Desde 33 420 euros

Testámos o Renault Scénic 1.3 tCe: já não é moda, mas ainda tem argumentos?

A moda dos monovolumes deu lugar à dos SUV, no entanto, ainda vão havendo alguns "resistentes" como o Renault Scénic. Será que este ainda tem argumentos?

As modas têm destas coisas. Por vezes põem toda a gente a vestir-se da mesma forma, a ver os mesmos programas e, no mundo automóvel, antes dos SUV, a moda eram os monovolumes.

Um dos maiores símbolos dessa moda e o seu principal impulsionador foi o Scénic (a par da Espace). Hoje, a moda passou, mas o Scénic continua no mercado. Para saber até que ponto um monovolume continua a ter argumentos num mercado inundado por SUV, testámos o recém-lançado em Portugal (agradeçam à lei das portagens) Scénic.

Esteticamente, o modelo da Renault não tenta esconder as suas origens (ao contrário do que acontece com a Espace que adotou um look de crossover), apresentando-se com formas arredondadas e fluídas típicas de monovolume.

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Sem ser o modelo mais chamativo do mercado, nesta última geração adotou linhas mais estilizadas e adotou jantes de 20’’ (as únicas disponíveis), o que acabam por fazer o Scénic destacar-se.

Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel

Por dentro do Renault Scénic

Com um desenho muito similar ao que a Renault nos tem habituado na maioria dos seus modelos (chega até a ser demasiado parecido), o interior do Scénic é composto por uma mistura de materiais moles no topo do tablier e mais duros na parte inferior, sendo que a montagem, apesar de estar em bom nível, podia ainda ser melhorada — na unidade por nós testada, por exemplo, verificou-se que o porta luvas por vezes abria sozinho.

Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel
O posicionamento do comando da caixa de velocidades é bastante ergonómico.

Já em termos ergonómicos, apesar de o Scénic abdicar de grande parte dos comandos físicos, é fácil usar todas as funcionalidades e equipamentos. Esta facilidade deve-se, acima de tudo, aos comandos presentes no volante que não só são fáceis de operar como permitem evitar ter de recorrer ao ecrã tátil, tornando mais intuitiva a utilização do sistema de infotainment.

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Mas se a ergonomia está em bom plano, a verdadeira jóia da coroa do Scénic é o seu interior versátil. Desde mesas para piquenique a uma consola central deslizante, passando por bancos traseiros ajustáveis longitudinalmente, não faltam soluções de arrumação e, acima de tudo, espaço dentro do monovolume da Renault.

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Ao volante do Renault Scénic

Apesar dos inúmeros ajustes possíveis, a verdade é que encontrar uma posição de condução confortável ao volante do Scénic é capaz de demorar um pouco. Uma vez encontrada, o que mais salta à vista é a excelente visibilidade para o exterior, conseguida graças à grande superfície vidrada da qual o maior destaque é o vidro no duplo pilar A que ajuda, e muito, em cidade.

Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel
O vidro presente no duplo pilar A permite uma ótima visibilidade, principalmente em curvas apertadas em ambiente citadino.

Dotado de cinco modos de condução (Eco, Sport, Neutral, Comfort e Personalizado), a verdade é que escolhas que modo escolheres o grande foco do Scénic está no conforto. Assim, a única diferença entre os vários modos são o peso da direção (mais pesada no Sport e mais leve no Comfort) e a resposta do acelerador (letargia em modo Eco, um pouco mais “atrevida” no Sport).

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Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel
Todos os Scénic surgem equipados de série com jantes de 20”.

Com uma suspensão capaz de absorver a maioria das irregularidades (apesar das jantes de 20”), o Scénic revela-se acima de tudo estável, previsível e seguro, demonstrando uma certa tendência subviradora bem perto do limite e facilmente corrigível. Já os comandos apresentam um tato excessivamente filtrado.

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Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel
Dinamicamente competente, o Scénic só peca por ter comandos excessivamente filtrados, especialmente a direção, que apesar de precisa é pouco comunicativa.

A unidade que ensaiámos contava com o 1.3 TCe na versão de 140 cv e associado à caixa manual de seis velocidades. Apesar de conseguir imprimir ritmos bastante aceitáveis ao Scénic, o pequeno tetracilíndrico peca pela fraca disponibilidade a baixo regime, obrigando a recorrer muito à caixa.

Já os consumos, se em estrada o 1.3 TCe até se revela económico, com consumos na casa dos 6,2 l/100 km, já em circuito urbano, por muito que se tente, é difícil baixar dos 8,5 l/100 km.

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Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel

É o carro certo para mim?

Confortável, bem equipado e espaçoso, o Scénic traz-nos à memória as razões pelas quais este tipo de modelo chegou a estar na moda. Apesar de um monovolume não ter o sex appeal de um SUV, este tipo de carroçaria mantém todos os seus argumentos, e o Scénic faz uso de todos eles para se estabelecer como um veículo familiar de excelência.

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Renault Scénic 1.3 TCe © Raul Mártires / Razão Automóvel
A unidade ensaiada pertencia à série especial Bose Edition e contava com vários detalhes estéticos e um sistema de som da…Bose que acabou por desiludir um pouco.

Desde espaço com fartura até um interior modular onde salta à vista o elevado nível de equipamento e os muitos espaços de arrumação, o Scénic é a opção ideal para quem gosta ou precisa do espaço oferecido pelas carrinhas, mas aprecia uma posição de condução mais alta e pretende um pouco mais de versatilidade.

Dinamicamente competente, confortável e seguro, o 1.3 TCe usado pelo Scénic “pede” que lhe dêem estrada. Aí, o tetracilíndrico oferece consumos relativamente baixos e boas prestações. Já em cidade, este revela a sua baixa cilindrada mostrando-se amorfo a baixa rotação e obrigando a um recurso mais frequente à caixa que acaba por se refletir nos consumos.

 

Ficha técnica
Renault Scénic BOSE Edition 1.3 TCe 140 FAP
Configurar este modelo

Preço

unidade ensaiada

34.970

Versão base: €33.420

IUC: €171

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1332 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção Direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 140 cv às 5000 rpm
    • Binário: 240 Nm às 1600 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de seis velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4406 mm / 1866 mm / 1653 mm
    • Distância entre os eixos: 2734 mm
    • Bagageira: 496 l
    • Jantes / Pneus: 195/55 R20
    • Peso: 1529 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,8 l/100km
    • Emissões de CO2: 154 g/km
    • Vel. máxima: 201 km/h
    • Aceleração: 10,4s
  • Equipamento
    • Alerta de colisão frontal
    • Alerta de excesso de velocidade c/reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Sistema de assistência à travagem de urgência
    • Alerta de transposição involuntária de faixa
    • Sistema de travagem de emergência ativa com deteção de peões
    • Alerta de deteção de fadiga
    • Câmara de marcha-atrás (inclui sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro)
    • Head-Up Display
    • Regulador e limitador de velocidade
    • Sensores de luz e chuva com máximos automáticos
    • Sistema de recuperação de energia "Energy Smart Management" (ESM)
    • Sistema de recuperação de energia "Energy Smart Management" (ESM)
    • Ar condicionado automático "bi-zone" (regulação independente condutor/passageiro)
    • Gaveta Easy Life (iluminada e refrigerada)
    • Sistema R-LINK 2 com ecrã tátil de 8,7’’ + Sistema de som Premium Bose®
    • Volante em couro Premium
    • Design de jantes em liga leve 20" BOSE
    • Bancos traseiros rebatíveis "One Touch"
    • Mesas Easy Life nas costas dos bancos dianteiros
Extras
Banco do condutor com regulação lombar elétrica + função massagem; Faróis LED Pure Vision (800 €).
Avaliação
7 / 10
Espaçoso, versátil e confortável, o Scénic estabelece-se como uma opção a ter em conta para quem precisa de espaço e não está preocupado em passar uma imagem de aventureiro ou que simplesmente não gosta de seguir modas. Aos SUV que lhe têm vindo a roubar quota de mercado, o Scénic responde com uma série de argumentos racionais que nos levam a questionar porque razão é que os monovolumes deixaram de ser vistos como alternativas a ter em conta na hora de escolher um carro para a família. Quando equipado com o 1.3 TCe na versão de 140 cv, o Scénic acaba por revelar uma veia mais estradista, dada a tendência "gulosa" revelada pelo motor em circuito urbano.
  • Versatilidade e modularidade interior
  • Espaço
  • Visibilidade
  • Tato filtrado dos comandos
  • Falta de pujança do motor a baixa rotação
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Em que ano foi lançada a atual geração do Renault Twingo?
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