Chega a 18 de janeiro

Já conduzimos o novo Renault Captur em Portugal

O novo Renault Captur chega a Portugal esta semana e nós já o conduzimos por terras lusas, onde as suas capacidades estradistas destacaram-se.

Em Serra da Estrela, Portugal

A herança é “pesada”, pelo que as expetativas são grandes. O Renault Captur tornou-se um fenómeno, liderando em vendas o seu segmento (B-SUV) desde praticamente o seu lançamento, com vendas crescentes de ano para ano. E isto apesar da concorrência ter crescido desmesuradamente — em 2013, ano do seu lançamento, eram apenas dois os rivais, hoje em dia são 20!

A resposta à pergunta se a nova geração tem o que é preciso para manter-se no topo poderá não ser tão linear assim, considerando os principais rivais que já chegaram ou estão brevemente a chegar, também eles profundamente renovados.

O ano de 2020 promete ser, assim, bastante competitivo. O pioneiro (e “primo” do Captur) Nissan Juke já iniciou a comercialização da sua segunda geração, mas será, talvez, o Peugeot 2008 o rival mais temido. Nos estreantes, é o inédito Ford Puma que poderá ter uma oportunidade credível de se tornar um dos candidatos a líder do segmento.

VÊ TAMBÉM: Novo Peugeot 2008. Primeiro teste e todos os preços para Portugal

Agora em Portugal

É a primeira vez que conduzimos o novo Renault Captur em solo nacional, a poucos dias de distância do início da sua comercialização. Ocasião que permitiu, sobretudo, averiguar as suas capacidades como estradista, dado o percurso efetuado: partida de Lisboa em direção à Covilhã e à Serra da Estrela, maioritariamente por autoestrada.

Não é, no entanto, a primeira vez que conduzimos o novo Captur — em novembro passado, fomos à Grécia para a sua apresentação internacional. Recorda o vídeo onde o Diogo condensou todas as novidades da nova geração para ficares rapidamente a par dos principais destaques.

Ao volante do novo Renault Captur

Nesta estreia em solo nacional, houve oportunidade para conduzir o novo Captur com duas motorizações distintas, o 1.5 dCi de 115 cv com caixa manual de seis velocidades e o 1.3 TCe de 130 cv com caixa EDC (dupla embraiagem) de sete velocidades, ambos com nível de equipamento Exclusive, aquele que deverá receber as preferências do mercado nacional, de acordo com a Renault Portugal.

 

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Ainda antes de arrancar, menção para a posição de condução que, como seria de esperar, é elevada. Pessoalmente, achei-a até elevada demais — mesmo estando com o banco na posição mais baixa, o reflexo de ir ao manípulo do banco para ver se baixava um pouco aconteceu por várias vezes. Também a amplitude na regulação em profundidade do volante pareceu algo curta, “obrigando” as pernas a irem mais fletidas que o desejável para favorecer o posicionamento dos braços.

Dito isto, não é difícil adaptarmos-nos à posição de condução, e como se veio confirmar, o posto de comando do novo Captur é confortável e apto para longas distâncias. Os bancos tendem para o firme e o apoio é razoável, mas mesmo após 90 minutos ao volante, o corpo não se queixou.

Independentemente do Captur conduzido, a experiência de condução é positiva — e perdoem-me o cliché —, é mais adulta e madura. As conclusões são similares àquelas mencionadas quando conduzi a segunda geração do Nissan Juke, modelo com o qual o novo Captur partilha a sua base.

É mais refinado, confortável e, nas longas tiradas de autoestrada efetuadas, estável. O seu posicionamento pode ser B-SUV, mas o novo Renault Captur faz um convincente papel de pequeno familiar, como se de um segmento C se tratasse. Também a visibilidade está em bom plano, algo que não é garantido termos nos automóveis atuais.

Diesel + caixa manual = revelação

Foi o 1.5 dCi o primeiro que tive oportunidade de conduzir, e… agradável surpresa. O conjunto motor/caixa merecem menção pela forma como tão bem casam. O 1.5 dCi é um “velho” conhecido, e nesta versão de 115 cv, mostrou-se refinado q.b., responsivo e com bom equilíbrio prestações/consumos.

A surpresa veio da caixa manual de seis velocidades e da embraiagem, com a ação de ambas a ser marcada pela precisão, uma evolução positiva relativamente a outras propostas da Renault do passado. É genuinamente agradável de usar e até deu pena grande parte do percurso ser autoestrada — sempre em 6ª…—, pois não deu grandes possibilidades de explorar mais profundamente este conjunto.

Gostaria de elogiar da mesma forma a caixa de dupla embraiagem EDC, de sete velocidades, mas esta revelou uma maior hesitação, algo que ficou evidente na subida da Covilhã à Serra da Estrela. Essa hesitação foi de alguma forma atenuada pelo recurso misto ao modo Sport e às (mini) patilhas por detrás do volante.

Quanto ao motor 1.3 TCe, aqui com 130 cv, continua a deixar boas impressões em todos os modelos que o testámos — progressivo e refinado —, sendo talvez, numa primeira análise, a escolha mais equilibrada da gama.

Apreciei a sua disponibilidade a subir a serra, com o chassis a responder com eficácia às mudanças de direção, com um comportamento previsível, mais seguro que divertido.

Uma rápida menção para os consumos, nem sempre os mais fáceis de obter num contexto de uma apresentação, mas dado as longas tiradas em autoestrada, permitiu constatar uma diferença de um litro entre as duas motorizações, a velocidades de cruzeiro a rondar os 130 km/h (por vezes um pouco acima): 6,4 l/100 km para o Diesel e 7,4 l/100 km para o Otto.

Houve oportunidade para também pôr à prova a condução semi-autónoma (nível 2) do novo Renault Captur, disponível no 1.3 TCe e caixa EDC. De forma algo redutora é a conjugação do cruise control adaptativo com a capacidade de centrar o veículo na faixa de rodagem, tarefa que efetuou com grande eficácia e de forma linear.

VÊ TAMBÉM: Fica a saber quanto custa o novo Nissan Juke

O novo familiar compacto?

Quando reparamos nas dimensões do novo Renault Captur, um B-SUV de segunda geração, constatamos que são praticamente idênticas às de um Scénic de segunda geração (2003-2009), um MPV do segmento C. Se havia dúvidas sobre qual o papel do Captur ou dos seus rivais, fica mais claro com este tipo de constatações.

Alternativa a um Clio? Nem por isso. Diria mesmo que a nova geração do Renault Captur é uma alternativa viável a quem procura um pequeno familiar como um Renault Mégane.

As suas cotas internas, versatilidade (banco traseiro deslizante em 16 cm), e capacidade da bagageira — até 536 l quando o banco traseiro está na sua posição mais avançada —, estão a par ou superam as dos automóveis do segmento acima, e para mais, como deu para provar durante este contacto, revelou-se um muito bom estradista.

Em Portugal

A data oficial da chegada do novo Renault Captur é no próximo dia 18 de janeiro. Os preços começam nos 19 990 euros para o 1.0 TCe de 100 cv e caixa manual de cinco velocidades. Segue a ligação abaixo para conheceres todos os preços.

TODOS OS PREÇOS: O Renault Captur já tem preços para Portugal

Existem mais novidades que entretanto foram reveladas para o novo Captur. No capítulo das motorizações, o 1.0 TCe de 100 cv estará também disponível a GPL (de fábrica). Mantém os mesmos números de potência e binário da versão puramente a gasolina, ou seja, 100 cv e 160 Nm.

Revelada recentemente, e com chegada prevista para junho há ainda a versão híbrida plug-in, denominada Renault Captur E-Tech. Para ficares a saber sobre esta inédita variante eletrificada do Captur, segue a ligação abaixo:

CAPTUR ELETRIFICADO: Renault Clio e Captur eletrificam-se com variantes E-Tech. Fica a conhecê-las

Primeiras impressões

8 / 10
"É mais "carro"" é uma expressão que tenho visto ser usada para definir o novo Renault Captur. E não é difícil concordar com ela. Não só a evolução do seu design foi muito bem sucedida, mais evidente do que a que vimos na nova geração do Clio, com o novo Captur a ter um aspeto mais substancial, mas sem perder o dinamismo visual pelo qual era caracterizado; como essa percepção continua pelo interior e condução. Temos um interior mais espaçoso e tão versátil como o antecessor (porta-luvas tipo gaveta e banco traseiro deslizante), com materiais mais agradáveis e qualidade de montagem em crescendo, apesar de ainda necessitar de alguns reparos. O painel de bordo assume os mesmos contornos dos do Clio, e com ele vem o bem melhor (usabilidade) sistema de info-entretenimento. Junte-se motorizações convincentes, uma (surpreendente) agradável caixa de velocidades manual, e muito boas capacidades estradistas (confortável e estável), e temos a receita para um pequeno familiar, uma alternativa viável aos automóveis do segmento C. Apesar da concorrência crescente e capaz, o Renault Captur parece ter os ingredientes certos para manter-se como o líder nos B-SUV que tem sido.

  • Conforto

  • Qualidades estradistas

  • Caixa manual precisa

  • Falta amplitude na regulação em profundidade do volante

  • Montagem melhorável

Preço

19.990

Data de comercialização: Janeiro 2020


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