Superdesportivos

Este é o verdadeiro sucessor do McLaren F1… e não é um McLaren

O pai do McLaren F1, Gordon Murray, está a criar um novo superdesportivo que responde às mesmas premissas da sua obra-prima. Promete…

A McLaren revelou o Speedtail, um hiper-GT que evoca o McLaren F1 original, seja pela posição central de condução ou pelo número de unidades a produzir, mas um sucessor criado sob as mesmas premissas do McLaren F1, só mesmo Gordon Murray, o “pai” do F1 original, para o fazer.

Murray revelou recentemente o que esperar do seu novo superdesportivo (nome de código T.50), um verdadeiro sucessor para o original McLaren F1, e só podemos dizer que promete — teremos de esperar ainda por 2021 ou 2022 para o conhecer em definitivo.

Não esperem ver um híbrido ou um elétrico, como tem sido a norma nos últimos tempos, ou excesso de “babysitters” eletrónicos — além do mandatório ABS, só terá controlo de tração; nem o ESP (controlo de estabilidade) fará parte do reportório.

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Gordon Murray
Gordon Murray

O derradeiro superdesportivo analógico?

O T.50 recupera a maioria das premissas e até características do McLaren F1 original. Um carro de dimensões compactas — será um pouco maior que o F1, mas ainda assim mais pequeno que um Porsche 911 —, três lugares com o do condutor ao meio, um V12 naturalmente aspirado e colocado longitudinalmente em posição central, caixa manual, tração traseira e carbono, muita fibra de carbono.

mclaren f1
McLaren F1. Senhoras e senhores, o melhor carro do mundo.

Gordon Murray não quer perseguir recordes em circuitos ou de velocidade máxima. Tal como no McLaren, quer criar o melhor carro de estrada possível, pelo que as características do T.50 já anunciadas são de deixar qualquer entusiasta de pernas bambas.

O V12 naturalmente aspirado que o equipa está a ser feito em colaboração com a Cosworth — essa mesma, que no V12 do Valkyrie nos deu 11 100 rpm de pura adrenalina e sonoridade atmosférica.

O V12 do T.50 será mais compacto, com apenas 3.9 l (McLaren F1: 6.1 l), mas vê as 11 100 rpm do V12 do Aston Martin e adiciona 1000 rpm, com o redline a surgir às 12 100 rpm(!).

Ainda não existem especificações finais, mas tudo aponta para um valor a rondar os 650 cv, um pouco mais do que no McLaren F1, e 460 Nm de binário. E tudo com uma caixa de seis velocidades manual, a ser desenvolvida pela Xtrac, uma opção que, ao que parece, foi um requisito dos potenciais clientes visados, que procuram uma condução mais envolvente.

Menos de 1000 kg

O valor de binário parece “curto” quando o comparamos com os superdesportivos atuais, normalmente sobrealimentados ou eletrificados de alguma forma. Não é problema, porque o T.50 vai ser leve, mesmo muito leve.

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Gordon Murray refere apenas 980 kg, aproximadamente 160 kg a menos que o do McLaren F1 — mais leve que um Mazda MX-5 2.0 —, e largas centenas de quilos abaixo dos superdesportivos atuais, pelo que o valor de binário não tem de ser tão elevado.

Gordon Murray
Ao lado da sua obra, em 1991

Para ficar abaixo da tonelada, o T.50 será essencialmente construído em fibra de carbono. Tal como o F1, tanto a estrutura como a carroçaria serão feitos no material maravilha. Curiosamente, o T.50 não terá rodas ou elementos da suspensão em carbono, já que Murray acredita que não oferecem a durabilidade que um carro de estrada necessita — no entanto, os travões serão em carbono-cerâmica.

Mais massa é poupada no T.50 ao prescindir de sub-estruturas em alumínio que serviriam de pontos de ancoragem à suspensão — duplos triângulos sobrepostos tanto à frente como atrás. A suspensão traseira será fixada diretamente à caixa de velocidades, e a dianteira à própria estrutura do carro. Não andará a “raspar” o chão, com Gordon Murray a prometer uma usável distância ao solo.

Também as rodas serão mais modestas que o expetável — menos peso estático, menos peso não suspenso, e roubam menos espaço —, quando comparadas com as de outras super-máquinas: pneus 235 à frente em jantes de 19″, e 295 atrás em jantes de 20″.

Uma ventoinha para colar o T.50 ao asfalto

Gordon Murray quer um superdesportivo de linhas limpas, sem o aparato visual e aerodinâmico dos super e hiperdesportivos dos nossos dias. Só que para o conseguir teve de repensar toda a aerodinâmica do T.50, recuperando uma solução aplicada num dos Fórmula 1 que desenhou no passado, o “carro ventoinha” Brabham BT46B.

Também conhecidos como “aspiradores”, estes monolugares traziam uma enorme ventoinha na sua traseira, cuja função era a de, literalmente, aspirar o ar da parte inferior do carro, colando-o ao asfalto, criando o chamado efeito de solo.

No T.50, a ventoinha terá 400 mm de diâmetro, será atuada de modo elétrico — via um sistema elétrico de 48 V —, e “chupará” o ar da parte inferior do carro, aumentando a sua estabilidade e capacidade de curvar, colando-o ao asfalto. Murray afirma que o funcionamento da ventoinha será ativo e interativo, podendo funcionar de modo automático ou controlada pelo condutor, podendo ser configurada para gerar elevados valores de downforce ou baixos valores de drag.

Gordon Murray Automotive T.50
Brabham BT46B e McLaren F1, as “musas” para o novo T.50
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Apenas 100 serão construídos

O desenvolvimento do T.50 prossegue a bom ritmo, com os trabalhos de desenvolvimento da primeira “mula de testes” já iniciados. Se não houver atrasos, os apenas 100 carros a construir começarão a ser entregues em 2022, com um custo aproximado de 2,8 milhões de euros por unidade.

O T.50, que deverá receber um nome definitivo em altura devida, é também o primeiro carro da marca Gordon Murray Automotive, criada há quase dois anos. De acordo com Murray, este McLaren F1 moderno será, espera ele, o primeiro de vários modelos que ostentarão o símbolo desta nova marca automóvel.

 

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