O Citroën C4 elétrico faz esquecer as versões a combustão?

Estamos a guardar energia para o que mais importa.

Desde 40 217 euros

O Citroën C4 elétrico faz esquecer as versões a combustão?

Mais caro, mas mais «verde» que os seus «irmãos» com motor de combustão, será o Citroën ë-C4 a melhor proposta da gama do familiar francês?

O Citroën ë-C4 quer ser a alternativa às versões com motor de combustão do C4 e ao mesmo tempo que tenta fazê-lo, coloca na «mira» potenciais concorrentes como o Volkswagen ID.3 ou o Hyundai Kauai EV.

Posto isto, será que o ë-C4 consegue destacar-se da concorrência interna, assim como dos adversários externos?

Altura de o colocar à prova.

A NÃO PERDER: Citroën ë-C4 X. Mais espaço e autonomia para o C4 elétrico fastback
Citroën ë-C4
Visualmente o ë-C4 é facilmente confundido com as versões com motor de combustão.

Igual em (quase) tudo

Admito que procurar diferenças estéticas entre o ë-C4 e os outros C4 com motor de combustão — que já também passaram pela garagem da Razão Automóvel — é uma tarefa que se pode revelar frustrante. Afinal de contas, estas são muito escassas.

No exterior resumem-se aos apontamentos em azul, à ausência das saídas de escape e, claro, aos logotipos. Já no interior, com exceção dos menus específicos no sistema de infoentretenimento e do “modo B” da caixa pouco há a separá-lo das versões com motor de combustão.

O espaço a bordo continua a ser generoso, a qualidade de montagem não merece reparos e até a bagageira manteve a sua capacidade inalterada, oferecendo na mesma 380 litros de capacidade, valor que está na média da classe.

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A máquina elétrica

A verdadeira diferença entre o ë-C4 e os seus «irmãos» está, claro, debaixo do capô. Aí encontramos um motor elétrico com 100 kW (136 cv) e 260 Nm e a alimentá-lo uma bateria de 50 kWh de capacidade.

É o mesmo sistema de propulsão elétrica dos Peugeot e-208/e-2008 e Opel Corsa-e/Mokka-e, propostas que também já tivemos oportunidade de testar:

 

Os 50 kWh da bateria permite anunciar uma autonomia de 350 km para o ë-C4, um valor que o coloca na média do segmento neste campo. Mas passando do «papel» para o mundo real, será que cumpre?

No que à autonomia diz respeito, fiquei um pouco longe dos valores oficiais, conseguido numa utilização normal 280-300 km por carga. Neste campo, ë-C4 podia beneficiar de mais alguns modos de regeneração de energia.

É que ao contrário de modelos como o Kauai EV (ou até o Twingo Electric), a proposta da Citroën conta apenas com o “modo B” — onde a regeneração é mais forte — para nos ajudar a «esticar» a autonomia.

Ainda assim, a eficiência da cadeia cinemática revelou-se positiva, com as médias a serem de 18,6 kWh/100 km em cidade, enquanto a média no final deste teste a fixarem-se nos 15 kWh/100 km.

Já no campo das prestações, os 0 aos 100 km/h são cumpridos em 9,7s (no modo Sport melhora um pouco), contudo os 1616 kg não facilitam a vida aos 136 cv e 260 Nm, fazendo com que as prestações sejam apenas medianas.

Ainda assim, os números anunciados pela Citroën não andam longe dos averbados pelo C4 com o 1.2 Puretech de 130 cv (9,4s).

Tudo conjugado faz com que consigamos usar o ë-C4 no dia a dia como se de um carro «normal» se tratasse,.sem grandes preocupações relacionadas com a autonomia e, acima de tudo.

Mais pesado, melhor dinâmica?

Contrariamente ao que seria de esperar, a massa adicional da bateria e, sobretudo, o seu posicionamento no chão da plataforma — baixando o centro de gravidade — acabaram por beneficiar o… comportamento dinâmico do ë-C4 em relação aos outros C4.

Não, o conforto não passou para segundo plano (e ainda bem), mas o equilíbrio entre conforto e estabilidade saiu favorecido. Ainda assim, há elétricos mais “amigos das curvas” que o ë-C4, como o Hyundai Kauai EV ou o Mazda MX-30.

Citroën ë-C4
No que respeita ao comportamento dinâmico, a versão elétrica do C4 revelou ser um pouco melhor do que as equipadas com um motor de combustão.

Uma questão de números

É impossível falar acerca do Citroën ë-C4 sem abordar a questão do preço. Na versão Shine aqui ensaiada (um dos níveis mais elevados), o ë-C4 vê o preço arrancar nos 40 217 euros. Já o C4 a gasolina com 130 cv, caixa automática e o mesmo nível de equipamento fica-se pelos… 29 267 euros!

Além do mais, apesar de ser uma proposta equilibrada dentro das cada vez mais opções elétricas no mercado, o Citroën ë-C4 fica um pouco aquém das referências da classe e das mais recentes novidades.

Citroën ë-C4
A potência máxima de carregamento em corrente contínua (DC) é de 150 kW e em corrente alternada (AC) é de 11 kW. Numa tomada de 3,7 kW demora mais 15 horas a carregar totalmente a bateria; numa de 7,4 kW, sete horas e meia; numa de 11 kW, cinco horas e num carregador DC de 100 kW, dos 0 aos 80% demora 30 minutos.

Entre os novos rivais temos, por exemplo, o Renault Mégane E-Tech EV40 — 130 cv, bateria de 40 kWh, 294 km de autonomia —, com preços a começar nos 35 850 euros, enquanto o ë-C4 Feel, o mais acessível, começa nos 37 817 euros. Ainda que a bateria maior permita, potencialmente, uma autonomia maior.

É o carro certo para si?

A escolha entre o Citroën ë-C4 e os C4 com motor de combustão depende, e muito, do tipo de utilização que pretendem dar ao carro. Se as deslocações habituais são, maioritariamente, feitas em circuito urbano e suburbano, o ë-C4 pode ser a escolha certa, mesmo tendo em consideração o expressivo diferencial de preço.

Sim, é mais caro que o C4 equivalente com motor a gasolina, contudo o potencial de poupança é grande não só no que aos carregamentos diz respeito, como no campo fiscal — os elétricos não pagam, ainda, IUC — e até na hora da compra, caso se consiga usufruir dos incentivos à compra de elétricos.

Nota: as imagens do interior e do exterior são oficiais da marca e não correspondem exatamente à unidade testada. 

Preço

unidade ensaiada

40.717

Versão base: €40.217

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: Motor elétrico
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Bateria de iões de lítio de 50 kWh
    • Potência: 100 kW (136 cv)
    • Binário: 260 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora de uma relação
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4360 mm / 1800 mm / 1525 mm
    • Distância entre os eixos: 2670 mm
    • Bagageira: 380-1250 litros
    • Jantes / Pneus: 195/60 R18
    • Peso: 1616 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 16,6 kWh/100 km; Autonomia: 350 km
    • Emissões de CO2: 0 g/km
    • Vel. máxima: 150 km/h
    • Aceleração: 9,7s
  • Equipamento
    • Banco do condutor com regulação do apoio lombar
    • Sistema áudio MP3 6 altifalantes
    • Travão de estacionamento elétrico
    • Climatização automática bi-zona
    • Acesso e arranque mãos livres Proximity
    • Citroën Connect NAV
    • Onboard Charger 7 kW
    • Jantes em liga leve 18’’ CROSSLIGHT diamantadas bi-ton cinza / preto
    • Vision 360°
    • Pack LED Vision com High Beam Assist
    • Sistema de vigilância do ângulo morto
    • Smart Pad Support Citroën
    • Pack Drive Assist Plus
    • Cabo de carga Modo 2
    • Retrovisores exteriores rebatíveis, com regulação e desembaciamento elétricos
    • 2 Tomadas USB (tipo A + tipo C) disponíveis para os lugares traseiros
    • Banco do condutor com apoio de braço
    • Faróis de nevoeiro
    • Piso da bagageira com duas posições em altura
    • Luzes diurnas em LED com assinatura em V
    • Cluster digital TFT a cores de 5,5''
    • Vidros laterais traseiros e óculo traseiro sobreescurecidos
    • Retrovisor interior electrocromático
Extras
Azul Iceland — 550 €.
Avaliação
7 / 10
Com todas as qualidades já reconhecidas ao C4 — conforto, estilo distinto ou a habitabilidade — o Citroën ë-C4 apresenta-se como uma proposta especialmente pensada para quem faz do meio urbano a «sua casa». Contra si tem um preço consideravelmente mais alto que os «irmãos» com motor de combustão e que não lhe «faz favores» na comparação com alguns rivais. Já a seu favor tem um comportamento mais bem conseguido que as versões de combustão e um potencial de poupança considerável.
  • Equilíbrio conforto/estabilidade
  • Mala com volume igual à versão térmica
  • Comportamento melhor que os C4 com motor de combustão
  • Visibilidade traseira
  • Preço
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