Bentayga EWB. Conduzimos e fomos conduzidos no "SUV-limusina" da Bentley

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Chega em janeiro de 2023

Bentayga EWB. Conduzimos e fomos conduzidos no “SUV-limusina” da Bentley

O alongado Bentayga EWB toma o lugar do Mulsanne e, mesmo sendo um SUV, será o modelo da Bentley mais frequentemente guiado por chauffeurs.

Em Vancouver, Canadá

O Bentley Bentayga EWB, de distância entre eixos alongada, é uma proposta que reforça a cada vez mais notada preferência dos clientes de segmentos de luxo por carroçarias SUV, levando os fabricantes a adaptarem a sua oferta a essa nova realidade.

Seja nas marcas de tónica mais desportiva como a Porsche, Lamborghini, Aston Martin (onde já são os mais vendidos), ou Ferrari, seja nas mais luxuosas, como a Rolls-Royce e, claro, a Bentley.

O Bentayga também já é o modelo mais vendido na marca britânica (45% do total) — contribuindo decisivamente para os excelentes resultados financeiros da Bentley, que no primeiro semestre de 2022, ascenderam a lucros de 400 milhões de euros —, e acaba de lançar este EWB (Extended Wheel Base) para tomar o lugar do extinto (em 2020) Mulsanne no seu portefólio.

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Bentley Bentayga EWB perfil
De perfil é fácil ver para onde foram os 18 cm adicionais no Bentayga EWB. Estão todos entre os eixos — reparem na dimensão da porta traseira.

Bem enquadrado

Sendo 18 cm mais comprido do que a versão «normal», todos acrescentados à distância entre eixos que é agora de 3,175 m, o Bentayga XXL atinge um comprimento exterior total de 5,3 m, o que o torna pouco compatível nas congestionadas cidades europeias, ainda que a maioria dos seus clientes de encontrem na China, Médio Oriente e América do Norte, onde o espaço abunda muito mais.

Não estranha, por isso, que o tenhamos ido guiar em Vancouver, no oeste do Canadá, onde o enorme Bentayga encaixa sem complexos por entre pick-up e SUV gigantescos — o Cadillac Escalade, por exemplo, é 40 cm mais comprido… — que dominam estas estradas, quase tanto como nos Estados Unidos.

O motor principal continua a ser o V8 biturbo bem conhecido no Grupo Volkswagen, enquanto o 12 cilindros deverá ficar reservado para os referidos mercados principais (ainda que não esteja oficialmente confirmado).

Chris Cole, um dos engenheiros envolvidos no desenvolvimento do EWB, explica-me que “de momento apenas se confirma o V8, até porque não é possível fazer uma versão híbrida plug-in, dado que os componentes do eixo traseiro direcional (exclusivos do EWB) não caberiam devido à montagem das baterias”.

Na Bentley fazem questão de explicar que o Bentayga EWB não é apenas uma versão esticada do Bentayga, assegurando que “foi feito um investimento de nove dígitos no projeto e que o veículo tem 2500 peças específicas, muitas das quais se encontram na segunda fila de passageiros, que proporciona o máximo de luxo e conforto”.

Shhhhhhhhh……

Importante, por isso, que este primeiro contacto tenha uma parte de condução como passageiro porque é nesta segunda fila que muitos dos futuros clientes irão passar boa parte do seu tempo — especialmente na China, um mercado típico onde há muitos motoristas a guiar os Bentayga.

Segunda fila com dois bancos individuais
O propósito do Bentayga EWB fica claro assim que acedemos à segunda fila — mais que conduzir é um “SUV-limusina” para se ser conduzido.

A primeira alteração de vulto tem a ver com as portas se fecharem de modo automático/elétrico, enquanto na abertura existe apenas alguma ajuda sob a forma de assistência elétrica. Cole explica que “por o carro não saber se existe algum objeto ou pessoa perto que poderia receber um impacto na sua abertura, o movimento automático é apenas no fecho”, se bem que uns sensores de obstáculo poderiam ajudar a resolver esse problema.

Depois, a consola traseira entre os dois bancos (na versão de quatro lugares) foi redesenhada, dispondo de mais espaços de arrumação, de novas entradas USB e um pequeno frigorífico para uma garrafa de 750 ml (e dois flutes de champanhe a acompanhar).

Esta versão de quatro lugares é a que pode receber a nova poltrona “Airline” que tem reforço no acolchoamento, apoio lombar reforçado, extensão de assento, ajuste elétrico do ultra-confortável encosto de cabeça e um apoio de pés amovível, para que o passageiro traseiro do lado direito possa viajar com o máximo conforto — a poltrona do lado esquerdo tem as mesma funcionalidades menos o apoio de pés amovível, uma vez que este obrigaria ao avanço do banco do condutor.

Joaquim Oliveira sentado no banco Airline, atrás
Não poda perder a oportunidade de também ser conduzido no Bentayga EWB e usufruir de todo o conforto que tem para oferecer.

Os bancos podem contar com até 22 tipos de ajuste elétrico e dispõem, naturalmente, de avançadas funções de massagem — um dos programas usa bolsas de ar que ativam partes do corpo sob pressão para alterar a forma da poltrona e assim diminuir a fadiga dos ocupantes —, aquecimento e refrigeração.

E este Bentayga XXL não pode receber sete ocupantes, ao contrário da carroçaria mais curta, porque de acordo com o que a Bentley apurou, a prioridade dos potenciais clientes vai para a qualidade do espaço e não para o transporte de uma «equipa de futebol».

Há ainda um sistema de ionização do ar exclusivo para os lugares traseiros, cujos ocupantes podem controlar e quase tudo o resto que lhes interessa através de um pequeno tablet amovível, que está normalmente fixo na traseira da consola entre os bancos da frente.

Luxo supremo

No demais temos a habitual qualidade de topo que se conhece no Bentayga, onde tudo o que parece é, seja madeira, alumínio ou cristal, e onde o padrão de diamante foi tratado digitalmente para que cada «diamante» pudesse ter um orifício de exatamente 1 mm e para que as costuras fossem acabadas com o máximo de precisão.

Tabliê do Bentayga
Previsivelmente, o Bentayga EWB partilha com o Bentayga «normal» o tabliê.

Depois de ter regulado a intensidade da luz para um nível baixo e de colocar o banco Airline na sua posição mais confortável, não demorou muito até adormecer no trajeto de ida até ao parque Olímpico de Vancouver, palco das Olimpíadas de inverno de 2010, embalado também pelo serpenteado moderado da estrada ascendente até à estância de esqui da montanha de Whistler, a norte daquela cidade canadiana.

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Uma vez no topo foi o momento de trocar com o colega francês, que fez o favor de servir de “Jarbas” no primeiro trajeto, e assumir eu próprio essa função.

Logo nos primeiros quilómetros recordei as palavras de Chris Cole, quando me explicou “que as afinações da suspensão foram feitas para aumentar o conforto de rolamento, em todos os modos de condução, mas especialmente no Comfort”.

Joaquim Oliveira ao volante do Bentayga EWB

E isso nota-se, mesmo que em parte seja pelo contributo da distância entre eixos alongada, mas também quando jogamos com os quatro programas de estrada — Custom (personalizável), Comfort, B (de Bentley, é o modo auto) e Sport —, que afetam a resposta da suspensão pneumática, acelerador, caixa (automática de oito velocidades) e sonoridade do motor.

Maior… mas mais ágil?

O que também se percebe, no imediato, é que o eixo traseiro tem um papel fundamental para dissimular o tamanho do Bentayga EWB, que se inscreve em curva com uma agilidade difícil de antever quando o vemos por fora pela primeira vez.

E que depois confirma a sua enorme utilidade também de volta a Vancouver, ao necessitar de menos 0,6 m do que um Bentayga «normal» para dar uma volta completa sobre o seu próprio eixo (11,8 m é quase tão pouco como um Volkswagen Golf, por exemplo).

Bentley Bentayga EWB na estrada, vista 3/4 traseira

Se mudasse algum aspeto do comportamento seria na direção, que poderia ter um pouco mais de «peso» em cada um dos modos de condução. Ainda efetuei um trajeto fora de estrada, muito moderado, sobre o qual o Bentayga EWB passou sem qualquer hesitação, ainda que se saiba que uma esmagadora minoria de futuros proprietários os sujeitarão a esse tipo de «maus tratos».

Talvez os mais excêntricos clientes árabes o fizessem… não fosse sentirem-se mais confiantes com os seus camelos motorizados, como são conhecidos os Toyota Land Cruiser no Médio Oriente.

V8 biturbo com força de sobra para as 2,5 toneladas

Este V8 biturbo de 4,0 l tem um rendimento máximo de 550 cv e 770 Nm, que ficam disponíveis logo às 2000 rpm, o que ajuda a que este «monstro» de 2,5 toneladas se possa despertar sem «preguiça».

Bentley Bentayga EWB de frente, na estrada

O sprint até aos 100 km/h em apenas 4,6s (0,1s mais do que o V8 da versão mais curta que é 100 kg mais leve) e os 290 km/h de velocidade de ponta dão uma boa ideia do seu vasto repertório de performances, ainda que a esses ritmos os 15 l/100 km de consumo médio oficiais não passem de uma distante miragem.

As retomas de velocidade acontecem sempre de forma expedita, até porque necessidades mais súbitas de rendimento são satisfeitas prontamente com a função kick-down da rápida caixa de velocidades ou através do manuseamento das patilhas atrás do volante.

Quando chega e quanto custa?

As entregas do novo Bentley Bentayga EWB começam no último trimestre de 2022 e em duas especificações especiais: Azure e First Edition. Estima-se que o preço em Portugal comece à volta dos 310 mil euros* — com o vasto programa de personalização, será mais um modelo a levar os clientes da Bentley a gastar bem mais do que isto —, ou seja, 50 mil euros acima do Bentayga V8 «normal» e 17 mil euros acima do mais desportivo Bentayga V8 S.

Bentley Bentayga EWB de perfil na estrada

Descubra o seu próximo automóvel:

Especificações técnicas

Bentley Bentayga EWB
Motor
Arquitetura 8 cilindros em V
Posicionamento Dianteiro longitudinal
Capacidade 3996 cm3
Distribuição 2 a.c.c., 4 válv./cil., 32 válvulas
Alimentação Inj. direta, dois turbos, intercooler
Potência 550 cv às 6000 rpm
Binário 770 Nm entre 2000-4500 rpm
Transmissão
Tração Quatro rodas
Caixa de Velocidades Automática (conversor de binário) de 8 vel.
Chassis
Suspensão FR: Independente de duplos triângulos sobrepostos; TR: Independente com multibraços (5); Amortecimento adaptativo e eixo traseiro direcionável
Travões FR: Discos ventilados com 400 mm de diâmetro; TR: Discos ventilados com 380 mm de diâmetro
Direção / Voltas ao volante Assistência elétrica/2,3
Diâmetro de viragem 11,8 m
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 5,305 m x 1,998 m x 1,739 m
Entre eixos 3,175 m
Bagageira 484 l (configuração de 5 lugares)
Depósito 85 l
Massa 2514 kg
Rodas FR: 285/45 R21; TR: 285/45 R21
Prestações, Consumos, Emissões
Velocidade máxima 290 km/h
0-100 km/h 4,6s
Consumo misto 15,0 l/100 km (estimado)
Emissões CO2 N.D.

* Nota: O preço é estimado.

Primeiras impressões

8 / 10
É difícil pensar num automóvel que combine melhor luxo, espaço, performances e comportamento eficaz. Mas se isso é uma constante nos Bentayga que já conhecíamos, nesta versão de distância entre eixos mais longa a comodidade e espaço servidos aos importantes passageiros traseiros são elevados para patamares difíceis de superar. E mesmo sendo maior e mais pesado, o comportamento em estrada é bastante ágil (relativamente, claro), ao mesmo tempo que as suas proporções são em parte “mitigadas” com a ajuda do eixo traseiro direcional.

  • Luxo artesanal puro

  • Espaço ultra-generoso

  • Comportamento ágil (considerando dimensões exteriores e peso)

  • Convivência urbana (não deixa de ser um SUV enorme)

  • Consumos elevados

  • Preço

Preço

310.000

Data de comercialização: Janeiro 2023


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