Salão de Pequim 2020

Salão de Pequim 2020. Há vida nos salões automóveis para lá do Covid-19

"The show must go on" é o que podemos afirmar sobre o Salão de Pequim 2020, o primeiro a acontecer com a pandemia a decorrer.

Devido à pandemia, o Salão de Pequim 2020, ou Auto China como é oficialmente chamado, não só teve de migrar da primavera para o outono, como acabou por se tornar num evento puramente nacional.

Porém, a sua importância não diminuiu, sobretudo este ano, pois o mercado chinês tem estado em alta nos últimos meses e não podemos esquecer que o mercado chinês é o maior a nível mundial, e por larga margem.

Ao contrário da restante economia global refém da pandemia do coronavírus nos últimos seis meses, na China, onde esta teve origem, a economia parece ter regressado ao ritmo habitual — a indústria automóvel perdeu “apenas” 10% em relação a 2019.

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Haval DaGou
Haval Dagou.

A recuperação pós-Covid-19 do mercado automóvel chinês tem beneficiado particularmente os construtores automóveis alemães, sobretudo os premium: BMW (+45%), Mercedes-Benz (+19%) e Audi (+18%) preparam-se para ter um 2020 melhor do que 2019 na China. Também a Tesla, agora com produção local, tem sido uma das histórias de sucesso chinesa.

Quem não parece estar a conseguir beneficiar da recuperação do mercado automóvel chinês são os construtores… chineses. À exceção da Geely, a larga maioria das marcas locais, incluindo as dedicadas aos elétricos e híbridos plug-in (NIO, XPeng e Li Auto) não vêm a esperada evolução nas suas tabelas de vendas.

Novidades no Salão de Pequim 2020

Recentemente ficámos a conhecer o novo Audi Q5 Sportback, modelo que também será lançado na China, mas em versão longa (distância entre eixos cresce 89 mm, até aos 2,908 m), sendo produzido localmente. Estará disponível apenas com duas motorizações a gasolina (2.0 TFSI).

BMW Série 5 Longo
BMW Série 5 Longo

A BMW levou os novos M3 e M4 até Pequim em estreia mundial. Além do par de desportivos, a marca bávara levou até lá ainda o novo Série 4 Coupé, o iX3, o 535 Le (versão longa do europeu 530e, com mais 130 mm de distância entre eixos, e anuncia 95 km de autonomia elétrica) e o concept i4.

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Mercedes-Benz Classe S W223

Talvez a maior estrela do Salão de Pequim 2020 seja mesmo o novo porta-estandarte da marca da estrela, o Classe S, disponível apenas na China na carroçaria longa.

A China tem sido muito boa para a Daimler, sendo desde 2015 o seu maior mercado, com as vendas a terem praticamente dobrado até 2019.

E se há história de sucesso da Mercedes na China, esta chama-se Classe E.

O renovado modelo foi agora apresentado por lá na sua variante longa. O quão importante é esta variante? Bem, em 2019, por cada dois Classe E sedã vendidos no mundo um deles era a versão longa chinesa. As vendas continuam a bater recordes e este ano regista um aumento na casa dos dois dígitos.

A Mercedes-Benz revelou também a renovada Classe V, um modelo bem mais significativo do ponto de vista comercial na China do que na Europa — 25% das Classe V vendidas no mundo rolam nas estradas chinesas.

Polestar Precept

Como reportámos recentemente, Thomas Ingenlath, CEO da Polestar, anunciou no Salão de Pequim 2020 a passagem à produção do Precept, um protótipo para uma futura berlina elétrica, algures entre um Tesla Model S e um Porsche Taycan. Apesar de sediada em Gotemburgo, na Suécia, é na China que a Polestar concentra a maioria das suas operações comerciais e industriais.

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A Volkswagen, em colaboração com os seus parceiros SAIC e FAW, revelou o Tiguan X, a versão “SUV-coupé” do Tiguan que conhecemos na Europa. Também o Golf 8 estreou-se em território chinês.

Em paralelo, a ainda muito jovem marca Jetta que a Volkswagen criou especificamente para o mercado chinês, para melhor rivalizar com as marcas locais, está a revelar-se um sucesso — este ano já venderam 104 mil veículos.

Haval H6

Entre os fabricantes automóveis chineses, o destaque terá de ser dado ao grupo GWM (Great Wall Motors), que inclui as marcas Haval, Wey, Ora e GWM Pickup.

O grupo chinês “invadiu” o Salão de Pequim 2020 com uma série de novidades, destacando-se a terceira geração do Haval H6, o SUV mais vendido na China e, por isso, talvez o mais importante modelo apresentado no salão.

Chevrolet Equinox

A General Motors tem também na China um dos seus principais mercados mundiais, tendo levado até Pequim o atualizado Chevrolet Equinox, o crossover mais vendido do grupo no mundo. O revisto Cadillac XT4 (SUV) também marcou presença no palco chinês.

A Baojun, marca chinesa, resultado da joint venture entre a SAIC e a General Motors, revelou também os novos RC-5 e RC-5W.

Texto original: Stefan Grundhoff/Press-Inform.

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