Desde 51 817 euros

Testámos o Alfa Romeo Giulia Diesel com 190 cv. Chega para os alemães?

Para enfrentar o WLTP, os motores do Alfa Romeo Giulia adaptaram-se, ganhando até um pouco mais potência no caso do 2.2 Turbo Diesel — de 180 para 190 cv.

Lançado em 2016 para combater o trio alemão que há muito domina entre as proposta premium do segmento D, os números de vendas provam que a tarefa do Alfa Romeo Giulia não está a ser especialmente fácil. Mas será que lhe faltam argumentos?

Para descobrir testámos não a versão pela qual o Giulia é mais conhecido, a Quadrifoglio, mas sim a versão B-Tech equipada com o revisto motor Diesel de 2.2 l na variante 190 cv e tração traseira.

Esteticamente, o Giulia é facilmente reconhecível como um Alfa Romeo e, devo admitir, que gosto disso. Capta atenções por onde passa e destaca-se muito mais no trânsito do que o “comum” Audi A4 ou Mercedes-Benz Classe C.

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Tudo isto graças a um visual que, apesar de tender para o agressivo, não entra, na minha opinião, em exageros estilísticos.

Alfa Romeo Giulia © Raul Mártires / Razão Automóvel

No interior do Alfa Romeo Giulia

Com um estilo desportivo e agradavelmente menos tecnológico do que algumas propostas alemãs (e japonesas), o interior do Giulia sabe acolher os seus ocupantes. Por lá encontramos bons materiais que acabam apenas traídos por uma qualidade de montagem melhorável.

Alfa Romeo Giulia © Raul Mártires / Razão Automóvel
No interior do Giulia encontramos bons materiais mas a montagem podia ser um pouco melhor.

Quanto à ergonomia, o interior do Giulia tem todos os comandos à mão de semear, no entanto, a Alfa Romeo podia ter-se esforçado um pouco mais na criação de mais espaços de arrumação ou pelo menos no aumento das dimensões dos poucos que existem.

Já o sistema de infotainment, este não integra um ecrã tátil, só podendo ser controlado via um comando rotativo central ou por voz, revelou-se bastante fácil de utilizar.

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No que diz respeito à habitabilidade, não esperes milagres. O Giulia demonstra que foi pensado à volta do condutor e isso reflete-se nas cotas de habitabilidade, principalmente na traseira, onde o túnel de transmissão torna quase impossível levar um terceiro passageiro e rouba bastante espaço para as pernas. Já a bagageira fica-se pelos 480 litros, valor em consonância com o dos rivais.

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Ao volante do Alfa Romeo Giulia

Como te dissemos, o interior do Giulia parece ter sido desenhado a pensar quase exclusivamente no condutor e isso reflete-se numa posição de condução confortável (os bancos ajudam neste capítulo) e desportiva (vamos sempre bastante baixos) à qual se juntam as fantásticas e grandes patilhas da caixa de velocidades em alumínio.

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Alfa Romeo Giulia © Raul Mártires / Razão Automóvel
As patilhas da caixa de velocidades no volante são uma mais valia e têm o tamanho certo.

Uma vez em andamento, somos presenteados com uma suspensão que conjuga bastante bem o conforto e o comportamento dinâmico, e com uma direção precisa, comunicativa e direta (atrevo-me até a dizer que se trata, provavelmente, das melhores do segmento).

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Ora, estes dois fatores quando conjugados com a tração traseira tornam o Giulia numa proposta bastante interessante, envolvente, divertida e eficaz de conduzir, fazendo-nos percorrer o caminho mais longo para casa só para apanhar aquele encadeado de curvas especial. No meio de tudo isto, quase que nos esquecemos que lá à frente está um motor Diesel.

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Alfa Romeo Giulia © Raul Mártires / Razão Automóvel
A qualidade da câmara traseira deixa a desejar e não anda muito longe da oferecida pelo… Fiat 500.

Por falar nele, o 2.2 l mostra-se sempre disponível e, apesar de não revelar a alegria típica de um motor a gasolina a subir de rotação, não se coibiu de subir vigorosamente para lá das 4000 rpm, apesar dos 190 cv serem atingidos a umas modestas 3500 rpm.

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Alfa Romeo Giulia © Raul Mártires / Razão Automóvel
É claro que preferíamos um Alfa Romeo com motor a gasolina. No entanto, este 2.2 l Diesel não desilude.

Quanto à caixa automática de oito velocidades, revelou-se uma boa aliada, adaptando-se bem a vários estilos de condução (e disposições do condutor). Já em modo manual, as patilhas no volante revelam-se as aliadas ideais para uma condução mais empenhada.

Já quanto aos modos de condução DNA (Dynamic, Normal e All Weather), o que acaba por acontecer é que acabamos por usar quase sempre o modo D (Dynamic ou, para mim, divertido) e facilmente nos esquecemos dos restantes. E o melhor disso tudo? Os consumos não se ressentem muito com esta opção.

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Por falar em consumos, numa condução sem grandes preocupações e a ritmos por vezes elevados ficaram-se na casa dos 6 l/100 km. Já com uma condução calma é possível fazer médias perto dos 5 l/100 km.

A versão B-Tech testada vê o seu conteúdo tecnológico reforçado — cruise control adaptativo e ALFA™ CONNECT 8,8″ de série, por exemplo —,  mas apesar disso, ainda está um passo atrás em relação a outros modelos no segmento, nomeadamente na presença de sistemas de ajuda à condução, ou melhor, na sua ausência. Por exemplo,  o sistema de aviso de saída da faixa de rodagem consiste apenas num aviso sonoro (bem abaixo do que oferece, por exemplo, o Peugeot 508).

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É o carro certo para mim?

É verdade, face aos seus rivais alemães (e até em relação ao Lexus IS ou Volvo S60) o Alfa Romeo Giulia sai a perder em capítulos como a oferta tecnológica ou a qualidade da montagem.

No entanto, o que perde nestes capítulos o Giulia compensa com um comportamento divertido e envolvente, com um estilo que lhe permite dar nas vistas por onde quer que passe e, nesta versão, conta com um motor Diesel que permite aliar bastante bem consumos e prestações, provando que ainda tem argumentos para esta “luta”.

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Assim sendo, se procuras uma berlina premium confortável, divertida de conduzir, económica q.b., não precisas de inúmeros gadjets e ajudas à condução e te queres destacar da “multidão” de propostas alemãs, então o Giulia pode ser o carro certo para ti.

Nota: o preço final de 52 406 euros da unidade ensaiada conta com uma campanha de 8000 euros que estava em vigor aquando do ensaio, podendo por isso variar.

Preço

unidade ensaiada

52.406

Versão base: €51.817

IUC: €247

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 2143 cm3
    • Posição: Dianteira longitudinal
    • Carregamento: Injeção direta Common Rail + Turbo de geometria variável + intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 190 cv às 3500 rpm
    • Binário: 450 Nm às 1750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Traseira
    • Caixa de velocidades: Automática de oito velocidades (conversor de binário)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4643 mm / 1860 mm / 1436 mm
    • Distância entre os eixos: 2820 mm
    • Bagageira: 480 litros
    • Jantes / Pneus: 225/40 R19 à frente e 255/35 R19 atrás
    • Peso: 1540 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,9 a 5,0 l/100 km (valores WLTP convertidos para NEDC2)
    • Emissões de CO2: 130 g/km (valores WLTP convertidos para NEDC2)
    • Vel. máxima: 230 km/h
    • Aceleração: 6,9s
  • Equipamento
    • Sistema multimédia Connect 3D 8,8''
    • Volante em pele desportivo com comandos multifunções e botão Start
    • Alfa DNA™
    • Ar condicionado automático Bi-Zona
    • Cruise control adaptativo e limitador de velocidade
    • Travão de mão elétrico
    • Sensores de chuva e luz
    • Start & Stop
    • Aviso de Colisão Frontal
    • Sistema integrado de travagem
    • Sistema de aviso de saída de faixa de rodagem
    • Sistema autónomo de travagem de emergência
    • TPMS - Sensor de pressão de pneus
    • Kit Fix & Go
    • Alfa Connect Services
    • Pack Power Seats (banco do condutor com regulação elétrica (com memória), banco do passageiro com regulação elétrica)
    • Espelhos retrovisores rebatíveis eletricamente
    • Veio de transmissão em carbono
    • Radio DAB
    • Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros
    • Faróis Bi-Xénon
    • Contorno em preto brilhante dos vidros
Extras
Vidros traseiros escurecidos (400€); Pneus Runflat (200 €); Comando sequencial da caixa de velocidades AT8 (350 €); Sistema de travagem sobredimensionado — Fr.: 330 mm x 28 mm; Tr.: 320 mm x 22 mm — (400 €); Pinças dos travões Brembo em vermelho (350 €); Jantes em liga leve de 19" Dark Veloce Design (1000 €); Pintura Metalizada - Cinzento Silverstone (980 €); Pack Climate Upgrade (AQS Air Quality System, porta luvas refrigerado, para-brisas atérmico, saídas de ar traseiras, porta USB para bancos traseiros, porta USB adicional) (200 €); Pack Convenience (puxadores exteriores das portas iluminados, Keyless Entry, compartimento de arrumação no banco do condutor, espelho de cortesia do condutor iluminado) (500 €); Pack Connected Nav (Sistema multimédia Connect 3D Nav 8,8", Uconnect Link - Sistema Mirroring Apple CarPlay & Android Auto) (1600 €); Pack Driver Assistance Plus (câmara de estacionamento traseira, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, retrovisor interno electrocromático, retrovisores exteriores electrocromáticos, Auto High Beam - regulação automática de máximos, assistente de ângulo morto) (900 €).
Avaliação
7 / 10
Pode não vender tanto como os seus rivais alemães, mas a verdade é que o Alfa Romeo Giulia é, por mérito próprio, uma boa alternativa no segmento. Com um comportamento dinâmico de referência no segmento e, neste caso, com um motor Diesel bastante competente, o Giulia mostra que tem argumentos para não recear o todo-poderoso trio alemão.
  • Estilo
  • Comportamento dinâmico
  • Desempenho do motor
  • Detalhes de montagem/construção
  • Habitabilidade traseira
  • Ausência de alguns sistemas de ajuda à condução
Sabes responder a esta?
Em que ano foi lançado o Alfa Romeo SZ?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Onde achas que está o pneu sobressalente do Alfa Romeo SZ?

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