Desde 25 377 euros

Novo Renault Captur testado. Tem argumentos para continuar a liderar?

Líder de segmento desde o seu lançamento, o Renault Captur tem agora uma nova geração com elevadas ambições. Mas será que tem o que é preciso para continuar a liderar?

Raras vezes um modelo surge no mercado com uma herança tão pesada como aquela que carrega a segunda geração do Renault Captur.

Graças ao impressionante sucesso do seu antecessor, o novo Captur chega ao mercado com um só objetivo: manter a liderança num dos segmentos que mais tem crescido nos últimos anos, o dos B-SUV. No entanto, a concorrência não tem parado de crescer e está mais forte que nunca.

Peugeot 2008 e o “primo” Nissan Juke também viram chegar uma nova e bem mais competitiva geração, o Ford Puma é a mais recente e bastante válida adição ao segmento e o Volkswagen T-Cross tem vindo a revelar uma excelente performance comercial na Europa, sendo já um dos mais vendidos. Terá o novo Captur argumentos para “honrar” o legado do antecessor?

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Renault Captur 1.5 Dci
As óticas traseiras em “C” são o elemento mais ousado no design do novo Captur. Do meu ponto de vista, este elemento de design, como outros conhecidos da gama Renault, estão bastante bem integrados. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Para descobrir de que “fibra” é feito o novo Captur, temos à nossa disposição a versão Exclusive (nível intermédio) equipado com o motor 1.5 dCi de 115 cv (Diesel) e caixa manual de seis velocidades.

Os primeiros sinais são promissores. O novo Renault Captur pega nas premissas visuais do antecessor, evoluindo-as e “amadurecendo-as”. Parece mais “adulto”, consequência também do aumento de dimensões generoso da nova geração.

É menos “vistoso” que o Peugeot 2008, e o efeito novidade é bem menor, mas o SUV da Renault não deixa de captar atenções — continua a ter atrativas linhas fluídas e dinâmicas, sem cair na agressividade que marca alguns dos rivais —, disfarçando até bastante bem o segmento a que pertence.

Renault Captur 1.5 dCi © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

No interior do Renault Captur

No interior, a percepção de revolução é maior. A arquitetura do interior do Renault Captur é a mesma que encontramos no Clio. Tal como neste, temos um ecrã vertical de 9,3” ao meio (infotainment) que capta todas as atenções, e o painel de instrumentos é também digital.

É uma evolução positiva em relação ao Captur que conhecíamos e, tal como no exterior, acaba por resultar numa mistura equilibrada de sobriedade e modernidade,apesar da crescente digitalização, capaz de agradar a Gregos e Troianos. Torna-se uma proposta eclética (algo crucial num… líder).

Com materiais macios na parte superior do tabier e mais duros nas zonas onde as mãos e os olhos menos “navegam”, o SUV da Renault apresenta um interior que chega até a fazer sombra ao… Kadjar.

Já no que à montagem diz respeito, apesar de merecer nota positiva, a presença de alguns ruídos parasitas denunciam que ainda há margem de progressão, sendo que, neste capítulo, o Captur ainda não está ao nível, por exemplo, do T-Cross.

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Quanto ao espaço, a plataforma CMF-B permitiu alcançar cotas de habitabilidade dignas de um segmento C, com a sensação que temos dentro do Captur a ser de espaço, sendo possível transportar quatro adultos com conforto.

Para isto muito contribui o banco traseiro deslizante em 16 cm que permite optar entre termos uma maior bagageira — que pode ter até 536 litros — ou mais espaço para as pernas.

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Ao volante do novo Renault Captur

Uma vez aos comandos do Renault Captur encontramos uma posição de condução alta (se bem que não do agrado de todos como nos conta o Fernando Gomes), mas à qual rapidamente nos adaptamos.

Renault Captur 1.5 Dci
O interior do Captur está bem conseguido em termos ergonómicos e isso reflete-se na posição de condução. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Já no que diz respeito à visibilidade para o exterior, só a posso elogiar. Mesmo tendo um torcicolo na altura em que testei o Captur, nunca tive dificuldade em conseguir ver para o exterior nem me vi obrigado a mover-me excessivamente durante manobras.

Em movimento, o Renault Captur revelou-se confortável e um bom companheiro para longas tiradas em autoestrada, algo a que não é alheio o nosso bem conhecido 1.5 Blue dCi de 115 cv.

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Renault Clio 1.5 dCi © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Responsivo, progressivo e também poupado — os consumos ficaram-se entre os 5 e os 5,5 l/100 km — e refinado q.b., o motor Diesel que equipa o Captur tem na caixa manual de seis velocidades uma boa parceira.

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Bem escalonada e com um tato preciso, esta fez-me lembrar até a caixa do Mazda CX-3, reconhecida por ser uma das melhores na sua ação. A juntar a tudo isto, a embraiagem revelou uma muito boa afinação, caracterizando-se por ser bastante precisa.

Renault Captur 1.5 Dci
A caixa manual de seis velocidades foi uma agradável surpresa. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Já no que ao comportamento diz respeito, apesar de não contar com a acutilância do Ford Puma, o Captur não desilude, contando com uma direção precisa e direta, e uma boa relação conforto/comportamento.

Assim sendo, o modelo gaulês optou pela previsibilidade, apresentando um comportamento mais seguro que divertido, e capaz de agradar a vários tipos de condutor, algo essencial num modelo que pretende liderar o segmento.

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Renault Captur 1.5 Dci
Os (opcionais) modos de condução fazem com que a no modo “Sport” a direção fique mais pesada e no modo “Eco” a resposta do motor seja mais “calma”. De resto, as diferenças entre estes são ténues. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É o carro certo para mim?

Numa luta pela liderança de um segmento que conta com cerca de duas dezenas de concorrentes, o novo Renault Captur parece ter feito o “trabalho de casa”.

É maior por fora, e isso traduz-se em mais espaço por dentro, sendo que a sua versatilidade continua a estar num muito bom plano. O B-SUV da Renault revela-se uma proposta suficientemente homogénea para agradar a uma larga franja de consumidores.

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Renault Captur 1.5 Dci © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Nesta variante Diesel alia o seu conforto inato a uma frugalidade que os motores a gasolina continuam a não conseguir igualar. Tudo para se revelar como uma opção a ter em conta não só entre os B-SUV como para quem procura um familiar de segmento C, adicionando boas competências estradistas aos seus atributos.

Assim sendo, se procuras um B-SUV confortável, estradista, espaçoso e bem equipado, o Renault Captur é hoje, tal como no passado, uma das principais opções a ter em conta.

Preço

unidade ensaiada

25.377

Versão base: €31.035

IUC: €147

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1461 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta common rail + turbo de geometria variável + intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 115 cv às 3750 rpm
    • Binário: 260 Nm às 2000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de seis velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4227 mm / 1797 mm / 1576 mm
    • Distância entre os eixos: 2639 mm
    • Bagageira: 406-536 l
    • Jantes / Pneus: 215/55 R18
    • Peso: 1378 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,9 l/100 km (jantes 18")
    • Emissões de CO2: 129 g/km (jantes 18")
    • Vel. máxima: 197 km/h
    • Aceleração: 11,9s
  • Equipamento
    • Reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Alerta de distância de segurança
    • Sistema de assistência na transposição involuntária de via
    • Sistema de travagem de emergência ativa com deteção de peões e ciclistas
    • Sistema de assistência à travagem de urgência (AFU)
    • Travão de estacionamento elétrico
    • Regulador e limitador de velocidade
    • Faróis traseiros em LED
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Sistema de ajuda ao estacionamento traseiro
    • Máximos automáticos
    • Faróis diurnos Full LED
    • Modo ECO
    • Iluminação interior em LED
    • Ar condicionado automático
    • Cartão Renault mãos-Livres
    • Retrovisor interior eletrocromático
    • Consola central com apoio de braço e arrumação
    • Retrovisores exteriores reguláveis e rebatíveis elétricamente c/função de desembaciamento
    • Volante em couro multifunções
    • Banco traseiro deslizante rebatível 1/3-2/3
    • Banco do passageiro regulável em altura
    • EASY LINK 7" com navegação
    • Ecrã TFT 7" digital personalizável
    • Jantes em liga leve de 17"
    • Carroçaria bi-tom
Extras
Vermelho Flamme / Tejadilho Preto Estrela — 650 €; Pack Vision 360º Parking (implica Travão Auto-Hold e EASY LINK 9,3") — 1080 €; Travão de estacionamento assistido com Auto-Hold (implica MULTI-SENSE) — 250 €; EASY LINK 9,3" com Antena Shark (implica Pack Câmara marcha-atrás ou Vision 360º Parking) — 600 €.
Avaliação
8 / 10
Espaçoso, bem equipado, confortável e nesta variante com motor Diesel, bastante económico, o Renault Captur surge nesta segunda geração com argumentos não só para liderar o segmento como para incomodar… os típicos modelos do segmento C (hatchback). Resta agora saber se, com uma concorrência bem mais aguerrida, o SUV gaulês vai continuar no topo das preferências dos consumidores, mas uma coisa é certa: argumentos não lhe faltam.
  • Conforto
  • Consumos
  • Tato e precisão da caixa de velocidades
  • Aptidões estradistas
  • Montagem com margem de progressão
  • Sistema de estacionamento automático hesitante
Sabes responder a esta?
Em que ano é que a Renault conquistou o seu primeiro GP de Fórmula 1?

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