Desde 23 200 euros

Renault Twingo Electric. O que vale um dos elétricos mais acessíveis do mercado?

O Renault Twingo Electric é uma das formas mais acessíveis de entrar no "universo dos elétricos". Mas terá mais argumentos além do preço baixo?

Disponível a partir dos 22 200 euros, o Renault Twingo Electric é, até à chegada (para breve) do Dacia Spring Electric, o elétrico mais acessível do mercado nacional.

Lançado bem depois do seu “primo” alemão, o Smart EQ forfour, que por cá anda desde 2018, o Twingo Electric parece ser uma solução que exige menos compromissos.

Afinal de contas, ao adotar uma bateria de 21,4 kWh em vez dos 17,6 kWh do Smart, o modelo gaulês vê a sua autonomia anunciada subir para os 190 km em ciclo misto em vez dos 133 km do EQ forfour.

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Renault Twingo Electric
Acho piada ao estilo do Twingo. Principalmente porque desde o seu lançamento que acho que a traseira tem qualquer coisa de Renault 5. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Simples e funcional

No interior do Renault Twingo Electric as diferenças face aos seus “irmãos” com motor de combustão são mínimas. Desta forma, o habitáculo do Twingo Electric continua a destacar-se pelo estilo simples, funcional e jovial, e ainda pela boa robustez, comprovada pela ausência de ruídos parasita.

Temos vários espaços de arrumação, um sistema de infoentretenimento simples, mas completo, e alguns detalhes gráficos como o relevo nas portas traseiras com o desenho do perfil do Twingo, que nos relembram de que este é um carro pensado para um público mais jovem.

O espaço não é referencial (nem se esperava que fosse), mas conseguimos transportar quatro adultos com razoável conforto, muito graças à elevada altura a bordo. Já a bagageira com 188 a 219 litros perde face aos 250 litros do trio do Grupo Volkswagen (Volkswagen e-UpSkoda Citigo, e SEAT Mii), mas chega para as tarefas diárias e a habitual ida às compras.

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Em cidade está como “peixe na água”

Como era “obrigatório”, os primeiros quilómetros que fiz ao volante do Twingo Electric foram no seu “habitat natural”, a cidade. Por lá o pequeno Renault sente-se como “peixe na água”, serpenteando pelo trânsito com agradável agilidade e com uma grande prontidão fruto da entrega instantânea do binário típica dos modelos elétricos.

Bagageira do Twingo com cabos de carregamento
Apesar de pequena, a bagageira não perdeu capacidade face às versões com motor de combustão. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel
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Estacioná-lo é facílimo (até tem câmara de marcha-atrás), a visibilidade para o exterior é boa (a posição de condução elevada ajuda bastante) e o raio de viragem mínimo (9,1 m para dar uma volta completa de 360º entre muros, ou 8,6 m entre passeios) permite-nos inverter o sentido de marcha nas ruelas mais estreitas.

Menos positivo é o conforto em mau piso. Aí, a afinação algo “seca” da suspensão (que passa dividendos na dinâmica) faz-se sentir, e o pequeno Twingo Electric não esconde que prefere andar pelas avenidas bem asfaltadas em vez das esburacadas ruelas lisboetas.

bancos traseiros
Atrás é possível dois adultos viajarem com algum conforto. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Para fora da zona de conforto

Depois de ter andado alguns quilómetros em cidade e de aí ter gasto cerca de 25% da bateria do Twingo Electric, decidi que era altura de o tirar do seu habitat e levá-lo para longe da sua zona de conforto.

O que estava no “menu”? Uma viagem de cerca de 90 km até à vila de Coruche, num percurso por autoestrada e estradas nacionais. Afinal de contas, não é por um modelo ser pensado para a cidade que deixa de poder fazer viagens mais longas.

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Devo admitir que nos primeiros quilómetros não foi apenas o Twingo Electric que andou fora da sua zona de conforto, eu também o fiz. É que para manter um ritmo aceitável, os consumos que até então tinham andado pelos 10-12 kWh/100 km em cidade, subiram para a casa dos 16 kWh/100 km, valor idêntico ao oficialmente anunciado.

A autonomia prevista também ia descendo (começou nos 170 km) e o gráfico que me dizia até onde podia chegar com a carga que tinha estava a decrescer insistentemente. Resumindo, estava a sentir na pele a infame “ansiedade da autonomia”.

Contudo, graças a equipamentos como o cruise control (quem diria que os citadinos o haviam de ter?) e a uma gestão das baterias que comprova a experiência acumulada pela Renault, a verdade é que os quilómetros foram passando e o receio de não chegar a casa foi ficando para trás.

Renault Twingo Electric
Apesar de não ter o aspeto mais sofisticado do Honda E, o Renault Twingo Electric continua a contar com um visual atual e tem a seu favor um preço (muito) inferior. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Estável em autoestrada, o Twingo Electric nem se negou a algumas ultrapassagens, mesmo no regrado e zen modo “Eco”, que nos diminui a velocidade máxima e a capacidade de aceleração.

A ajudar a “esticar” a autonomia temos ainda três níveis de recuperação de energia através da travagem regenerativa (B1, B2 e B3) e apesar de a diferença entre eles ser pequena, a verdade é que cumprem com a sua função.

Já nas curvas não espere grande diversão ao volante do Twingo Electric. Apesar de ser um “tudo atrás” e de até contar com um centro de gravidade mais baixo e uma suspensão que contém bem os movimentos da carroçaria, o controlo de estabilidade faz-se sentir frequentemente a sua presença e a eficácia e segurança sobrepõem-se ao divertimento ao volante.

Renault Twingo Electric © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel
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Carregamentos seguros

É verdade que quando cheguei ao meu destino tive de o recarregar, mas não é menos verdade que num posto público esse carregamento até é rápido (num carregador de 11 kW, demora 3h15min e num carregador rápido de 22 kW demora 1h30min).

Aliás, ainda acerca do carregamento, o Twingo Electric tem uma funcionalidade curiosa. Quando é ligado a uma tomada doméstica este “avalia” a instalação elétrica e se detetar que há o risco de sobreaquecimento simplesmente não carrega, assegurando dessa forma a segurança da instalação elétrica e da casa à qual foi ligado.

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É o carro certo para si?

Se os seus percursos se fazem, maioritariamente em cidade, o Renault Twingo Electric é, muito provavelmente, uma das melhores opções.

Pequeno e ágil, conta com um preço acessível no universo dos elétricos e um nível de equipamento bastante aceitável para o segmento. Além disso, ao contrário do seu “primo” alemão, não teme em demasia as autoestradas e as vias suburbanas.

É um estradista nato? Não, nem é esse o seu objetivo. Contudo, é agradável confirmar que até com os elétricos mais acessíveis do mercado podemos começar a “alargar horizontes” e ir para lá das “muralhas urbanas”.

Preço

unidade ensaiada

23.900

Versão base: €23.200

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: Motor elétrico
    • Posição: Traseira transversal
    • Carregamento: Bateria de iões de lítio com 21,4 kWh
    • Potência: 82 cv (60 kW) entre as 3590-11450 rpm
    • Binário: 160 Nm entre as 500-3950 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Traseira
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora de uma velocidade com marcha atrás
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 3615 mm / 1646 mm / 1557 mm
    • Distância entre os eixos: 2492 mm
    • Bagageira: 188 a 219 litros
    • Jantes / Pneus: FR: 185/50 R16; TR: 205/45 R16
    • Peso: 1135 kg (EU)
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 16 kWh/100 km
    • Emissões de CO2: 0 g/km
    • Vel. máxima: 135 km/h (eletronicamente limitada)
    • Aceleração: 12,9s
  • Garantias
    • Mecânica: 8 anos ou 160 000 km (bateria)
  • Equipamento
    • Sistema de ajuda ao estacionamento traseiro com câmara de marcha-atrás
    • Regulador de velocidade
    • Kit de reparação dos pneus
    • Elevadores elétricos dos vidros dianteiros com função de impulso do lado do condutor
    • Retrovisores exteriores elétricos com desembaciamento
    • Volante em couro
    • Arrumação sob os bancos traseiros
    • Banco cond. regulável em altura + Banco passageiro rebatível p/posição mesa "one touch"
    • Consola central aberta com entradas USB
    • Comandos do rádio no volante
    • Aileron traseiro aerodinâmico
    • Carregador carga rápida 22KW
    • Sistema de assistência à travagem de urgência
    • Alerta de esquecimento do cinto de segurança (condutor e passageiro)
    • Faróis dianteiros diurnos com tecnologia LED
    • Computador de bordo
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Ar condicionado automático
    • Bancos traseiros com funcionalidade 50/50
    • Easy Link 7" com navegação
    • Vidros traseiros sobreescurecidos
    • Alerta sonoro para peões
    • Cabo de carregamento modo 3
Extras
Cabo ocasional Flexicharger — 600€; Personalização interior colorida — 100€.
Avaliação
7 / 10
No final de contas, o Renault Twingo Electric oferece bem mais do que um preço acessível. No fundo o que este faz é permitir uma entrada no "mundo dos elétricos" por um preço justo e sem nos "confinar" exclusivamente ao meio urbano. Capaz de carregamentos mais rápidos que alguns dos rivais e com uma autonomia que, bem gerida, vai acima dos tais 190 km anunciados em ciclo misto, o Twingo Electric prova que, se calhar, a Renault fez bem em esperar mais um pouco para lançar a sua versão elétrica do projeto feito "a meias" com a Daimler.
  • Carregamento flexível e rápido (AC)
  • Gestão das baterias
  • Agilidade em meio urbano
  • Equipamento
  • Preço
  • Suspensão dura em maus pisos
  • Bagageira pequena
  • Sem carregamento DC (corrente contínua)
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