Ensaio Renault Kangoo. Nova geração já não é aquilo que parece

Desde 30 421 euros

Renault Kangoo. Nova geração já não é aquilo que parece

À medida que os MPV convencionais vão desaparecendo, cabe a modelos como a Renault Kangoo responder às necessidades das famílias.

Renault Kangoo TCe 130 Equilibre

7.5/10
Foram-se os MPV, ficaram propostas como a Renault Kangoo para quem precisa de (muito) espaço.

Prós

  • Espaço
  • Conforto
  • Versatilidade

Contras

  • Consumos em cidade
  • Equipamentos «obrigatórios» são opcionais

À medida que os MPV vão desaparecendo, as versões de passageiros dos comerciais compactos como a Renault Kangoo veem reforçadas as suas responsabilidades.

Hoje são praticamente a única opção para quem precisa de espaço e, por isso, os construtores não se podem limitar apenas a colocar uma segunda fila de bancos. Os dias que passei ao ao volante da Kangoo comprovaram-no.

Renault Kangoo vista traseira 3/4
© THOM V. ESVELD / RAZÃO AUTOMÓVEL

A aparência é… «quadrada» — o que se reflete no aproveitamento de espaço —, mas a cor viva da unidade ensaiada, as jantes de liga leve e os apontamentos cromados conferem à Kangoo um visual menos «industrial».

Curiosamente, e ao contrário do que aconteceu noutras gerações, a Kangoo não tem nenhuma versão que lhe confira um visual mais aventureiro e próximo ao dos SUV.

Espaço para tudo

O facto de derivar de um veículo comercial pode privar a Renault Kangoo de linhas mais dinâmicas, mas traz-lhe vantagens inegáveis. As portas laterais traseiras de correr são uma delas.

Outrora comum nos MPV, esta solução permite colocar as cadeiras das crianças nos bancos traseiros ou transportar alguém com mobilidade reduzida com muito mais facilidade.

As origens da Kangoo permitiram ainda herdar as soluções especialmente pensadas para quem faz da versão comercial um escritório itinerante.

Desta forma, temos inúmeros espaços de arrumação fechados, entradas USB e até um suporte para o smartphone, uma solução que continuo sem entender porque razão só é usada pelo Grupo Renault.

Não se admirem se os miúdos «perderem» brinquedos nos inúmeros espaços de arrumação a bordo da Kangoo.

A enorme altura interior dá-nos uma sensação de espaço inexistente noutras propostas e os três bancos traseiros individuais tornam fácil transportar três adultos ou três crianças e as respetivas cadeiras. Contudo, só não leva pontuação máxima em versatilidade porque os bancos traseiros apenas rebatem na proporção 60/40 e estão fixos ao piso. Os bancos deslizantes são exclusivos da Kangoo elétrica.

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O espaço para bagagens é também muito generoso. Os 775 l são referenciais e, acima de tudo, uma mais valia para quem viaja em família. Já a chapeleira da bagageira podia ser de enrolar como nas carrinhas ou SUV.

Deriva de um comercial? Nem parece

A Kangoo até pode colher as mais valias de derivar de um veículo comercial em campos como a habitabilidade ou a versatilidade, mas o seu interior disfarça muito bem as origens.

Os materiais são mais agradáveis que os usados na versão comercial, a robustez está em bom plano e até o tabliê tem um design moderno, sendo muito semelhante ao do Clio.

A ergonomia merece igualmente elogios, não só pela Renault manter na Kangoo comandos físicos — como os da climatização —, como por estarem bem posicionados e serem fáceis de usar.

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Aposta no conforto

Sentado aos comandos da Kangoo, encontro facilmente uma boa posição de condução, que é mais alta do que no Clio, mas mais baixa do que no Captur. A direção é leve, assim como outros comandos, o que em conjugação com o posicionamento sobrelevado do comando da caixa de velocidades, torna a condução da Kangoo particularmente fácil e relaxante.

Bancos dianteiros
© THOM V. ESVELD / RAZÃO AUTOMÓVEL Mesmo em viagens mais longas os bancos são confortáveis.

A Kangoo assenta na mesma plataforma usada pelos Clio e Captur, mas apesar do comportamento eficaz e de reações neutras, não consegue entreter ao volante como os seus «irmãos».

O acerto de suspensão está nitidamente focado em maximizar o conforto a bordo. Depois de largos quilómetros ao volante da Kangoo, só posso confirmar que a Renault foi bem sucedida nesse objetivo.

Gulosa em cidade. Frugal em estrada

A motivar esta Renault Kangoo não está, como seria de esperar, um motor Diesel — a marginalização continua —, mas sim o 1.3 TCe de 130 cv a gasolina. Um «velho conhecido» de outros modelos da marca.

Motor Renault Kangoo
© THOM V. ESVELD / RAZÃO AUTOMÓVEL A cilindrada e as emissões (153 g/km), «obrigam» a Kangoo a pagar um IUC mais elevado.

Mais que a potência são os 240 Nm de binário disponíveis logo às 1500 rpm que destaco, dando uma agradável celeridade à Kangoo, revelando-se particularmente disponível a baixos e médios regimes. O mérito não é apenas do motor; também a caixa manual de seis velocidades suave e bem escalonada ajuda bastante.

A combinação motor/caixa fazem com que manobras como ultrapassagens realizem-se com uma confiante segurança e manter velocidades de cruzeiro elevadas em autoestrada não é difícil.

Traseira Renault Kangoo
© THOM V. ESVELD / RAZÃO AUTOMÓVEL As dimensões do portão da bagageira obrigam a alguma atenção na hora de o abrir e na escolha dos locais onde estacionar.

O 1.3 TCe, contudo, revela uma «dupla personalidade» quanto aos consumos diz respeito. Se em estrada aberta mostrou ter um apetite contido, com médias entre os 6,0-6,5 l/100 km, em cidade a conversa é outra. Os consumos subiram para valores a rondar os 8 l/100 km.

Foi aqui que senti saudades do apetite mais frugal do 1.5 dCi que também equipa a Kangoo e que conduzi no primeiro contacto ao modelo.

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Um preço justo

Os automóveis estão mais caros e mesmo no caso desta Renault Kangoo, com preços a começar nos 30 421 euros, dificilmente pode ser considerada acessível. Contudo, entre as propostas de características similares é das mais acessíveis.

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Por exemplo, a Ford Tourneo Connect vê os seus preços arrancarem nos 34 652 euros. Já um MPV como o Renault Grand Scénic vê o seu preço começar nos 36 600 euros.

Só se lamenta que equipamentos «obrigatórios» como a câmara traseira, ou outros mais práticos como as mesas nas costas dos bancos dianteiros, sejam relegados para a lista de opcionais.

Renault Kangoo TCe 130 Equilibre

7.5/10

A cada geração que passa a Renault Kangoo disfarça melhor o facto de derivar de um veículo comercial. Com os MPV a desaparecer, a Kangoo é uma das melhores opções para quem precisa de espaço e tem um muito bom parceiro no 1.3 TCe que lhe garante bons ritmos. O único senão é que em cidade esse rendimento tem um preço: consumos mais altos.

Versão base:30.421€

IUC: 180€

Classificação Euro NCAP: 4/5

34.283€

Preço unidade ensaiada

  • Arquitectura:4 cilindros em linha
  • Capacidade: 1333 cm cm³
  • Posição:Dianteira transversal
  • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
  • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil. (16 válv.)
  • Potência: 131 cv às 4500 rpm
  • Binário: 240 Nm às 1500 rpm

  • Tracção: Dianteira
  • Caixa de velocidades:  Manual de 6 velocidades

  • Comprimento: 4486 mm
  • Largura: 1919 mm
  • Altura: 1838 mm
  • Distância entre os eixos: 2716 mm
  • Bagageira: 775 l
  • Jantes / Pneus: 205/55 R17
  • Peso: 1625 kg

  • Média de consumo: 6,8 l/100 km
  • Emissões CO2: 153 g/km
  • Velocidade máxima: 183 km/h
  • Aceleração máxima: >12,8s

    Tem:

    • Sistema de alerta de transposição involuntária de via
    • Sistema de travagem de emergência ativa interurbana
    • Alerta de esquecimento dos cintos de segurança
    • Alerta de excesso de velocidade c/reconhecimento de sinais de trânsito
    • Alerta de deteção fadiga do condutor
    • Controlo de estabilidade (ESP) + sistema de ajuda ao arranque em subida (HSA)
    • Regulador de velocidade (com travagem em descida)
    • Computador de bordo com ecrã TFT a cores de 4,2″
    • Alternador reforçado
    • Tomada de acessórios de 12 V na 3ª fila + tomada USB na 2ª fila de bancos
    • Volante em couro sintético regulável em altura c/comandos
    • Ar condicionado automático bi-zona
    • Saídas de ar traseiras
    • Banco do condutor regulavel em altura
    • Consola central com apoio braço
    • Sistema easy link com ecrã de 8”
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Faróis full LED pure vision

Pintura “Castanho Terracota” — 554 €
Pack conforto interior (inclui: carregador de telemóvel por indução, mesas tipo “avião” nas costas dos bancos dianteiros, espelho de vigilância dos lugares traseiros, suporte para smartphone) — 258 €
Pack mãos livres (inclui: chave-cartão, vidros traseiros elétricos) — 308 €
Pack estacionamento II (inclui: retrovisor interior electrocromático automático, sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro, lateral e traseiro e câmara de marcha-atrás) — 800 €
Sistema Easy Link com navegação — 1046 €
Luzes de máximos automáticas — 369 €

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