Desde 40 594 euros

Testámos o novo Toyota Prius AWD-i. O pioneiro dos híbridos ainda faz sentido?

Acompanhado por várias propostas híbridas na gama Toyota, o Prius recebeu um restyling e agora conta com tração integral. Mas será que ainda faz sentido?

Corria o ano de 1997 quando a Toyota teve a ousadia de passar para um carro de produção uma tecnologia que há muito se testava em protótipos. O resultado foi o Toyota Prius, o primeiro híbrido de produção em série e um modelo que lançou as bases para a eletrificação da indústria automóvel numa altura em que… ninguém falava do assunto.

Volvidos 20 anos, o Toyota Prius vai na sua quarta geração e com um visual tão controverso como na primeira. O que mudou também (e muito) foi o panorama da indústria automóvel durante este período de tempo e a concorrência ao pioneiro não podia ser mais feroz.

E ela vem, sobretudo, de dentro de casa — já contaram o número de modelos híbridos que a Toyota tem para oferecer em 2020? Apenas o Aygo, GT86, Supra, Hilux e Land Cruiser não contam com uma versão híbrida.

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Toyota Prius AWD-i © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A questão que colocamos é: será que faz sentido o pioneiro dos híbridos ainda existir? Aproveitando o restyling recentemente recebido e a novidade de agora poder ter tração integral, pusemos à prova o Toyota Prius AWD-i.

No interior do Toyota Prius

Tal como acontece no exterior, o interior do Prius é típico de um… Prius. Seja pelo painel de instrumentos digital central, que se revela bastante completo, mas exige um considerável tempo de habituação; até ao facto de o travão de mão ser acionado com o pé, tudo no interior do Prius não poderia ser mais… japonês.

Por falar nisso, também a qualidade segue a bitola nipónica, com o Prius a contar com uma assinalável robustez. Ainda assim, não posso deixar de considerar que a escolha dos materiais usados no interior do seu irmão, o Corolla, foi um pouco mais feliz.

Toyota Prius AWD-i © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quanto ao sistema de infotainment, este tem as mesmas qualidades (e defeitos) normalmente reconhecidos aos sistemas usados pela Toyota. Fácil de utilizar (as teclas de atalho ajudam neste aspeto) e bastante completo. Peca apenas por contar com um visual datado face àquilo que a maior parte dos concorrentes apresenta.

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Já ao nível do espaço, o Prius tira proveito da plataforma TNGA (a mesma do Corolla e do RAV4) para oferecer boas cotas de habitabilidade. Assim sendo, contamos com uma bagageira generosa, com 502 litros de capacidade, e espaço mais que suficiente para quatro adultos viajarem com conforto.

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Ao volante do Toyota Prius

Tal como te disse, o Toyota Prius recorre à mesma plataforma que o Corolla (aliás, foi o Prius que a estreou). Ora, só esse simples facto garante ao híbrido da Toyota um comportamento competente e até divertido, principalmente quando temos em conta que o Prius tem como principal objetivo a eficiência e a economia.

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Toyota Prius AWD-i
Apesar de ser bastante completo, o painel de instrumentos do Toyota Prius exige algum tempo de habituação. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A direção é direta e comunicativa e o chassis responde bem às solicitações do condutor. Ainda assim, nota-se um acerto mais focado no conforto face ao Corolla. Já o sistema de tração integral, revela uma atuação rápida e eficaz.

Quanto às prestações, os 122 cv de potência combinada impulsionam o Prius com agradável celeridade na maioria das situações, principalmente se escolhermos o modo de condução “Sport”.

Toyota Prius AWD-i © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Como é óbvio, é impossível falar do Prius sem mencionar o seu sistema híbrido, a sua razão de ser. Bastante suave, este privilegia o modo elétrico. Tal como no Corolla, também no Prius o trabalho feito pela Toyota no campo do refinamento é notável, permitindo reduzir consideravelmente o incómodo que habitualmente associamos à caixa CVT .

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Toyota Prius AWD-i
Com 502 litros de capacidade, a bagageira do Prius faz inveja a algumas carrinhas. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Por fim, no que diz respeito aos consumos, o Prius não deixa créditos por mãos alheias, fazendo um muito bom uso do seu sistema híbrido para conseguir excelentes resultados.

Ao longo do teste, e numa condução despreocupada e com um considerável uso do modo “Sport” estes ficaram-se pelos 5 l/100 km. Já com o modo “Eco” ativo, consegui médias tão baixas como 3,9 l/100 km em estrada nacional e 4,7 l/100 km em cidade, contando para tal com um considerável uso do modo elétrico.

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É o carro certo para mim?

Comecei este texto com a pergunta “será que o Prius ainda faz sentido?” e, ao final de alguns dias ao volante do modelo nipónico a verdade é que não te consigo dar uma resposta concreta.

Por um lado, o ícone híbrido que é o Toyota Prius está hoje melhor que nunca. O sistema híbrido é o espelho de mais de 20 anos de desenvolvimento e impressiona pela suavidade e eficácia, o comportamento dinâmico surpreende e os consumos continuam a ser notáveis.

Mantém um design e estilo nada consensual — uma das suas imagens de marca —, mas continua a ser imensamente eficaz ao nível aerodinâmico. É (muito) económico, espaçoso, bem equipado e confortável, pelo que o Prius continua a ser uma opção a ter em conta.

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Por outro lado, ao contrário do que acontecia em 1997, hoje o Prius tem muito mais concorrência, sobretudo interna, como referimos. Objetivamente, é impossível não referir aquele que considero o seu o maior rival interno, o Corolla.

Disponibiliza a mesma motorização híbrida 1.8 de 122 cv do Prius, só que por um preço de aquisição inferior, mesmo quando a escolha recai na Corolla Touring Sports Exclusive, a carrinha da gama com o nível mais elevado de equipamento. Porquê a carrinha? A capacidade da bagageira é ainda maior (598 l).

É verdade que o Prius lidera ainda em eficiência absoluta, mas será que justifica os quase três mil euros a mais (versão standard, com duas rodas motrizes) para o Corolla?

O novo Toyota Prius AWD-i adiciona ainda a tração integral, o que acarreta um aumento ainda considerável relativamente ao Prius de duas rodas motrizes, pelo menos nesta versão Premium — o seu preço é de 40 594 euros. Uma opção a ter em conta para alguns, não duvidamos, mas desnecessária para um uso urbano/suburbano, que é onde encontramos a maioria dos Prius.

Preço

unidade ensaiada

40.594

Versão base: €40.594

IUC: €205

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1798 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção Electrónica
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: Combinada: 122 cv (motor de combustão — 98 cv; motor elétrico dianteiro — 72 cv; motor elétrico traseiro — 7 cv)
    • Binário: 142 Nm às 3600 rpm (motor de combustão); 163 Nm (motor elétrico dianteiro); 570 Nm (motor elétrico traseiro)
  • Transmissão
    • Tracção: Integral, sistema AWD-i
    • Caixa de velocidades: e-CVT (Transmissão Variável Contínua Controlada Eletronicamente)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4575 mm / 1760 mm / 1475 mm
    • Distância entre os eixos: 2700 mm
    • Bagageira: 502 litros
    • Jantes / Pneus: 195/65 R15
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,4 l/100 km
    • Emissões de CO2: 99 g/km
    • Vel. máxima: 180 km/h
    • Aceleração: 10,9s
  • Equipamento
    • Ar condicionado automático dual
    • Carregador sem fios para smartphone
    • Cruise control adaptativo e limitador de velocidade
    • Espelhos retrovisores exteriores aquecidos
    • Sensor de luz/chuva
    • Bancos dianteiros aquecidos
    • Faróis em LED e óticas traseiras em LED
    • Head-Up Display
    • Sistema de som JBL com 10 colunas
    • Luzes de máximos automáticas
    • Sistema inteligente de ajuda ao estacionamento
    • Bancos em pele
    • Ecrã TFT de 4.2" e painel de instrumentos digital TFT de 4,2''
    • Volante em pele
    • Bluetooth
    • Sistema de navegação
    • Alerta do ângulo morto
    • Aviso de saída de faixa de rodagem com assistência na direção
    • Controlo de assistência ao arranque em subida
    • Deteção traseira de aproximação de veículos
    • Reconhecimento de sinais de trânsito
    • Tomada de 12V dianteira e traseira
Avaliação
7 / 10
Tenho de admitir que gosto do Toyota Prius. É verdade que na gama da Toyota há propostas com a mesma potência, o mesmo sistema híbrido e até com um visual mais consensual, no entanto o Prius continua a ter argumentos, isto apesar da forte concorrência interna. Bem equipado, confortável, económico e com um comportamento dinâmico competente, o Prius é uma opção a ter em conta. Quanto a esta versão com tração integral, apesar de o sistema não merecer quaisquer críticas, só faz sentido para quem circule em zonas com neve ou fraca aderência, sendo que nas restantes situações mais vale poupar algum dinheiro e optar pelo Prius com tração dianteira.
  • Conforto
  • Consumos
  • Comportamento
  • Grafismo do sistema de infotainment
  • Estética pouco consensual
  • Painel de instrumentos exige algum tempo de habituação
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Qual é a potência do Toyota GR Yaris?
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