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Motores a 2 tempos de regresso? Provavelmente, diz o diretor técnico da Fórmula 1

Os motores a dois tempos pareciam estar esquecidos pelo tempo, mas poderão agora regressar aos automóveis, e logo pela Fórmula 1.

Para encontrarmos motores a dois tempos em automóveis temos de recuar bastante no tempo — um dos exemplos mais conhecidos são os dos pequenos DKW de dois e três cilindros. Hoje em dia é um tipo de motor que está confinado essencialmente a pequenas motorizadas, corta-relvas, pequenos barcos, etc.

Também existem motores de combustão interna a dois tempos de grandes dimensões, aliás, um dos maiores, senão o maior motor de combustão interna do mundo é a dois tempos: o Wärtsilä-Sulzer 14RT-flex96C.

Houve ainda uma tentativa de ressurgimento na década de 90, e vários protótipos foram apresentados nesse sentido, como por exemplo, pela Ford e BMW, mas seriam definitivamente abandonados por uma razão apenas: emissões.

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Dois tempos, quatro tempos

Os motores de dois tempos são assim chamados, pois conseguem numa só revolução uma combustão de um cilindro cheio de ar-combustível, ao contrário dos motores a quatro tempos (a norma hoje em dia), que necessitam de duas revoluções para a efetuar.

Têm várias vantagens relativamente aos motores a quatro tempos: são mais simples e leves, são mais fáceis de manter, conseguem mais potência para um motor de igual capacidade a quatro tempos, e podem trabalhar em qualquer posição pois não existe preocupação com o fluxo de óleo (a lubrificação faz-se com a mistura do óleo com o combustível e não têm válvulas).

Mas como referimos, as suas emissões são um dos seus maiores problemas. Tal acontece devido ao seu funcionamento onde, como já referimos, a lubrificação do motor é efetuada misturando o próprio óleo com o combustível, justificando os típicos gases de tom azulado que são expelidos do escape, além de que nestes vem também combustível não devidamente queimado.

O regresso?

Os motores a dois tempos pareciam estar condenados, até nas motorizadas, mas nos últimos anos temos assistido a um ressurgimento destes, sobretudo nas duas rodas. Marcas como a KTM têm estado na linha da frente na evolução do motor de dois tempos, introduzindo tecnologias como injeção direta de combustível.

Estas inovações, entre outras, estão a fazer com que os motores de dois tempos recuperem e até ultrapassem os motores de quatro tempos em emissões e até eficiência, pelo que existe foco renovado sobre este tipo de motores… até na Fórmula 1.

É o que depreendemos das palavras de Pat Symonds, diretor técnico da Fórmula 1, numa conferência de energia na Associação Industrial dos Desportos Motorizados.

Pat Symonds, Diretor Técnico da Fórmula 1
Pat Symonds, Diretor Técnico da Fórmula 1

De acordo com ele, talvez o melhor caminho para o futuro das motorizações na Fórmula 1 possa residir nos motores a dois tempos (uma medida que está a ser considerada igualmente para a classe rainha no Moto GP) — a mudança, se tudo correr como pretendido, poderá acontecer tão cedo como 2025:

Muito mais eficiente, um som excelente vindo do escape, e muitos dos problemas com os velhos dois tempos já não são hoje relevantes. Injeção direta, sobrealimentação e novos sistemas de ignição estão a permitir que novas formas de motores a dois tempos sejam muito eficientes e muito amigos das emissões. Eu penso que haverá um bom futuro para eles.

Mas não deveríamos todos estar a pensar em elétricos?

A Fórmula E, composta por monolugares 100% elétricos, tem capturado todas as atenções, dando um vislumbre do que poderá ser o futuro do desporto motorizado limpo e eficiente.

Pat Symonds acredita que, mesmo mantendo a aposta nos motores de combustão (hoje em dia parcialmente eletrificados), durante as próximas temporadas a Fórmula 1 seja considerada (mais) “verde” graças ao recurso a combustíveis sintéticos — já discutidos na Razão Automóvel — que combinam dióxido de carbono (CO2) capturado do ar com hidrogénio.

O futuro da Fórmula 1 poderá ser, assim, com motores a dois tempos, com Symonds a referir ainda a possibilidade de haver motores de pistões opostos (diferente de cilindros opostos) — com uma eficiência a rondar os 50%. O motor de combustão interna tem, do seu ponto de vista, ainda um longo futuro pela frente:

Não há nada de errado com os motores elétricos, mas há razões porque não são a solução para todos. O motor de combustão interna tem um longo futuro. Um futuro que é mais longo do que muitos políticos imaginam, porque os políticos estão a apostar tudo nos veículos elétricos. Eu acho que há uma muito forte possibilidade de que haverá um motor de combustão interna . Mas talvez funcione a hidrogénio.

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