Ao volante

Fomos conhecer o futuro da Skoda e conduzimos o seu presente e passado

Estivemos numa apresentação exclusiva da Skoda para os jurados do Car Of The Year e ficámos a saber tudo sobre a marca, mas não podemos falar de tudo…

Em Mladá Boleslav, República Checa

Bernhard Maier, CEO da Skoda, tinha começado há pouco a sua apresentação dirigida aos jurados do Car Of The Year quando a eletricidade “cai” e lhe desliga o microfone, o “video-wall” de alta definição e toda a iluminação da sala.

O líder da Skoda não perde o sangue-frio, diz uma piada de ocasião, projeta a voz e continua o seu raciocínio como se nada fosse. Sabe que não vai ter a ajuda dos gráficos e dos vídeos, mas a verdade é que os números estão todos na sua cabeça.

Estamos no “design hall” da fábrica da Skoda em Mladá Boleslav, um edifício histórico numa zona tradicional de alta tecnologia.

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Skoda Vision iV com Bernhard Maier, CEO da Skoda
Bernhard Maier, CEO da Skoda, no Salão de Genebra ao lado do Vision iV.

Local com história

Há dois séculos, foi instalada a primeira máquina a vapor numa fiação que então aqui existia. A Skoda “só” aqui está há 124 anos. Talvez por ser um edifício antigo, tem iluminação natural e Maier pode continuar a dizer o que tinha preparado, começando por afirmar que a Skoda quer subir de uma produção atual de 1,25 milhões de automóveis para dois milhões/ano durante a próxima década. A Skoda quer ser um “global player”, disso não restam dúvidas.

eu não tenho tempo para esperar pela nova fábrica. Se tivesse mais capacidade de produção, no ano passado tinha vendido mais 100 000 carros.

Especialidades Skoda

A medida da confiança depositada pelo diretório da Volkswagen na Skoda está bem evidente na entrega à marca Checa da responsabilidade do desenvolvimento dos motores MPI do grupo (representam dois milhões de carros por ano, em mercados fora da Europa), das caixas de velocidades manuais e dos travões de tambor. A implementação da plataforma MQB A0 na Índia, também é da responsabilidade da Skoda.

Nova fábrica

A fábrica de Mladá Boleslav, na República Checa, não chega para os fazer os ambicionados dois milhões, a sua capacidade de 600 000 unidades/ano está no limite. É a segunda maior fábrica do grupo, logo a seguir a Wolfsburg, portanto, é a quinta maior fábrica de automóveis do mundo.

Há outra fábrica mais pequena no país, em Kvasiny, a debitar 200 000 carros/ano e o resto vem de fábricas do grupo. Maier confirma que já foi decidida a construção de uma nova fábrica, pronta em 2022, mas, entretanto tem que se encontrar espaço nas unidades fabris do grupo, porque “eu não tenho tempo para esperar pela nova fábrica. Se tivesse mais capacidade de produção, no ano passado tinha vendido mais 100 000 carros.”

Quando a energia voltou, cerca de uma hora depois, soube-se que tinha havido um corte em toda a cidade, devido a obras levadas a cabo pela distribuidora elétrica local, Maier deixou escapar entre dentes: “foram 150 carros que deixaram de ser produzidos, tenho que falar com eles…”

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Nem tudo se pode dizer…

A Skoda continua em forte expansão, a sua fórmula de “value for money” cada vez faz mais sentido aos olhos dos compradores. O mais recente plano de alargamento da gama com cinco novos modelos vai quase a meio: depois de lançados o Scala e o Kamiq, agora é a vez do restyling do Superb, do lançamento do Superb iV híbrido e do Citigoe iV elétrico.

Depois será a vez de abordar o assunto da nova plataforma elétrica MEB, mas a partir daqui… não posso dizer mais nada! Concordei em assinar um termo de confidencialidade em relação a tudo o que vi e ouvi no “design hall” de Mladá Boleslav sobre o futuro, até o smartphone teve que ficar do lado de fora. E vou honrar esse compromisso.

Futuro anunciado em Genebra

No entanto, Maier já tinha anunciado no Salão de Genebra deste ano que a Skoda tem um plano para a eletrificação, mostrando um concept car, o Skoda Vision iV que, segundo a marca é “uma visão concreta que antecipa o primeiro Skoda 100% elétrico, baseado na plataforma MEB do grupo.”

No Salão de Genebra, a Skoda não foi parca em detalhes, dizendo que o Vision iV estreia a submarca “iV”, para ser usada em todos os futuros veículos eletrificados da marca. Com 4,665 m de comprimento, o concept car foi apresentado como um crossover coupé de quatro portas. O interior reflete as vantagens da plataforma em “patim” MEB com imenso espaço devido ao habitáculo avançado. O tablier também apresentou um novo desenho.

Muitos detalhes revelados

A Skoda detalhou em Genebra a motorização do Vision iV, dizendo que tinha dois motores elétricos, tração às quatro rodas, 306 cv de potência máxima combinada e que fazia os 0-100 km/h em 5,9s. A bateria anunciada foi de 83 kWh, capaz de uma autonomia de 500 km, segundo o protocolo WLTP e com recarga de 80% em trinta minutos.

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Veremos o que deste Vision iV se manterá para a produção em série do primeiro Skoda elétrico feito com base na plataforma MEB, que está anunciado para 2020.

A entrada na mobilidade elétrica

Para já, a entrada da Skoda na mobilidade elétrica vai fazer-se através de dois modelos adaptados. O Citigoe iV e o Superb iV.

Skoda Citigo-e iV, Skoda Superb iV

No primeiro caso, trata-se de uma versão 100% elétrica do citadino gémeo dos Volkswagen up! e SEAT Mii, mas com uma bateria de iões de lítio de 36,8 kWh, o que lhe dá uma autonomia máxima de 265 km. O motor tem 61 kW de potência (83 cv) e 210 Nm de binário máximo, com a velocidade máxima limitada a 130 km/h e a aceleração 0-100 km/h anunciado em 12,5s. Estará à venda no início de 2020, mas ainda não se sabe o preço.

Skoda Citigo-e iV

No caso do Superb iV, trata-se de uma versão híbrida plug-in baseada no restyling do modelo de topo da marca, tem um motor a gasolina 1.4 TSI e um motor elétrico, debitando uma potência máxima combinada de 218 cv. Em modo elétrico, a bateria de 13 kWh consegue autonomia de 55 km e existe um modo de carregamento (pelo motor a gasolina) em andamento. Vai chegar ao mercado ainda em 2019.

Skoda Superb iV

Mas… e o presente?

O mais óbvio é o restyling do Superb, que tive a oportunidade de guiar na nova versão Scout. Os homens da Skoda admitem que as alterações para o Superb que todos conhecemos não são muitas, resumindo-se a uma nova grelha mais alta, faróis com matriz de LED, uma barra cromada na traseira e a marca escrita por extenso.

Skoda Superb Scout

Por dentro, há novos detalhes de decoração, painel de instrumentos digital e pouco mais. Mas houve um reforço das ajudas à condução, com inclusão de cruise control preditivo, que usa a leitura de sinais e o GPS para diminuir a velocidade na aproximação de curvas. Tem também uma função de estacionamento de emergência na berma em autoestrada, em caso de doença súbita do condutor e travagem de emergência em cidade com proteção preditiva de peões.

Superb agora em Scout

A versão que guiei foi a carrinha Scout, uma tradição com 13 anos na Skoda mas que nunca tinha chegado ao Superb. Tem um pacote “rough-road” exterior, com para-choques específicos e uma altura ao solo 15 mm maior, montando jantes de 18”.

Skoda Superb Scout

O interior tem detalhes de decoração Scout, incluindo os forros dos bancos. O comando dos modos de condução tem uma opção “off-road” e o monitor central tem gráficos e informações para condução fora de estrada.

Neste primeiro contacto, só foi possível guiar em estradas secundárias, algumas com curvas bem exigentes. A motorização disponível estava equipada com o novo motor 2.0 TSI de 272 cv e caixa DSG de sete relações. A outra opção é o 2.0 TDI de 190 cv, ambas só disponíveis com tração às quatro rodas.

Muito espaço e conforto

As primeiras impressões foram de uma direção muito assistida e demasiado leve, mesmo no modo mais desportivo. O motor tem uma performance muito boa, como seria de esperar, e a caixa DSG de sete velocidades é rápida e consistente. A suspensão mostrou-se muito confortável e a tração obviamente que nunca é um problema. A dinâmica não tem na agilidade a sua prioridade, o Superb Scout não vai ficar famoso por devorar curvas como um GTI, como é óbvio.

Mas os 350 Nm de binário máximo permitem-lhe disfarçar muito bem os 4862 mm de comprimento.

De resto, o habitáculo continua bem construído e há imenso espaço nos lugares traseiros, enquanto que a mala tem uma capacidade enorme de 660 l, tendo ganho agora uma prateleira compartimentada, sob o fundo falso, para facilitar a arrumação, uma das soluções “simply clever” com que a marca sempre se preocupa.

Chega a Portugal no início de 2020, mas os preços ainda não estão definidos.

Scala é a grande aposta

No programa também estava previsto guiar o novo Scala, que vai tomar o lugar do antigo Rapid e se posiciona mais próximo do Volkswagen Golf, apesar de ser feito com base na plataforma do Polo, a MQB A0.

Skoda Scala

Para começar, guiei a versão 1.0 TFSI de 115 cv, que mostrou a habitual suavidade e disponibilidade deste motor a gasolina, que se dá lindamente com a caixa manual de seis velocidades. Muito bom arranque desde baixos regimes e força nos intermédios, apenas com o cuidado de deixar a sexta velocidade para a autoestrada, porque é mesmo muito longa.

Skoda Scala

O comportamento em estrada é preciso e previsível, com boa dose de agilidade e reais diferenças entre os modos de condução, que fazem alterar o amortecimento em dois níveis, sempre suficientemente confortáveis.

Quando chega?
O Scala estará à venda já em julho, com preços a partir dos 21 800 euros (TSI de 95 cv) com oferta de quatro anos (ou 80 000 km) de manutenção. Também existirá uma versão 1.5 TSI de 150 cv.

O volante podia ter um pouco mais de regulação em alcance e o banco em altura, mas a posição de condução não é má.

O habitáculo tem materiais de melhor qualidade que o anterior Rapid, há muito espaço nos lugares de trás, especialmente em comprimento e a mala tem 467 l. O tejadilho de vidro opcional faz a ligação entre o para-brisas e a tampa da mala, que também é coberta de vidro até perto da matrícula, conseguindo um efeito muito bom.

Ainda houve oportunidade de guiar o 1.6 TDI de 115 cv, que é um pouco mais ruidoso, como seria de esperar num Diesel, mas tem uma resposta igualmente rápida, mais ainda com a caixa DSG. E tem a vantagem de fazer descer os consumos em perto de dois ltros a cada cem quilómetros.

Skoda Scala
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Viagem ao passado

Para o fim de um programa muito preenchido, ficou uma deliciosa viagem ao passado da marca, num curto teste de estrada ao volante de um exemplar do Octavia de 1960. O modelo foi produzido entre 1959 e 1964 em 309 020 unidades e vários tipos de carroçaria, entre os quais uma carrinha e o elegante coupé de duas portas que experimentei.

O motor de quatro cilindros e 1089 cm3, tem apenas 40 cv às 4200 rpm, sendo alimentado por carburador. Mas a caixa de quatro velocidades, com alavanca na coluna de direção é muito curta e fácil de manusear, dando-lhe uma vivacidade inesperada.

Claro que a velocidade máxima de 110 km/h pertence a outros tempos, mas com 920 kg, era suficiente para transportar uma família com conforto.

Entrar na “onda” clássica

Sem cintos de segurança e com um banco dianteiro “corrido”, um volante enorme e excelente visibilidade, a sensação de exposição ao perigo é muito superior a um carro dos nossos dias. O painel de instrumentos tem um charme muito próprio, apesar de muito simples. Para ligar os “piscas” é preciso mover uma alavanca no tablier e para ligar o carro tem que se rodar a chave e depois puxar um botão de baquelite.

O motor é bastante silencioso e a suspensão confortável, mas com pouca precisão no controlo das massas sobre estrada irregular. Mas é tudo uma questão de habituação à condução de um clássico com esta idade. O pior de tudo é mesmo a direção, muito pesada em manobras e em curvas mais apertadas, ou rotundas, e depois muito imprecisa em reta, quando se aproxima da velocidade máxima.

A sensação de robustez da carroçaria e da mecânica, com motor longitudinal e tração traseira, foram os pontos que mais impressionaram, mostrando que a Skoda sabe fazer bons carros há muito tempo.

Conclusão

Este programa exclusivo para os membros do Car Of The Year conseguiu mostrar um pouco do presente, do futuro e do passado da Skoda, fornecendo dados suficientes para olhar para as ambições da marca com o devido respeito. Dentro do grupo Volkswagen, a marca da República Checa tem feito um percurso realmente notável e não vai ficar por aqui, como os próximos anos devem conseguir provar.

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