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Testámos o novo Mercedes-Benz C 220 d. O melhor Classe C de sempre?

A nova geração do Mercedes-Benz Classe C chegou a Portugal e nós já lhe "deitámos as mãos", na versão C 220 d. Depois de mais de 700 km ao volante , será que ficámos convencidos?

Numa altura em que já soma mais de 10,5 milhões de unidades desde o seu nascimento, em 1982 (inicialmente foi comercializado como Mercedes 190, só em 1993, na segunda geração, passou a ser Classe C), o Mercedes-Benz Classe C renovou-se para mais uma geração — a W206 — e chega com o mesmo objetivo de sempre: apontar o caminho e liderar.

Com 4751 mm de comprimento, promete mais espaço no habitáculo e uma maior presença em estrada, até porque “bebeu” muito do estilo do novo Mercedes-Benz Classe S, com o qual também partilha todo o conceito do interior e da experiência do utilizador.

Mas será que tudo isto serviu para que o novo Mercedes-Benz Classe C subisse de nível e se tornasse no “baby Classe S” de que a marca alemã tanto fala? Passei cinco dias com ele, fiz mais de 750 km em autoestrada e cidade e na hora de fazer um balanço, não tenho dúvidas: é o melhor “C” de sempre.

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Mercedes-Benz Classe C C220d 2 © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

O novo Classe C passou a estar só disponível com motorizações de quatro cilindros — mesmo nas versões AMG! — e é também o primeiro “C” a apresentar-se com uma gama totalmente eletrificada: primeiro com sistema mild-hybrid de 48 V e depois com versões híbridas plug-in a gasolina (que nós já conduzimos na variante C300 e), que chegam no final do ano, e com variantes híbridas plug-in Diesel, que devem chegar ao mercado no início de 2022.

Neste ensaio, a versão que testei foi a C 220 d, que assenta numa evolução do motor 2.0 Diesel de quatro cilindros em linha que produz 200 cv (às 4200 rpm) e 440 Nm (entre as 1800 e as 2800 rpm).

Além de acoplado a uma caixa automática de nove velocidades 9G-TRONIC que envia o binário em exclusivo para as rodas traseiras, este motor está ainda associado a um sistema mild-hybrid de 48 V que garante de forma momentânea 20 cv e 200 Nm extra na função EQ boost, além de permitir que o motor térmico se desligue por completo em momentos de “roda livre”.

Mercedes-Benz Classe C C220d 2
O design da grelha dianteira varia mediante as versões. A linha de design exterior AMG (opcional) “oferece” um padrão com a estrela da marca alemã que não passa despercebido. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E os consumos?

Em autoestrada, muito por culpa do escalonamento da caixa 9G-TRONIC — de série em toda a gama — que nos permite andar sempre a rotações muito baixas, é muito fácil fazer consumos em torno dos 5,5 l/100 km, registo que se aproxima dos 7 l/100 km nos percursos urbanos.

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Contas feitas, cheguei ao final deste ensaio com uma média de 6,5 l/100 km e com 770 km percorridos, o que me parece um registo muito interessante para um automóvel como este.

Mercedes-Benz Classe C C220d 2
Linha exterior AMG ajuda a reforçar a agressividade das linhas do novo “C”, cuja imagem continua a ser pautada pela elegância. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Dinâmica chega para “assustar” o BMW Série 3?

Na hora de falar da dinâmica, há um nome no segmento que domina toda e qualquer discussão: BMW Série 3. E apesar de já ter sido apresentada em 2018, a geração atual (G20) continua em grande forma, como ainda recentemente pude comprovar no ensaio ao BMW 320e.

O Série 3 é sempre o alvo a abater. Foi assim quando a Alfa Romeo lançou o Giulia (e que réplica o elegante italiano deu…), é assim quando a Audi “solta” um novo A4 e volta a ser assim agora, com a chegada do novo Classe C.

Mercedes-Benz Classe C C220d 2
O comprimento total está fixado nos 4751 mm, com a distância entre eixos a crescer 25 mm. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Nos modos mais desportivos disponíveis e explorando todo o potencial deste motor, o Classe C consegue ser muito rápido e eficaz em curva, com pouco rolamento da carroçaria e um comportamento muito orgânico, em que a traseira acompanha muito bem a direção que o eixo dianteiro está a seguir e a mostrar-se sempre muito estável.

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Mas sendo o mais objetivo e direto possível, posso já dizer-vos que o Série 3 continua a ter uma condução mais envolvente, uma direção mais direta e um comportamento dinâmico (sobretudo quando subimos o ritmo) mais satisfatório. E o facto de pesar menos (1615 kg para o 320d “contra” 1755 kg do C 220 d, menos 140 kg) também ajuda.

Mercedes-Benz Classe C C220d 2
Versão que testámos “calçava” jantes AMG — com desenho aerodinâmico — opcionais de 18”. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Porém, isto está (muito) longe de representar uma crítica para o novo “C”, que não só evoluiu bastante neste particular como consegue um compromisso mais equilibrado entre dinamismo e conforto do que o Série 3. E para isso muito contribuiu a nova suspensão, com um esquema de quatro braços à frente e um esquema multi-link atrás instalado numa subestrutura.

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Importa lembrar que opcionalmente o Classe C está disponível com um sistema de amortecimento ajustável e uma suspensão desportiva e era precisamente esta configuração do C 220 d testado. Além disso, todas as versões híbridas plug-in contam de série com a suspensão pneumática traseira.

Mercedes-Benz Classe C C220d 2 © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

O que esta versão testada não tinha era o eixo traseiro direcional, que roda até um máximo de 2,5º (em sentido oposto ao das rodas da frente) e custa 2200 euros (inclui o amortecimento variável). De acordo com a Mercedes-Benz, esta solução permite reduzir o diâmetro de viragem em 43 cm para 10,64 m, o que se revela uma mais valia durante as manobras de estacionamento.

Mas em estrada, onde mais importa (pelo menos é essa a minha opinião…), nunca senti que este Classe C precisasse de ser mais ágil e estável — dois atributos que a Mercedes-Benz garante que saem reforçados com o eixo traseiro direcional.

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Aliás, posso já confessar-vos que a primeira coisa que me lembro de sentir ao volante desta nova geração do “C” é que ela se comporta como eu esperava que se comportasse. Podem dizer-me que isso revela um modelo algo previsível, mas eu prefiro enveredar por outra “teoria”, a de que este Classe C está à altura da tradição que carrega “às costas” e que sempre se pautou por uma palavra: qualidade.

Mercedes-Benz Classe C C220d 24 © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Quilómetros em autoestrada? Venham eles…

Tanto a direção como as ligações à estrada transmitem-nos uma sensação de solidez, algo que é reforçado pela boa montagem do habitáculo e, sobretudo, pelo trabalho de insonorização, que se mostra em muito bom nível.

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Como referi acima, se puxarmos por ele e adotarmos uma condução mais desportiva, é muito fácil ficar surpreendido com o que este “C” tem para oferecer. Pode não ser um tração traseira que queira “viver” constantemente atravessado, mas impressiona pela eficácia e pela rapidez com que consegue “atacar” alguns troços mais serpenteados.

Mercedes-Benz Classe C C220d 24
Qualidade geral do habitáculo do novo Classe C é muito boa. Organização é semelhante à que encontramos no novo Classe S e isso são excelentes notícias. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Mas independentemente de tudo isto (e de achar que o “C” evoluiu na dinâmica), é em autoestrada que sinto que estou a usá-lo para aquilo que foi pensado, sobretudo com esta motorização Diesel com 200 cv (mais 20 cv em EQ boost), que transforma este Classe C num autêntico “devorador de quilómetros”.

A facilidade com que se fazem troços de 250 km de autoestrada seguidos neste Mercedes-Benz Classe C impressionou-me. E olhem que sei do que falo: todos os meses faço mais de 1500 km na “nossa” A1. Impressiona pela facilidade que responde a todas as nossas exigências (as retomas de velocidade e as ultrapassagens são notáveis), pelos consumos baixos, pela estabilidade e pelo conforto.

Mercedes-Benz Classe C C220d 2
Os bancos dianteiros oferecem um excelente suporte lateral ao mesmo tempo que se mostram muito confortáveis.

E aqui não há só um culpado: já falei da excelente insonorização, mas também sou “obrigado” a falar dos bancos — com ótimo encaixe e muito confortáveis —, da posição de condução e da qualidade geral do habitáculo, que terá sido porventura onde o Classe C mais evoluiu.

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Ao volante deste “C”, uma das poucas críticas que faço está relacionada com o volante que, apesar de ser visualmente muito apelativo, tem uma “pega” demasiado grossa que requer alguma habituação. E acredito que não serei o único a achar isso.

Mercedes-Benz Classe C C220d 24
Volante conta agora com muitos comandos táteis que requerem alguma habituação, sobretudo ao nível da pressão que é necessária aplicar.

Os travões também merecem o meu reparo. Têm um curso muito longo e sentimos que durante grande parte do processo nada está a acontecer. E quando acontece alguma coisa, é sempre de forma mais brusca que o esperado. Uma característica que se nota ainda mais porque tudo em torno deste “C” é sobre suavidade.

Mercedes-Benz Classe C C220d 24
Não me consigo habituar a esta pega tão “gorda”…

É o carro certo para si?

Lancei este ensaio com uma questão: será este Classe C o tal “baby Classe S” de que a Mercedes-Benz tanto fala? A resposta é simples: não. E a culpa não é deste “C”, é do irmão mais velho, o “S”, que ao nível do requinte, do conforto e do refinamento só encontra — eventualmente… — réplica (dentro da Mercedes-Benz) no novo elétrico da marca, o EQS.

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Mas quando a marca germânica faz esta comparação fá-la com base na imagem exterior e na oferta (e organização) tecnológica do habitáculo. E aqui são notórios vários pontos em comum, o que só revela o progresso que a mais recente geração do Classe C representa.

Mas imagem e habitáculo à parte, o novo Classe C convenceu-me por tudo o que faz em estrada. Não faz nada que eu não estivesse à espera que fizesse, porque quando sai uma nova geração do “C” a exigência é sempre máxima (a tradição assim pede), mas faz tudo bem.

Melhorou no capítulo dinâmico, ainda que não seja tão empolgante quanto um BMW Série 3, e conseguiu evoluir ao nível do conforto e da estabilidade, aproximando-se muito daquilo que esperamos “receber” do “irmão” do segmento acima, o Classe E.

Mercedes-Benz Classe C C220d 24
Espaço disponível para as pernas nos bancos traseiros é maior do que na geração anterior.

A somar a tudo isto, e nesta motorização em particular, está mais adequado do que nunca à realidade atual — apesar de manter a motorização Diesel — e brinda-nos com uma utilização suave e pautada por consumos muito baixos, seja em percursos mistos, em autoestrada ou na “selva urbana”, onde se mostra sempre muito civilizado.

Mercedes-Benz Classe C C220d 11
Bagageira “oferece” 455 litros de carga. Os rivais “oferecem” um pouco mais: BMW 320d (480 litros), Audi A4 (460 litros) e Alfa Romeo Giulia (480 litros).

A imagem exterior poderá não ser tão impactante e irreverente como muitos gostavam que fosse (é difícil distingui-lo das restantes berlinas da gama), mas é elegante. E o habitáculo não só viu reforçados os atributos de familiar como ganhou em requinte e em qualidade.

Por tudo isto, sinto que este é o melhor Classe C que a Mercedes-Benz já fez. E isso fará com que continue a ser, de forma natural, um “best-seller” da marca germânica. Disso não tenho dúvidas.

Preço

unidade ensaiada

68.895

Versão base: €53.600

IUC: €224

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1993 cm3
    • Posição: Dianteira longitudinal
    • Carregamento: Injeção direta common rail + Turbo de Geometria Variável + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv. por cil. (16v)
    • Potência: 200 cv (às 4200 rpm)
    • Binário: 440 Nm (entre as 1800 e as 2800 rpm)
  • Transmissão
    • Tracção: Traseira
    • Caixa de velocidades: Automática de 9 velocidades 9G-TRONIC
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4751 mm / 1820 mm / 1437 mm
    • Distância entre os eixos: 2865 mm
    • Bagageira: 455 litros
    • Jantes / Pneus: 245/40 R18
    • Peso: 1755 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 131 g/km
    • Vel. máxima: 245 km/h
    • Aceleração: 7,3s
  • Equipamento
    • Sistema multimédia MBUX
    • Apple CarPlay e Android Auto
    • Assistente ativo de faixa de rodagem
    • assistente ativo de travagem
    • Pack espaços arrumação (suporte duplo para copos)
    • Cruise Control
    • Sistema de monitorização da pressão dos pneus
    • Suspensão desportiva
    • Assistente limite de velocidade
    • Bancos desportivos
    • Pack de iluminação interior simples
    • Acabamento interior em padrão metalizado
    • Leitor de impressão digital com iluminação colorida debaixo do ecrã central
    • Funções MBUX estendidas
    • Painel de instrumentos digital de 12,3''
    • Pack de estacionamento com câmera 360º
    • Thermatic — Ar condicionado automático de 2 zonas
    • Assistente adaptativo de máximos Plus
    • Pack USB
    • Ecrã central de 11,9''
    • Carregamento sem fios para dispositivos móveis
    • Depósito de combustível com capacidade aumentada
    • Volante AMG desportivo multi-funções em pele
    • Assistente ativo de estacionamento Parktronic
    • Iluminação ambiente com projeção do logótipo
    • Pack de navegação MBUX premium
    • Ajuste lombar de 4 vias
    • Sistema de travagem com discos de maiores dimensões no eixo frontal
    • Proteção para peões
Extras
Ecrã de alertas Head-Up display — 1016 €; Consola central com aparência metalizada — 162 €; Sistema de som 3D surround Burmester — 1016 €; Linhas de design interior e exterior AMG (inclui: Pack memória de posições dos bancos frontais, Vidros laterais traseiro e óculo traseiro escurecidos, Iluminação ambiente LED de 64 cores, Tapetes AMG, Tabliê e portas em pele ARTICO, Grelha do radiador com padrão Mercedes-Benz, Conjunto estético AMG e Jantes AMG em liga leve de 5 raios 18'') — 4471 €; Pack Premium (inclui: Assistente de ângulo-morto, Banco do condutor com ajuste elétrico e memória, Banco do passageiro dianteiro com ajuste elétrico e memória e Bancos dianteiros aquecidos) — 3170 €; Pintura Metalizada Azul Spectral — 813 €; Estofos em pele preta — 1666 €.
Avaliação
8 / 10
Nota: 8,5. A expectativa era grande, mas a nova geração do Classe C respondeu de forma afirmativa. Chamar-lhe "mini Classe S" parece-me algo excessivo, mas a evolução face à geração anterior é evidente. A imagem exterior continua a não "fazer virar cabeças", mas respeita a essência do "C". Muito mais irreverente é o interior, repleto de luz e tecnologia. Menos surpreendente é a qualidade de construção e de insonorização, que juntamente com a suavidade do motor transformam a condução deste C 220 d numa experiência muito agradável.
  • Conforto
  • Motorização
  • Consumos
  • Habitáculo (acabamentos e oferta tecnológica)
  • Volante ("botões" táteis e pega)
  • Tato do pedal do travão
Sabe responder a esta?
Qual era a potência do Brabus 190E 3.6S Lightweight?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

Brabus 190E 3.6S Lightweight. É exatamente aquilo que parece…

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