Primeiro Contacto Range Rover Sport. Conseguiu convencer como híbrido e “sport”?

Desde 146 977 euros

Range Rover Sport. Conseguiu convencer como híbrido e “sport”?

Nas versões híbridas plug-in o Range Rover Sport tem uma bateria maior do que alguns elétricos, mas será que isso chega para convencer?

Range Rover Sport P510e, frente 3/4
© Miguel Dias / Razão Automóvel

O novo Range Rover Sport já «aterrou» em Portugal e nós já lhe fomos «sentir o pulso», ainda que de forma muito breve.

Porém, apesar de curto, este primeiro contacto foi mais do que suficiente para perceber que o SUV mais desportivo da gama «Range» continua em grande forma.

E isso é tão ou mais verdade na versão que conduzimos, a Autobiography, com a motorização P510e híbrida plug-in, que junta a mecânica potente e disponível ao facto de poder percorrer mais de uma centena de quilómetros em modo 100% elétrico.

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Range Rover Sport PHEV traseira
A unidade que conduzimos estava equipada com jantes de 22”, mas em opção é possível equipá-lo com jantes de 23”. © Miguel Dias / Razão Automóvel

Diferente, mas igual

Por fora, o novo Range Rover Sport manteve-se fiel às linhas típicas da marca britânica, apesar de ter evoluído e de ter mantido, de forma inequívoca, uma identidade distinta da do «irmão» Range Rover.

Na dianteira começa logo por destacar-se o facto desta versão Sport contar com uma grelha bem mais pequena, uma decisão estética que ajuda a reforçar o caráter mais desportivo que a marca de Whitley quis dar a esta proposta.

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Mas é na traseira que o Sport mais se afasta do «irmão» aristocrático, já que conta com a chapa da matrícula numa posição mais baixa, no para-choques, e as óticas traseiras passam a estar integradas apenas numa barra horizontal.

Range Rover Sport PHEV traseira
As óticas traseiras agora surgem unidas por uma faixa preta, um detalhe que distingue o Range Rover Sport do Range Rover. © Miguel Dias / Razão Automóvel

E por dentro?

No interior, as diferenças não são tão óbvias, mas existem, a começar no ecrã curvo central de 13,1”, que surge numa posição menos vertical, tal como as condutas de ventilação do tabliê.

O ecrã — que pauta pela fantástica resolução e pelos grafismos modernos — é mesmo um dos destaques do habitáculo do novo Range Rover Sport, que faz equipa com o painel de instrumentos de 13,7”, o sistema de head-up display completamente novo e com o sistema de som Meridian que nos dá som de qualidade como poucos.

E ainda nem falámos do luxo, quer nos bancos dianteiros quer sobretudo nos bancos traseiros, onde imperam dois princípios: espaço e conforto. E acreditem que temos estas duas coisas em doses muito generosas.

Luxo que é muito bem complementado pela personalização que o Sport permite, já que a lista de acabamentos e materiais oferecidos é vasta, tal como a lista de opcionais que a Range Rover coloca à disposição de quem pretende comprar um destes SUV.

Mas uma coisa é mais ou menos segura: o Range Rover Sport nunca perde a elegância. E mesmo estando mais evoluído e digital do que nunca, continua a ser um… Range Rover. E isso são boas notícias para os fiéis clientes da marca.

E na estrada, como se sente?

O Range Rover Sport cresceu em todas as direções e na versão que testámos acusa uns impressionantes 2810 kg na balança — onde é que os automóveis modernos vão parar? —, muito por culpa da mecânica híbrida plug-in.

Por comparação com o Range Rover, o Sport apresenta uma altura ao solo 20 mm inferior e molas 35% mais firmes, para justificar o nome que carrega. Mas podemos começar já por aí: este Range Rover tem muito pouco de Sport.

Talvez pelas dimensões, pela massa elevada e até mesmo por todo o luxo que nos envolve, este é um SUV que não nos incentiva a adotar um regime mais desportivo. Ainda que se sinta que houve um trabalho muito sério em tentar contornar tudo isto.

Mas poucas coisas são tão inevitáveis quanto as leis da física e nas curvas sentimos bem o peso que temos «nas mãos», ainda que aquilo que o Sport é capaz de fazer seja, ainda assim, notável para o seu porte.

Não imagino este Range Rover Sport numa estrada de montanha revirada, como imagino, por exemplo, um Porsche Cayenne Coupé. É, isso sim, um estradista de excelência, que convida a viagens mais longas e em família.

Foi num pequeno troço de autoestrada que mais desfrutei deste Range Rover Sport, que roda com uma suavidade que impressiona. A suspensão filtra tudo o que lhe aparece pela frente de forma exímia e isso traduz-se num pisar muito elegante.

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Tudo isto é acentuado pelo conforto oferecido pelos bancos e pela boa insonorização que se sente no habitáculo. Consegue mesmo ser uma cápsula e manter-nos isolados do que está a acontecer lá fora.

Range Rover Sport PHEV
© Miguel Dias / Razão Automóvel

O sistema híbrido é a sua maior «arma»

Por entre a cidade, curiosamente, o tamanho e o peso deste SUV não foram um problema, muito por culpa das rodas traseiras direcionais (rodam até 7,3º), que fazem com que o ângulo de viragem seja de apenas 10,95 m.

Se aliarmos isto ao facto de este Range Rover Sport conseguir superar uma centena de quilómetros em modo totalmente elétrico, percebemos que ele está muito mais à vontade nos ambientes urbanos do que seria de esperar.

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E aqui, importa abrir um parênteses para falar da mecânica que está na base da versão P510e que testámos, que recorre a um motor de seis cilindros em linha, turbo, de 3,0 l, que produz 400 cv, e que surge associado a um motor elétrico (dianteiro) de 143 cv, para uma potência total combinada de 510 cv e um binário máximo de 700 Nm.

Não tive oportunidade de conduzir este Range Rover Sport fora de estrada, mas o vídeo de lançamento do modelo não deixa grandes dúvidas acerca das capacidades offroad deste SUV, certo?

Mas o elemento chave do sistema híbrido plug-in é mesmo a bateria de iões de lítio (montada em posição central) com 38,2 kWh, dos quais 31,8 kWh úteis.

Isto significa que a bateria deste híbrido plug-in é maior do que a de alguns modelos 100% elétricos atualmente à venda. O Honda e, com uma bateria de 35,5 kWh, é um bom exemplo disso.

Por isso mesmo, este Range Rover Sport P510e anuncia uma autonomia em modo elétrico de até 112 km, ao mesmo tempo que reivindica consumos combinados de 0,9 l/100 km e emissões de CO2 de apenas 19 g/km.

Sabemos que conseguir consumos a esse nível só será possível caso andemos praticamente em modo elétrico e a prova está nos 7,7 l/100 km que registei de média neste breve contato. Mas em cidade, com a máquina elétrica mais ativa, consegui descer para os 3 l/100 km. Por outro lado, em autoestrada, suportado apenas pelo motor de combustão, o painel de bordo marcou 11,3 l/100 km.

A boa autonomia em modo elétrico é, sem dúvida, um dos maiores trunfos deste Range Rover Sport. Haverá quem consiga fazer os percursos diários casa-trabalho-casa de dois dias sem gastar uma única gota de combustível. E isso não pode ser ignorado.

Range Rover Sport
Nas versões PHEV contamos com três modos de condução disponíveis: Hybrid, EV (Elétrico) e Save (permite guardar a capacidade da bateria).

Mas curiosamente, nem foi a autonomia elétrica que mais me impressionou neste sistema, foi mesmo a suavidade como tudo funciona: a este nível, este foi um dos híbridos plug-in que mais gostei de conduzir.

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A calibração do pedal do travão, por exemplo, é muito melhor do que a da maioria dos híbridos plug-in que testei recentemente — a sensação mais esponjosa que sentimos em muitos PHEV (plug-in hybrid electric vehicle) nunca se faz notar.

Um dos híbridos plug-in mais rápidos a carregar

Ao contrário do que acontece com muitos híbridos plug-in, que não suportam carregamentos em corrente contínua (DC) ou então, quando o fazem, chegam apenas aos 22 kW, este Range consegue carregar em DC até 50 kW.

Range Rover Sport PHEV carregador
Num carregador com 50 KW (DC) permite passar dos 0 aos 80% em apenas 60 min. Já a 7,4 kW (AC) o tempo de uma carga completa é de cinco horas e a 3,4 kW é de aproximadamente 11 horas. © Miguel Dias / Razão Automóvel

O Range Rover Sport ainda é relevante?

Esta é a pergunta que se impõe. Lançada em 2005, a vertente Sport do icónico Range foi uma das pioneiras no que aos SUV de caráter mais desportivo e de alto rendimento diz respeito.

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Agora, com esta terceira geração a ter mais concorrência do que nunca, sim, posso dizer que continua relevante como antes. O Sport permite aceder ao luxo e conforto esperados num Range Rover de topo, mas fá-lo com uma imagem distinta e menos estatutária, apesar das dimensões imponentes.

A juntar a essa imagem mais desportiva e ao habitáculo requintado — com excelente qualidade de montagem, outra característica que me surpreendeu neste primeiro contacto —, o Range Rover Sport adapta-se ainda aos novos tempos com tecnologia híbrida plug-in mais evoluída e capaz — em 2024 chegará uma inédita versão 100% elétrica.

O que permite adicionar às qualidades de estradista de exceção e um enorme conforto a bordo, a possibilidade de fazer muitos quilómetros sem gastar combustível.

Mas tudo isto vem com um preço considerável: o Range Rover Sport agora começa nos 109 534 euros e vai até aos 192 127 euros da versão First Edition com motor V8 biturbo de 4,4 l com 530 cv de potência.

A versão P510e que testámos associada ao nível de equipamento Autobiography arranca no mercado português nos 146 977 euros.

Range Rover Sport. Conseguiu convencer como híbrido e “sport”?

Primeiras impressões

8/10
Foi um primeiro contacto breve, mas foi suficiente para perceber que o novo Range Rover Sport é um dos melhores híbridos plug-in da atualidade. Respeita a tradição do nome que carrega, é muito bem executado e tem a postura e a confiança em estrada que se espera de um "Range". Mas não esperam grandes pretensões desportivas…

Prós

  • Sistema híbrido plug-in
  • Autonomia elétrica
  • Conforto a bordo
  • Elegância de todo o conjunto

Contras

  • Peso elevado
  • Preço
  • Não é "Sport" o suficiente
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