Indústria

Porsche 911. Havia dúvidas que fosse o automóvel mais rentável de 2019?

Na eterna batalha pela rentabilidade na indústria automóvel, há um modelo que se destaca, o eterno e icónico Porsche 911.

É tal e qual como o anúncio dos cafés… What else? O novo Porsche 911, geração 992, é o automóvel mais lucrativo da indústria, em termos proporcionais, lançado no último ano.

Discutiu-se muito sobre a rentabilidade dos Tesla e também dos super e hiper desportivos — até pelas somas pedidas —, mas no final, é o “bom e velho” 911 que encontramos no topo desta tabela — e está apenas a começar.

Isto porque só vimos as versões mais acessíveis, os Carrera e Carrera S. Ainda não foram lançadas as versões mais possantes e caras do 911, como os Turbo e os GT, capazes de elevar ainda mais estes números.

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Os números

O novo Porsche 911 sozinho contribuiu para 29% dos ganhos do construtor alemão desde que foi lançado, apesar de representar apenas 11% das vendas totais, de acordo com o relatório elaborado pela Bloomberg Intelligence.

Em destaque surge também o novo Ferrari F8 Tributo, que apesar de ter uma margem de lucro de 50% por unidade — 47% no Porsche 911 —, contribui apenas em 17% para os ganhos do construtor do cavalinho rampante.

Ferrari F8 Tributo © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Entre o 911 e o F8 Tributo encontramos um SUV, o ainda por lançar Aston Martin DBX (40% de margem por unidade). Os resultados foram calculados a partir das vendas previstas de 4500 unidades em 2020, o que fará com que o DBX sozinho contribua para 21% dos ganhos do construtor britânico. Além disso, o seu lançamento contribuirá para não só duplicar das vendas do construtor como o aumento da margem para os 30%.

Aston Martin DBX

A fechar o Top 5 nesta tabela mais dois SUV, os Mercedes-Benz GLE e o BMW X5, ambos a contribuirem para 16% dos ganhos dos construtores, apesar de corresponderem apenas a 9% e 7% do volume total de vendas de ambos os construtores, respetivamente. Idêntica para os dois é a margem de 25% por unidade.

Como geram tantos lucros?

Focando no Porsche 911, é um modelo muito lucrativo por si só, mas o “dinheiro a sério” faz-se nas variações. A venda de 10 mil 911 Turbo, por exemplo, poderão render à Porsche até perto de 500 milhões de euros. Mergulhem nas inúmeras opções disponíveis, adicionando facilmente 10-15 mil euros ao preço de aquisição de cada 911, e as margens crescem substancialmente.

E isto apesar de a venda de desportivos parecer estar estagnada ou em queda um pouco por toda a parte, é um cenário que não parece afetar a Porsche e especialmente o 911 — o ano passado, apesar de significar o fim da geração 991, as vendas do icónico modelo cresceram globalmente.

Porsche 911 992 Carrera S

Os ganhos do 911 serão vitais para contra-balançar as perdas do novo Taycan, o primeiro elétrico de produção da Porsche. Se referimos em ocasião anterior que o novo Taycan até poderá ultrapassar em vendas anuais o novo 911, a verdade é que isso não significa que gere lucro.

O Porsche Taycan representou um investimento de 6 mil milhões de euros, incluindo até a construção de uma nova fábrica, e as 20 a 30 mil unidades anuais previstas dificilmente contribuirão para a causa dos lucros no construtor — o Taycan será o seu modelo menos lucrativo, com Olivier Blume, o CEO da Porsche, a dizer em entrevista, que o modelo elétrico poderá tornar-se rentável lá para 2023, refletindo a esperada baixa de preços para as baterias.

E o Porsche 911? Em 2020, com a chegada de mais variantes, como os Turbo, os números agora publicados deverão subir ainda mais — é expetável que a margem por unidade suba acima dos 50%!

Fonte: Automotive News.

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