Guia de compra

Quais os carros que oferecem as melhores experiências de condução até 25 mil euros?

Fomos à procura de experiências de condução, de máquinas capazes de cativar e entreter quem está ao volante e que não custam os "olhos da cara".

Os carros nunca foram tão bons, é um facto, mas parecem cada vez mais iguais uns aos outros… e não nos referimos ao seu aspeto. Parece ser cada vez mais difícil hoje em dia encontrar automóveis com “caráter” capazes de entreter ou providenciar experiências de condução diferenciadoras e recompensadoras; tudo parece ser cada vez mais…  homogéneo e asséptico.

De quem é a culpa? Regulamentos, sinergias entre construtores, SUV… os bodes expiatórios do costume? Simplesmente uma questão de tentar agradar a gregos e troianos?

Bem, não temam, há esperança!

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Não é preciso gastar o PIB de um pequeno país, ter um milhão de cavalos debaixo do pé, ou acelerações capazes de provocar inveja ao Millenium Falcon, para encontrar máquinas que nos façam recuperar o gosto pelo ato de conduzir e por providenciarem experiências de condução únicas.

Reunimos um quarteto de propostas capazes de puxar pelo entusiasta em nós, ou de tornar a condução no dia-a-dia numa experiência mais rica e cativante. E melhor, não custam um rim e um pulmão para os ter ou para os manter.

São, na nossa opinião, realisticamente alcançáveis para a maioria de nós — impusemos um limite de 25 mil euros —, e podem ser (quase todos) uma excelente alternativa para o dia-a-dia aos típicos e geralmente aborrecidos citadinos/utilitários/crossovers.

Mazda MX-5 1.5 — a partir de 24 282 euros

Motor: 1.5, 132 cv; 0-100 km/h: 8,3s; peso: 1061 kg; transmissão: man. 6 vel.; tração: traseira.

Mazda MX-5 © Razão Automóvel

“A resposta é… MX-5”. É um dos clichés mais usados na imprensa automóvel… e com razão. Desde 1989 que o Mazda MX-5 garante diversão ao volante para as massas, cortesia da sua clássica arquitetura — motor longitudinal dianteiro e tração traseira —, baixo peso, agilidade, uma das melhores caixas manuais de toda a indústria e com o bónus de se poder andar de cabelos ao vento.

O MX-5 adiciona nesta geração, finalmente, motores realmente cativantes. O 1.5 naturalmente aspirado aqui selecionado, apesar de não garantir prestações balísticas, é um mimo de usar, incentivando-nos a visitar frequentemente as 7000 rpm onde atingimos o pico de potência de 132 cv, acompanhados de uma muito boa e verdadeira sonoridade — nada de sintetizadores por aqui…

A cereja no topo do bolo? Os baixos custos de utilização. O motor SKYACTIV-G e a sua taxa de compressão de 13:1 garantem uma elevada eficiência e baixos consumos — médias de 6,0 l/100 km e menos são facilmente atingíveis.

É possível utilizar o MX-5 como carro do dia-a-dia sem grandes sacrifícios. Se o espaço não for um requerimento obrigatório, as suas dimensões compactas e manobrabilidade tornam o seu uso, mesmo em ambiente urbano, uma tarefa fácil. E sempre com uma experiência de condução acima de qualquer outra coisa de tamanho similar.

ALTERNATIVA: Fiat 124 Spider. Para quem é fã de médios regimes mais vigorosos, o “irmão” do MX-5 troca o motor naturalmente aspirado por um 1.4 Turbo de 140 cv. Infelizmente ultrapassa a nossa barreira orçamental, com preços a começar nos 28 050 euros.

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Suzuki Jimny — a partir de 21 075 euros

Motor: 1.5, 102 cv; peso: 1165 kg; transmissão: man. 5 vel + redutoras; tração: quatro rodas; ângulos: 37º (ataque), 49º (saída), 28º (ventral); distância ao solo: 210 mm.

O contraste não podia ser mais gritante. Saltamos de um “rasteirinho” acutilante, para um pequeno “tijolo” com rodas. O Suzuki Jimny é um dos fenómenos atuais no mundo automóvel; também nós nos deixámos encantar pelo pequeno, mas autêntico, todo o terreno.

O Jimny cativa pelo aspeto e pelas proezas fora de estrada. As suas dimensões compactas — uma consequência dos regulamentos aplicados aos kei cars japoneses — não foram impedimento para lhe dar o hardware certo para a prática de todo o terreno: o chassis é de longarinas e travessas, tem eixos rígidos e redutoras.

O seu foco off road gera, no entanto, compromissos sobre o alcatrão — não é o modelo dinamicamente mais preciso, mas as suas pequenas dimensões fazem dele um excelente companheiro urbano. Prestações? Digamos que talvez seja melhor evitar autoestradas ou… ultrapassagens — os 102 cv do motor naturalmente aspirado estão no limite do aceitável.

O seu tamanho e arquitetura refletem-se no espaço interior que não é muito. Têm de fazer uma escolha, ou levam pessoas ou bagagens nos bancos de trás; os dois em simultâneo é impossível — a não ser que carreguem a bagagem sobre os… passageiros.

Não achamos que sejam pontos verdadeiramente negativos — o Suzuki Jimny não é um SUV que quer ser e fazer tudo, diluindo-se num mar de vulgaridade.  O foco estreito é o seu maior poder de atração e não o quereríamos de outra forma.

ALTERNATIVA: Fiat Panda Cross 4×4. Apesar do hardware distinto e mais convencional, também surpreende no fora de estrada. Tem cinco portas, mais espaço, e está disponível a partir de 20 560 euros.

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Volkswagen Up! GTI — a partir de 18 156 euros

Motor: 1.0 TSI, 115 cv; 0-100 km/h: 8,8s; peso: 1070 kg; transmissão: man. 6 vel.; tração: dianteira.

O Volkswagen Up! GTI é, sem dúvidas, o mais usável e racional deste grupo, mas não o chamem de aborrecido. A injeção de vitaminas que “sofreu” — 115 cv extraídos do pequeno 1.0 TSI — e um chassis mais assertivo não o tornam só um citadino mais rápido, como também contribuem para uma experiência de condução mais imersiva.

Está mais próximo do solo, está mais alerta, motiva-nos a ir à procura de segmentos de asfalto curvilíneos e só lamentamos o excesso de som artificial emanado pelos seus altifalantes, mas nada que comprometa o conjunto.

A sigla GTI é justificada e ostentada com orgulho, elevando também o apelo visual do Up!, com apontamentos estilísticos cujas origens remontam até ao primeiro Golf GTI, lançado em 1975.

No entanto, tudo o que faz do Up! o excelente citadino que é mantém-se e recomenda-se: compacto, boa visibilidade, boa manobrabilidade, excelente aproveitamento do espaço interno e baixos custos de utilização. E sem esquecer o pormenor de ser um dos raros carros disponíveis também com carroçaria de três portas.

ALTERNATIVA: Suzuki Swift Sport. Bem mais rápido graças ao 1.4 Boosterjet de 140 cv e um peso ligeiramente e surpreendentemente inferior ao do Up! GTI, mas em termos de atitude ficou demasiado… adulto, quando comparamos com os predecessores. A partir de 22 793 euros.

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Renault Twizy — a partir de 8180 euros

Motor: elétrico, 17 cv; peso: 562 kg; autonomia: 100 km; tração: traseira.

Renault Twizy

O que está um Renault Twizy aqui a fazer? Em termos legais nem sequer é considerado um automóvel, mas sim um quadriciclo. A velocidade máxima fica-se pelos 80 km/h e a sua autonomia por uns parcos 100 km.

É efetivamente uma scooter de quatro rodas e com volante. Oferece mais segurança que as opções de duas rodas e um pouco mais de proteção aos elementos — convém comprar as opcionais… portas —, mas é, talvez, o sinal de que o futuro da mobilidade urbana possa ser algo mais do que aborrecidas cápsulas rolantes autónomas.

Dimensões diminutas, posição central de condução, alguma performance — pelo menos até aos 50 km/h, o suficiente para o pára-arranca citadino —, fazem do mínimo Twizy uma experiência de condução única e cativante. Não vão ganhar corridas, não vão andar de lado, mas se a vossa vida é passada no caos urbano, o Twizy, depois das duas rodas, poderá ser a melhor alternativa.

Sim, não é para todos, e para muitos será um segundo veículo, sendo o mais limitado do pequeno grupo que reunimos.

O preço abaixo dos 10 mil euros é possível graças ao aluguer das baterias que, no caso do Twizy, corresponde a pelo menos 50 €/mês (para uma quilometragem anual máxima de 7500 km).

ALTERNATIVA: Smart EQ fortwo. Mais sério, mas ainda “fun”, o pequeno Smart elétrico é mais rápido, tem 155 km de autonomia e está disponível com preços a partir dos 22 600 euros.

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Espera… ainda não acabámos! Ainda há espaço para mais um…

Caterham Seven 165

Motor: 0.66 l, 80 cv; 0-100 km/h: 6,9s; peso: 565 kg; transmissão: man. 5 vel.; tração: traseira.

Caterham seven 165

Esta é a alternativa das alternativas. O Caterham Seven é um extremo, não é um carro que sirva para o dia-a-dia, ao contrário das outras propostas presentes. É um pequeno roadster, como o MX-5, mas pouco têm a ver um com o outro.

Para quem procura a derradeira experiência de condução, pura e sem filtros, o Seven continua a ser a referência.

Descobrimos durante a elaboração desta lista que, infelizmente, o Seven 165, o degrau de acesso ao universo Caterham, já não se vende — em novo ficava a morder os 30 mil euros, acima do nosso limite, é certo, mas mesmo assim, acessível, apesar de ser discutível. Agora só mesmo em segunda mão e mesmo assim pode sair caro, já que os Caterham não têm tendência para desvalorizar.

Por baixo do seu capot encontramos um minúsculo propulsor de 660 cm3, cortesia dos kei cars da Suzuki vendidos no Japão. Em vez dos regulamentares 64 cv, o pequeno tri-cilíndrico turbo era “puxado” para os 80 cv, e, acreditem, com forte presença sonora ao mesmo tempo que oferece consumos comedidos.

80 cv soa a pouco? O Seven, sem condutor, fica abaixo dos 500 kg de peso! Os 80 cv são suficientes para prestações animadas e a falta de “filtros” e até os pneus com apenas 155 mm de largura, faz com que pareça que nos desloquemos sempre bem mais depressa do que na realidade vamos. Enebriante… 

ALTERNATIVA: Injeção de adrenalina…

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