Indústria

Alfa Romeo vai desistir da plataforma Giorgio? Olhe que não, olhe que não…

Foram avançadas notícias de que a Alfa Romeo prescindiria da sua plataforma Giorgio, mas a história, afinal, é um pouco diferente da que foi contada.

Após ter sido noticiado na semana passada que a Alfa Romeo abandonaria a sua excelente plataforma de tração traseira Giorgio, chegou a altura de colocar alguma água na fervura: a Giorgio não se vai embora, apenas vai… evoluir.

A semana passada demos a conhecer os planos de eletrificação da Stellantis, o gigante automóvel que a Alfa Romeo faz parte. Nesse plano ficámos a saber que o futuro eletrificado do grupo assentará em quatro plataformas: STLA Small, STLA Medium, STLA Large e STLA Frame.

Como é possível de constatar, a Giorgio não faz parte desses planos, mas no seu lugar temos uma nova plataforma STLA Large que chegará em 2023. Bem, na verdade, não é mais que um nome diferente para (quase) a mesma base.

VEJAM TAMBÉM: Os futuros Alfa Romeo, DS e Lancia vão ser desenvolvidos em conjunto
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio MY2020, Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio MY2020
Alfa Romeo Stelvio e Giulia foram os únicos, até recentemente, a fazer uso da Giorgio.

Aliás, não seria de esperar outra ação que não uma progressiva uniformização dentro do novo grupo (resultado da fusão entre o Groupe PSA e a FCA) de todas as plataformas e mecânicas. O caso da Giorgio não é único: a plataforma que vai suceder à EMP (que equipa, por exemplo, o Peugeot 308 ou o DS 4) que o Groupe PSA tinha batizado de eVMP (a estrear pelo sucessor do Peugeot 3008) passará a chamar-se STLA Medium.

Ou seja, a Giorgio será rebatizada para STLA Large, ao mesmo tempo que passará a conseguir comportar grupos motrizes híbridos e elétricos.

Giorgio vai continuar a “viver” em mais modelos

A Giorgio acarretou avultados custos de desenvolvimento (bem mais de 800 milhões de euros) para a Alfa Romeo e os planos oficiais iniciais indicavam um uso muito mais amplo do aquele que tem agora: apenas o Giulia e o Stelvio fazem uso dela.

Por esta altura, e de acordo com esses planos, já deveriam existir oito modelos Alfa Romeo com base Giorgio, assim como outros modelos da FCA, nomeadamente os sucessores do Dodge Challenger e Charger, além de um ou outro Maserati mais. Porém, nada disso aconteceu, pelo que o retorno do investimento ficou comprometido, dado os volumes de produção alcançados pelo Giulia e Stelvio serem baixos.

Jeep Grand Cherokee L 2021
Jeep Grand Cherokee L.

Porém, recentemente, vimos vários modelos serem revelados que recorrem ou recorrerão à Giorgio, já modificada e evoluída (compatível com eletrificação), ainda mesmo antes de ser rebatizada de STLA Large. O novo Jeep Grand Cherokee recorre a uma versão modificada da Giorgio, assim como o Maserati Grecale, o novo SUV da marca italiana que conheceremos no final do ano.

Além destes, também os sucessores do Maserati GranTurismo e GranCabrio que conheceremos em 2022 assentarão sobre uma evolução da Giorgio e terão variantes 100% elétricas. Todos os futuros Maserati, incluindo os sucessores do Levante e do Quattroporte deverão recorrer a esta Giorgio modificada/evoluída ou, como será conhecida a partir de 2023, STLA Large.

Maserati Grecale teaser
Teaser do novo SUV da Maserati, o Grecale.

Quanto à Alfa Romeo, a Giorgio continuará a fazer parte da sua gama — nem que seja como STLA Large —, mas não de todos os seus modelos, como originalmente planeado. Recentemente reportámos sobre o atraso do lançamento do Tonale (chegará em junho de 2022), um SUV médio para substituir, ainda que indiretamente, o Giulietta. O SUV que fará uma forte aposta nas motorizações híbridas plug-in, recorrerá à mesma plataforma Small Wide 4×4 LWB do Jeep Compass.

Em 2023 veremos chegar um outro crossover/SUV, mais pequeno que o Tonale, que poderá chamar-se Brennero — segmento B — e assentará sobre a CMP, a plataforma multienergias proveniente do Groupe PSA (Opel Mokka, Peugeot 2008). Será produzido em Tychy, na Polónia, onde é atualmente produzido o Fiat 500 e o Lancia Y, mas onde serão também produzidos mais dois crossovers/SUV para a Jeep e Fiat, “irmãos” do modelo da Alfa Romeo.

VEJAM TAMBÉM: Alfa Romeo 156. Vencedor do troféu Carro do Ano 1998 em Portugal

O que virá a seguir?

Não sabemos, pois ainda está a ser discutido. O recentemente apontado novo chefe da Alfa Romeo, Jean-Philippe Imparato (que até ao ano passado liderava a Peugeot), já veio a público dizer que estão a definir um plano para os próximos cinco anos (e outro a 10 anos). Um plano que terá ainda de ser aprovado pela administração da Stellantis.

Alfa Romeo Tonale concept 2019
A versão de produção do Alfa Romeo Tonale foi “empurrada” para junho de 2022.

Ao contrário da era de Sergio Marchionne (o malogrado e pragmático ex-diretor executivo da FCA), Imparato não irá revelar todas as novidades para os próximos cinco anos, como não anunciará objetivos de vendas a longo prazo. Na era Marchionne as previsões a 4-5 anos eram comuns, tanto ao nível de novos modelos como também ao nível dos objetivos comerciais, mas estas nunca chegavam a cumprir-se — bem pelo contrário… 

Se os planos de Marchionne para a Alfa Romeo (e para a Giorgio) tivesse sido escrupulosamente cumpridos, nesta altura teríamos uma Alfa Romeo com um portefólio de oito modelos e vendas anuais de, pelo menos, 400 mil unidades. Neste momento a gama está resumida a dois modelos, o Giulia e o Stelvio, e as vendas globais ficaram à volta das 80 mil unidades em 2019 — em 2020, com a pandemia, não melhoraram…

Fonte: Automotive News.

Mais artigos em Notícias