanto, as muitas dúvidas sobre a sustentabilidade futura da marca será que começam a ficar dissipadas? A Tesla apresentou lucro no penúltimo trimestre do ano.

Elon Musk
Elon Musk

Mas a questão permanece: foi apenas um trimestre ou passará a ser um evento mais regular, demonstrando a viabilidade da empresa?

Para terminar, para os muitos interessados no Model 3, existem finalmente preços para o Model 3 para Portugal. 

Lê mais sobre o que se passou no mundo automóvel em 2018:


2018 foi assim… Na última semana do ano, momento de reflexão. Recordamos os acontecimentos, os automóveis, as tecnologias e as experiências que marcaram o ano numa indústria automóvel efervescente.

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