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Renault Arkana. O primeiro “SUV-coupé” do segmento tem mais para oferecer do que estilo?

O Renault Arkana é o modelo mais próximo do conceito "SUV-coupé" definido pelas marcas premium. Para além da forma, também tem conteúdo?

Sem dúvida que o Renault Arkana é o modelo que mais se “cola” ao conceito “SUV-coupé”, iniciado em 2007 pelo bem maior (e bem mais caro…) BMW X6. Mas é com orgulho que a Renault apresenta as formas do seu mais recente modelo.

Até agora têm sido as marcas premium que têm apostado nesta fórmula, mas é a Renault que tem tudo para democratizar o conceito. O preço e as dimensões do Arkana podem fazer chegar este conceito a um número superior de consumidores.

Ainda assim, já existe neste segmento um potencial rival que se aproxima da receita da marca francesa. O Toyota C-HR caracteriza-se também por um desenho influenciado pelo coupés, e até se dá ao trabalho de disfarçar os manípulos das portas traseiras para não “vermos” que é um cinco portas.

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Renault Arkana 140 TCe EDC R.S. Line
“La raison d’être”. O Renault Arkana traz o conceito “SUV-coupé” para uma faixa mais acessível do mercado, sendo aquele que mais é fiel, a nível da forma, aos que temos visto das marcas premium. © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

O Renault Arkana, ao contrário do C-HR, não é exclusivamente híbrido, mas também tem uma motorização híbrida E-Tech Hybrid, que o Guilherme Costa já testou para o nosso canal de YouTube — vejam ou revejam esse teste em vídeo.

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Não é o caso do Arkana aqui testado, onde a eletrificação da cadeia cinemática — composta pelo conhecido 1.3 TCe de 140 cv, associado em exclusivo à caixa EDC (dupla embraiagem) de sete velocidades —, resume-se a um sistema mild-hybrid de 12 V. Sistema que dá assistência nos arranques e até, em acelerações mais vigorosas, pode contribuir com 20 Nm de binário adicionais.

Estilo compromete funcionalidade?

Neste tipo de propostas, onde a imagem e o estilo ganham protagonismo, outros aspetos mais funcionais ou práticos acabam por ficar relegados para segundo plano. No Arkana, felizmente, os compromissos não são assim tão grandes.

Excetuando a visibilidade traseira que deixa bastante a desejar (o óculo traseiro é pequeno e os pilares mais atrás são largos), o acesso à segunda fila de bancos e o espaço disponível por lá encontram-se em bom plano. É a bagageira, no entanto, que se destaca: 513 l de capacidade, um valor que supera até os 472 l do Kadjar, o outro SUV da marca no segmento. No entanto, a traseira mais baixa do Arkana pode ser impedimento para transportar objetos mais altos.

Ainda lá atrás, outro aspeto positivo são as janelas que são suficientemente altas para permitir ver de dentro para fora com alguma facilidade, o que hoje em dia nem sempre é garantido, mesmo em modelos concebidos para um uso mais familiar, que só têm… “janelinhas”.

Toda esta abundância de espaço no Renault Arkana é justificada pelo esticar da sua plataforma CMF-B — a mesma do Clio e, mais relevante, do Captur.

Renault Arkana TCe 140 EDC R.S. Line
Perfil inédito num SUV da Renault. Apesar desta tipologia não costumar dar origem às melhores proporções, no caso do Arkana, revela um equilíbrio bastante aceitável. © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

Em relação ao Captur, o Arkana tem mais 8 cm entre os eixos (2,72 m no total), mas são os 34 cm adicionais em comprimento (4,568 m) que captam a nossa atenção — especialmente após a primeira vez que o tentei estacionar. Percebe-se que é grande, mas é maior do que parece.

Diferente por fora, mas não por dentro

Se por fora o Renault Arkana distingue-se com alguma facilidade de qualquer outro modelo da marca, por dentro é o oposto — é praticamente idêntico ao do Captur. As diferenças existem, mas são subtis. Podemos ver que os principais elementos que compõem o tabliê e o seu design no geral — painel de instrumentos, infoentretenimento, comandos da climatização e saídas de ventilação — são exatamente os mesmos. Dificilmente alguém distinguiria os dois numa primeira apreciação.

Tabliê do Renault Arkana
Não há muito a dizer… É basicamente o mesmo tabliê do Captur. Não que seja uma má opção, mas tendo em conta o posicionamento pretendido pela Renault para o Arkana — um segmento acima do Captur —, deveria haver uma maior e mais clara diferenciação entre os dois. © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

Dito isto, não deixa de ser um interior agradável e robusto q.b. A maioria dos materiais que estão ao alcance fácil das mãos são agradáveis à vista e ao toque, enquanto o ecrã vertical do infoentretenimento e os comandos de climatização, já conhecidos de outros modelos da Renault e Dacia, são dos mais fáceis e intuitivos de usar.

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A montagem mostra uma evolução no sentido certo ao nível da robustez, mas as irregularidades das estradas — sobretudo as que são em paralelos — ainda façam com que o interior liberte alguns queixumes, sobretudo ao nível das portas.

Mais controlo e precisão

As irregularidades do piso mostram também que este Arkana é mais seco no seu amortecimento do que estamos habituados na Renault. Não é de todo desconfortável — bem pelo contrário —, mas é notório que quando comparado com outras propostas da marca, as irregularidades são mais sentidas, sobretudo a baixa velocidade.

O que perdemos em suavidade ganhamos em assertividade dinâmica. Quando aumentamos o ritmo, não só a suspensão parece até absorver melhor a maioria das irregularidades do que quando vamos a “passo de caracol”, como também garante um superior controlo dos movimentos da carroçaria — melhor do que, por exemplo, no Captur do qual deriva e também (bem) melhor do que no Kadjar.

Jantes de 18"
De série o Arkana R.S. Line traz jantes de 18″, as maiores disponíveis no modelo. Porém, ainda temos muito “pneu”: o perfil é 55 e a largura 215. © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

Não é o mais divertido, mas foi uma agradável surpresa descobrir esta faceta mais dinâmica do Arkana, que convida até levá-lo a troços com curvas. Aí revela precisão e eficácia, com reações neutras no limite. É um dos poucos modelos em que o modo Sport melhora a experiência de condução: a direção fica mais pesada, mas não muito, o que beneficia a precisão (nos outros modos é demasiado leve); e o pedal do acelerador fica mais acutilante. Nota positiva ainda para o tacto do pedal do travão, que transmite confiança na sua ação numa condução mais desportiva.

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Saindo das curvas e indo em direção ao horizonte, a estabilidade deste SUV com 200 mm de distância ao solo também é bastante boa. A insonorização, por outro lado, não convenceu, por culpa dos ruídos aerodinâmicos que se fazem sentir em demasia a velocidades de autoestrada (concentrados algures à frente do pára-brisas).

Não falta “pulmão”

De qualquer modo, seja em condução mais desportiva, autoestrada ou a enfrentar aquela subida mais íngreme, o 1.3 TCe de 140 cv garante que nunca falta “pulmão”.

Motor 1,3 Tce 140 cv
Um “velho” conhecido de outros Renault e também Nissan. O 1.3 TCe, aqui com 140 cv e 260 Nm, não revela falta de “pulmão”, mas apesar de todas as suas qualidades — resposta linear, com o seu melhor a estar nos médios regimes —, neste Renault Arkana revelou uma “voz” industrial e pouco agradável, nos regimes mais elevados (à volta das 4000 rpm para cima). © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

No entanto, o casamento com a caixa EDC (caixa de dupla embraiagem) de sete velocidades não deixou muitas saudades.

A sua ação é, no geral, suave (ainda que a tender para o lento), mas revelou-se relutante em “meter uma abaixo” quando lhe “pedia” só um pouco mais do motor, mesmo numa condução sem pressas. Obrigava a pressionar mais o acelerador que o necessário até “perceber” o que lhe estava a pedir, resultando num momento mais abrupto de redução de relação e aceleração que o desejado.

Sendo motivado praticamente apenas pelo motor de combustão interna, os consumos teriam de ser superiores, bastante até, aos conseguidos pelo Guilherme no Arkana E-Tech Hybrid que não teve problemas em alcançar médias abaixo dos cinco litros, como o prometido pelos números oficiais.

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É possível, no entanto, fazer menos de cinco litros aos 100 km neste Arkana 1.3 TCe de 140 cv a velocidades moderadas (90 km/h), enquanto em autoestrada fica-se pelos 6,8 l/100 km. Já numa condução em cidade, estes andam à volta dos oito litros. Valores razoáveis, em linha com propulsores similares de outras marcas.

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É o carro certo para mim?

O Renault Arkana tem muito a favor dele e não se fica apenas pela aparência “da moda” que possui — já agora, foram mais os comentários positivos que negativos que recebeu, mas o tema dos “SUV-coupé” continua a ser divisivo entre os mais tradicionalistas. É uma alternativa aos SUV e crossover convencionais, com um traço mais dinâmico/desportivo, mas que não compromete seriamente o seu lado mais prático.

Além do mais, sendo esta versão a R.S. Line, uma das especificações mais elevadas, o equipamento de série é também ele muito generoso.

Não só ao nível dos equipamentos de conforto (bancos elétricos e aquecidos, por exemplo), como também ao nível dos assistentes de condução. O Arkana traz, por exemplo, cruise control adaptativo e estaciona (praticamente) sozinho. Equipamentos que são onerosos opcionais em muitas propostas premium e que se posicionam um par de segmentos acima.

Renault Arkana 140 TCe EDC R.S. Sportline © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

O seu preço é muito mais atrativo do que os outros “SUV-Coupé” que já conhecemos, o que não admira, pois os outros são todos propostas premium. E não ao existirem rivais diretos das marcas generalistas — só me ocorre, novamente, o C-HR da Toyota, que apenas está disponível como híbrido —, o Renault Arkana tem o potencial de democratizar, na medida do possível, o conceito de “SUV-Coupé”.

Por outro lado, podemos considerar que os 36 200 euros pedidos (37 800 euros com os opcionais da unidade testada) são também algo elevados, dado a proximidade demasiado óbvia que o Arkana tem com o Captur, sobretudo no seu interior. É o preço a pagar por mais espaço e sobretudo pelo estilo muito distinto.

Preço

unidade ensaiada

37.800

Versão base: €36.200

IUC: €137

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1332 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta; Turbo; Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válv. por cilindro (16 válv.)
    • Potência: 140 cv entre as 4500-6000 rpm
    • Binário: 260 Nm entre as 1750-3500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática (dupla embraiagem) de 7 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4568 mm / 1821 mm / 1576 mm
    • Distância entre os eixos: 2720 mm
    • Bagageira: 513-1269 l
    • Jantes / Pneus: 215/55 R18
    • Peso: 1411 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,9 l/100 km
    • Emissões de CO2: 132 g/km
    • Vel. máxima: 205 km/h
    • Aceleração: 9,8s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: Pintura: 3 anos; Anticorrosão: 12 anos
  • Equipamento
    • Faróis 100% LED
    • Câmara de marcha-atrás
    • Retrovisores exteriores reguláveis e rebatíveis eletricamente, com sistema de desembaciamento
    • Sistema de assistência à travagem de emergência ativa com deteção de peões e ciclistas
    • Regulador de velocidade adaptativo e limitador de velocidade
    • Sistema de assistência na transposição involuntária de via e alerta de transposição involuntária de via
    • Alerta de distância de segurança
    • Alerta de ângulo morto
    • Alerta de obstáculo lateral
    • Alerta de obstáculo traseiro
    • Alerta de excesso de velocidade com reconhecimento dos sinais de trânsito;
    • Travão de estacionamento elétrico com função Auto-Hold
    • EASY LINK 9,3'' - Sistema multimédia com rádio e navegação integrada no ecrã tátil de 9,3‘’ - Compatível com Android Auto e Apple CarPlay - Bluetooth
    • Renault multi-sense, personalização dos modos de condução e ambientes interiores
    • Jantes em liga leve de 18’’
    • Vidros traseiros sobre escurecidos
    • Piso de porta-bagagens amovível;
    • Bancos do condutor e do passageiro com sistema de aquecimento e regulações elétricas
    • Volante em couro com sistema de aquecimento (indisponível no início de comercialização)
    • Retrovisor interior electrocromático sem moldura
    • Ar condicionado automático e purificador de ar
Extras
Pack Look (Tejadilho preto, Proteçoes dianteira e traseira + friso na proteção inferior das portas na cor da carroçaria) —  800,00 €; Pintura Metalizada — 530,00 €; Pneu sobressalente (sem compartimento na bagageira) — 170,00 €.
Avaliação
7 / 10
Não é só "para o estilo". O Renault Arkana tem mais argumentos que apenas as linhas "da moda", destacando-se as cotas internas atrás em contraste com o seu tejadilho descendente. A bagageira generosa merece destaque; o "SUV-Coupé" francês pode servir como alternativa com mais estilo (goste-se ou não) a outros crossovers e SUV para um veículo para a família. Para mais, sendo o R.S. Line, além de reforçar a imagem desportiva do modelo, tanto por dentro como por fora, vem muito bem equipado de série.
  • Equipamento
  • Comportamento mais apurado
  • Bagageira ampla
  • Caixa EDC nem sempre responde da forma pretendida
  • Ruídos aerodinâmicos
  • Demasiado próximo do Captur

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