Análise

O Tesla Model 3 “é como uma sinfonia de engenharia”… e lucrativo

Como fazer dinheiro com elétricos é a pergunta do "milhão de euros" que todos procuram responder. O Tesla Model 3 parece que a encontrou.

À medida que avançamos para um mundo automóvel maioritariamente elétrico, é imperativo que os construtores encontrem a fórmula que permita menores custos de produção, mas também margens suficientemente grandes para garantir a viabilidade e sustentabilidade do negócio.

O Tesla Model 3 parece ter conseguido encontrar essa fórmula e, como reportámos anteriormente, até pode ser mais lucrativo do que o previsto. Uma empresa alemã desmontou e analisou o Model 3 até ao último parafuso e concluiu que o custo por unidade seria de 28 mil dólares (pouco mais de 24 mil euros), um valor bastante inferior aos 45-50 mil dólares, o preço de compra médio dos Model 3 que são atualmente produzidos.

Como que a confirmar estas conclusões, ficamos agora a conhecer, em traços gerais — via Autoline —, a de outro estudo, feito pela Munro & Associates, empresa norte-americana de consultoria de engenharia, que avança com uma margem de lucro bruta superior a 30% por unidade para o Tesla Model 3 — um valor bastante elevado e não muito comum na indústria automóvel, e inédita em automóveis elétricos.

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Tesla Model 3, Sandy Munro e John McElroy
Sandy Munro, CEO da Munro & Associates, com John McElroy, da Autoline

Existem duas ressalvas para estes resultados. A primeira é de que este valor só será possível com o Model 3 a ser produzido aos elevados ritmos prometidos por Elon Musk — chegou a mencionar 10 mil unidades por semana, mas atualmente produz a metade desse ritmo. A segunda ressalva é de que os cálculos implicam, essencialmente, custos dos materiais, componentes e mão de obra para produzir o veículo, não considerando o desenvolvimento do automóvel em si — o trabalho dos engenheiros e designers —, da sua distribuição e venda.

O valor a que chegaram não deixa de ser notável. A Munro & Associates já tinha feito o mesmo exercício para o BMW i3 e o Chevrolet Bolt, e nenhum deles chegou sequer perto dos valores do Model 3 — o BMW i3 consegue gerar lucro a partir das 20 mil unidades por ano, e o Chevrolet Bolt, segundo a UBS, dá um prejuízo de 7400 dólares por cada unidade vendida (a GM prevê que os seus elétricos tornem-se lucrativos a partir de 2021, com a queda prevista nos preços das baterias).

“It’s like a symphony of engineering”

Sandy Munro, o CEO da Munro & Associates, no início, ao fazer uma primeira análise ao Model 3, estava longe de ficar impressionado. Apesar de ter apreciado bastante a sua condução, por outro lado, a qualidade de montagem e construção, deixou muito a desejar: “a pior montagem e acabamentos que vi em décadas”. Convém referir que a unidade desmantelada foi uma das iniciais a serem produzidas .

Mas agora que desmantelou por completo o carro, este deixou-o genuinamente impressionado, sobretudo no capítulo da integração dos sistemas eletrónicos — ou não fosse a Tesla uma empresa nascida de Sillicon Valley. Ao contrário do que se vê noutros automóveis, a Tesla concentrou todas as placas de circuitos que controlam as mais variadas funções do veículo num compartimento por baixo dos bancos traseiros. Ou seja, em vez de ter múltiplos componentes eletrónicos espalhados por todo o automóvel, fica tudo devidamente “arrumado” e integrado num só local.

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As vantagens podem ser observadas quando se analisa, por exemplo, o retrovisor interior do Model 3 e o comparamos com o do BMW i3 e do Chevrolet Bolt. O custo do retrovisor eletrocromático do Model 3 é de 29,48 dólares, bem mais barato do que os 93,46 dólares do BMW i3 e os 164,83 dólares do Chevrolet Bolt. Tudo porque não integra nenhuma funcionalidade eletrónica, ao contrário dos outros dois exemplos, com o do Bolt a ter, inclusive, um pequeno ecrã que mostra o que a câmara traseira está a ver.

Tesla Model 3, comparação retrovisores

Durante a sua análise, deparou-se com mais exemplos deste género, revelando uma abordagem distinta e mais eficaz do que outros elétricos na sua concepção e produção, o que o deixou bastante impressionado. Como o próprio disse: “It’s like a symphony of engineering” — é como uma sinfonia de engenharia.

Também a bateria impressionou-o. As células 2170 — a identificação refere-se aos 21 mm de diâmetro e 70 mm de altura de cada célula —, estreadas pelo Model 3, são 20% maiores (relativamente às 18650), mas são 50% mais potentes, números apelativos a um engenheiro como Sandy Munro.

O Tesla Model 3 de 35 000 dólares será lucrativo?

De acordo com o Munro & Associates, não é possível extrapolar o resultado deste Model 3 para a anunciada versão de 35 mil dólares. A versão desmantelada estava equipada com o pack de baterias maior, pacote Premium Upgrade e o Enhanced Autopilot, elevando o seu preço para aproximadamente 55 mil dólares. Essa impossibilidade deve-se aos componentes distintos que poderão equipar o Model 3 mais acessível, como também os materiais usados.

E também ajuda a justificar a razão pela qual ainda não vimos o início de comercialização dessa variante. Até a linha de produção vencer o “inferno na produção” mencionado por Musk no passado, interessa vender as versões com maior rentabilidade, pelo que os Model 3 que saem atualmente da linha de produção, vem com configuração muito semelhante à do modelo analisado.

As próximas variantes a sair serão ainda mais caras: a AWD, com dois motores e tração integral; e a Performance, que deverá custar 70 mil dólares, mais de 66 mil euros.

Apesar da conclusão positiva após a profunda análise pela Munro & Associates, o que é certo é que a Tesla ainda tem um longo caminho a percorrer até se tornar uma empresa sustentável e lucrativa.

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