Desde 33 840 euros

Renault Captur E-TECH (híbrido plug-in). O mais económico é também o mais caro. Vale a pena?

O Renault Captur E-TECH é o membro mais recente, mais potente, mais caro e promete ser o mais económico da gama. Será mesmo assim?

Diversidade não falta. Depois de já termos testado o Captur com motor Diesel, a gasolina e a GPL, pusemos à prova o Renault Captur E-TECH, a primeira variante eletrificada do SUV gaulês.

Esteticamente desafio-te a encontrar as diferenças face aos seus “irmãos de gama” — a sério… é um exercício que pode ter tanto de desafiante como de frustrante.

Porquê? Simplesmente porque estas são praticamente inexistentes, resumindo-se a uns (muito) discretos logótipos e, claro está, à porta de carregamento. Posto isto, o Captur continua a ter um visual atrativo, familiar, mas com uma certa jovialidade típica das propostas do segmento.

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Renault Captur E-Tech © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

No interior muda (muito) pouco

Tal como no exterior, no interior as diferenças são de pormenor, resumindo-se aos logótipos e à presença de gráficos relativos ao sistema híbrido no painel de instrumentos (que tem um ecrã de 10,2”) e no sistema de infoentretenimento (cujo ecrã mede 9,3” e está em posição vertical).

Já no capítulo do espaço as mais valias do recurso à plataforma CMF-B continuam a fazer-se sentir e só a capacidade da bagageira saiu prejudicada — as baterias precisam de bastante espaço —, descendo dos 406 a 536 litros para uns bem mais modestos 265 a 379 litros.

Silêncio, que vamos conduzir o Captur E-TECH

Se tanto no exterior como no interior pouco separa o Renault Captur E-TECH dos seus irmãos, uma vez sentados ao seu volante as diferenças são evidentes. Para começar, mal acedemos ao menu do sistema “Multi-Sense” em vez dos habituais modos “My Sense”, “Sport” e “Eco” temos os modos “Pure”, “Sport” e “E-Save”.

O primeiro, que é o selecionado por defeito sempre que a bateria com 9,8 kWh e 400 V tem carga, privilegia o modo 100% elétrico e permite-nos confirmar que os 50 km de autonomia anunciados neste modo (65 km em meio urbano) são realistas. Para teres uma ideia, num percurso com muitas vias rápidas consegui percorrer, só com recurso à bateria, cerca de 45 km.

Já o modo “Sport” torna a direção mais pesada e , sempre que pressionamos a fundo o acelerador, faz os três motores trabalharem em simultâneo, entregando de forma quase imediata todo o binário.

Emblema E-Tech
Estás a ver este logótipo? É um dos poucos elementos que diferenciam o Captur E-TECH dos seus “irmãos” de gama. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Por fim, o modo “E-Save” é aquele a que vais recorrer quando, como eu, souberes que terminas a tua viagem no meio da cidade e queres ter ainda energia na bateria para poderes circular lá em modo elétrico. Neste, definimos um nível de carga da bateria para usar mais tarde, pelo que, quando o atingimos, o uso do motor elétrico fica limitado e é dada preferência à utilização do motor de combustão.

Seja em que modo for, o sistema híbrido plug-in  do Renault Captur E-TECH pauta-se pela suavidade de funcionamento, com a transição entre os diversos motores a ser quase impercetível. A única exceção é quando aceleramos a fundo.

Renault Captur E-Tech © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Poupado e veloz?

Como já deves saber (principalmente se leste este artigo), o Renault Captur E-TECH partilha a mecânica com a Mégane ST E-TECH que testámos há uns meses.

Quer isto dizer que associados a um 1.6 l a gasolina com 91 cv e 144 Nm estão dois motores elétricos. Um, o maior, com 67 cv e 205 Nm, serve para mover o Captur e o outro, mais pequeno, com 34 cv e 50 Nm, funciona como motor de arranque e gerador de energia, aproveitando as desacelerações e as travagens.

Motorização híbrida plug-in
Tal como a Mégane ST E-TECH, o Renault Captur E-TECH conta com uma caixa de velocidades multimodo sem embraiagem que recorre a tecnologia usada pelos carros de Fórmula 1 e oferece até 14 (!) velocidades. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O resultado final são 160 cv de potência máxima combinada que permitem ao mais potente dos Renault Captur cumprir os 0 aos 100 km/h em 10,1s e alcançar os 173 km/h. Prestações bombásticas? Nem por isso, mas também não é esse o objetivo do Captur E-TECH.

O seu objetivo passa por poupar, emitindo o mínimo de CO2 possível e a verdade é que, com consumos anunciados de 1,5 l/100 km e emissões de 33 a 35 g/km, pelo menos no papel, o Captur consegue fazê-lo.

Na prática, e falando obviamente apenas acerca dos consumos, enquanto temos bateria é fácil conseguir andar perto da média anunciada (consegui médias de 1,9 l/100 km sem grandes preocupações).

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Já quando a carga da bateria se esgotou e o Captur E-TECH passou a funcionar como um híbrido convencional, consegui médias que foram dos 3,9 l/100 km (com muita autoestrada e estrada nacional pelo caminho) até aos 5,8 l/100 km em percursos urbanos e suburbanos.

Quanto às prestações, se no papel podem não impressionar de sobremaneira, na “vida real” não desiludem e temos potência de sobra para uma utilização despachada, mesmo com o Captur E-TECH cheio de passageiros e bagagem.

Por fim, no capítulo dinâmico, o Renault Captur E-TECH acaba por “pagar a fatura” do seu peso mais elevado, consequência do seu grupo motriz eletrificado — 1639 kg contra pouco mais de 1300 kg do Captur TCe 140.

Se o comportamento mantém-se igual ao dos outros Captur (mais orientado para o conforto, mas sempre previsível e eficaz), os seus limites chegam um pouco mais cedo, notando-se o efeito da massa acrescida que se reflete também nos movimentos da carroçaria — mexe-se mais que os outros Captur só a combustão.

Renault Captur E-Tech
Bons para o conforto e os consumos, os pneus de perfil mais alto acabam por se ressentir um pouco no campo da dinâmica. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É o carro certo para mim?

Capaz de fazer largos quilómetros sem gastar um litro de gasolina, o Renault Captur E-TECH é, como todos os híbridos plug-in, um modelo que exige ao seu proprietário a “disciplina” de o carregar frequentemente para que faça sentido como proposta.

Não só isso, mas como convém fazer algumas contas. Afinal, pode ser o mais poupado, mas é também, de longe, o mais caro da gama.

Renault Captur E-Tech © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Analisem a vossa rotina diária, quantos quilómetros costumam fazer diariamente e se têm oportunidade de carregar, sempre que for necessário, o Captur E-TECH. Se a maioria desses quilómetros forem em meio urbano, apesar de mais caro, poderá compensar a médio/longo prazo com a poupança que vão conseguir em gastos com gasolina.

Se, por outro lado, a maioria dos vossos percursos implica muitas vias rápidas e autoestradas, ou o acesso a postos de carregamento não é ainda o melhor, a gama do Renault Captur tem outra opção muito económica: a variante a GPL, bem mais acessível.

Renault Captur E-Tech © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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É verdade que tem menos 60 cv e é mais lenta, mas pesa menos, cerca de 364 kg (fica-se pelos 1275 kg), tem mais espaço para bagagens, e consome um combustível mais barato que a gasolina e, comparando os níveis de equipamento Intens, custa menos cerca de 10 mil euros (23 690 euros “contra” 33 940 euros).

Posto isto, e parafraseando o antigo Primeiro-Ministro e agora Secretário-Geral da ONU, António Guterres, no caso da escolha do Captur E-TECH o melhor “é fazer a conta”.

Preço

unidade ensaiada

35.530

Versão base: €33.840

IUC: €137

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1598 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção indireta
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: Motor combustão: 91 cv; Motor elétrico 1: 67 cv; Motor elétrico 2: 34 cv; Potência máxima combinada: 160 cv
    • Binário: Motor combustão: 144 Nm; Motor elétrico 1: 205 Nm; Motor elétrico 2: 50 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa de velocidades multimodo sem embraiagem
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4227 mm / 1797 mm / 1576 mm
    • Distância entre os eixos: 2639 mm
    • Bagageira: 265 a 379 litros
    • Jantes / Pneus: 215/60 R17
    • Peso: 1639 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 1,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 33 a 35 g/km
    • Vel. máxima: 173 km/h
    • Aceleração: 10,1s
  • Equipamento
    • Reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Alerta de distância de segurança
    • Sistema de assistência na transposição involuntária de via
    • Sistema de travagem de emergência ativa com deteção de peões e ciclistas
    • Sistema de assistência à travagem de urgência (AFU)
    • Travão de estacionamento elétrico
    • Regulador e limitador de velocidade
    • Faróis traseiros em LED
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Sistema de ajuda ao estacionamento traseiro
    • Máximos automáticos
    • Faróis diurnos Full LED
    • Iluminação interior em LED
    • Ar condicionado automático
    • Cartão Renault mãos-Livres
    • Retrovisor interior eletrocromático
    • Consola central com apoio de braço e arrumação
    • Retrovisores exteriores reguláveis e rebatíveis elétricamente c/função de desembaciamento
    • Volante em couro multifunções
    • Banco traseiro deslizante rebatível 1/3-2/3
    • Banco do passageiro regulável em altura
    • EASY LINK 7" com navegação
    • Ecrã TFT 7" digital personalizável
    • Jantes em liga leve de 17"
    • Carroçaria bi-tom
Extras
Câmara 360º — 590 €; Alerta Excesso de Velocidade — 100 €; Cabo compatível com Wallbox e tomada doméstica — 600 €; Alerta de ângulo morto — 250 €; Carregador de telefone por indução — 150 €.
Avaliação
7 / 10
Nesta versão E-TECH, o Renault Captur alia às suas já reconhecidas qualidades uma sempre bem vinda preocupação ambiental. "Pelo caminho" apresenta-se como uma das versões mais económicas da gama e, sem dúvida, a mais adequada a um uso intensivo em meio urbano. O "problema" é que com isso não só perdeu espaço como viu o seu preço aumentar consideravelmente, fazendo com que a escolha desta versão obrigue a uma reflexão mais ponderada acerca do uso que lhe vai ser dado.
  • Conforto
  • Suavidade do sistema híbrido plug-in
  • Gestão das baterias
  • Consumos
  • Montagem com margem de progressão
  • Perda de capacidade da bagageira
  • Preço
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Em que ano é que a Renault alcançou a sua primeira vitória na Fórmula 1?

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