Limitado a 1500 unidades

Nissan Juke Black Edition. Ainda tem truques na manga?

O Nissan Juke já conta com sete anos no mercado e foi o principal impulsionador dos crossovers compactos. Poderá ainda ser uma proposta convincente?

Tenho de confessar uma coisa. Nunca tinha conduzido um Nissan Juke. Sim, foi lançado em 2010 e já se fala sobre o seu sucessor que surgirá em 2018. Mas até agora nunca tinha tido oportunidade de estar atrás do volante de um dos principais responsáveis pela ascensão dos crossover compactos do segmento B.

E continua a ser um modelo que divide como poucos a opinião sobre o seu aspecto, tanto hoje como quando foi lançado. Pela “mini sondagem” efetuada por mim, o Juke parece cair mais nas boas graças do público feminino do que do masculino. Quanto a mim, apesar de apreciar o conceito original – lembram-se do Qazana? -, a passagem à realidade deixou muitas mazelas: as proporções são perfectíveis, é bastante sensível aos ângulos dos quais o observamos e falta finesse na execução de alguns elementos ou secções.

Henry Ford: “Um cliente pode ter um carro pintado da cor que quiser, desde que seja preto”

O nome desta edição especial é “Black Edition” e não poderia fazer melhor justiça ao nome: carroçaria preta, jantes pretas, interior preto. Preto por toda a parte. Resultado: perde-se bastante a noção de volumes e superfícies do Juke, o que para muitos até são boas notícias. Apesar de tudo, o Juke, após estes anos todos, não parece datado e mantém um aspeto dinâmico e, sobretudo, lúdico.

O Juke Black Edition é uma edição especial limitada a 1500 unidades. Além da escolha monocromática (a carroçaria também está disponível em cinzento), destaca-se pela adopção de um sistema de som da Focal onde os altifalantes e tweeters viram a sua potência aumentada para 120 e 100 watts respectivamente, um salto considerável dos 40 watts face ao sistema de audio original.

Outros dos “doces” do interior deste Black Edition, podem ser observados no recurso a pedais de desenho desportivo e nos bancos revestidos parcialmente em pele. E é impossível não reparar nas jantes de 18″ envolvidas por generosos pneus 225/45 R18. As mesmas medidas usadas no Juke Nismo RS. Só que no caso do Black Edition apenas têm que lidar com 110 ou 115 cv (Diesel e gasolina, respectivamente) e não com os 218 cv do Nismo RS.

Poderá o pequeno Nissan Juke também surpreender-me?

Admitindo que a invasão do mercado por SUV, pseudo-SUV e crossover não me diz nada – dificilmente escolheria este tipo de veículo para uso pessoal -, não tenho problemas em admitir que já fui surpreendido pela positiva. Fosse pelo pragmatismo do grande Skoda Kodiaq ou pela condução e dinâmica entusiasta do mais recente Mazda CX-5.

Mas o Juke não só está um segmento abaixo, como já tem uma longa carreira no mercado. Certamente a concorrência já o ultrapassou em tudo, certo? Bem, nem por isso.

Não foram precisos muitos quilómetros para o Juke cativar e entusiasmar. A sua condução parece estar em perfeita consonância com o seu aspecto lúdico. É ágil, muda de direcção entusiasticamente e acabei por conduzi-lo quase como se tratasse de um hot hatch. Apesar de nos sentarmos num plano mais elevado, não parece sofrer nada de um centro de gravidade elevado. Só se pedia um pouco mais de apoio lateral dos bancos.

O Juke privilegia claramente o dinamismo ao conforto, mas nunca é desconfortável. Aliás, quando exploramos o Juke em pisos degradados a ritmos mais animados, é capaz de absorver de forma competente todos os maus tratos que lhe infligimos.

Temos motor, mas para onde foi a voz?

Como já mencionámos, o Juke Black Edition está disponível com um motor a gasolina e outro a Diesel. A nossa unidade vinha com o conhecido 1.2 DIG-T com 115 cv. E afirmou-se como o parceiro ideal para as aptidões dinâmicas do Juke. Sempre responsivo e solicito, turbo lag mínimo. Mas não se fica por aqui.

O Juke tem dois modos de condução e quando accionamos o modo Sport, o motor parece ser injectado com uma dose de adrenalina – a resposta é mais imediata desde rotações mais baixas e mantém a vivacidade em regimes mais elevados. A contribuir para o efeito lúdico, o som da válvula wastegate está sempre presente, mas nunca incomodativo. Retira-se o pé do acelerador e lá aparece o típico assobio.

E só a conseguimos ouvir clara e distintamente porque este motor não tem voz. Parece mudo, ao ponto de nos fazer duvidar se estamos realmente a conduzir um carro com motor de combustão interna ou se na realidade está lá um motor elétrico escondido… – e é a única queixa que realmente posso fazer do motor.

Interior mais consensual do que o exterior

Inspirado pelo mundo das duas rodas, apesar dos anos, o interior do Nissan Juke é um sítio agradável para se estar. Definitivamente mais consensual e agradável que o exterior. Alguns detalhes continuam a cativar tanto hoje como quando foi lançado: seja o túnel central com a forma de um depósito duma motorizada, e pintado da cor da carroçaria, ou os aros que servem de puxadores das portas. Também apresenta uma construção robusta e a qualidade aparente está num bom nível.

Mas a idade do projecto revela-se em alguns pontos como o sistema de infoentretenimento, com o Juke a necessitar não só de um ecrã de resolução superior como um interface atualizado. Apesar disso, nota positiva para a solução encontrada para os comandos na consola central. Os mesmos assumem funções múltiplas dependendo do modo escolhido: Climatização ou Modos de Condução. Uma solução prática e capaz de reduzir de forma eficaz o número de botões no habitáculo.

O habitáculo peca por ter visibilidade traseira sofrível assim como espaço limitado no banco traseiro. Uma crítica que efetuei igualmente ao novo Nissan Micra e em ambos justifica-se pela exuberância do seu desenho exterior, que prejudica o aproveitamento de espaço interior.

Prioridades

Dito isto, aproveitando a menção ao Micra e até considerando o meu desdém pessoal por SUV e criaturas similares, optaria mais rapidamente por um Juke do que por um Micra. Sim, objectivamente, o Micra superioriza-se ao Juke nos mais variados aspectos. A sua concepção mais recente permite ter acesso a mais e melhores equipamentos e segurança, por exemplo.

Mas lamento, o Juke, apesar de mais alto e pesado, cativa bastante mais na sua utilização, ou seja, quando o conduzimos. Seja o motor, “léguas” acima do 0.9 IG-T – e não tem nada a ver com os 25 cv que os separam -, e a capacidade de entreter como poucos. Faz-nos parte integrante do processo, quando a norma na indústria parece ser cada vez mais isolar e anestesiar. É uma preferência pessoal e tem a ver com os aspectos que valorizamos num automóvel. Vocês poderão ter outros e ninguém tem nada a ver com isso.

Pronto, agora vou ali sentar-me num cantinho e rever todas as minhas crenças automobilísticas…

Ficha técnica
Nissan Juke 1.2 DIG-T Black Edition
Configurar este modelo

Preço

unidade ensaiada

20.080

Versão base: €21.753

IUC: €134

Classificação Euro NCAP: 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1197 cm3
    • Posição: Transversal dianteira
    • Carregamento: Injecção Directa, Turbo
    • Distribuição: 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 115cv às 4500 rpm
    • Binário: 190 Nm às 2000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4135 mm / 1765 mm / 1565 mm
    • Distância entre os eixos: 2530 mm
    • Bagageira: 354 litros
    • Jantes / Pneus: 225/45 R18
    • Peso: 1307 kg
    • Relação peso/potência: 11,36 kg/cv
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,8 l/100 km
    • Emissões de CO2: 130 g/km
    • Vel. máxima: 178 km/h
    • Aceleração: 10,8 segundos
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: 3 anos Pintura; 12 anos Anti-corrosão
    • Intervalo de Revisões: 3 anos ou 100 000 km
Avaliação
7 / 10
Apesar de ser o veterano do segmento o Nissan Juke ainda tem alguns trunfos na manga. Motor e dinâmica destacam-se e oferecem uma experiência de condução lúdica e eficaz. Por outro lado, a idade faz-se sentir na indisponibilidade de alguns equipamentos ou no sistema de infoentretenimento. Também peca pela visibilidade traseira e falta de espaço atrás. A versão Black Edition traz alguns "doces" extra relativamente a outros Jukes como o sistema de som da Focal.
  • Comportamento e Condução
  • Motor energético
  • Equipamento da versão Black Edition
  • Espaço e Visibilidade atrás
  • Indisponibilidade de alguns equipamentos

Mais artigos em Testes, Ensaio

Os mais vistos

Pub