Crossover e 100% elétrico. Teste ao Renault Mégane E-Tech Electric

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Crossover e 100% elétrico. Teste ao Renault Mégane E-Tech Electric

Só chega ao mercado português em setembro, mas nós já o conduzimos, na versão EV60. Eis o novo Renault Mégane E-Tech Electric.

Em Marbella, Espanha

A Renault tem um importante plano de renovação em marcha e o Mégane E-Tech Electric é uma das caras que melhor identifica essa mudança.

Há cerca de sete meses fomos conhecê-lo, em primeira mão, a Paris, onde pudemos ver pela primeira vez ao vivo as linhas deste novo modelo 100% elétrico da marca francesa.

Agora, chegou finalmente a hora de o conduzirmos, com o sul de Espanha a servir de pano de fundo a este primeiro teste, que permitiu apurar os argumentos que este Mégane elétrico tem para oferecer.

Um hatchback… crossover?

A Renault descreve-o como sendo um hatchback, mas as suas proporções e linhas atiram-no de imediato para o território (cada vez mais povoado) dos crossovers.

Face ao Renault Mégane atual (o de motor de combustão interna) é 6,2 cm mais alto, 14,9 cm mais curto e 3,4 cm mais estreito. Já a distância entre eixos cresceu 3,0 cm, com as rodas a aproximarem-se bastante dos extremos da carroçaria.

renault mégane e-tech electric frente

E isso também tem um impacto do ponto de vista visual, com este Renault Mégane E-Tech Electric a apresentar-se com uma imagem musculada que lhe vale uma boa presença em estrada.

Interior evoluiu bem

Mas se a imagem exterior não vai passar certamente indiferente, é o desenho do interior que mais me agradou neste primeiro contacto com o Mégane E-Tech Electric, que evoluiu (a meu ver) no caminho certo face às propostas anteriores da marca do losango.

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E aqui, grande parte da responsabilidade é da digitalização, mais concretamente da dupla de ecrãs montada à frente do condutor, que contribuem muito para enriquecer a experiência ao volante deste elétrico.

interior renault mºégane e-tech electric

Destaco particularmente o ecrã multimédia central, do tipo tablet, que equipa um sistema operativo Android, com vários serviços nativos da Google. E aqui, de destacar também o facto de ser compatível com dispositivos Apple, que podem ser ligados com ou sem cabo.

E o espaço?

Nos bancos traseiros, o espaço para as pernas e para os joelhos é satisfatório, mas é difícil colocar os pés debaixo dos bancos dianteiros e o espaço para a cabeça não abunda, (muito) longe disso.

renault megane e-tech electric banco traseiro

Quanto à bagageira, tem um valor de referência neste segmento: são 440 litros de capacidade, mais 22 litros debaixo do piso, que podem ser usados, por exemplo, para armazenar os cabos de carregamento.

Mas apesar do espaço, o piso é algo fundo, o que dificulta um pouco a nossa missão na hora de colocar e tirar objetos mais pesados.

bagageira renault megane e-tech electric

E na estrada, convence?

Neste primeiro contacto ao volante do Mégane E-Tech Electric só tive oportunidade de conduzir a versão mais potente — 220 cv e 300 Nm — e com a bateria de maior capacidade (60 kWh).

Capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 7,4s, este Mégane E-Tech Electric só é superado neste registo pelo Mégane R.S.. Mas mais importante ainda é a forma como tudo isto se traduz na estrada, com este elétrico a mostrar bastante mais «garra» do que aquilo que estava à espera.

Com uma direção algo leve, mas muito direta e com uma afinação da suspensão firme, este Mégane E-Tech Electric deixa para trás as curvas com muita facilidade, exibindo sempre um comportamento muito previsível e controlando sempre bem todos os movimentos da carroçaria.

RENAULT megane e-tech electric
As estradas de montanha nos arredores de Marbella foram um excelente teste às capacidades dinâmicas deste elétrico…

E mesmo quando subi o ritmo, nunca detetei grandes perdas de tração por parte do eixo dianteiro, que lida sempre eficazmente com os cerca de 300 Nm que recebe por parte desta mecânica elétrica.

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A experiência ao volante deste elétrico é, diria eu, surpreendentemente envolvente, com este Mégane E-Tech Electric a corresponder bem ao que Luca de Meo, o «patrão» da Renault, tinha prometido. Recorde-se que o italiano tinha dito que este modelo seria uma espécie de GTI dos elétricos.

Nota positiva para o isolamento

Os técnicos da marca francesa garantem que perderam muito tempo a encontrar soluções que permitissem reforçar o silêncio a bordo e diminuíssem os ruídos gerados pelo rolamento.

Renault Megane E-Tech Electric
Mesmo com pneus de baixo perfil e jantes de 20”, os ruídos de rolamento e também os aerodinâmicos raramente chegam a incomodar dentro do habitáculo. O trabalho de isolamento merece nota positiva.

Uma atenção que se nota ao volante, mesmo que a unidade testada calçasse pneus de baixo perfil e jantes de 20”, que tal como sempre acontece, penalizam um pouco mais o conforto.

E aqui, importa falar novamente da suspensão, que é bem mais firme do que eu tinha antecipado, fazendo com que este Mégane E-Tech Electric possa ser ligeiramente menos confortável do que muitos esperam de uma proposta da marca de Boulogne-Billancourt. Acredito que as mais pequenas jantes de 18” possam atenuar isso.

Bons consumos e boa autonomia

A Renault tinha prometido uma boa eficiência energética e a verdade é que os consumos que fizemos neste primeiro teste estão em linha com aquilo que a marca francesa reivindica.

Na primeira fase deste contacto, num ambiente urbano e sempre com registos mais contidos, a média registada andou em torno dos 12,5 kWh/100 km. Depois seguiu-se um troço de auto estrada, onde os consumos subiram para perto dos 20 kWh/100 km.

renault megane e-tech electric

Mas o que mais me surpreendeu foi mesmo o facto de nunca termos ultrapassado a marca dos 17 kWh/100 km quando andámos a «apalpar» as capacidades dinâmicas deste modelo, que nesta configuração de motor e bateria pode chegar aos 470 km (ciclo WLTP) de autonomia máxima.

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E os carregamentos?

O EV60 permite até 130 kW em corrente contínua (DC) e pode carregar em corrente alternada (AC) a uma velocidade de até 22 kW. Os tempos de carregamento podem demorar:

  • 31 horas a 2,3 kW numa tomada doméstica;
  • 19 horas a 3,7 kW numa wallbox);
  • 5h15min a 11 kW;
  • 2h30min a 22 kW;
  • 33min a 130 kW (corrente contínua) para uma carga de 10% a 80%.
renault megane e-tech electric

Já a versão EV40 só suporta carregamentos em corrente contínua (DC) de até 85 kW. Comum a estas duas baterias é o facto de ambas contarem com uma garantia de fábrica de oito anos (para 70% do seu conteúdo energético).

Quando chega e quanto custa?

O novo Renault Mégane E-Tech Electric já pode ser encomendado, mas as primeiras unidades só vão chegar ao mercado português no próximo mês de setembro.

Os preços começam nos 35 200 euros para a versão com uma potência equivalente a 130 cv e com bateria de 40 kWh e nos 43 200 euros para a variante mais potente e com bateria de maior capacidade.

Primeiras impressões

8 / 10
A Renault não tem qualquer problema em afirmar que este Mégane E-Tech Electric tem a «mira» apontada ao Volkswagen ID.3. E a verdade é que depois deste primeiro contacto existem dois campos onde para mim é inequívoca a vitória do modelo francês: comportamento dinâmico e interior, sendo que neste último a diferença ao nível da oferta tecnológica é gigante. A somar a isto, a imagem distinta e elegante é um importante argumento a favor do Mégane, que peca sobretudo por ser algo acanhado ao nível dos bancos traseiros.

  • Comportamento dinâmico

  • Imagem exterior

  • Dupla de ecrãs e sistema operativo Google

  • Eficiência energética

  • Espaço para a cabeça nos bancos traseiros

  • Piso algo fundo da bagageira

  • Suspensão bastante firme

Preço

35.200

Data de comercialização: Setembro 2022


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