Desde 27 638 euros

Testámos o Mazda CX-3 SKYACTIV-D. O Diesel faz mesmo falta?

O Mazda CX-3 foi renovado e recebeu um novo motor Diesel. Será que ainda faz sentido apostar neste tipo de motor? Para saber testámos o CX-3 SKYACTIV-D 1.8.

Ao mesmo tempo que a Mazda se prepara para lançar no mercado o revolucionário SKYACTIV-X — um gasolina com consumos de motor a gasóleo —, a marca nipónica mantém a aposta nos Diesel. Prova disso é o novo SKYACTIV-D 1.8 com que decidiu equipar o Mazda CX-3 após a (discreta) renovação a que submeteu o seu mais pequeno SUV.

Com 1.8 l e 115 cv, esta motorização veio substituir o SKYACTIV-D 1.5 de 105 cv que era, até agora, a única motorização com a qual o Mazda CX-3 estava disponível em Portugal.

Esteticamente e, apesar da renovação, mantém-se quase tudo na mesma. Assim, com exceção das novas óticas traseiras em LED, da grelha redesenhada, das novas jantes de 18” e da vistosa cor Red Soul Crystal (que surgia na unidade ensaiada) mantém-se praticamente tudo na mesma com o CX-3 apresentar um visual discreto sem ser amorfo e descaracterizado.

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Mazda CX-3 SKYACTIV-D © Raul Mártires / Razão Automóvel

Por dentro do Mazda CX-3

Bem construído e ergonomicamente bem pensado (tudo está à mão de semear), o interior do CX-3 recorre a uma mistura de materiais macios (no topo do tablier) e duros sendo que todos eles têm uma coisa em comum: são escuros, dando um aspeto algo soturno ao habitáculo deste pequeno SUV da Mazda.

Mazda CX-3 SKYACTIV-D © Raul Mártires / Razão Automóvel
O interior do Mazda CX-3 apresenta uma boa robustez mas podia ter um pouco mais de cor.

No que diz respeito ao sistema de infotainment, apesar dos gráficos algo datados, é simples e intuitivo de utilizar, sendo de destacar um facto curioso. Apesar de o ecrã ser tátil, este só pode ser operado dessa forma quando o CX-3 está parado, sendo que em andamento só podemos percorrer os menus através dos comandos no volante ou do comando rotativo entre os bancos.

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Quanto ao espaço, este revela-se o calcanhar de Aquiles do CX-3. Se à frente os passageiros até têm espaço de sobra, quem viaja atrás é presenteado com um acesso estreito e um limitado espaço para as pernas. Já os 350 l da bagageira revelam também as suas limitações e mostram-se escassos para uma jovem família que vá de fim de semana.

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Ao volante do Mazda CX-3

Uma vez sentados ao volante do CX-3 rapidamente nos apercebemos que apesar de a Mazda o apelidar de “SUV compacto”, este é pouco mais que um segmento B com proteções plásticas e um pouco mais de altura ao solo, oferecendo uma posição de condução bem mais baixa do que modelos como o Volkswagen T-Cross ou o Citroën C3 Aircross.

Mazda CX-3 SKYACTIV-D © Raul Mártires / Razão Automóvel
Nas noites mais escuras o Mazda CX-3 beneficiava se contasse com um sistema de iluminação mais potente.

No entanto, ao contrário do que possas pensar, o facto de o CX-3 ter pouco de SUV acaba por ser uma coisa boa. É que por se aproximar mais de um modelo “convencional” a dinâmica sai beneficiada, sendo que a altura extra ao solo acaba por ser um bónus para evitar dissabores em estradas com buracos.

Com um acerto de suspensão relativamente firme (mas confortável), o CX-3 não nega a aposta na dinâmica. Com uma frente incisiva, uma traseira que, no limite, se torna “solta” e uma direção precisa e comunicativa, chega mesmo a tornar-se divertido conduzir o CX-3 numa estrada recheada de curvas. Já em autoestrada, a estabilidade é uma constante.

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Mazda CX-3 SKYACTIV-D © Raul Mártires / Razão Automóvel
A reduzida altura ao solo em relação a outros SUV compactos é notória, ainda assim, o CX-3 não se nega a passar em alguns caminhos de terra.

A ajudar às capacidades dinâmicas do chassis não surgem quaisquer programas de condução sendo que a única coisa que encontras é um conjunto motor/caixa bem conjugado. A ajudar à “festa”, a caixa manual de seis velocidades apresenta um tato deliciosamente mecânico e um curso curto, sendo muito agradável de usar (dás por ti a fazer reduções só porque sim).

Quanto ao novo motor Diesel, este mostra-se linear a subir de rotação, tendo uma larga faixa de utilização. Apesar de algo barulhento, rapidamente nos habituamos ao seu matraquear e nos deixamos conquistar pelos ritmos elevados que nos permite impor e pelos consumos reduzidos que nos devolve (cerca de 5,2 l/100km).

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Mazda CX-3 SKYACTIV-D © Raul Mártires / Razão Automóvel
A jantes de 18” com pneus 215/50 R18 representam um bom compromisso entre conforto e dinâmica.

É o carro certo para mim?

Confortável, bem construído e com um visual discreto (sem chegar a ser aborrecido), o Mazda CX-3 SKYACTIV-D 1.8 é a opção ideal para quem gosta do conforto (e paz de espírito) oferecido por mais alguns centímetros de altura ao solo mas não quer abdicar da dinâmica, chegando até a ser divertido de conduzir.

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Mazda CX-3 SKYACTIV-D © Raul Mártires / Razão Automóvel
As dimensões do Mazda CX-3 colocam-no algures entre um segmento B e um segmento C.

No entanto, como não há bela sem senão, o CX-3 apresenta o espaço (ou a falta dele) como o seu principal calcanhar de Aquiles, não sendo a opção certa para quem precisa de levar “este mundo e cabeça do outro” sempre que sai de casa.

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Outro dos pontos que joga contra o CX-3 é o facto de em termos tecnológicos este se apresentar com “somente o necessário” não sendo a escolha certa para os amantes dos gadgets. Já o motor Diesel acaba por ser uma agradável surpresa fazendo uso da superior cilindrada face ao seu antecessor para evitar a “turbodependência” habitual nos motores mais pequenos.

Finalmente, ao fim de alguns dias ao volante do CX-3 SKYACTIV-D 1.8 a verdade é que ficamos convencidos de que, para quem precisa de fazer muitos quilómetros, o Diesel ainda faz falta, principalmente quando oferece uma faixa de utilização tão larga como a deste 1.8 l e uma linearidade assinalável.

Ficha técnica
Mazda CX-3 1.8 SKYACTIV-D 115 cv 4X2 Advance Navi

Preço

unidade ensaiada

28.038

Versão base: €27.638

IUC: €259

Classificação Euro NCAP: 4 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1759 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção Direta Common Rail + Turbo de Geometria Variável + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 115 cv às 4000 rpm
    • Binário: 270 Nm entre as 1600 e as 2600 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de seis velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4275 mm / 1765 mm / 1535 mm
    • Distância entre os eixos: 2570 mm
    • Bagageira: 350 l
    • Jantes / Pneus: 215/50 R18
    • Peso: 1318 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,2 l/100km
    • Emissões de CO2: 157 g/km
    • Vel. máxima: 184 km/h
    • Aceleração: 9,9s
  • Equipamento
    • Assistência à travagem de emergência
    • Sensor de estacionamento traseiro
    • i-Stop
    • Ecrã de 7" Touch, HMI, Mazda Sound System com 6 colunas, Bluetooth
    • Volante revestido a pele
    • Vidros elétricos dianteiros e traseiros
    • Retrovisores elétricos
    • Ar condicionado automático
    • Hill Launch Assist
    • Sistema de monitorização da pressão pneus
    • Jantes de liga leve de 18''
    • Bluetooth
    • Cruise Control
    • Smart City Brake Support frontal
    • Sensor de chuva
    • Sensor de luminosidade
    • Travão mão eléctrico
    • Sistema de navegação
Extras
Pintura metalizada (400 euros).
Avaliação
7 / 10
Com um comportamento dinâmico competente e que chega até a ser divertido, o Mazda CX-3 SKYACTIV-D demarca-se da concorrência pela aposta na dinâmica. Dotado de um motor económico e bem aproveitado por uma caixa de velocidades bem escalonada e agradável de usar, a fiscalidade acaba por ser a maior inimiga do novo 1.8 l Diesel do CX-3. Equipado com os habituais sistemas de segurança, o CX-3 perde face à concorrência em áreas como a personalização ou a oferta tecnológica, onde se revela como uma proposta um pouco "desatualizada" face a estas tendências. Ainda assim, o pior no CX-3 é mesmo a falta de espaço nos bancos traseiros e a bagageira limitada. que fazem com que se tenha de fazer alguns cálculos na hora de carregar o CX-3 e partir de viagem. Seja como for, o CX-3 perfila-se como uma agradável surpresa num mercado onde os SUV parecem oferecer todos a mesma experiência de condução.
  • Motor linear
  • Robustez
  • Tato dos comandos
  • Comportamento dinâmico
  • Consumos
  • Habitabilidade traseira
  • Capacidade da mala
  • Iluminação
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