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A China é o paraíso dos carros elétricos. Porquê?

O mercado onde se vendem mais elétricos é o chinês. Mas quais são as razões do sucesso destes carros na China e porque é que vendem tanto por lá?

A receita para vender mais carros elétricos é simples: juntam-se subsídios estatais a uma vasta oferta de postos de carregamento e depois é esperar um pouco até que as vendas disparem. A China aplicou-a e tem tido sucesso, com quase 40% dos cerca de 3,2 milhões de carros 100% elétricos vendidos em todo o mundo a terem sido comprados na China, de acordo com os números avançados pela Automotive News Europe.

As razões pelas quais a China está a apostar nos elétricos são relativamente simples. A primeira prende-se com questões ambientais, com o país asiático a apresentar dos níveis mais altos de poluição do ar a nível mundial torna-se quase imperativo incentivar o uso de carros elétricos em vez dos de combustão.

Já a segunda razão é um pouco mais “egoísta”, pois a aposta nos elétricos foi a forma que a indústria automóvel chinesa encontrou para compensar o atraso que apresentava ao nível dos motores de combustão interna quando comparada com os fabricantes internacionais (a maioria dos carros chineses recorrem a motores ultrapassados fornecidos por marcas japonesas).

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O que é que a China faz para vender tantos elétricos?

Assim, quando decidiu apostar nos elétricos a China criou todas as condições para que o mercado abraçasse este tipo de motorização. Primeiro, criou uma vasta rede de postos de carregamento. Para teres ideia da sua dimensão, há em todo o mundo cerca de 424 mil postos de carregamento para carros elétricos, desses mais de metade são na China, onde existem cerca de 241 mil postos.

Para além da rede de carregamentos a China soube aplicar a outra parte da receita da venda de elétricos, criando uma série de incentivos. Estes apoios levaram a um aumento das vendas dos “NEV’s”  (é assim que são designados os carros movidos a “novas energias” na China), que tanto podem ser carros 100% elétricos, híbridos plug-in ou fuel cell, que venderam no ano passado cerca de 777 mil unidades no mercado chinês.

Em comparação, os números de vendas de elétricos e híbridos plug-in na Europa são bem menos animadores, com as vendas deste tipo de carros a totalizarem apenas cerca de 281 mil unidades de acordo com dados da JATO Dynamics.

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Maior oferta resulta em mais vendas

Os reduzidos números de vendas de elétricos na Europa em comparação com a China podem ser justificados por questões políticas mas também pela aposta (ou falta dela) por parte das marcas nestes modelos. Enquanto na China os consumidores têm um total de cerca de 92 modelos elétricos, na Europa quem quiser comprar um carro movido a eletricidade (incluímos aqui também os híbridos plug-in) tem apenas 23 modelos à escolha.

E a situação piora ainda mais quando vemos que tipo de modelos são esses. As marcas chinesas decidiram apostar em gamas completas de elétricos, oferecendo desde o mais simples e pequeno citadino até ao maior dos crossover, passando por familiares, hatchbacks e sedans. Já na Europa a escolha resume-se a pequenos citadinos, alguns familiares compactos, a um ou dois crossovers e ainda a derivados de comerciais que duvidamos que sejam dos modelos mais atrativos para um comprador particular.

Aos poucos a China chega lá

Face à grande aposta nos elétricos já se pode dizer que ao nível desta tecnologia a indústria automóvel chinesa apresenta já um nível bastante elevado..Com modelos que têm vindo a melhorar tanto nos padrões de qualidade como de segurança, mais tarde ou mais cedo podemos vir a ter nas nossas estradas carros elétricos com o selo “made in china”.

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Não deixa de ser curioso observar que alguns dos primeiros modelos elétricos chineses foram feitos com base em modelos europeus. Por exemplo o Denza 400, que foi lançado em 2014, era fruto de uma joint venture entre a Mercedes-Benz e a marca chinesa BYD e usava como base o Mercedes-Benz Classe B. Será que para termos mais elétricos na Europa as marcas europeias têm de percorrer o caminho inverso e associar-se às chinesas?

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