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Hyundai Santa Fe 2.2 CRDi testado. Expetativas superadas

O Hyundai Santa Fe é o maior SUV da marca coreana na Europa, podendo levar até sete ocupantes. Que argumentos tem para lá do físico imponente?

Expetativas, sabemos como elas são… Se vos dessem a conduzir um qualquer desportivo ou até um hot hatch, não iriam conseguir disfarçar um sorriso de antecipação. Agora quando te dizem que o próximo modelo que tens de testar é um SUV tamanho familiar com sete lugares, como o é este Hyundai Santa Fepois…

Mesmo com um vivo vermelho a revestir-lhe a volumosa carroçaria, este Santa Fe, à primeira vista, pouco fez para acelerar o batimento cardíaco ou elevar as expetativas da minha pessoa em relação a si — e ainda bem que assim foi…

E digo “ainda bem”, porque o convívio prolongado com este “bom gigante” revelou não só o espaçoso familiar que adivinhava ser, mas também um excelente estradista e até um veículo… genuinamente interessante de conduzir — acreditem, fiquei tão surpreendido como vocês.

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Hyundai Santa Fe vista traseira 3/4 © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O familiar

É o maior SUV da Hyundai na Europa e, fisicamente, está entre os maiores do seu segmento. Entre os seus rivais temos propostas como o “primo” Kia Sorento (com nova geração a caminho), o Skoda Kodiaq, o SEAT Tarraco ou o Peugeot 5008.

Se antes, para aqueles que procuravam algo com mais de cinco lugares, um MPV seria a escolha óbvia, agora terá de passar a ser, quase obrigatoriamente, um SUV — e não ficamos melhor servidos… Esta tipologia não consegue igualar os MPV em aspetos essenciais como acessibilidade e acomodações (sobretudo na última fila), mas a verdade é que o Hyundai Santa Fe não fica nada mal visto.

Há espaço na 3ª fila, mais do que para apenas crianças ou adultos de baixa estatura — ok… dificilmente recomendaria uma viagem longa lá atrás, mas não é tão mau como outros no segmento. Há espaço razoável para pernas, ainda que o piso seja bastante elevado, e até pode haver mais, graças a uma segunda fila ajustável longitudinalmente (e também com costas ajustáveis em inclinação). O espaço para ombros é muito generoso, pois por cima das cavas das rodas só há… ar. Aceder obriga a alguns contorcionismos, mas está longe de ser o pior pecador nesse aspeto.

Na segunda fila, o cenário é consideravelmente melhor. A acessibilidade, previsivelmente, é muito superior (obriga ainda assim a “trepar” para o habitáculo, característica típica de SUV). Vamos, no entanto, muito bem instalados: os bancos, além de ajustáveis, são aquecidos nesta versão Premium, e são muito confortáveis. Até o terceiro passageiro ao meio encontra espaço e conforto q.b. — costas mais duras e espaço para pés mais limitado —, graças também à ausência de um túnel de transmissão.

Se com a terceira fila colocada no seu lugar o espaço para bagagens é diminuto, com esta rebatida — bem fácil de o fazer, graças a umas cintas nas costas dos bancos —, temos o espaço equivalente a uma carrinha… de segmento C. Não me estou a queixar dos 547 l de capacidade, que cobrem as necessidades da maioria, mas alguns dos seus rivais chegam aos 700 l.

Bancos rebatidos, piso da bagageira plano
Com as duas filas rebatidas, o piso da bagageira fica todo ele plano, com a capacidade a elevar-se para os 1625 l. A chapeleira pode ser arrumada num compartimento próprio por baixo do piso. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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O estradista

Um bom familiar também ter de ser um bom estradista, e o Hyundai Santa Fe revelou-se bastante competente a este nível. As suas competências neste campo residem em dois pontos chave: o conjunto motor/caixa e o conforto a bordo.

Vista frente Hyundai santa Fe © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O 2.2 CRDi não ganha pontos em sonoridade, mas ganha pontos em disponibilidade — 440 Nm de binário logo às 1750 rpm —, e os 200 cv que debita colocam-no como o mais potente do segmento. No entanto, ao ter pouco mais de 1900 kg, as prestações são… adequadas em vez de vivazes. Nota positiva para a ausência de vibrações deste no eficazmente isolado habitáculo.

A complementá-lo temos uma caixa de dupla embraiagem de oito velocidades que parece saber, quase sempre, em que relação estar — é preferível deixá-la a trabalhar sozinha que optar pelo modo manual. As patilhas são demasiado pequenas e “viram” com o volante e, mais uma vez, o manípulo atua em sentido contrário aquele que me parece ser o mais intuitivo.

Consola central do Hyundai Santa Fé
Consola central organizada, dominada pelo generoso porta-copos duplo e pelo manípulo da caixa automática. Talvez colocasse mais “à mão” o botão que muda os modos de condução. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O seu apetite não é o mais contido, mas também não é exagerado. Os consumos andaram entre os 7-8 l/100 km (mix cidade-vias rápidas), mas chegou a registar 5,0 l/100 km a 90 km/h. Em autoestrada os consumos sobem até aos sete litros ou muito perto disso, mas foi em deslocações maioritariamente citadinas onde o 2.2 CRDi se revelou o mais guloso, com médias confortavelmente a norte dos nove litros. Não há milagres quando se tem de lidar com este tipo de volumetria ou massa.

Em relação ao conforto a bordo do Santa Fe este é, a vários níveis, elevado. Já aqui mencionámos o quão confortáveis são os bancos dos passageiros, e à frente, o do condutor não é diferente — peca só por não ter apoio suficiente, que ficou em evidência quando em estradas mais serpenteantes e a ritmos mais apressados.

Vamos sentados como se espera num SUV destas dimensões: como se tivéssemos à mesa de jantar. A posição de condução não deixa de ser boa, mas senti falta de maior amplitude no ajuste em profundidade do volante, sem no entanto comprometer.

Bancos dianteiros e teto de abrir
O tejadilho panorâmico é… enorme. Os bancos dianteiros são confortáveis, mas não oferecem muito apoio. Aliás, em condução mais empenhada, dei por mim a deslizar nos bancos. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Felizmente o Hyundai Santa Fe é senhor de uma área vidrada ampla, garantindo bons níveis de visibilidade em todas as direções — até para o céu… Já viram o tamanho daquele teto panorâmico? — e os pilares dianteiros (agradavelmente revestidos a tecido) não interferem muito em curvas ou cruzamentos.

As qualidades de estradista do volumoso Santa Fe fizeram-se sentir, também, em autoestrada. Este não é um SUV desajeitado, bem pelo contrário. A suspensão passiva está mais orientada para o conforto, mas mesmo a velocidades de cruzeiro elevadas, revelou ser uma criatura estável e refinada (na sua maior parte). A velocidades estabilizadas, o ruído do motor é distante, os ruídos aerodinâmicos contidos (sem o teto panorâmico, talvez fosse melhor) e apenas o ruído de rolamento podia ser melhor. Será culpa das jantes de 19″ e pneus de menor perfil, as maiores rodas disponíveis no Santa Fe?

Jante 19 polegadas do Santa Fe
Nesta versão Premium o Santa Fe ganha jantes de 19″ e pneus claramente orientados para o asfalto: Continental ContiSport Contact © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O driver’s car!?

O Hyundai Santa Fe gera enorme sentimento de confiança ao seu leme e a principal responsável é a sua direção, um item de qualidade acima da média. Uma característica transversal a todos os Hyundai, e por associação os Kia, que tenho conduzido. O efeito Albert Biermann não se sente apenas num hot hatch como o i30 N, até é possível senti-lo num volumoso SUV como é o Santa Fe.

Somos brindados com um leme preciso e comunicativo, complementado por um eixo dianteiro que responde prontamente aos nossos comandos, sem nunca ser impetuoso. Quando juntamos um chassis competente ao mix, começamos a tomar certas liberdades com este volumoso SUV que, em teoria, não deveríamos ter — é este o nível de confiança que o leme do Santa Fe dá.

Hyundai Sante Fé, frente 3/4 © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Desligamos o controlo de estabilidade e ativamos o modo Sport — bastante bem calibrado e nada desagradável, introduzindo a quantidade certa de urgência à resposta do acelerador e caixa. E pouco tempo depois estamos a atacar curvas como se tratasse de um veículo bem mais pequeno e leve.

O maior elogio que posso fazer ao comportamento do Hyundai Santa Fe é o quão natural as suas respostas são e o quão é capaz de entreter — algo inesperado tendo em conta o veículo que é. Neutro, progressivo e previsível, é possível imprimir ritmos elevados até numa desafiante estrada de montanha, mas há ressalvas…

O acerto macio da suspensão torna-o algo bamboleante em ocasiões e sempre são mais de 1900 kg em movimento. Os travões são mordazes, mas todos os quilogramas do Santa Fe são sentidos nas travagens mais impetuosas — não vale a pena explorar os genes “hot hatch” deste SUV, mas caso o ritmo a impôr seja mais apressado que a norma, temos no Santa Fe um muito bom companheiro.

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É o carro SUV certo para mim?

Precisas mesmo de sete lugares e não queres comprar um MPV (ainda há alguns no mercado), ou — os deuses automóveis nos valham…um veículo comercial? O Hyundai Santa Fe tem de estar na lista de potenciais candidatos, até por ser um dos poucos SUV de sete lugares que já passaram pela garagem da Razão Automóvel com acomodações decentes na terceira fila.

O maior SUV da Hyundai pode não ser visualmente o mais apelativo, mas a bordo do “bom gigante” há mais para gostar. Não só é espaçoso e confortável, como apresenta uma qualidade de montagem acima da média, e tratando-se da versão Premium, somos “mimados” com superfícies revestidas a materiais mais agradáveis, como pele e até madeira. Exceção feita ao volante revestido em pele — nada tenho contra pele sintética, mas esta não era de todo agradável ao toque, gerando também um ruído elevado pela passagem das mãos pelo volante.

Em comparação com os seus rivais, o Hyundai Santa Fe 2.2 CRDi Premium não é o mais acessível, mas a lista de equipamento de série é bastante completa — apenas a pintura metalizada era opcional na nossa unidade, tudo o resto que vêem é de série. E de momento, apenas o Peugeot 5008 e o “primo” Kia Sorento dispõem de uma motorização capaz de rivalizar em potência/performance com o Santa Fe e combiná-la com duas rodas motrizes.

Um argumento importante pois permite que este volumoso SUV possa ser Classe 1 nas portagens, com o uso do dispositivo Via Verde. Os restantes rivais, com potências a este nível (190-200 cv), vêm associados a tração às quatro rodas, o que os empurra para a Classe 2.

Preço

unidade ensaiada

60.460

Versão base: €59.940

IUC: €259

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 2199 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Inj. Direta por Common Rail; Turbo de Geometria Variável; Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 vál./cil.
    • Potência: 200 cv às 3800 rpm
    • Binário: 440 Nm entre as 1750 rpm e as 2750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática (conversor de binário) de 8 vel.
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4770 mm / 1890 mm / 1680 mm
    • Distância entre os eixos: 2765 mm
    • Bagageira: 547-1625 l
    • Jantes / Pneus: 235/55 R19
    • Peso: 1905 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,7 l/100 km
    • Emissões de CO2: 178 g/km
    • Vel. máxima: 203 km/h
    • Aceleração: 9,3s
  • Garantias
    • Mecânica: 7 anos sem limite de quilómetros
  • Equipamento
    • Chave Inteligente (Smart Entry & Start)
    • Jantes em liga leve 19”
    • Safe Exit Assist
    • Faróis em LED
    • Teto panorâmico
    • Sistema de som KRELL
    • Sistema de navegação com ecrã tátil de 8’’
    • Bancos dianteiros com aquecimento e ventilação
    • Carregador Wireless de Smartphone*
    • Câmara 360º
    • Head-up Display
    • Portão da mala elétrico
Extras
Pintura metalizada — 520 €.
Avaliação
7 / 10
O que comecei por abordar como "mais um e apenas" SUV de sete lugares, acabou por se revelar um muito bom veículo familiar e, surpreendentemente, genuinamente interessante de conduzir — não são todos os SUV em que podemos afirmar isto, para mais um tão grande e pesado como o Santa Fe. Como familiar não falta espaço, nem na última fila de bancos, onde muitos SUV nem conseguem encaixar devidamente adultos de estatura média. Junte-se um forte e potente, mas talvez não muito económico motor; uma direção cheia de qualidades; um chassis algo macio, mas muito bem resolvido; um nível de refinamento bom q.b.; e temos a receita para um muito competente estradista, ideal para longas viagens em família… ou com amigos. E para mais Classe 1.
  • Terceira fila de bancos com acomodações bastante razoáveis
  • Flexibilidade do interior
  • Direção
  • Estradista competente
  • Conforto
  • Pele sintética do volante
  • Ruído do motor quando em carga
  • Banco não tem suporte suficiente

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