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Chega no início de 2022

Estivemos com o novo Opel Astra L e já o conduzimos

Conheçam ao pormenor o novo Opel Astra L depois de termos feito, em exclusivo nacional, os primeiros quilómetros numa versão híbrida plug-in ainda camuflada.

Em Rüsselsheim, Alemanha

O novo Opel Astra L está perto de chegar a Portugal com o chassis, motores e grande parte da tecnologia do ex-Grupo PSA, agora Stellantis, que há quatro anos comprou a marca alemã e a devolveu aos lucros.

A Opel tem uma longa tradição em automóveis compactos. O primeiro Kadett foi apresentado em 1936, tendo depois mudado de nome em 1991, para Astra, tal como o conhecemos ainda hoje.

Com vendas acumuladas de cerca de 15 milhões de unidades desde então, a sexta geração do modelo que sempre sonhou, em vão, destronar o Volkswagen Golf do topo do ranking de vendas na Europa, está prestes a chegar, com um total corte com o passado recente.

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Opel Astra L

Isto porque é o primeiro Astra que deixa a base técnica da General Motors e passa a usar a mesma base mecânica do novo Peugeot 308 (com a plataforma EMP2), que ainda este ano começará a circular nas nossas estradas.

O Opel Astra L será também o último desta saga iniciada em 1991 (quando o primeiro Astra substituiu o Kadett) a usar motores de combustão — a Opel será 100% elétrica a partir de 2028. Outra das grandes inovações são as motorizações híbridas plug-in, que este modelo compacto da marca alemã nunca antes teve. Mas vamos por partes.

Novo design

Esteticamente voltamos a encontrar o rosto Vizor que o chefe de estilo da Opel, Mark Adams, traçou para os novos Opel (“inspirado no meu Opel preferido de todos os tempos, o Manta”, como nos confessa), a começar pelo Mokka, que estreou essa dianteira que parece tapada pela máscara do Zorro (a união negra das óticas dianteiras e da grelha).

Opel Astra L

Sobressaem igualmente o pilar traseiro muito inclinado para a frente, a largura ampliada, tal como a distância entre eixos (em 1,3 cm) e o comprimento total da carroçaria, que cresceu marginalmente (0,4 cm).

Opel Astra L

Por outro lado, a via dianteira foi alargada em 5,1 cm e a altura do carro reduzida em 1,5 cm (para 1,47 m), uma combinação que aponta para uma diminuição do rolamento da carroçaria em andamento. O ligeiro incremento de proporções contribuiu para o aumento do volume da bagageira, de 370 l para 422 l.

O último Astra que deita fumo

A Opel irá fabricar apenas carros 100% elétricos na Europa a partir de 2028 (muito antes disso, já dentro de três anos, toda a sua gama terá, pelo menos, uma variante eletrificada, leia-se,  híbridos plug-in e elétricos).

Opel Astra L

Dito de outra forma, significa que os motores todos os de combustão “descansarão em paz” dentro de sete anos e que o sucessor deste novo Astra não terá qualquer versão com tubos de escape. No caso deste Astra L que aqui lhe apresentamos, a sua versão 100% elétrica surge no princípio de 2023, um ano depois do início de comercialização das demais motorizações.

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Percebe-se, por isso, que não haja grande investimento dos responsáveis da Opel em motorizações térmicas com prazo de validade demasiado curto e isso explica porque razão apenas haverá unidades de três cilindros a gasolina sobrealimentadas de 1.2 litros (com 110 cv e 130 cv) na oferta a gasolina, o que será escasso para combater na faixa alta da gama o que propõem rivais de peso como o Volkswagen Golf (GTI, R….) e o Ford Focus (ST).

Opel Astra L

Nada de versões OPC, portanto, caixa automática só de conversor de binário de oito velocidades (que em utilização quotidiana até é superior a muitas de dupla embraiagem, com estas a serem mais rápidas em versões desportivas que… não vão existir), nem sinais de tração às quatro rodas, nem de amortecedores eletrónicos variáveis, a que “nem” o primogénito 308 teve direito.

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No lado do Diesel o motor de quatro cilindros e 1.5 litros que conhecemos bem nos Peugeot e Opel (entre outros) de hoje vai manter-se em funções, porque ainda haverá alguma procura no mercado europeu, unicamente com 130 cv e duas opções de transmissão: manual de seis velocidades ou automática de oito velocidades.

Híbridos plug-in pela primeira vez

É também o primeiro Astra que conta com variantes híbridas plug-in, que juntam o conhecido motor a gasolina de 1.6 litros turbo com 150 cv ou 180 cv e 250 Nm, a um motor elétrico no eixo dianteiro, com potência de 110 cv e binário 320 Nm, para dois níveis de rendimento máximo, de 180 cv e 225 cv.

Opel Astra L porta carregamento

A bateria de iões de lítio tem uma capacidade de 12,4 kWh. Na inevitável comparação com o carro historicamente mais vendido no segmento e na Europa — o Golf — uma vez mais o Astra fica aquém do rival, que dispõe também de duas versões plug-in, mas com 204 cv e 245 cv.

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Porventura mais relevante — e nivelada — é a autonomia do novo Opel Astra L de 60 km em modo puramente elétrico, apenas marginalmente menos do que a prometida pelos Golf, que varia entre os 63 km (245 cv) e os 71 km (204 cv).

Opel Astra L Hybrid

O consumo de gasolina poderá ficar abaixo dos 2 l/100 km (desde que o carro seja guiado com a bateria com carga e em trajetos até à centena de quilómetros) e o facto de a motorização a gasolina perder protagonismo na responsabilidade de fazer andar o carro, levou a que o depósito de combustível tivesse sido reduzido de 52 l para 40 l (o que também ajudou a dilatar o volume do porta-bagagens).

Interior “limpo” e digital

Já depois da experiência ao volante do Astra L de 2022, ainda como protótipo de testes e camuflado (que podem ver mais abaixo), tive oportunidade de me sentar numa versão final, idêntica às que vão chegar às concessões da Opel no início do ano que vem.

Joaquim Oliveira no interior do Opel Astra

O interior é muito “clean” (limpo), com muito menos comandos físicos do que na anterior geração, ainda assim os mais importantes para um mais rápido e direto acesso por parte dos utilizadores. A instrumentação é digital e configurável, tal como o ecrã central de infoentretenimento, estando ambos (de 10” cada) harmoniosamente integrados debaixo da mesma pala (com construção robusta e de aspeto premium) e direcionados para o condutor. 

Por falar no condutor, este terá a ajuda de vários sistemas de assistência à condução e um avançado sistema de iluminação (Led Pixel com 168 elementos) inteligente, que a Opel usa no topo de gama Insignia.

Os materiais na parte superior e intermédia do tablier são de toque suave e com aspeto de resistirem muito bem aos ruídos parasitas, o espaço na segunda fila de bancos é amplo em comprimento e altura, deixando quatro dedos de área livre por cima da cabeça deste passageiro traseiro. Há saídas de ventilação diretas para trás e a intrusão no piso, ao centro da fila posterior, é mínima.

Os engenheiros da Opel têm particular orgulho nos bancos que dizem ser especialmente confortáveis e que podem ser regulados eletricamente e dispor de funções de massagem e de refrigeração, o que continua a ser invulgar nesta classe.

Ao volante do Astra L híbrido plug-in de 180 cv

Começamos por apreciar o silêncio de rolamento em modo totalmente elétrico, mas mesmo quando o motor a gasolina é ligado o ruído de fundo continua bastante baixo graças ao vidro laminado utilizado no para-brisas e às janelas laterais de maior espessura.

Opel Astra L protótipo

A suavidade da motorização é tal que as transições entre condução híbrida e elétrica são muito suaves e totalmente impercetíveis, mas tal como nas aplicações idênticas nos Peugeot e Citroën, a mudança de modo de condução demora tempo.

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Não obstante o peso adicional dos componentes elétricos (especialmente a bateria), o conforto de rolamento é de bom nível e mesmo com a ajuda da superior largura existe alguma tendência para a carroçaria adornar em curva, sendo esse um dos pontos em que os engenheiros que estão a afinar o chassis continuam a trabalhar nesta reta final de desenvolvimento dinâmico.  A direção é outro dos aspetos com margem de progressão, podendo tornar-se mais comunicativa, especialmente no ponto central.

Opel Astra L protótipo

Andreas Holl, um dos responsáveis deste trabalho de apuro dinâmico do novo Opel Astra, explica que “o novo Astra tem uma carroçaria 14% mais rígida do que a do seu antecessor e tem os componentes de chassis com rigidez transversal aumentada para que, partindo de uma boa base técnica, fosse possível dotá-lo um caráter de comportamento tipicamente Opel”.

E o certo é que, mesmo não estando ainda esta etapa de acerto do chassis concluída (cerca de 80% do trabalho está feito, mas o carro apenas chegará aos concessionários em janeiro de 2022), o Astra L já se mostra mais competente em estrada do que o seu antecessor.

Opel Astra L protótipo

Quando chega?

A coisa promete quando o trabalho de Holl e da sua equipa estiver concluído, para que o início de produção na fábrica de Rüsselsheim aconteça em dezembro e as entregas aos primeiros clientes ocorra a partir de janeiro.

Na Alemanha a versão mais acessível (1.2 turbo, três cilindros, 110 cv e caixa manual de seis velocidades) começa nos 22 500 euros, sendo de esperar um valor na ordem dos 25 500 euros em Portugal, enquanto os híbridos plug-in se projetam para preços a começar acima dos 40 000 euros.

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.

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