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Mobilidade elétrica

Grupo Renault: “O Renault 5 elétrico será tão ou mais lucrativo que o Clio”

Numa mesa redonda a convite da Renault, ficámos a conhecer em mais detalhe como se fará a eletrificação no grupo automóvel francês nos próximos anos.

No passado dia 30 de junho, o Groupe Renault, através do seu diretor executivo Luca de Meo, apresentou a estratégia eWays que se traduz nos planos de eletrificação do grupo. Por exemplo, nesse dia ficámos a saber que até 2025 serão lançados 10 novos modelos elétricos entre todas as marcas do grupo.

Agora tivemos oportunidade de detalhar o lado mais técnico desse plano, numa mesa redonda com alguns responsáveis do Groupe Renault, como Philippe Brunet, diretor dos grupos de cadeias cinemáticas de combustão e elétricos no Groupe Renault.

Ficámos a saber mais sobre os motores e as baterias, as novas plataformas exclusivas para elétricos e a promessa de ganhos em eficiência e rentabilidade, que farão de carros como o futuro Renault 5, exclusivamente elétrico, a lançar em 2024, uma proposta mais rentável para o construtor que um Clio a combustão.

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Renault 5 e Renault 5 Prototype GREG

Baterias, o “elefante na sala”

Mas para isso acontecer há que lidar com o “elefante na sala” nesta mudança para a mobilidade elétrica: as baterias. São elas e continuarão a ser elas (durante muitos anos) que mais dores de cabeça darão aos responsáveis das marcas, como na Renault, na sua eletrificação: têm de baixar de preço ao mesmo tempo que é crítico aumentar a sua densidade energética, até para ocuparem menos espaço e pesarem menos nos automóveis que conduzimos.

Há um delicado equilíbrio a alcançar entre custo e eficiência, e nesse sentido, o Groupe Renault decidiu optar por baterias com células de química NMC (Níquel, Manganês e Cobalto) que permitem ainda variar as quantidades de cada um dos metais envolvidos.

Renault CMF-EV
A plataforma CMF-EV, específica para elétricos, será estreada pelo Mégane E-Tech Electric e pelo “primo” da Aliança, o Nissan Ariya.

E isto é importante para garantir um preço por kWh inferior, sobretudo quando nos referimos a um dos “ingredientes”, o cobalto. Não só o seu custo é bastante elevado e continua a subir devido à enorme procura que conhece, como também há implicações geopolíticas a considerar.

Atualmente as baterias usadas nos elétricos do Groupe Renault, como o Zoe, têm 20% de cobalto, mas é intenção dos seus responsáveis diminuir progressivamente a quantidade desse material, como nos explica Philippe Brunet: “pretendemos atingir 10% em 2024 quando o novo Renault 5 elétrico for lançado”. Uma das razões pelas quais se espera que o Renault 5 consiga um preço 33% inferior ao do atual Zoe.

VEJAM TAMBÉM: Grupo Renault fecha duas importantes parcerias para a produção de baterias em França

O objetivo final é o de livrarem-se do cobalto das suas baterias, apontando o ano de 2028 para isso acontecer.

2 motores para quase todas as necessidades

Também no capítulo dos motores elétricos, o grupo francês procura a melhor solução entre custo e eficiência, e podemos ainda juntar a sustentabilidade ao mix. Neste capítulo, a Renault continuará a recorrer a motores do tipo Externally Excited Synchronous Motors (EESM), como já acontece no Zoe, ao invés de recorrer a um motor elétrico com imãs permanentes.

Renault Mégane E-Tech Electric
Renault Mégane E-Tech Electric

Prescindindo de motores elétricos com imãs permanentes, também deixa de ser necessário o recurso a metais de terras raras, como o neodímio, resultando num custo inferior. Além do mais, para o tipo de veículos que estão planeados (urbanos e familiares), o EESM revela ser um motor mais eficiente em cargas médias, a utilização mais comum no dia a dia.

Em termos mais concretos, ficámos a saber que a oferta de motores elétricos, tanto na Renault como na Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi — sinergias serão fundamentais para fazer face aos avultados investimentos na sua eletrificação  — resumir-se-á, essencialmente, a duas unidades que equiparão os 10 novos elétricos que chegarão progressivamente até 2025.

Renault Mégane E-Tech Electric

A primeira iremos conhecê-la no final do ano, quando o novo Mégane E-Tech Electric for revelado (apesar do nome, trata-se de um modelo 100% novo, assente sobre a nova CMF-EV uma plataforma específica para elétricos). Trata-se de um motor elétrico com 160 kW de potência, o equivalente a 217-218 cv.

Além do Mégane, o mesmo motor vai equipar o Nissan Ariya e, como ficámos a saber recentemente, também foi a unidade escolhida para o futuro hot hatch da Alpine com base no Renault 5.

Renault 5 Prototype
O utilitário do futuro — aposta na imagem e eletrificação

A segunda unidade será conhecida em 2024, quando for revelado o novo Renault 5. Trata-se de um motor mais pequeno, derivado do usado pelo Mégane, com 100 kW de potência (136 cv). Este motor será usado por todos os modelos elétricos derivados da segunda plataforma específica para elétricos do Groupe Renault, a CMF-B EV, que também será usada pelo futuro Renault 4ever.

A exceção a este plano chama-se Dacia Spring, que manterá, nos próximos anos, o seu exclusivo e pequeno motor elétrico de 33 kW (44 cv).

Mais eficiência

A conjugação das novas plataformas dedicadas, CMF-EV e CMF-B EV, os novos motores e as novas baterias deverão originar também veículos mais eficientes, com menor consumo de energia.

Philippe Brunet, novamente, exemplificou isso mesmo colocando lado a lado o atual Renault Zoe e o futuro Renault Mégane E-Tech Electric.

novo renault zoe 2020
O Renault Zoe tem sido consistentemente um dos elétricos mais vendidos na Europa.

O compacto Renault Zoe tem 100 kW (136 cv) de potência, uma bateria de 52 kWh e uma autonomia (WLTP) de 395 km. O bem maior (e crossover) Mégane E-Tech Electric foi anunciado com 160 kW (217 cv) e uma bateria de 60 kWh, pouco maior que a do Zoe, prometendo mais de 450 km de autonomia (WLTP).

Ou seja, apesar de mais volumoso, pesado e potente, o Mégane E-Tech Electric apresentará valores de consumo oficiais (kWh/100 km) abaixo dos 17,7 kWh/100 km do Zoe, sinal de uma maior eficiência.

Além do mais, a bateria do carro maior terá um custo inferior à do carro mais pequeno e a sua gestão térmica será bastante melhor (autonomia será muito menos afetada em temperaturas muito frias ou muito elevadas), e permitirá ainda carregamentos mais rápidos.

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