Desde 40 092 euros

Adeus, Diesel? Testámos a Renault Mégane ST E-TECH (híbrida plug-in)

A Renault Mégane ST E-TECH marca a estreia do bem sucedido modelo francês no mundo dos veículos eletrificados, mas terá a versão híbrida plug-in argumentos para tomar o lugar do Diesel?

Um dos modelos que mais vemos nas nossas estradas, a Renault Mégane ST, vê, há já várias gerações, muito do seu sucesso no nosso país associado à sigla “dCi”.

Foi assim na segunda geração (a da famosa carrinha do Guilherme), na terceira e tem sido, ainda, nesta quarta. No entanto, os “ventos” do mundo automóvel sopram, de momento, para longe dos motores Diesel — vimos, por exemplo, o protagonismo dos TCe (a gasolina) crescer nos últimos anos —, pelo que a Renault aderiu à tendência do momento (por motivos óbvios), a eletrificação da sua popular carrinha.

Praticamente igual às suas irmãs no capítulo estético, é debaixo do capô (e do piso da bagageira) que a Mégane ST E-TECH, denominação que define esta versão híbrida plug-in, esconde as novidades e as ferramentas que lhe permitem assumir-se como uma alternativa à variante Diesel para quem muito quer andar e pouco quer gastar.

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Renault Megane Plug-in Hybrid © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Mas será que cumpre com aquilo a que se propõe? Será que tem o que é preciso para tomar o lugar da versão Diesel? Para descobrir pusemo-la à prova.

A receita adotada

A Renault “casou” um 1.6 l a gasolina com 91 cv e 144 Nm a dois motores elétricos. Um, o maior, tem 67 cv e 205 Nm e serve para mover a Mégane ST E-TECH. O outro, mais pequeno, apresenta-se com 34 cv, 50 Nm e funciona como motor de arranque e gerador de energia, aproveitando as desacelerações e as travagens.

O resultado final são 160 cv de potência máxima combinada e cerca de 50 km de autonomia em modo 100% elétrico (ciclo WLTP). Cortesia da bateria de iões de lítio com 9,8 kWh que obrigou a bagageira desta carrinha familiar a contrair dos 521 l para uns bem mais modestos 389 l.

Renault Megane Plug-in Hybrid
A instalação das baterias fez a bagageira da Mégane ST E-TECH perder capacidade. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Por fim, no campo da transmissão temos uma caixa de velocidades multimodo sem embraiagem que recorre a tecnologia usada pelos carros de Fórmula 1 e oferece até 14 (!) velocidades.

Melhorar constantemente

Se no exterior as mudanças são de pormenor — não só face à versão anterior como às variantes apenas com motor de combustão — no interior já temos mais novidades.

A Renault fez o trabalho de casa e além de ter corrigido o até agora criticável posicionamento dos comandos do cruise control e limitador de velocidade (passaram da consola central para o volante) ofereceu ainda à Mégane ST E-TECH um novo painel de instrumentos digital de 10,2” e um novo sistema de infotainment que, neste caso, tinha um ecrã de 9,3”.

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Mais completos e com um grafismo bem mais moderno, estes mantiveram a facilidade de utilização que os seus antecessores já ofereciam.

Outra das melhorias operadas pela Renault traduziu-se num incremento da qualidade não só dos materiais (temos mais materiais macios ao toque espalhados pelo habitáculo) como da montagem, algo confirmado nos largos quilómetros percorridos por ruas e ruelas lisboetas onde os ruídos parasitas pouco se fizeram sentir.

Renault Megane Plug-in Hybrid
Esteticamente igual, o interior da Mégane ST viu a qualidade dos materiais e da montagem melhorar. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Confortável mas não só

Curiosamente, tal como a última Mégane ST que testei, também esta unidade contava com bancos desportivos. Desta forma, o que disse no passado aplica-se novamente: confortáveis e com muito apoio lateral, estes tornam-se algo incomodativos em algumas manobras, pois acabamos por bater com os cotovelos nas laterais do banco.

Renault Megane Plug-in Hybrid
O apoio lateral oferecido pelos bancos dianteiros pode tornar-se incómodo dependendo da estatura do condutor. Por vezes, durante manobras acabamos por embater com o cotovelo direito na lateral do banco. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Em andamento, há algo que sobressai a bordo desta versão híbrida plug-in: a suavidade de funcionamento. Seja pelo silêncio quando circulamos em modo 100% elétrico (ou em modo híbrido a ritmos calmos), seja pela suavidade da caixa de velocidades multimodo sem embraiagem, esta Mégane ST E-TECH conquista pelo seu conforto.

Mas não penses que este conforto é sinónimo de uma dinâmica menos cuidada. Desta forma, continuamos a ter um chassis e uma suspensão que se pautam pela eficácia e que permitem à carrinha gaulesa enfrentar com segurança e à vontade encadeados de curvas sem que o peso extra das baterias se faça sequer sentir demasiado.

Renault Megane Plug-in Hybrid
Atrás viaja-se com espaço e conforto. Só é pena é que os encostos de cabeça prejudiquem a visibilidade traseira. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quanto à direção, apesar de não revelar os níveis de precisão e a rapidez da usada pelo Ford Focus, apresenta-se em bom plano, sendo apenas de lamentar que no modo “Sport” seja um pouco pesada demais (especialmente se nos esquecermos de selecionar outro modo na hora de fazer manobras).

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Lição bem estudada

Se no capítulo dinâmico a Renault Mégane ST E-TECH segue na senda daquilo que já conhecíamos, é óbvio que há uma área onde esta é completamente nova: a motorização híbrida plug-in.

Começando pelo modo 100% elétrico, a Renault parece ter aplicado os ensinamentos recolhidos com o Zoe no que diz respeito à gestão da bateria, apresentando-se neste capítulo bem melhor do que alguns modelos mais caros e de um segmento acima.

Isto traduz-se na possibilidade de percorrer (principalmente em meio urbano) os quilómetros prometidos pela marca e sem concessões ao ritmo imposto, seja em modo 100% elétrico seja em modo híbrido, razão pela qual raramente vi os consumos médios subirem acima dos 5 l/100 km ao longo deste teste (andaram quase sempre pelos 4,5 l/100 km).

Renault Megane Plug-in Hybrid © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Quando o motor de combustão interna entra em ação, este tem duas formas de se apresentar. Se optarmos por uma toada calma presenteia-nos com baixos consumos e praticamente nem damos por ele tal é a suavidade do conjunto híbrido plug-in, um contraste notável com as versões com motor Diesel.

Já se quisermos explorar a totalidade dos 160 cv de potência combinada (principalmente no modo “Sport”) ou se pedirmos ao 1.6 l que recarregue a bateria, este acaba por se fazer ouvir com um pouco mais de insistência no habitáculo. Ainda assim e apesar disso continua a manter os consumos em valores que habitualmente estavam reservados aos Diesel.

© Thom V. Esveld / Razão Automóvel © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Por fim, no capítulo das prestações, os motores elétricos ajudam-nos sempre a ganhar alguma vantagem nos arranques, com a Mégane ST E-TECH a fazer jus à potência anunciada.

É o carro certo para mim?

Comecei este texto com uma pergunta e a verdade é que após alguns dias ao volante do primeiro Renault Mégane híbrido plug-in facilmente encontrei resposta para ela: para mim, esta versão é melhor que aquela equipada com motor Diesel.

Capaz de consumos capazes de rivalizar com os do Diesel em estrada aberta, a Renault Mégane ST E-TECH consegue presentear-nos com uma economia em meio urbano com a qual as versões a gasóleo só podem sonhar.

Para tal, a única coisa que nos “exige” é que não nos esqueçamos de a carregar, algo que tendo em conta o quanto podemos poupar nas voltas diárias em cidade isso não deve ser um entrave na hora de a escolher, sendo que nesse aspeto só o preço superior face ao Diesel pode surgir como entrave na hora de optar (no caso dos particulares).

Renault Megane Plug-in Hybrid © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Posto isto, se procuras uma carrinha familiar confortável e segura e percorres muitos quilómetros não só em estrada como em meio urbano, a Renault Mégane ST E-TECH pode muito bem ser a escolha ideal.

É verdade que perdeu capacidade da bagageira, mas não é menos verdade que é um modelo à prova de futuro e preparado para enfrentar uma era em que os modelos exclusivamente com motor de combustão interna se possam a tornar persona non grata no centro das cidades.

Preço

unidade ensaiada

43.193

Versão base: €40.092

IUC: €137

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1598 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção indireta
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: Motor combustão: 91 cv às 5600 rpm; Motor elétrico 1: 67 cv; Motor elétrico 2: 34 cv; Potência máxima combinada: 160 cv
    • Binário: Motor combustão: 144 Nm às 3200 rpm; Motor elétrico 1: 205 Nm; Motor elétrico 2: 50 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa de velocidades multimodo sem embraiagem
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4626 mm / 1814 mm / 1457 mm
    • Distância entre os eixos: 2712 mm
    • Bagageira: 389 litros
    • Jantes / Pneus: 225/40R18
    • Peso: 1678 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 1,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 34 g/km
    • Vel. máxima: 183 km/h
    • Aceleração: 8,3s
  • Equipamento
    • Alerta de fadiga
    • Travagem de emergência assistida com deteção de peões
    • Alerta de excesso de velocidade c/reconhecimento de sinais de trânsito
    • Alerta de transposição involuntária de via
    • Sistema de assistência à travagem de urgência
    • Câmara de marcha-atrás
    • Regulador de velocidade
    • Sensores de chuva e de luminosidade
    • Retrovisor interior eletrocromático
    • Faróis diurnos LED Edge Light
    • Retrovisores exteriores rebatíveis eletricamente com função de desembaciamento e iluminação
    • Full LED
    • Comutação automática de luzes estrada/cruzamento
    • Volante em couro R.S. Line
    • Consola central com arrumação e apoio de braço
    • Cartão Renault "Mãos-Livres"
    • Banco traseiro Easy Break 1/3-2/3 com apoio de braço
    • Estofos em tecido específicos R.S. Line
    • Compatível com Android Auto e/ou Apple CarPlay
    • Conectividade multimédia
    • TFT 10" digital
    • Easy Link 9,3"
    • Jantes em liga leve 17" R.S. Line
    • Barras de teto longitudinais
    • Cabo modo 2
Extras
Branco Nacarado — 750,00 €; Jantes em liga leve 18" — 600,00 €; Teto de abrir — 990,00 €.
Avaliação
7 / 10
Na criação da Renault Mégane ST E-TECH a marca francesa apostou da forma correta. Melhorou o que havia a melhorar (sistema de infotainment e qualidade), ofereceu-lhe um sistema híbrido plug-in que se apresenta como uma mais valia e não apenas uma tecnologia para agradar a legisladores e ambientalistas e veio trazer novos argumentos à sua bem sucedida carrinha. Económica e com uma agradabilidade de utilização em cidade com a qual as versões com motor Diesel ou a gasolina só podem sonhar, esta Mégane ST E-TECH só peca por custar bem mais que as irmãs e por ter visto a bagageira perder capacidade.
  • Gestão das baterias
  • Consumos
  • Relação conforto/comportamento
  • Sistema híbrido plug-in
  • Perda da capacidade da bagageira
  • Preço face às versões com motor de combustão
Sabes responder a esta?
Que piloto levou a Renault à sua primeira vitória na Fórmula 1?

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