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Regresso da Fiat ao segmento B em 2022… Não será um novo Punto

O regresso da Fiat ao segmento B em 2022 é, talvez, a maior novidade entre as várias novidades anunciadas por Olivier François, o CEO da marca.

O segmento B na Fiat foi o mais importante para a marca durante largas décadas. Após o fim de produção do Fiat Punto em 2018, deixou de haver um representante da marca direto no segmento, naquele que é ainda o que mais volume tem no mercado europeu. Não admira que este anunciado regresso da Fiat ao segmento B em 2022 ganhe tão grande destaque.

Mas que segmento B será este que a Fiat está a preparar? Olivier François, CEO da Fiat, deixa importantes pistas em declarações efetuadas à publicação francesa L’Argus.

Lembras-te do concept Centoventi apresentado em 2019 no Salão de Genebra? Apontado como o sucessor do Panda, na realidade será mais que isso e indica o caminho concetual a seguir por uma nova família de modelos, entre as quais um segmento B.

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Na realidade, o que interpretamos das palavras de Olivier François é que, muito provavelmente, o sucessor do Fiat Panda e do Fiat Punto serão o mesmo carro — não esperes um sucessor direto para o Punto. Se bem te recordas, no final do ano passado, reportámos que a Fiat pretendia sair do segmento dos citadinos e reposicionar-se no segmento acima, onde o potencial de rentabilidade é superior.

Isso significa que o sucessor do Panda deixará de ser um citadino e crescerá em dimensões — não significa, no entanto, que se venha a chamar Panda. Esperem por um “carro minimalista, cool, agradável, mas não low cost“, como refere François. E tal como o Centoventi, esperem por um automóvel… elétrico. A ambição é grande: a Fiat quer que o “Panda do futuro” seja o modelo que democratizará os elétricos.

Fiat Panda Mild Hybrid

François dá a entender que este regresso da Fiat ao segmento B, além do “Panda do futuro”, poderá ser acompanhado por um segundo modelo para o mesmo segmento, mais longo, orientado para as famílias — algum tipo de carrinha/crossover? De momento é impossível saber.

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Panda, de modelo a uma família de modelos

Foi há alguns anos, ainda com Sergio Marchionne ao leme da FCA, que vimos ser definida uma estratégia para a marca Fiat assente em dois pilares, ou duas famílias de modelos: uma mais prática, versátil e acessível, encabeçada pelo Panda; e outra mais aspiracional, chic, focada na imagem, encabeçada pelo 500, de imagem retro.

FIAT 500X Sport
FIAT 500X Sport, a mais recente adição à gama

Se no caso do 500 vimos essa estratégia dar frutos nos 500L e 500X, no caso do Panda nada vimos. O regresso da Fiat ao segmento B com este novo Panda será o primeiro capítulo revitalizado dessa estratégia. Ou melhor, se calhar deveríamos chamar-lhe o pilar Centoventi, pois será com base nos mesmos princípios que regeram a sua concepção que veremos uma nova família de modelos, que irá do segmento B até ao segmento D.

Segmento D? Parece que sim. Olivier François referiu à L’Argus o desenvolvimento de um modelo com 4,5-4,6 m para ocupar esse espaço (um segmento D compacto nas palavras do próprio) — desde o Croma (2ª geração) ou até o Freemont, que não vemos um modelo a ocupar um posicionamento tão elevado na Fiat.

Fiat Freemont
Fiat Freemont

Entre a família 500 e esta nova família Panda/Centoventi, a médio prazo, Olivier François diz que a Fiat terá uma rejuvenescida gama com seis modelos.

500, família a crescer

Foi recentemente apresentada uma geração 100% nova e 100% elétrica do Fiat 500 — deverá chegar ao mercado em setembro — que, apesar de ter crescido em dimensões, continuará a posicionar-se no segmento A. Quando o Panda for substituído, passará a ser a única proposta do segmento A da Fiat.

Fiat 500 "la Prima" 2020
Fiat 500 “la Prima” 2020

Apesar de ser o substituto do Fiat 500, lançado em 2007 e ainda em comercialização, as duas gerações serão vendidas em paralelo nos próximos anos.

Estamos ainda a viver um período de transição entre a mobilidade a combustão e a mobilidade elétrica, e prolongar-se-á por muitos anos. Não só a tecnologia é bem mais cara, como a rapidez de adoção por parte dos mercados é variada. Seria impossível ao Novo 500 replicar o volume de vendas do seu antecessor (novo recorde em 2019, alcançando cerca de 200 mil unidades globais, e 12 anos após ter sido lançado — um fenómeno) precisamente por ser exclusivamente elétrico.

Mas é ambição da Fiat que o elétrico Novo 500 possa, no futuro, ser o único a ser comercializado. Para ajudar a essa transição, a primeira geração viu-se também ela parcialmente eletrificada, com a chegada de uma versão mild-hybrid 12 V, associada também à introdução de um novo motor de combustão, o 1.0 Firefly de três cilindros.

Os outros membros da família terão destinos distintos. O 500X, um B-SUV, terá um sucessor e será diferenciado dum “possível SUV da família Centoventi” — talvez a pista mais clara do que será o segundo modelo que marca o regresso da Fiat ao segmento B. Quanto ao 500L, é intenção de Olivier François haver um sucessor, mas com algo que não seja um MPV — por enquanto, manter-se-á em comercialização.

Fiat 500
Fiat 500

E o Tipo?

Após a sua sucessão estar em risco com Sergio Marchionne, o Tipo verá a sua vida prolongada — não é um best seller, mas sem dúvida que teve uma muito boa carreira comercial. Está previsto, ainda com revelação este ano, um restyling ao modelo e novas motorizações — motores Firefly 1.0 Turbo, como já vimos no 500X, possivelmente com opção mild-hybrid. Fala-se que possa surgir até uma versão crossover do mesmo, em moldes semelhantes às versões Active do Ford Focus.

Fiat Tipo
Fiat Tipo

Mas parece que não se ficará pelo restyling, com o seu sucessor — algures para 2023-24 — a ser integrado na família Panda/Centoventi, pelo que será um modelo concetualmente distinto do Tipo que agora conhecemos — com tiques de crossover, como o Centoventi, e com interior mais versátil. Fica por saber se também será exclusivamente elétrico ou se, por outro lado, continuará a oferecer motores de combustão interna.

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Fusão com PSA

Após anos de estagnação, vê-se, finalmente, alguma agitação por parte da Fiat, e não podia vir de melhor fonte que não o CEO da marca. No entanto, nas suas declarações, Olivier François nunca referiu nada em relação à futura fusão com o Grupo PSA. As negociações ainda decorrem, com ambas as partes interessadas num acordo o quanto antes, até para melhor poderem lidar, em conjunto, com os efeitos da pandemia na economia.

Até que ponto a concretização destes planos se manterão após a fusão, ainda é demasiado cedo para dizer.

Fonte: L’Argus.


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