Ao volante

Já guiámos o novo Renault Clio, ainda em protótipo. Como se comporta?

Com a data de comercialização a aproximar-se, tivemos oportunidade de testar, ainda como protótipo, a nova e quinta geração do Renault Clio.

Em Paris, França

No final do ano passado, muito antes de o novo Renault Clio ser mostrado ao público no último salão de Genebra, em março, a marca francesa convidou um grupo restrito de jornalistas internacionais para um primeiro “amuse-bouche” dinâmico com o novo Clio.

Ainda não foi altura de o poder guiar na estrada, para já o primeiro teste ficou limitado a uma pista de ensaios muito usada por várias marcas para testarem os seus protótipos, anos antes de serem lançados.

E foi isso mesmo que a marca francesa colocou à minha disposição, unidades protótipo, totalmente camufladas mas já perfeitamente representativas do que vai ser a afinação dinâmica da quinta geração do segundo carro mais vendido na Europa (a seguir ao Volkswagen Golf) e líder crónico do seu segmento.

RELACIONADO: Novo Peugeot 208 veio a Genebra para primeiro frente-a-frente com o Clio

Teste em estrada simulada

A pista escolhida, entre as várias que estão disponíveis no perímetro do complexo de testes de Mortefontaine, perto de Paris, foi a que melhor conheço e que representa uma estrada secundária europeia.

Tem vários tipos de curvas, das mais lentas às mais rápidas, subidas e descidas, zonas de travagem forte e até uma pequena secção de empedrado. Boas condições para recolher as primeiras impressões de um dos carros mais importantes do mercado, com a vantagem de o poder fazer muito antes de qualquer outra pessoa fora da Renault.

Renault Clio 2019

Obviamente que o tempo disponível para cada jornalista não era muito, mas, em contrapartida, a Renault disponibilizou três motorizações, todas elas novas ou com novidades importantes.
De tudo o que tem a ver com o habitáculo, a estética, a estrutura e os equipamentos, já aqui escrevi, por isso basta seguir o link para fazeres uma revisão da matéria dada.

Desta vez o foco estava todo na dinâmica que, desde sempre tem sido um dos pontos fortes do Renault Clio, desde a primeira geração. No modelo que agora termina a sua carreira, isso era particularmente importante, sendo outra vez um dos melhores da classe, em algumas situações claramente o melhor. O que não queria dizer que não existissem pontos a melhorar.

VÊ TAMBÉM: Renault Mégane R.S. Trophy. Amor à primeira curva?

Nova plataforma CMF-B

A Renault sabia disso e concentrou-se em melhorar o que tinha que ser melhorado, aproveitando o facto que esta quinta geração estrear uma nova plataforma, a CMF-B, que vai dar origem a vários outros modelos da Aliança, desde logo o Captur, Micra, Juke e muito mais.

Renault Clio 2019, plataforma CMF-B
A nova plataforma do Clio, a CMF-B

Menos 50 kg de peso e mais rigidez são os pontos de partida desta base, que mantém os mesmos princípios de suspensão, com MacPherson, à frente e eixo de torção, atrás. Mas todas as taragens de molas, amortecedores e barras estabilizadoras foram modificadas e passaram a existir dois “set-ups” diferentes, um para os motores a gasolina e outro para os mais pesados motores Diesel.

Uma das boas novidades desta plataforma é a nova direção, que melhorou muito em termos de peso e tato, proporcionando uma relação muito melhor entre o esforço e o efeito, ganhando também em precisão.

A posição de condução também foi claramente melhorada, não só porque os novos bancos são mais confortáveis, têm mais apoio lateral e para as pernas e ainda maiores regulações; mas também porque o novo volante tem ajustes mais amplos e está muito bem posicionado, além de a coluna de direção libertar mais espaço para os joelhos. Tal como o punho da caixa de velocidades, que ficou mais alto e perto do volante.

Renault Clio 2019

Houve ganho em largura ao nível dos cotovelos, o que se reflete na maior facilidade de movimentação dos braços. O monitor central Easy Link (substitui o R-Link) tem maiores dimensões (vai das 7” às 9,3”), ícones maiores e mais fáceis de usar em andamento e ainda um acabamento superficial anti-reflexo. Pode receber atualizações “over the air”. O painel de instrumentos digital (TFT de 7” a 10”) também ganhou em facilidade de leitura.

Criticas para o satélite de comando do rádio, que se mantém teimosamente presente à direita da coluna de direção. As patilhas para as versões de caixa de velocidades de dupla embraiagem também passaram a ser fixas ao volante, em vez de à coluna de direção. É uma tendência, que na Renault nem era precisa, pois as patilhas fixas à coluna até eram grandes e fáceis de usar.

Subscreve o nosso canal de Youtube.

Novo 1.0 TCe de 100 cv

O motor tricilindrico 1.0 TCe de 100 cv é a maior novidade e rapidamente se mostrou muito disponível desde os baixos regimes, praticamente sem tempo de resposta do turbo e com um excelente isolamento acústico. A caixa de velocidades manual de cinco relações é a mesma da geração anterior, mas os comandos por cabos foram claramente melhorados, com passagens que agora surgem muito mais suaves e rápidas.

A suspensão passou sobre o tal empedrado sem transmitir demasiadas vibrações para o habitáculo, parecendo bem confortável, mas será preciso confirmar isso nas nossas estradas mais degradadas. O que já ficou claro é que o acerto da suspensão faz novamente um excelente trabalho.

O Renault Clio curva com imensa reserva de aderência, mesmo em condições de piso húmido, numa atitude adulta e neutra. A frente não larga a trajetória com facilidade, a distribuição de massas pelas quatro rodas é muito boa e a sensação geral é a mesma do anterior Clio: que o chassis está claramente sobredotado, capaz de lidar com muito mais potência.

Renault Clio 2019

Diesel 1.5 dCi continua forte

A seguir, passei para o renovado motor 1.5 dCi de 115 cv e também aqui ficou claro o bom trabalho feito na insonorização e na resposta do motor, sobretudo porque a caixa manual de seis relações é muito suave e rápida, deixando aproveitar bem o melhor que o motor tem para dar, que, nos Diesel, é sempre o alto binário nos regimes intermédios. A suspensão mostrou aqui o mesmo temperamento em curva, mesmo nas travagens em forte apoio, não deixando a traseira deslizar com grande facilidade, a bem da segurança.

Renault Clio 2019, dCI, manual
1.5 dCI, com caixa manual de cinco velocidades.

Para o final ficou o 1.3 TCe de 130 cv, o motor que a Aliança partilha com a Daimler e que já consegue colocar a esta nova plataforma outro tipo de perguntas. Os modos de condução não estavam ativos, mas a velocidade de entrada em curva sobe claramente, o que para o novo Clio não é problema. Neste caso, a caixa de velocidades montada era a EDC7 de dupla embraiagem, que não levantou grandes críticas aos seu desempenho, sendo sempre rápida e suave. O motor também tem um bom desempenho, com forte binário nos regimes intermédios e sem nunca emitir um som que o ouvido rejeite.

Renault Clio 2019, TCE 130, EDC
1.3 TCe, 130 cv, com caixa EDC de 7 velocidades (dupla embraiagem)

Continua a haver uma fluidez de comportamento dinâmico e uma facilidade em lidar com situações de violenta transferência de massas que não é vulgar em modelos deste segmento. Talvez o reforço da suspensão traseira tenha sido feito com o objetivo de a tornar um pouco menos sensível às provocações de um condutor que goste de a colocar a deslizar, apenas para seu gozo pessoal. Mas também isso terá que ser confirmado num teste mais completo.

RELACIONADO: Vídeo. Peugeot 208, o novo rei do segmento?

Nove motores à escolha

Para já, o que também se ficou a saber é que o Renault Clio estará disponível com nove motorizações e três caixas de velocidades. Na oferta a gasolina, além do novo 1.0 TCe de 100 cv (que poderá estar acoplado a um caixa manual de cinco relações ou a uma X-tronic de variação contínua) há ainda duas versões do SCe, com 65 e 75 cv, sem turbocompressor e ambas com caixa manual de cinco.

Renault Clio 2019, SCe 75, caixa manual
1.0 SCe, 75 cv, atmosférico, com caixa manual de cinco velocidades.

No topo dos motores a gasolina está, por agora, o 1.3 TCe, com opção por caixa manual de seis relações ou EDC7. Nos Diesel, há duas opções para o 1.5 dCi, com 85 cv ou 115 cv, ambos com caixa manual de seis.

Foi também anunciado uma versão híbrida que usa um motor 1.6 a gasolina atmosférico, associado a um alternador/gerador e a uma bateria de 1,2 kWh. A Renault anuncia já alguns números para esta opção, com 130 cv de potência combinada e capacidade regenerativa suficiente para conseguir andar em cidade, em modo de emissões zero, durante 70% do tempo. Este só chega em 2020.

Resta saber que futuro terá o RS. O mais certo é utilizar o motor 1.8 turbo do Mégane R.S. e do A110, num nível de potência que poderá rondar os 250 cv, para dominar toda a concorrência.

Renault Clio 2019, Francisco Mota ao volante
Ao volante da nova geração do Clio.

Conclusão

Neste primeiro teste com protótipos camuflados, o Renault Clio da quinta geração, já mostrou que evoluiu em alguns dos aspetos em que era mais criticado: os dinâmicos, que eram poucos e os de qualidade, com os materiais e a organização do tablier a superar em muito o modelo anterior e a colocar-se a par dos melhores do segmento.

Na dinâmica, ficou provado que a Renault continua a saber muito bem o que faz, esperando-se com curiosidade por um teste mais longo para consolidar as ideias que ficaram deste primeiro teste de acesso reservado.

Sabes responder a esta?
Qual o número de turbos no novo BMW X5 M50d?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

BMW X5 M50d. O «monstro» dos quatro turbos

Mais artigos em Testes, Primeiro Contacto

Os mais vistos