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e-tron S Sportback com 3 motores e 503 cv. O que vale o primeiro Audi “S” elétrico?

O Audi e-tron S Sportback é o primeiro "S" elétrico da marca dos anéis e revelou ser uma proposta… intrigante. Descubram as razões.

O Audi e-tron S Sportback (e e-tron S “normal”) não só é o primeiro “S” da marca totalmente elétrico como, mais interessante, é o primeiro a vir com mais do que dois motores elétricos motrizes: um no eixo dianteiro e dois no eixo traseiro (um por roda) — antecipou-se, inclusive, à Tesla na chegada ao mercado de tal configuração, com o Model S Plaid.

Nenhum dos três motores está fisicamente ligado entre si, com cada um a ter acoplado a sua própria caixa redutora (de uma relação só), estando a comunicação entre os três apenas a cargo da software.

No entanto, ao volante não damos conta das “conversas” que possam ocorrer entre os três: carregamos no acelerador e o que obtemos é uma resposta decidida e linear, como se de um motor apenas se tratasse.

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Audi e-tron S Sportback
Sportback destaca-se pela sua linha de tejadilho descendente, como um… “coupé”. Apesar disso, acessibilidade aos lugares traseiros e espaço em altura atrás estão em muito bom plano. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Porém, o facto de cada uma das rodas traseiras ter o seu próprio motor abre um mundo de possibilidades dinâmicas, podendo explorar ao máximo o potencial da vetorização do binário e conseguir um controlo extremamente preciso sobre quanto binário chega a cada roda, que nenhum diferencial consegue replicar.

Por fim, os dois motores traseiros dão ao Audi e-tron S Sportback um claro protagonismo ao eixo traseiro, que soma mais newtons metro e quilowatts que o eixo dianteiro, algo que não é habitual na marca dos quattro anéis — só o R8 tem tanto foco sobre o eixo motriz traseiro.

Potência não falta

Ter mais um motor que os outros e-tron trouxe também mais potência ao S. No total, são 370 kW (503 cv) e 973 Nm… mas só se estiverem com a transmissão em “S”, e só estão disponíveis… 8s de cada vez. Na posição normal “D”, a potência disponível desce para os 320 kW (435 cv) e 808 Nm — ainda assim superior à potência de pico de 300 kW (408 cv) do e-tron 55 quattro.

Audi e-tron S Sportback
Entre os SUV que se apelidam de “coupés”, o e-tron Sportback é, talvez, o melhor conseguido, graças às suas proporções e integração do volume traseiro. As rodas de 21″ também ajudam. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Com tanto poder de fogo eletrões, a performance impressiona — de início. Os arranques são poderosos, sem roçarem o desconfortável como nalguns elétricos que nos esmagam, sem apelo nem agravo, contra o banco uma e outra vez.

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Os credíveis 4,5s oficiais até aos 100 km/h surpreendem ainda mais, quando constatamos que estamos ao volante de praticamente 2700 kg de SUV — merece até ser escrito por extenso… praticamente dois mil e setecentos quilos… É mais pesado que, por exemplo, o ainda maior e recente Tesla Model X Plaid, o tal de mais de 1000 cv, em mais de 200 kg.

Audi e-tron S Sportback © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

É certo que a intensidade da aceleração começa a desvanecer quando a velocidade está para lá dos três dígitos, mas a resposta imediata ao mais leve pressionar do acelerador está sempre lá, sem nunca hesitar.

Ao volante

Se a superior performance disponível é um dos pontos de atração do “S”, a minha curiosidade em relação ao e-tron S Sportback era mais sobre a experiência de condução. Com o protagonismo dado ao eixo traseiro, e sendo um “S”, a expectativa é a de que encontraria uma experiência de condução distinta dos restantes e-tron 55, consequência da sua configuração mecânica.

Interior
Apesar da sua aparência arquitetural e tecnológica, não deixa de ser um interior muito convidativo. Os revestimentos são de muito boa qualidade, a montagem (praticamente) referencial, e a robustez de todo o conjunto é notável. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Rapidamente constatei que não, não é. Numa condução normal, a haver diferenças ao volante do “S” em relação aos e-tron 55, são subtis — nota-se o amortecimento mais firme, mas pouco mais que isso. Só a sua capacidade superior de aceleração o distingue verdadeiramente, mas não me interpretem mal, não há nada de errado com a condução do e-tron, qualquer que seja a versão, bem pelo contrário.

A direção é leve (disfarçando bem a substancial massa em movimento), mas muito precisa (ainda que pouco comunicativa), característica presente nos vários comandos do veículo.

Volante
Volante desportivo é opcional, de três braços e quase que lhe perdoo a base ser plana, pois o couro que o reveste é muito agradável ao toque e a pega é também excelente. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

O refinamento a bordo é simplesmente soberbo e nada tenho a apontar ao conforto, sempre em níveis elevados, seja no meio urbano onde o piso nem sempre está no melhor estado, seja em autoestrada, a velocidades de cruzeiro elevadas.

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Parece até magia a forma como os engenheiros da Audi conseguiram erradicar os ruídos aerodinâmicos e de rolamento (mesmo tendo em conta que as rodas são enormes, com jantes de 21”) e a suspensão pneumática (de série) lida eficazmente com todas as imperfeições do asfalto e até podemos ajustar a distância ao solo de acordo com as necessidades.

Jantes de 21" Audi Sport
De série as rodas são de 20″, mas a nossa unidade vinha com umas mais generosas e atrativas jantes de 21″, um opcional de 2285 euros. Para quem acha pouco, existe ainda a opção por jantes de 22″. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Persiste uma percepção geral de elevada integridade quando em movimento e quando combinada com a cuidada insonorização, fazem deste SUV elétrico um companheiro fenomenal para longas viagens — ainda que limitado pela autonomia, mas já lá iremos… —, ou seja, o que esperamos de qualquer Audi a este nível.

À procura do “S”

Mas, confesso, estava à espera de um pouco mais de “picante”. É preciso aumentar o ritmo — bastante — e apanhar um encadeado de curvas para perceber o que faz deste e-tron S Sportback mais especial que um e-tron 55 Sportback.

Bancos desportivos
Também os bancos desportivos são um opcional (1205 euros), mas nada a apontar aos mesmos: confortáveis q.b. para enfrentar uma viagem mais longa, e capazes de segurar eficazmente o corpo quando decidimos explorar melhor as aptidões dinâmicas do e-tron S Sportback. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Selecionem o modo Dynamic (e “S” na transmissão), carreguem no acelerador com firmeza e preparem-se para atacar a próxima curva que se aproxima vertiginosamente rápido ao mesmo tempo que tentam ignorar são 2,7 t a mudar rapidamente de direção… Pé no travão (e notam que falta alguma “mordedura” inicial), apontem a frente na direção desejada e maravilhem-se como o “S” muda de direção, sem hesitações.

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Notam que a carroçaria adorna pouco e agora voltem a pisar o acelerador… com convicção… e aí, sim, os dois motores elétricos traseiros fazem-se “sentir”, com o eixo traseiro a “empurrar” progressivamente o dianteiro, eliminando qualquer vestígio de subviragem, e caso continuem a insistir sobre o acelerador, a traseira até dá um “ar de sua graça” — uma atitude a que não estamos habituados a ver nos Audi… mesmo os muito rápidos RS.

Audi e-tron S Sportback
É possível até fazer dramáticas saídas de traseira, como a própria Audi o demonstrou, mas requer empenho. Mais uma vez… são quase 2700 kg — o momento é grande, o carro também…

A questão é que para chegar a este ponto, temos de estar a mover-nos muito depressa para “sentir” os efeitos desta incomum configuração motriz. Abrandando um pouco o ritmo, mas ainda elevado, regressa a eficácia e neutralidade que são típicas da marca. O “S” perde o seu fator de distinção e a capacidade em influenciar a experiência de condução, só mostrando todo o seu potencial em modo “faca nos dentes”.

Dito isto, acreditem, o e-tron S Sportback curva melhor que qualquer SUV tão grande e pesado como este não deveria ter direito de o fazer, demonstrando uma agilidade que surpreende.

Consola central
O manípulo da transmissão tem um formato estranho (pode também servir de apoio para a mão), mas é de fácil habituação. Para percorrer entre as várias posições, usamos os dedos para empurrar para a frente/trás a parte metálica. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Cheio de apetite

Se impressionou a curvar, é em estrada aberta e longas distâncias que os Audi a este nível costumam deslumbrar. É como se tivessem sido concebidos com o único propósito de ir ao fim do mundo e voltar, de preferência a velocidades de cruzeiro muito elevadas numa qualquer autobahn.

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O Audi e-tron S Sportback não é exceção, impressionando pelo refinamento e insonorização, como já tinha referido, e também pela elevada estabilidade. Mas nesse exercício os consumos registados limitam bastante esse propósito. O e-tron S Sporback tem um apetite bastante grande.

Em autoestrada, à velocidade legal em Portugal, 31 kWh/100 km foi o normal, um valor bastante elevado — só posso imaginar nas autobahns alemãs, o seu habitat natural, sobretudo nos troços sem restrições. Pode obrigar a fazer algumas contas antes de iniciarmos uma viagem com algumas centenas de quilómetros.

Sempre podemos optar por ir pelas nacionais, a 90 km/h, mas mesmo assim, o computador de bordo registou sempre perto de 24 kWh/100 km. Durante a minha estadia com ele nunca vi menos do que 20 kWh/100 km.

A bateria de 86,5 kWh líquidos é grande q.b., mas com a facilidade com que os consumos sobem, os 368 km de autonomia anunciados parecem ser algo otimistas e vai obrigar a carregamentos com mais frequência que outros elétricos equivalentes.

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Como referi no início deste texto, o Audi e-tron S Sportback é um dos modelos mais intrigantes que conduzi da marca dos anéis. Seja pela sua configuração mecânica ou pelo potencial da sua atitude dinâmica. No entanto, o que promete no papel parece não encontrar eco na realidade.

porta de carregamento audi e-tron
São duas as portas de carregamento presentes no e-tron S Sportback, uma de cada lado. Carregamentos em corrente direta (150 kW) permite ir dos 5% aos 80% da bateria em 30 minutos. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Se por um lado esperava encontrar um e-tron com mais “atitude” do que os outros e uma experiência de condução distinta, essa só aparece numa condução mais agressiva e a velocidades muito elevadas; em tudo o resto pouco ou nada se distingue dos e-tron 55 quattro.

Por outro lado, apesar das excelentes características estradistas que possui, os seus consumos elevados limitam-no, pois não vamos chegar muito longe.

O Audi e-tron S Sportback parece ficar assim numa espécie de limbo, apesar de todas as excelentes qualidades com que nos brinda. Fica difícil recomendá-lo sabendo que existe um mais capaz e-tron 55 Sportback.

Audi e-tron S Sportback © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Ainda há que ter em conta o preço, a começar a norte dos 100 mil euros (mais 11 mil euros que o e-tron 55 Sportback), mas a nossa unidade, fiel à tradição “premium”, adiciona ainda mais de 20 mil euros em opções — e mesmo assim detetei lacunas como a ausência de um cruise control adaptativo.

Preço

unidade ensaiada

124.390

Versão base: €102.530

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 3 motores (1 à frente, 2 atrás)
    • Posição: Dianteiro Transversal e Traseiro Transversal
    • Carregamento: Bateria de iões de lítio: 95 kW (86,5 kWh líquidos)
    • Potência: Motor 1 (Fr.): 150 kW (204 cv); Motor 2 (Tr.): 132 kW (179 cv); Motor 3 (Tr.): 132 kW (179 cv); Potência máxima combinada: 370 kW (503 cv);
    • Binário: Motor 1 (Fr.): N.D.; Motor 2 (Tr.): N.D.; Motor 3 (Tr.): N.D.; Binário máximo combinado: 973 Nm;
  • Transmissão
    • Tracção: Integral
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora 1 vel. (uma caixa por motor)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4901 mm / 1976 mm / 1615 mm
    • Distância entre os eixos: 2928 mm
    • Bagageira: 555-1665 l; Mala dianteira: 60 l
    • Jantes / Pneus: 285/40 R21
    • Peso: 2695 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 28,1–25,8 kWh/100 km; Autonomia: 368 km
    • Emissões de CO2: 0 g/km
    • Vel. máxima: 210 km/h (eletronicamente limitada)
    • Aceleração: 4,5s
  • Garantias
    • Mecânica: 4 anos ou 80 000 km
  • Equipamento
    • Tampa do compartimento de bagagem com abertura e fechamento elétrico
    • Cabo para Sistema de carregamento e-tron
    • Ar condicionado estacionário
    • Potência de aquecimento standard
    • Audi virtual cockpit plus
    • Navegação MMI plus com MMI touch response
    • Sistema de estacionamento visual com indicação do ambiente
    • Sistema regulador de velocidade com limitador de velocidade
    • Adaptive air suspension sport
    • Direção progressiva
    • Extensão de garantia 2 anos, máx. 80 000 km
    • Indicação de controle da pressão dos pneus
Extras
Pintura metalizada — 1210,00 €; Pacote City — 1270,00 €; Advanced key com sensor de movimento para abertura da bagageira e alarme volumétrico — 1595,00 €; Ar condicionado automático de 4 zonas — 970,00 €; Ar condicionado estacionário — 100,00 €; Audi music interface para os bancos traseiros — 185,00 €; Audi phone box — 605,00 €; Audi Smartphone Interface — 335,00 €; Bancos aquecidos à frente — 460,00 €; Bancos dianteiros desportivos Plus — 1205,00 €; Câmaras 360º — 1390,00 €; Estofos em couro Valcona, com logótipo S line — 1150,00 €; Fecho assistido das portas — 775,00 €; Jantes de liga leve 10.5J x 21 com 5 raios em Y rotor design, Pretas, maquinadas e pneus 285/40 R21 — 2285,00 €; Pacote negro Audi Exclusive — 725,00 €; Pacote de couro/couro artificial - zona superior do tabliê em couro e elementos inferiores da consola central em couro artificial — 980,00 €; Pacote de luzes ambiente — 695,00 €; Pacote arrumação e bagageira — 145,00 €; Projetores nas portas em LED — 290,00 €; Retrovisores exteriores em preto alto brilho — 130,00 €; Retrovisores exteriores elétricos, aquecidos e rebatíveis, com anti-encandeamento automático e memória — 425,00 €; Sistema de monitorização da pressão dos pneus - Advanced — 365,00 €; Sistema de som Bang & Olufsen Premium com som 3D — 1390,00 €; Teto de abrir elétrico, em vidro panorâmico — 1800,00 €; Vidros laterais acústicos — 605,00 €; Vidros escurecidos — 545,00 €; Volante desportivo multifunções com fundo plano, em couro, com patilhas — 230,00 €.
Avaliação
7 / 10
O e-tron S Sportback é tudo o que esperamos de um Audi a este nível. Desde a qualidade de montagem (praticamente) à prova de críticas, até ao refinamento e insonorização soberbos (superiores até a outros Audi equivalentes a combustão), passando pelos excelentes materiais e conteúdo tecnológico (ainda que tenhamos de "mergulhar" nos muitos opcionais). Mas falta algo a este "S", que promete bastante com a sua inédita configuração de três motores, mas que, no final, acaba por desapontar por não se afastar o suficiente dos outros e-tron, de dois motores. A não ser que tratem qualquer estrada como de um circuito se tratasse, que não devemos fazer por razões óbvias. Também as suas excelentes qualidades estradistas vêm-se limitadas pelos consumos excessivos — só com uma condução regrada alcançarão os 368 km de autonomia, mais uma vez, indo contra o propósito deste "S".
  • Refinamento a bordo soberbo
  • Performance elevada
  • Agilidade surpreendente
  • Comportamento eficaz e elevada estabilidade
  • Consumos elevados (autonomia curta)
  • Alguns opcionais deviam ser de série
  • Não é "S" o suficiente

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