Desde 48 235 euros

Renault Mégane R.S. Trophy. Amor à primeira curva?

O anterior Renault Mégane R.S. Trophy foi um dos hot hatch mais aclamados de todos os tempos. Para muitos, a referência do segmento. Será que a nova geração está à altura do legado?

Vamos dissipar já todas a dúvidas. O novo Renault Mégane R.S. Trophy é melhor que a geração anterior em quase tudo.

E quando escrevo quase tudo, é mesmo «quase tudo». Do motor ao chassis, do interior ao comportamento dinâmico. Em tudo quanto possa ser transformado em dados concretos, a nova geração do Renault Mégane R.S. Trophy está um passo (ou mais!) à frente da anterior geração.

Mas será essa melhoria suficiente? É isso que vamos descobrir nas próximas linhas. Mas primeiro, um pouco de revivalismo…

VÊ TAMBÉM: Ao volante do novo Renault Mégane R.S. no Circuito do Estoril
Renault Mégane R.S. Trophy
A Serra da Arrábida voltou a ser o palco escolhido para apreciar o trabalho da Renault Sport.

Eu e o Renault Mégane R.S. Trophy

É quase uma história de amor. Durante muitos anos, a anterior geração do Renault Mégane R.S. Trophy foi o meu hot hatch favorito. Contundente, exigente, bem afinado e super gratificante de conduzir.

O motor 2.0 Turbo já acusava o peso do anos, mas o restante conjunto era simplesmente delicioso. Ainda é. Ainda continua a ser. Será sempre.

Gostava tanto do Magano* R.S. Trophy que até lhe dediquei um artigo de despedida — recordem as palavras que escrevi. Fiz-lhe juras de amor e deixei alguns recados/exigências à Renault Sport. Spoiler Alert: algumas ficaram por cumprir.

Renault Mégane R.S. Trophy
Circuito do Estoril. Se querem participar em track-days têm no Mégane RS Trophy um bom parceiro.

A nova geração

Por tudo isto, foi com enorme expetativa que aguardei a chegada da nova geração. O novo chassis, o novo motor, tudo prometia ser melhor que o anterior.

Além do mais, estamos a falar da Renault Sport. Poucas marcas (ou departamentos) têm tanto «know-how» como a Renault Sport em desportivos de tração dianteira.

Não decepcionaram. Dinamicamente o novo Renault Mégane R.S. Trophy é muito competente. Não tem o eixo dianteiro do Honda Civic Type R — que oferece tanta aderência como um tubo de «supercola 3» agarrado aos nossos dedos — mas não está a duas luas de distância.

O feeling da direção também não desilude e oferece confiança suficiente para atacar as curvas como o Renault Mégane R.S. Trophy gosta. Ou seja, carregando alguma travagem para o interior da curva, aligeirando a traseira e fazendo o chassis trabalhar como um todo.

Renault Mégane R.S. Trophy
Pode não ser a forma mais eficaz de abordar uma curva mas é, sem dúvida, a mais divertida.

Parte da magia acontece lá atrás. O sistema 4CONTROL dá ao Mégane R.S. Trophy uma agilidade surpreendente deixando apontar a dianteira para onde queremos. A baixa velocidade faz a traseira rodar, a velocidades mais elevadas mantém a traseira no sítio dela — ou seja, atrás das rodas dianteiras. Quando isso não acontece é mau sinal…

Sobre o motor não há grande história. É competente e cheio desde os médios regimes. Perdeu cilindrada mas ganhou caráter. No último terço do conta-rotações ganha inclusivamente uma nova vida, uma vez que os 300 cv de potência chegam a umas tardias 6000 rpm.

Até lá, podemos sempre contar com uma curva de binário generosa que faz do mais malvado dos Mégane um bom parceiro até em cidade. A vida não são só corridas…

O mesmo não posso dizer da suspensão. Longe de ser um carro desconfortável, não é tão confortável como o Honda Civic Type R ou o Hyundai i30N que brilham neste particular graças às suas suspensões adaptativas.

Face ao modelo anterior, nem há comparação. Portanto, até aqui tudo brilhante. Até aqui…

Tem de haver sempre um mas… MAS!

Estamos a falar de um desportivo. E um desportivo, na minha opinião, tem de ser sobre sensações e sentimentos. Sensações de condução (travar, curvar, acelerar) e sentimentos (fazer sentir-nos especiais por conduzi-lo). Eu sei… por vezes sou confuso. Mas vou tentar explicar.

No modelo anterior, cada vez que abandonava o lugar do condutor, sentia que tinha saído de um carro muito especial. Até suspirava. No novo R.S. Trophy também sinto que saio de um carro especial, mas a sensação não é tão intensa.

O problema são os detalhes. Os detalhes são tudo, ou quase tudo. O tato mecânico da caixa manual antiga está a «anos luz» do tato da nova caixa. Parece a caixa de um Mégane convencional. Exigia-se mais Renault Sport.

Renault Mégane R.S. Trophy
Para escrever este ensaio, sacrificou-se a vida de milhares de insetos. Alguns deles, perderam a vida a velocidades às quais eu podia perder a carta.

A embraiagem, não sei se pelos eventuais maus tratos que sofreu nas mãos (ou pés…) de outro alguém, também se revelou lenta.

O anterior Mégane R.S. Trophy era mais rude e mais contundente no tato. A Renault Sport, ao fazer evoluir o Mégane R.S. Trophy fê-lo perder algum do seu caráter. Está mais civilizado.

Está mais rápido, mais dinâmico, mais confortável… mas também menos apaixonante. Talvez o problema nem seja dele… seja meu. Não há amor como o primeiro — lê este texto que eu escrevi e vais concordar comigo.

Renault Mégane R.S. Trophy
Portão meu, portão meu, há algum Mégane RS Trophy melhor do que eu?

Espero que nos próximos meses tenha oportunidade de conhecê-lo um bocadinho melhor. Nem sempre o amor surge à primeira curva.

Portanto, a menos que o vosso coração bata por outro hot hatch, têm neste Renault Mégane R.S. Trophy um amor para a vida tooooooda… E sim. Acabei este texto com uma referência a uma música da Catarina Deslandes.

Eu sei. Depois de teres lido isto tudo merecias mais…


* Magano — adjectivo e substantivo masculino. Que ou quem é jovial ou gosta de se divertir. = BRINCALHÃO, FOLGAZÃO.

Preço

unidade ensaiada

52.433

Versão base: €48.235

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1798 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Inj. Direta, Turbocompressor, intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil.
    • Potência: 300 cv às 6000 rpm
    • Binário: 400 Nm às 2800 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Cx. de Vel. Manual de 6 vel.
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4363 mm / 1875 mm / 1435 mm
    • Distância entre os eixos: 2669 mm
    • Bagageira: 384 l
    • Jantes / Pneus: 245/35 R19
    • Peso: 1494 kg (CE)
    • Relação peso/potência: 4,98 kg/cv
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 8,2 l/100 km
    • Emissões de CO2: 185 g/km
    • Vel. máxima: 260 km/h
    • Aceleração: 5,7s
  • Equipamento
    • Chassis Cup
    • Jantes de liga leve 19"
    • Bancos Desportivos Recaro
    • Alerta de excesso de velocidade com reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Alerta de transposição involuntária de faixa
    • Botão de ativação R.S. Drive
    • Full LED com pisca-pisca integradas na assinatura luminosa em “C”
    • Head-Up Display
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Sistema 4CONTROL com 4 rodas direccionais
    • Sistema Renault MULTI-SENSE com 5 modos de condução, incluindo modo RACE
    • Sistema R-LINK 2, com rádio com navegação, ecrã de 8,7” vertical e cartografia Europa
    • Volante e punho da alavanca de velocidades em couro* premium perfurado R.S. com tapa- airbags R.S.
Extras
Bancos Recaro c/ couro Alcantara, 4200€;
Avaliação
7 / 10
É dos melhores do segmento, não há dúvidas disso. Em estradas mais técnicas, colocará o Honda Civic Type R em apuros, uma vez que é mais ágil que este, mas vai perdendo vantagem à medida que a fluidez do traçado aumenta. É mais sério e mais acutilante que o Hyundai i30N, e tem no SEAT Leon CUPRA um rival à altura em toda a linha. Este segmento nunca esteve tão concorrido e o novo Renault Mégane RS Trophy está à altura dela.

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