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Honda Crosstar testado. Qual o preço de se estar na moda?

O Honda Crosstar é a resposta da marca japonesa ao apetite do mercado por crossover e SUV, complementando o "irmão" Jazz com o qual partilha quase tudo.

Crosstar? Parece um Honda Jazz… Bem, para todos os efeitos o é. O novo Honda Crosstar é a elevação, literal e metafórica, do Jazz ao estatuto de crossover. O nome pode ser novo, mas a receita para transformar o monovolume compacto Jazz no crossover compacto Crosstar, não difere das que já vimos aplicadas a alguns modelos de “calças arregaçadas”.

As novas vestimentas incluem as habitués proteções em plástico preto a contornar a parte inferior da carroçaria e a mandatória maior distância ao solo — apenas 16 mm mais —, cortesia dos pneus com maior perfil (o que aumentou, realmente, o diâmetro total da roda) e molas de curso mais longo.

As diferenças exteriores não se ficam por aqui — vê quais são em mais detalhe na galeria abaixo —, prolongando-se pelo interior que se apresenta com tons distintos e alguns revestimentos novos em tecido.

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Híbrido, apenas e só

De resto, o Honda Crosstar é, tecnicamente, em tudo idêntico ao irmão Jazz, modelo que já passou pela nossa garagem, testado pelo Guilherme Costa e João Tomé. E tal como o Jazz, também o Crosstar está apenas disponível com uma motorização híbrida — a Honda quer toda a sua gama eletrificada até 2022, com a exceção a estar no Civic Type R, que mesmo na próxima geração permanecerá… puro… a combustão.

Recordamos que o Honda Crosstar não é um híbrido plug-in (não o podem ligar à tomada), mas também diferencia-se dos outros híbridos convencionais do mercado, como por exemplo, o Toyota Yaris 1.5 Hybrid ou o Renault Clio E-Tech.

O Jazz e o Crosstar adotaram o mesmo sistema i-MMD estreado no CR-V — até os modos de condução Elétrico (EV), Hybrid Drive, Engine Drive — ainda que aqui, seja uma versão mais modesta do mesmo, isto é, não é tão potente como o seu parente SUV.

Já aqui detalhámos o funcionamento do sistema i-MMD da Honda, aquando do primeiro contacto com o Honda CR-V, por exemplo. Na ligação seguinte esclarecemos tudo:

COMO FUNCIONA: Honda CR-V Hybrid. Ao volante do híbrido que parece um elétrico… a gasolina. Confusos?
Motor híbrido
Os cabos cor de laranja denunciam o sistema de alta tensão da máquina elétrica que movimenta este híbrido. Na maioria das vezes é apenas o motor elétrico de 109 cv que está ligado ao eixo de tração, com o motor a gasolina a servir apenas de gerador. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Condução: não podia ser mais fácil

O funcionamento do sistema i-MMD pode parecer complexo à partida, mas ao volante nem damos conta. Conduzir o Honda Crosstar não difere em nada de conduzir um carro com caixa automática. É só colocar o manípulo da transmissão em “D”, acelerar e travar — simples….

A pequena bateria é carregada através da recuperação de energia em desacelerações e travagens — podem colocar o manípulo na posição “B” para o máximo de recuperação de energia —, ou com o auxílio do motor de combustão.

Isso significa que, quando ouvem o motor de combustão em funcionamento, este está (praticamente sempre) a servir de gerador para carregar a bateria. O único cenário de condução em que o motor de combustão fica ligado ao eixo motriz (modo Engine Drive) é a velocidades elevadas, como em autoestrada, onde a Honda diz ser uma solução mais eficiente do que usar o motor elétrico.

Ou seja, também não temos de nos preocupar com os modos de condução que referi antes; são selecionados automaticamente. É o “cérebro” do sistema que gere tudo e seleciona o modo mais apropriado dependendo das exigências que lhe fazemos ou da carga da bateria. Para sabermos em que modo vamos podemos olhar para o painel de instrumentos digital — as letras “EV” surgem quando em modo elétrico —, ou então ver o gráfico do fluxo de energia, para perceber de onde ela vem e para onde ela vai.

A condução fácil do Honda Crosstar reflete-se ainda na sua muito boa visibilidade (ainda que o duplo pilar A do lado do condutor possa colocar, em algumas situações, dificuldades) e também nos seus comandos, com a direção e os pedais a terem um tacto leve. No caso da direção, talvez leve em demasia; uma ajuda na condução urbana ou nas manobras de estacionamento, mas não a torna no melhor canal de comunicação sobre o que se passa lá à frente, no eixo dianteiro.

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Efeito crossover

Não há grande diferença de caráter entre o Jazz e o Crosstar. O MPV arraçado de crossover revelou ser um pouco mais confortável, umas poucas décimas de segundo mais lento em acelerações e umas poucas décimas de litro mais gastador do que o seu parente mais próximo — nada preocupante.

Tudo devido às diferenças que apontámos inicialmente sobre os dois, sobretudo as que incidem sobre os pneus, molas e maior altura ao solo (e total).

Jantes de 16"
Curiosidade: os pneus 185/60 R16 do Crosstar contribuem com praticamente 9 mm de altura ao solo adicional em relação aos 185/55 R16 do Jazz. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O maior perfil dos pneus e as molas de maior curso permitem um pisar ainda mais suave no Crosstar do que no Jazz e um ruído de rolamento contido, assim como é o ruído aerodinâmico; aliás, o refinamento do Crosstar está mesmo num muito bom plano, mesmo em autoestrada, exceto quando decidimos pisar o acelerador com mais vigor. Nessa altura, o motor de combustão faz-se ouvir e bastante até — e não soa particularmente agradável.

Mas foi num desses momentos de “ver o que dá” que descobri uma curiosa particularidade do sistema híbrido do Crosstar (e Jazz). Acelerem (mesmo) a fundo e apesar de só ter uma velocidade, vão ouvir, claramente, o mesmo que ouviriam caso o motor de combustão tivesse acoplado a uma caixa com várias velocidades, com o regime do motor a subir e a voltar a cair como se uma relação tivesse sido engrenada — fez-me rir, tenho de admitir… 

Honda Crosstar © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A ilusão ajuda a melhorar o “casamento” entre a aceleração e o ruído do motor, ao contrário das tradicionais CVT, em que o motor fica simplesmente “colado” à rotação mais elevada possível. Mas não deixa de ser uma ilusão…

No entanto, os 109 cv e 253 Nm do motor elétrico nunca deixam de entregar uma aceleração e recuperações convincentes e não é preciso pisar muito o acelerador para progredir de forma rapidinha.

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Conforto em evidência

Seja a que ritmo se desloquem o que sobressai mais no Crosstar é o seu conforto. Não só o providenciado pelo amortecimento suave, como o providenciado pelos bancos que, para mais, até dão um apoio razoável.

Todo o foco no conforto, no entanto, juntamente com a direção pouco comunicativa, tornam o Honda Crosstar numa proposta dinâmica não muito acutilante ou mesmo cativante.

Dito isto, o comportamento é eficaz e sem vícios, e os movimentos da carroçaria até estão bem controlados, apesar de adornar um pouco. Mas onde se sente mais à vontade é em ritmos mais moderados e com menor uso do acelerador (novamente, o ruído do motor pode ser bastante intrusivo num uso mais aguerrido).

Honda Crosstar © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Gasta pouco?

Sem dúvida. Apesar de não conseguir ser tão poupado como o Jazz, o Honda Crosstar mesmo assim convence, sobretudo nos percursos urbanos, em que há mais oportunidades para desacelerar e travar, recuperando energia e fazendo maior uso da propulsão totalmente elétrica. Num uso misto, entre percursos urbanos e vias rápidas, os consumos ficaram sempre abaixo dos cinco litros.

Se circularem a velocidades estabilizadas moderadas por distâncias maiores, sem haver oportunidades de desacelerar ou travar para recuperar energia e carregar a bateria, vão constatar a alternância repetitiva entre os modos EV (elétrico) e Hybrid Drive.

 

Enquanto houver “sumo” na bateria, irão deslocar-se no modo EV (elétrico) — mesmo a velocidades de 90 km/h —, mas mal esta comece a ficar com pouca energia (talvez aguente 2 km, dependendo da velocidade), o motor de combustão entra em serviço (modo Hybrid) e carrega-a até haver energia suficiente armazenada. Poucos minutos depois, com “sumo” suficiente na bateria, regressamos ao modo EV automaticamente — e o processo repete-se outra vez e outra vez e outra vez…

Mesmo assim, apesar do computador de bordo registar valores elevados enquanto o motor de combustão carrega a bateria, a uma velocidade estabilizada de 90 km/h, os consumos ficaram-se pelos 4,2-4,3 l/100 km. Em autoestrada, só o motor de combustão está ligado às rodas (modo Engine Drive), pelo que os consumos de 6,5-6,6 l/100 não surpreendem. Apesar do motor térmico de 1.5 l recorrer ao mais eficiente ciclo Atkinson, não ajuda, do ponto de vista aerodinâmico, o Crosstar ser curto e alto.

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É o carro certo para mim?

Terminasse aqui o teste e não teria problemas em recomendar o Honda Crosstar a ninguém. Tal como o João e o Guilherme constataram nos seus testes ao novo Jazz, esta poderia bem ser a receita certa para qualquer veículo utilitário: espaçoso, versátil, prático e aqui ainda mais confortável — a receita do primeiro Jazz continua tão atual hoje como quando foi lançado. Pode não ser a proposta com o maior sex appeal, mas cumpre, com célere e económica serenidade, tudo o que promete.

Mas há um “elefante na sala” e chama-se preço — déjà vu, foi um dos mesmos “elefantes” no teste ao Honda e. O Honda Crosstar só está disponível numa única versão com um único nível de equipamento, o mais elevado Executive. É certo que a lista de equipamento é vasta e muito completa — tanto em equipamentos de segurança e conforto, como ao nível dos assistentes à condução —, mas ainda assim os mais de 33 mil euros pedidos são difíceis de justificar.

Poderíamos afirmar que, tal como os automóveis 100% elétricos, é o custo da tecnologia em si que estamos a pagar, mas é um argumento que perde força quando hoje em dia existem utilitários 100% elétricos pelo mesmo valor (quase certo não serem tão bem equipados ou versáteis). E, para mais, não pagam ISV, ao contrário do Crosstar.

Mas as contas ficam mais tremidas quando comparamos o preço do Honda Crosstar com os outros híbridos do segmento, como os já mencionados Yaris 1.5 Hybrid, Clio E-Tech, ou ainda o B-SUV Hyundai Kauai Hybrid (com versão reestilizada a chegar em breve ao mercado). Não rivalizam com o Crosstar nos tópicos espaço/versatilidade, mas custam vários milhares de euros menos do que este (mesmo só tendo em conta as suas versões mais equipadas).

Para quem não quer perder todos os trunfos de espaço/versatilidade do Crosstar, só resta mesmo o… Jazz. Oferece tudo o que o Crosstar oferece, mas fica ligeiramente abaixo dos 30 mil euros (ainda caro, mas não tanto como o irmão). E para mais, consegue ser um pouco mais célere e económico, ainda que (muito ligeiramente) menos confortável.

Preço

unidade ensaiada

33.751

Versão base: €33.225

IUC: €137

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: Motor de combustão: 4 cilindros em linha; Motor elétrico
    • Capacidade: 1498 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Motor combustão: injeção direta; Motor elétrico: bateria
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil. (16 válv.)
    • Potência: Potência máxima: 109 cv. Motor elétrico: 109 cv; Motor combustão: 98 cv entre 5500-6400 rpm
    • Binário: Binário máximo: 253 Nm. Motor elétrico: 253 Nm; Motor combustão: 131 Nm entre 4500-5000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora (1 velocidade)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4090 mm / 1725 mm / 1556 mm
    • Distância entre os eixos: 2520 mm
    • Bagageira: 298-1199 l
    • Jantes / Pneus: 185/60 R16
    • Peso: 1325 kg (EU)
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,8 l/100 km
    • Emissões de CO2: 110 g/km
    • Vel. máxima: 173 km/h
    • Aceleração: 9,9s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: Pintura: 3 anos; Anticorrosão: 12 anos
    • Mecânica: 7 anos sem limite de quilómetros
  • Equipamento
    • Airbag central à frente
    • Airbags de cortina (frente e atrás)
    • Sistema de travagem atenuante de colisões
    • Sistema de alerta de esvaziamento de pneus (DWS)
    • Avisador de colisões dianteiras
    • Limitador ajustável da velocidade
    • Limitador inteligente da velocidade
    • Avisador de saída de faixa
    • Sistema assistência à manutenção na faixa de rodagem
    • Função de seguimento a baixa velocidade (Low speed following)
    • Sistema atenuante de saída de estrada
    • Sistema de reconhecimento da sinalização de trânsito
    • Sistema inteligente de acesso e arranque sem chave (Smart Entry & Start)
    • Punho da alavanca das mudanças em pele
    • Volante em pele
    • Tecido à prova de água
    • Sistema de Assistência à Agilidade (AHA)
    • Travão de estacionamento elétrico
    • Paragem automática ao ralenti / Modo EV
    • Ar condicionado automático
    • Limpa-vidros automáticos
    • Controlo inteligente da velocidade de cruzeiro adaptável
    • Espelhos das portas com regulação elétrica, aquecidos e retráteis
    • Consola central com apoio de braço deslizante e compartimento de arrumação
    • Vidros elétricos à frente e trás
    • Bancos aquecidos (frente)
    • Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros
    • Câmara traseira de auxílio ao estacionamento
    • Volante com regulação em altura e profundidade
    • Honda CONNECT with GARMIN Navigation (9" touchscreen, AM/FM/DAB, Apple Carplay and Android Auto)
    • 2 entradas USB à frente e 2 entradas USB atrás
    • 8 colunas Premium, com Tweeter à frente e Subwoofer atrás
    • Carregamento sem fios para telemóveis
    • Pintura 2 tons: tejadilho em preto cristal
    • Vidros escurecidos
    • Barras no tejadilho
    • Faróis LED
    • Faróis automáticos
    • Faróis com temporizador automático de acender/apagar (Função Coming Home/Leaving Home Function)
    • Jantes de liga leve 16"
Extras
Pack Robustez (guarnições inferiores) — 526 €;
Avaliação
6 / 10
NOTA: 6,5. Honestamente merecia uma melhor nota, pois o Honda Crosstar, tal como o irmão Jazz, oferecem um conjunto de argumentos práticos que parecem andar algo esquecidos no segmento dos utilitários. Junte-se a motorização híbrida aos seus trunfos — boas prestações e consumos baixos — e temos um vencedor… Até olharmos para o preço. Mais de 33 mil euros (preço sem campanhas) é difícil de justificar, mesmo quando o comparamos com outros híbridos. As vestes "crossover" do Crosstar não justificam a diferença de preço para o Jazz (que também não é barato).
  • Conforto
  • Espaço e "bancos mágicos" atrás
  • Binómio prestações/consumos
  • Refinamento geral
  • Equipamento de série
  • Preço
  • Ruído do motor em esforço
  • Acomodações para o passageiro do meio

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