Desde 38 790 euros

Ao volante do novo Toyota RAV4, o SUV 100% híbrido

A quinta geração do popular SUV japonês chega a Portugal esta semana. O primeiro contacto com o novo Toyota RAV4, nesta geração, apenas em híbrido.

Em Callús, Barcelona, Espanha

Foi o SUV mais vendido do mundo em 2018, com mais de 835 mil unidades comercializadas e foi o terceiro carro mais vendido do planeta, tendo sido ultrapassado apenas pela imensa Ford F-150 e o… Toyota Corolla. Com números destes, percebe-se a responsabilidade que recai sobre a nova e 5ª geração do Toyota RAV4.

Um nome nascido há 25 anos, em 1994, o RAV4 — acrónimo para Recreational Activity Vehicle 4 Wheel Drive — foi crescendo e adaptando-se às necessidades de um mundo em constante mudança — constatado nesta 5ª geração até pela mudança do significado do acrónimo RAV, que passou a significar Robust Accurate Vehicle.

Visualmente faz jus ao Robust (robusto) no nome. Não podia estar mais longe do aspeto “fun” do primeiro RAV4 — é visualmente agressivo, fenómeno corrente da indústria automóvel, mas também senhor de proporções mais conseguidas e muito melhor “plantado” sobre o asfalto, consequência da TNGA.

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GA-K, fundação sólida

O recurso à TNGA (Toyota New Global Architecture) — já vista no Prius ou no Corolla —, aqui na variante K, ou GA-K, significa apenas boas notícias. É 57% mais rígida, permite um centro de gravidade mais baixo (apesar dos 15 mm a mais na distância ao solo) e melhora a distribuição de pesos (59/41), beneficiando a dinâmica.

Garante também melhores cotas de habitabilidade e bagageira, apesar das dimensões similares ao antecessor — o novo RAV4 é 5 mm mais curto, 10 mm mais largo e 10 mm mais baixo, mas a distância entre eixos cresceu 30 mm.

A visibilidade saiu igualmente beneficiada, onde a combinação do capot mais baixo 15 mm e dos pilares A mais finos permite mais 2º de visibilidade ao condutor. O desenho do terceiro vidro lateral, mais baixo, contribui para melhorar a visibilidade para trás.

100% Híbrido

O novo RAV4 estará apenas disponível com motorização híbrida na Europa (na UE; noutros mercados fora da Europa Ocidental existem motorizações convencionais), e por arrasto, em Portugal.

E facilmente se compreende a decisão. Desde que o RAV4 híbrido foi introduzido, acabou por tornar-se na motorização mais vendida do modelo, ajudado também pela queda dos motores Diesel e até pelo anúncio da marca em abandonar os motores a gasóleo.

Toyota RAV4 2019
Mais eficiente e potente
O novo motor 2.5 do RAV4 atinge referenciais 41% de eficiência. Como? Os cilindros apresentam um diâmetro inferior e curso superior — 87,5 mm x 103,4 mm em vez de 90,0 mm x 98,0 mm —; recorre ao ciclo Atkinson, mais eficiente que o Otto; a taxa de compressão passou de 12,5:1 para 14:1; vem equipado com injeção direta e indireta D4-S; comando das válvulas variável inteligente — VVT-iE elétrico para a admissão e VVT-i hidráulico para o escape; e as perdas de fricção foram reduzidas. É mais eficiente, mas também mais potente, ao debitar 178 cv e 221 Nm, mais 23 cv e 11 Nm que o antecessor, e ainda é 25 kg mais leve.

Para esta nova geração híbrida do RAV4, tudo é novo, desde o motor de combustão ao motor elétrico. Com o colorido nome de Hybrid Dynamic Force — ou A25A-FXS para os geeks — o novo motor de quatro cilindros e 2487 cm3 (2.5 l) é um dos mais eficientes propulsores a gasolina do mercado, atingindo os 41% de eficiência.

Toyota RAV4 2019

O sistema híbrido Toyota Hybrid System II (THS II) é composto por um novo conjunto de baterias de níquel-hidreto metálico mais compacta, 6 kg mais leve e com frequência e tempo de carregamento mais curto; uma nova unidade de controlo de potência também mais compacta; e pela transmissão Direct Shift CVT, a contribuir para uma redução de perdas de transmissão em 25%, e também maior rapidez na sua atuação.

Em combinação com o motor elétrico (2WD) ou os motores elétricos (AWD-i), a potência ascende a 218 cv e 222 cv (AWD-i), conseguindo performances e emissões de CO2 bastante competitivas — 8,4s nos 0 aos 100 km/h e 126-128 g/km (WLTP), respetivamente, para o RAV4 de tração dianteira (ainda não há valores para o RAV4 AWD-i).

AWD-i

A versão de quatro rodas motrizes ou AWD-i do RAV4 também introduz uma série de melhoramentos e novidades. Para garantir a tração às quatro rodas, um motor elétrico é instalado no eixo traseiro, não existindo qualquer ligação mecânica entre este e a frente, ou seja, não há eixo de transmissão.

Toyota RAV4 2019
Novidade absoluta é o modo Trail no novo RAV4, acionado através de um botão na consola central.

De acordo com a Toyota, esta solução é o melhor de dois mundos, ao permitir todo o desempenho esperado de um carro com tração às quatro rodas sem as penalizações daí inerentes, como economia de combustível — a marca anuncia até menor consumo em condução urbana — e ruído de funcionamento.

O facto de não haver ligação mecânica entre a frente e a traseira permite também menor penalização no que toca a lastro extra. Até 80% do binário pode ser enviado para o eixo traseiro, contra 60% do predecessor.

Estreia é a introdução do modo Trail, ou seja, um modo de condução para fora de estrada, que bloqueia as rodas em rotação livre, garantindo que as rodas em contacto com o solo recebem todo o binário possível para manter a marcha.

Ao volante

É fácil encontrar uma boa posição de condução no novo RAV4 e não é muito difícil “navegar” no seu interior, com os comandos a estarem onde esperamos os encontrar.

Apesar da sofisticação do grupo motriz, o interior não se rendeu totalmente ao digital, existindo ainda múltiplos comandos físicos — e ainda bem…

Quis o destino que maior parte do meu contacto com o novo RAV4 fosse efetuado em autoestrada ou vias rápidas, com alguma cidade pelo meio, neste caso Barcelona. As primeiras impressões são prometedoras. A Toyota parece ter acertado no jackpot com a TNGA — todos os modelos por ela equipados têm surpreendido positivamente do ponto de vista da condução e comportamento.

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O RAV4 não é diferente, inspirando confiança ao volante — direção precisa e com peso correto —, mesmo quando as condições climatéricas não inspiravam nenhuma — após uns bons minutos em ser fustigado com chuva em autoestrada, seguiu-se a neve…

Não foi preciso esperar muito tempo para sermos brindados com uma paisagem deliciosamente monocromática, e apesar do novo RAV4 vir com pneus de estrada, nunca deixou de ser previsível e preciso.

Fosse ao volante ou à “pendura”, o conforto esteve sempre em bom plano, com boa supressão das irregularidades, movimentos da carroçaria controlados e contidos; e um muito bom isolamento acústico, até em autoestrada a velocidades elevadas, exceptuando…

Toyota RAV4 2019

… a CVT, sempre a CVT

A Toyota tem-se esforçado na redução das idiossincrasias típicas da CVT, e tenho de reconhecer, esta nova Direct Shift deve ser a melhor das que já experimentei. Mas, mesmo assim, sobretudo quando somos mais contundentes com o acelerador, o subir de regime do 2.5 torna-se demasiado intrusivo e audível no habitáculo do novo RAV4 — o motor parece estar a ser dolorosamente “esmifrado”. E pouco se pode fazer relativamente à dissociação típica entre o que ouvimos do motor, e o que verificamos no velocímetro.

Inegável são os resultados práticos do eficiente motor de combustão, do sistema híbrido e da CVT. Os consumos verificados no novo Toyota RAV4 2.5 Hybrid Dynamic Force de tração às duas situaram-se entre os 5,8 l/100 km e os 6,5 l/100 km, um valor bastante competitivo, equiparando-se a um dos seus principais rivais, o novo Honda CR-V Hybrid, o qual já tivemos também um primeiro contacto.

No RAV4 AWD-i, com tração às quatro, os resultados não foram tão interessantes, com os valores a subirem para os 7,5 l/100 km e até a norte dos oito litros, mas há que ter em conta que “sofreu” mais — a geografia e, como já referi, a meteorologia não foram as mais favoráveis.

Em Portugal

Brevemente, detalharemos de forma mais pormenorizada a gama nacional do novo Toyota RAV4 — níveis de equipamento e preços. Podemos avançar que o RAV4 de duas rodas motrizes já se encontra disponível — o AWD-i chega em março — para encomenda e os preços variam entre os 38 790 euros e os 49 590 euros. Também é Classe 1 quando equipado com o dispositivo para Via Verde.

São cinco os níveis de equipamento: Active, Comfort, Square Collection, Exclusive e Lounge. E seja qual for o nível de equipamento, vem de série com a mais recente geração do Toyota Safety Sense, que traz como novidades o sistema de Pré-Colisão com deteção diurna de peões e ciclistas e deteção noturna de peões; o cruise control adaptativo com função “full stop”; cruise control adaptativo inteligente; e assistência de condução inteligente.

Primeiras impressões

8 / 10
Um salto em frente a todos os níveis. O aspeto é mais agressivo — pode não ser do agrado de todos —, mas também tem melhores proporções. Ao recorrer à TNGA, permitiu melhorar as cotas internas, baixar a posição de condução, e beneficiar o comportamento sem prejudicar o conforto. O sistema híbrido é novo e revela-se eficaz, garantindo consumos competitivos, considerando que se trata de um SUV com algum peso e volume. Pena a caixa CVT, que apesar das melhorias, não é capaz de disfarçar totalmente a sua natureza.

  • Consumos baixos

  • Comportamento preciso e previsível

  • Espaço

  • Transmissão CVT

  • Sistema de info-entretenimento

Preço

38.790

Data de comercialização: Janeiro 2019


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