Pagani Utopia. Caixa manual, V12 biturbo e nada de eletrificação

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Apresentação

Pagani Utopia. Caixa manual, V12 biturbo e nada de eletrificação

O Utopia é o terceiro ato da Pagani e o nome não podia ser mais adequado, tendo em conta os «ingredientes» de que é feito.

Zonda, Huayra e agora Utopia. Foi este o nome escolhido pela Pagani para identificar o seu novo supercarro — até agora conhecido pelo nome de código C10 — e percebe-se porquê.

“Sem pesadas baterias, sem potência híbrida, só um V12 maravilhoso; sem dupla embraiagem, apenas uma pura caixa manual de sete velocidades ou transmissão automatizada” é o que diz o comunicado oficial e nos dias que correm, parece um discurso… utópico, sobretudo para os mais acérrimos petrolhead.

A marca fundada por Horacio Pagani quis criar um modelo com renovado foco na simplicidade e leveza, à procura da “experiência de condução mais pura, uma experiência clássica definida de novas formas”.

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Horacio Pagani em frente do Utopia e de uma banda filarmónica durante a apresentação
Horacio Pagani, fundador e diretor executivo da Pagani, durante a apresentação do Utopia.

Ares de Zonda

Como aconteceu com o Huayra, também o desenvolvimento do Pagani Utopia foi bem mais longo que o que estamos habituados, estendendo-se por seis anos.

Agora que foi finalmente revelado, a nova criação de Horacio Pagani, mostra uma silhueta e linhas fluídas, com elementos inspirados nas décadas de 50 e 60, mas é impossível não ver traços do Zonda, o primeiro Pagani.

Pagani Utopia 3/4 frente

Ao contrário de outros supercarros, as linhas do Utopia não são interrompidas por apêndices aerodinâmicos extravagantes.

A performance aerodinâmica advém do seu fundo e de elementos aerodinâmicos perfeitamente integrados nas suas linhas, como o splitter dianteiro ou o spoiler traseiro que se sobrepõe às quatro saídas de escape, uma das imagens de marca da Pagani.

Pagani Utopia 3/4 traseira

Mais leve que o Huayra

O escape em si continua a ser em titânio e traz um revestimento cerâmico para melhor dissipar o calor; todo o sistema pesa pouco mais que 6 kg.

Aliás, o Utopia é bastante mais leve que qualquer um dos seus potenciais rivais, com a Pagani a declarar apenas 1280 kg a seco, 70 kg menos que o Huayra original — nada mal, considerando que atrás dos dois ocupantes está um substancial 6.0 V12 biturbo.

Pagani Utopia vista de cima

Parte do segredo para a sua massa contida deve-se à sua nova monocoque em novos materiais compósitos como o carbo-titânio e o carbo-triax, que para mais, permitiu aumentar a rigidez torcional em 10,5% em relação ao Huayra.

«Coração» made in Affalterbach

O «coração» do Utopia é herdado do Huayra, mas o V12 de seis litros biturbo não veio incólume. Os mestres de Affalterbach entregaram à Pagani um motor mais potente, com 864 cv (mais 24 cv que o mais potente dos Huayra de estrada) às 6000 rpm e uns ribombantes 1100 Nm, disponíveis entre as 2800 rpm e as 5900 rpm.

Traseira com V12 e suspensão
O cuidado colocado na apresentação de todos os componentes estende-se ao que se encontra por baixo da «pele».

O V12 biturbo faz agora mais rotação — limitador às 6700 rpm — e, apesar de tudo, a Pagani diz estar em conformidade com as mais exigentes normas de emissões, incluindo as californianas, as mais exigentes do mundo.

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A transmissão, como é tradição, é apenas às rodas traseiras, e é feita por uma caixa de velocidades manual — “para a transmissão a escolha foi filosófica”, nas palavras da Pagani — ou uma semi-automática.

Mecanismo exposto da caixa de velocidades

Ambas com sete relações e desenvolvidas pela Xtrac, com o objetivo de serem as mais rápidas entre as caixas de velocidade com engrenagens helicoidais. Um desafio considerável tendo em consideração que tem de lidar com 1100 Nm de binário.

Quanto dá? Não sabemos

Horacio Pagani parece estar a seguir o exemplo de Gordon Murray e nem sequer se preocupou em dar números relativos à sua performance, quando o objetivo é o de criar a derradeira experiência de condução.

Contudo, para lidar com toda a força do motor, o Pagani Utopia vem equipado com rodas bastante generosas, com pneus Pirelli PZero Corsa 265/35 R21 à frente e 325/30 R22 atrás.

Destaque ainda para o design das jantes (alumínio forjado) que contém um extrator de ar em fibra de carbono com a forma de uma turbina, para retirar o ar quente proveniente dos travões e reduzir a turbulência no fundo do carro.

Pagani Utopia, visto de cima frente 3/4

Os travões em si, são discos ventilados em carbono-cerâmica e, tal como as rodas, de dimensões muito generosas. À frente têm 410 mm de diâmetro e 38 mm de espessura enquanto atrás têm, respetivamente 390 mm e 34 mm — contam ainda com pinças de seis pistões à frente e quatro atrás.

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Ainda no tópico das ligações ao solo, o Pagani Utopia conta com um esquema de duplos triângulos sobrepostos (em alumínio forjado), tanto à frente como atrás, com amortecedores semi-ativos — um desenvolvimento que começou no Huayra R, o mais radical dos Huayra, só para circuitos.

Pagani Utopia, visto de cima traseira 3/4

Adeus, ecrã

Tal como em tudo neste Utopia, também o seu interior parece estar em contra-ciclo. Ao contrário do Huayra, o Utopia prescinde do ecrã central — hiper-ecrãs não entram aqui —, concentrando todas as informações necessárias num novo e maior ecrã posicionado entre os analógicos velocímetro e conta-rotações.

De resto, não podia ser outro interior que não de um Pagani, onde a atenção ao detalhe é exímia e a profusão de elementos generosa. Destaca-se o mecanismo exposto da transmissão e até o volante, esculpido de um bloco sólido de alumínio, assim como os pedais.

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99

A Pagani só vai fazer 99 unidades do Utopia, mas apesar de só estar agora a ser revelado e ter um preço a começar nos 2,13 milhões de euros (sem impostos), ao que consta já está esgotado há muito.

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