Desde 19 900 euros

Ao volante do novo Nissan Juke. Como o puto cresceu

Tardou, mas chegou. Após nove anos, o Nissan Juke foi finalmente substituído por uma nova geração. Ainda é o Juke que conhecíamos?

Em Barcelona, Espanha

Goste-se ou não do design do Nissan Juke, este foi o principal argumento de vendas para a sua bem sucedida e longa carreira — um milhão de unidades na Europa, 14 mil das quais em Portugal.

Ainda hoje, nove anos depois, as suas linhas únicas mantém-se atuais e acredito que não seria preciso muito mais que um restyling para o manter fresco por mais uns anos. Mas o segmento pelo qual foi o principal responsável de hoje ser um dos mais populares e um dos que maior potencial de crescimento tem nos próximos anos, não podia ser bem mais diferente.

Se em 2010, quando foi lançado, só tinha de lidar com um par de rivais, a Nissan hoje reconhece mais de 20 — é uma guerra sem tréguas. Medidas mais extremas teriam de ser tomadas para se manter relevante num segmento em ebulição.

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E os resultados estão à vista: o novo Nissan Juke ainda parece um Juke, mas após o conhecer melhor, estaticamente e dinamicamente, é como se o puto que conheci há uns anos tivesse de um momento para o outro crescido, fisicamente e não só — é agora alguém mais adulto, maduro, responsável.

Percepção com que tinha ficado após a primeira apresentação estática do modelo, que também ocorreu em Barcelona, há um mês, e que agora foi reforçada e cimentada ao conduzi-lo.

O crescimento em todas as direções parece-me ter sido também um dos fatores para o design melhor resolvido no geral — arriscarei dizer que o novo Juke é agora mais consensual? As proporções são visivelmente superiores e parece melhor “plantado” sobre o asfalto — todas as unidades disponíveis para teste vinham com as rodas maiores, de 19″, o que também ajuda —; e exibe superfícies e detalhes de aspeto mais sofisticado, qualidade ausente no mais grosseiro original.

Espaço, a última fronteira

Mas o benefício de ter crescido por fora — recorre à CFM-B, a mesma plataforma do novo Renault Clio e novo Captur — vê-se no seu interior. De criatura algo apertada, uma das consequências do seu design, a um dos modelos mais espaçosos do segmento — as cotas internas são próximas (demasiado até) das do Qashqai.

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Comparando com a primeira geração, o interior da nova é também ele mais convencional, a tender para o desportivo, mas com o aspeto lúdico a ficar algo esquecido. No entanto, graças à personalização, um dos argumentos fortes do novo modelo, o interior ganha facilmente uma maior atração. A versão N-Design, por exemplo, tem dois ambientes interiores distintos: Chic, mais refinado e elegante com aplicações em Alcantara e pele; e Active, bem mais vibrante, com um mix de pele preta e cor de laranja.

Nissan Juke 2019
A personalização é forte no novo Juke. No exterior podemos optar por carroçaria bi-tom, e no interior, com o nível N-Design, podemos enchê-lo com a cor laranja — talvez demasiado laranja, como pudemos constatar ao volante.

Esta faceta mais convencional no interior e até a familiaridade dos comandos (volante multi-funções, por exemplo) e sua disposição garante, pelo menos, uma rápida adaptação na sua utilização. A montagem é sólida, e os materiais, no geral, de melhor qualidade, entrecortados por outros menos agradáveis ao toque.

Novidade absoluta são os bancos Monoform, de aspeto desportivo, com encostos de cabeça integrados, que se revelaram bastante confortáveis em longas distâncias, e com suporte bastante razoável — nas versões mais equipadas até podem ser aquecidos. E se optarmos pelo sistema de som BOSE, são adicionadas um par de colunas ao nível da cabeça, a lembrarem uns auscultadores — um toque original.

Para onde foi a diversão

Já faz algum tempo que conduzi um Nissan Juke. Surpreendeu-me pela prontidão e agilidade — o modo Sport dava-lhe uma efervescência algo viciante. Na altura, como agora, se tivesse de optar entre um Juke ou um Micra, mais rapidamente escolhia o Juke, precisamente pela injeção de diversão que colocava na sua condução.

Nissan Juke

Não mais… O puto também cresceu neste departamento. Se antes o seu comportamento era caracterizado por uma bem vinda agilidade, convidando a uma condução mais entusiasta, o novo Nissan Juke revela-se mais estável e eficaz, mas também mais… aborrecido — nem o modo Sport ajuda nesse capítulo, pouco distinto do Standard; mais vale deixá-lo neste.

A direção (com algum peso, mas sem comunicar muito) é precisa e o eixo dianteiro obediente, mas revela uma atitude mais inerte, menos orgânica e solicita à brincadeira, com a eficácia a ser o seu maior argumento. No entanto, o novo Juke surpreendeu num capítulo, o conforto. A nova geração revelou-se confortável, bastante até, elevando as suas qualidades estradistas — uma qualidade desconhecida da primeira geração.

Toda esta maturidade adquirida é complementada pelo único motor disponível (por agora): o 1.0 DIG-T (estreado no Micra) com 117 cv e 180 Nm (200 Nm em overboost), linear e progressivo (convém manter acima das 2000 rpm), mas sem grande “crescendo” — tal como o chassis, mais eficaz que cativante.

Nissan Juke
O único motor disponível de momento, o 1.0 DIG-T. Possibilidade forte para o futuro? Motorização híbrida idêntica à que já foi confirmada para o “irmão” Captur.

O 1.0 DIG-T surge associado ou a uma caixa manual de seis velocidades ou a uma de dupla embraiagem de sete (DCT7). Houve oportunidade de experimentar as duas transmissões amplamente, mas qual escolheria?

A caixa manual adiciona uma camada de interatividade adicional, apesar do curso algo longo e alguma dificuldade em engrenar a sexta; mas a DCT7 parece estar mais em conformidade com o novo caráter do Juke — existem patilhas por trás do volante solidárias com o seu movimento circular, caso queiram mudar de relação por vocês, mas o modo automático revelou-se mais que suficiente. 

Para os que têm dúvidas de o pequeno três cilindros ter mais olhos que barriga em locomover o Juke — maior, mas mais leve em 23 kg que o antecessor —, os receios são infundados. Não é nenhum foguete (10-11s nos 0-100 km/h), mas cumpre a sua tarefa com brio. E apesar dos abusos sobre o pedal da direita nestas ocasiões, os consumos prometem ser moderados: obtive à volta de 7,5 l/100 km num percurso variado com estrada de montanha, autoestrada e cidade.

Nissan Juke

Concentrado tecnológico

Se o design foi o principal argumento de venda da primeira geração, a Nissan espera que a tecnologia integrada no novo Juke se torne também um forte motivo para escolher o seu crossover. As unidades por nós testadas vinham equipadas com o já conhecido sistema ProPilot (nível 2 condução autónoma), além de vários assistentes, cada vez mais comuns.

Mas o destaque tecnológico refere-se à conectividade que o novo Nissan Juke permite, um requisito cada vez mais solicitado.

Além do sistema de info-entretenimento NissanConnect, com ecrã tátil de 8″ de série em todas as versões, com Apple CarPlay e Android Auto, o novo Nissan Juke pode ter Wi-Fi a bordo, além de passar a ter como complemento a aplicação NissanConnect Services, para o nosso telemóvel.

A aplicação tem várias possibilidades. Permite não só ter um histórico das viagens efetuadas como comandar remotamente várias funções do veículo (trancar/destrancar, luzes, buzina, pressão dos pneus, nível do óleo).

Caso emprestemos o Juke a alguém, ou faça até parte de uma frota, podemos definir parâmetros de utilização (área de circulação ou velocidade) que, quando ultrapassados, somos alertados. É ainda compatível com o Google Assistant, e permite até enviar destinos de navegação para o Juke remotamente.

Nissan Juke

Aprovado?

Sem dúvida. Mais que um crossover compacto, o novo Nissan Juke revela-se como uma alternativa a pequenos familiares, como o Volkswagen Golf ou o Ford Focus. Mesmo ocupando uma área menor sobre o asfalto, o aproveitamento de espaço é equivalente senão superior, como o que verificamos na bagageira.

No contexto europeu, com apenas um motor disponível nesta fase inicial, apesar de cobrir 73% das vendas do segmento, temos dúvidas que recupere a liderança do segmento até porque o Juke estará acompanhado com rivais de peso que também são novos: o “irmão” e líder Renault Captur, Peugeot 2008 e o inédito Ford Puma. Como referi no início, este segmento está em ebulição.

Em Portugal, a Nissan espera vender 3000 Juke em Portugal no primeiro ano de comercialização, o que permitirá recuperar o 3º posto no segmento. Os preços começam nos 19 900 euros, mas para informação mais detalhada sobre a gama nacional, consultem o nosso artigo mais detalhado com essa informação.

Primeiras impressões

8 / 10
Objetivamente há pouco a apontar ao novo Nissan Juke. Maior, mais espaçoso e bem mais confortável, o puto já não é tão puto assim — parece estar pronto a formar família. Mais que uma alternativa aos restantes segmento B, o novo Juke não terá problemas em assumir o papel de um pequeno familiar (segmento C). Pessoalmente, apenas lamento que a eficácia constatada do novo Juke tenha deixado para trás o seu lado mais lúdico. Não seria possível conciliar os dois?

  • Conforto

  • Espaço

  • Para onde foi a diversão?

  • Modos de condução desnecessários

Preço

19.900

Data de comercialização: Setembro 2019


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