International Engine + Powertrain of the Year

E o prémio de motor internacional de 2019 vai para…

A edição deste ano do International Engine of the Year trouxe muitas novidades, fruto das transformações a que assistimos na indústria automóvel.

A primeira edição do International Engine of the Year aconteceu em 1999, o que parece ter sido uma eternidade atrás. Desde então temos assistido, talvez, ao maior período de transformação da indústria automóvel, a afetar também os tipos de motorização que usamos para locomover os automóveis.

De modo a refletir este novo mundo, onde temos ainda automóveis com motores de combustão interna puros lado a lado com automóveis 100% elétricos, ou ter os dois tipos de motorização a conviver em conjunto no mesmo automóvel, os organizadores do International Engine of Year alteraram a forma de categorizar os vários motores a concurso.

Isto, sem antes de terem alterado o título do próprio evento para International Engine + Powertrain of the Year, uma denominação mais longa e complexa, é certo, mas também mais inclusiva.

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Ford EcoBoost
Ford 1.0 EcoBoost

Assim, em vez de agrupar os motores por capacidade, ou seja centímetros cúbicos, algo que fazia todo o sentido em 1999, a partir desta edição os motores, ou melhor, os diversos grupos motrizes, são agrupados por intervalos de potência.

Para compreender o que implica esta nova forma de categorização, podemos referir o exemplo dos tri-cilíndricos turbo de 1.5 l do Ford Fiesta ST e BMW i8, que se antes ficariam integrados na mesma categoria, apesar da disparidade dos números obtidos — 200 cv contra 374 cv (a componente elétrica do i8 a fazer a diferença) —, agora passam a estar em categorias distintas. Assim, o i8 passe a integrar o mesmo grupo onde habitam motores como, por exemplo, o 2.5 penta-cilíndrico de 400 cv da Audi.

As categorias por intervalos de potência não são as únicas a concurso, existindo ainda uma para o melhor motor novo do ano (lançado em 2018), o melhor grupo motriz híbrido, o melhor grupo motriz elétrico, e o melhor grupo motriz performance e, claro está, o prémio mais desejado, o de motor internacional do ano. Todas as categorias:

  • Melhor motor até 150 cv
  • Melhor motor entre 150 cv e 250 cv
  • Melhor motor entre 250 cv e 350 cv
  • Melhor motor entre 350 cv e 450 cv
  • Melhor motor entre 450 cv e 550 cv
  • Melhor motor entre 550 cv e 650 cv
  • Melhor motor com mais de 650 cv
  • Grupo motriz híbrido
  • Grupo motriz elétrico
  • Motor performance
  • Motor novo do ano
  • Motor internacional do ano (International Engine of the Year)

Assim, sem mais demoras os vencedores por categoria.

Até 150 cv

Ford 1.0 EcoBoost, três cilindros em linha, turbo — presente em modelos como o Ford Fiesta ou Ford Focus, é o 11º título conquistado pelo pequeno tri-cilíndrico.

BMW 1.5, três cilindros em linha, turbo (Mini, X2, etc.) e PSA 1.2, três cilindros em linha, turbo (Peugeot 208, Citroën C5 Aircross, etc.) fecham o pódio.

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150 cv a 250 cv

Grupo Volkswagen 2.0, quatro cilindros em linha, turbo — presente em inúmeros modelos, desde o Audi TT, ao SEAT Leon ou ao Volkswagen Golf GTI, reclama finalmente o título, após ter-lhe sido negado em anteriores edições (categorias por capacidade) contra outras propostas germânicas.

Volkswagen Golf GTI Performance © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel
Volkswagen Golf GTI Performance

A fechar o pódio, o BMW 2.0, quatro cilindros em linha, turbo (BMW X3, Mini Cooper S, etc.) e o Ford 1.5 EcoBoost, três cilindros em linha, turbo, do Ford Fiesta ST.

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250 cv a 350 cv

Porsche 2.5, quatro cilindros boxer, turbo — o boxer dos Porsche 718 Boxster S e 718 Cayman S saiu vencedor, ainda que por uma curta margem.

Imediatamente atrás do bloco da Porsche surge o BMW 3.0, seis cilindros em linha, turbo (BMW Série 1, BMW Z4, etc.) e mais atrás novamente o 2.0, quatro cilindros em linha, turbo do Grupo Volkswagen, aqui nas suas variantes mais possantes (Audi S3, SEAT Leon Cupra R, Volkswagen Golf R, etc.).

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350 cv a 450 cv

Jaguar, dois motores elétricos — uma estreia auspiciosa para o grupo motriz do Jaguar I-Pace. Ao agruparmos os grupos motrizes por potência, este tipo de resultados poderia acontecer, com o grupo motriz elétrico do I-Pace a suplantar os restantes motores de combustão interna.

Jaguar i-pace
Jaguar I-Pace

Atrás do I-Pace, a apenas um ponto de distância, encontramos o motor da Porsche, seis cilindros boxer, turbo, que equipa o 911. A fechar o pódio, o BMW 3.0, seis cilindros em linha, twin turbo, dos BMW M3 e M4.

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450 cv a 550 cv

Mercedes-AMG 4.0, V8, twin turbo — o “hot V” da AMG que podemos encontrar em carros como o C 63 ou o GLC 63, a ter o devido reconhecimento, mas a enfrentar uma forte concorrência.

A curta distância estava o motor da Porsche, 4.0, seis cilindros boxer, naturalmente aspirado, que encontramos no 911 GT3 e 911 R; e, novamente, o BMW 3.0, seis cilindros em linha, twin turbo, nas suas variantes mais possantes que encontramos dos BMW M3 e M4.

550 cv a 650 cv

Ferrari 3.9, V8, twin turbo — aqui na variante que equipa o Portofino e o GTC4 Lusso T, foi uma vitória folgada.

No restante pódio encontramos o Porsche 3.8, seis cilindros boxer, twin turbo dos 911 Turbo (991) e as variantes mais possantes do Mercedes-AMG 4.0, V8, twin turbo (Mercedes-AMG GT, E 63, etc.).

Mercedes-AMG M178
Mercedes-AMG 4.0 V8

Mais de 650 cv

Ferrari 3.9, V8, twin turbo — o bloco Ferrari a garantir mais uma vitória, aqui na variante que equipa o 488 GTB e 488 Pista, com uma vitória ainda mais folgada.

Em segundo lugar outro Ferrari, o 6.5, V12, naturalmente aspirado do 812 Superfast, com o pódio a ser concluído, novamente pelo Porsche 3.8, seis cilindros boxer, twin turbo, mas agora do 911 GT2 RS (991).

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Grupo motriz híbrido

BMW 1.5, três cilindros em linha, turbo, mais motor elétrico — o propulsor usado no BMW i8 continua a garantir a preferência dos jurados após a sua atualização em 2018, mantendo o registo de vitórias consecutivas nos últimos anos.

BMW i8
BMW i8

Atrás dele ficou o Porsche 4.0, V8, twin turbo, mais motor elétrico (Panamera) e o mais modesto em números Toyota 1.8, quatro cilindros em linha, mais motor elétrico (CH-R, Prius).

Grupo motriz elétrico

Jaguar, dois motores elétricos — já tendo vencido uma das categorias, seria natural que arrebatasse o título no grupo motriz elétrico do ano, apesar de a distância para o segundo classificado ter sido curta.

A Tesla (Model S, Model 3, etc.) esteve perto de vencer esta categoria, com o grupo motriz elétrico da BMW que equipa o i3 a encerrar o pódio.

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Motor performance

Ferrari 3.9, V8, twin turbo — o V8 do 488 continua a impressionar os jurados tanto agora, como quando foi lançado há quatro anos.

Ferrari 488 GTB
Ferrari 3.9 V8 twin turbo

Igualmente impressionante, o Ferrari, o 6.5, V12, naturalmente aspirado do 812 Superfast arrebata o segundo lugar, com o pódio a ser encerrado pelo Porsche, 4.0, seis cilindros boxer, naturalmente aspirado, dos 911 GT3 e 911 R.

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Motor novo do ano

Jaguar, dois motores elétricos — terceira vitória este ano para o Jaguar I-Pace, um carro… com propulsão elétrica, que tem conquistado inúmeros prémios.

Mais distante, a motorização elétrica do grupo Hyundai (Kauai Electric, Soul EV) e a contrastar com o domínio elétrico, o Audi/Lamborghini 4.0, V8, twin turbo do Lamborghini Urus.

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Motor internacional do ano (international engine of the year)

O título mais desejado. Pela quarta vez consecutiva, o título de International Engine of the Year (motor internacional do ano) foi atribuído ao 3.9 V8 twin turbo do Ferrari 488 GTB, 488 Pista — um recorde absoluto, conquistando o galardão máximo desde que passou a figurar nas escolhas dos jurados. Contando todas as vitórias conseguidas nas restantes categorias, desde que foi lançado, já são 14 títulos alcançados.

Ferrari 488 Pista
Reação do V8 do Ferrari 488 após saber que voltava a ser o Motor Internacional do Ano pela quarta vez consecutiva.

O segundo classificado, e o único que realmente deu luta e com possibilidades de destronar o V8 da Ferrari, não poderia ser mais diferente. Observando os vencedores nas múltiplas categorias, acaba por emergir o grupo motriz elétrico do Jaguar I-Pace que tanto impressionou os jurados.

A fechar o pódio um motor cheio de caráter, também V8, também twin turbo, mas de origem germânica, o bloco da Mercedes-AMG.

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