Apresentação

Este é o novo Renault Clio. Evolução, não revolução

Laurens van den Acker é o diretor de estilo do Grupo Renault, foi ele que mostrou a quinta geração do Renault Clio, o carro mais vendido em Portugal, numa sessão exclusiva para os membros do júri do Car of The Year.

Em Mortefontaine, França

No ano de 2018, o Renault Clio voltou a ser o carro mais vendido em Portugal, totalizando 13 592 unidades vendidas, quase o dobro do segundo da lista, o Nissan Qashqai, também pertencente à Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

É um carro fundamental para a Renault, não só em Portugal mas também na Europa, sendo o segundo modelo mais vendido nesta região do globo, logo a seguir ao Volkswagen Golf e dominando o segmento B desde 2013, quando foi lançada a quarta geração.

Desde essa altura até agora, o Clio subiu nas vendas todos os anos, despedindo-se do mercado com o seu melhor ano de sempre em 2018, com 365 000 unidades vendidas na Europa. Um resultado brilhante, para um carro que estava há seis anos no mercado, sem receber nenhum restyling significativo.

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Renault Clio 2019

Um novo ciclo

A quarta geração foi obra de Laurens van den Acker, o designer responsável pela revolução da imagem dos modelos da marca. E foi ele que mostrou a quinta geração, num evento reservado aos jurados do Car Of The Year em que estive presente.

O ponto de partida é bem diferente do anterior, pois o Clio V estreia uma nova plataforma, a CMF-B, que será depois partilhada por muitos outros modelos da Aliança, entre eles o próximo Nissan Micra. Apesar de a Renault ainda não ter divulgado muitos dados técnicos sobre o novo Clio, já confirmou que o comprimento é 14 mm inferior e que a altura também desceu em 30 mm.

Todos os componentes da plataforma e da carroçaria são 100% novos (…) esta nova geração é muito importante para nós. É o início de um novo ciclo, tal como aconteceu com o anterior Clio.

Laurens van den Acker, Diretor do Design Industrial do Grupo Renault

Evolução, não revolução

Tendo em conta a excelente performance comercial da geração que agora termina, que atingiu o seu melhor ano de vendas precisamente no último em que esteve no ativo, não seria de esperar uma revolução no estilo, como confirmou van den Acker: “o Clio IV tornou-se num ícone, as pessoas continuam a gostar do seu estilo, por isso não faria sentido revolucionar o desenho exterior.”

Dentro de uma sala no complexo de testes de Mortefontaine, perto de Paris, dois dos primeiros protótipos foram postos à disposição de um pequeno grupo de jornalistas, com o seu autor a explicar os detalhes que mudaram face à geração anterior.

O mais óbvio está na frente: os faróis passaram a ter o mesmo formato com assinatura luminosa em “C”, feita com tecnologia 100% LED, como todos os outros modelos da marca, aproximando-se especialmente do Mégane. O capot recebeu uma superfície nova, com nervuras que lhe dão um aspeto mais agressivo, tal como a maior grelha dianteira, colocada ao centro do para-choques.

Os flancos receberam um tratamento diferente na sua parte inferior, mas continuam as formas insinuantes que fizeram o sucesso do modelo anterior. Exemplo disso são os “ombros” sobre as rodas traseiras, que contribuem para o visual desportivo do modelo.

O Clio vai continuar a não ter uma carroçaria de três portas, por isso os puxadores das portas traseiras continuam “escondidos” na zona vidrada, mas agora com um desenho mais cuidado. Na vista traseira, o ar da família com o anterior Clio manteve-se, mas agora com farolins mais esguios e com efeito tridimensional.

O tejadilho mais baixo, junto das portas traseiras, contribui para a aparência dinâmica da silhueta e há uma nova coleção de jantes, com medidas que vão das 15″ às 17″. Um detalhe curioso são os pequenos defletores junto dos guarda-lamas dianteiros, que contribuem para melhorar a aerodinâmica. Segundo a marca, o coeficiente de resistência ao avanço (Cx multiplicado pela área dianteira) fica-se pelos 0,64.

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Novos níveis de equipamento

O Clio V vai estrear dois níveis de equipamento, o R.S. Line e o Initiale Paris. O primeiro vai substituir o anterior GT Line e oferece uma aparência ainda mais desportiva, com destaque para a grelha em ninho de abelha, a lâmina metalizada que percorre o para-choques dianteiro, o desenho específico das jantes, que são de 17” e o para-choques traseiro com um extrator metalizado. No habitáculo, esta versão inclui também aplicações em imitação de fibra de carbono, volante forrado a couro perfurado e com costuras a vermelho, pedais com capas em alumínio e bancos com maiores apoios laterais.

Renault Clio 2019
Da esquerda para a direita: Clio R.S. Line, Clio Intens, e Clio Initiale Paris

Uma versão mais luxuosa faz o seu regresso à gama Clio, invocando o antigo Clio Baccara de 1991. O novo Initiale Paris distingue-se pela aplicação de cromados exteriores específicos e jantes de 17” com desenho exclusivo desta versão. Por dentro, esta versão mais “chique” usa os mesmos bancos de alto apoio lateral do R.S. Line, mas forrados a couro numa tonalidade exclusiva. O mesmo acontece ao volante e estão ainda disponíveis dois ambientes interiores extra: um em preto e outro em cinzento.

No total, o Clio está disponível em onze cores diferentes, com destaque para o laranja Valência, que será a cor de lançamento e que poderá ter mais aceitação do que se poderia imaginar. Na anterior geração, mais de 25% das unidades vendidas sairam da fábrica pintadas no original vermelho metalizado, o quíntuplo do que acontecia com a cor vermelha da terceira geração.

Esta nova geração do Clio recupera o que de melhor existia nas gerações precedentes. O design exterior do Clio 4 seduziu os clientes e continua, ainda hoje, a seduzir. Por isso decidimos conservar os genes, mas tornando-o, ao mesmo tempo, mais moderno e mais elegante.

Laurens van den Acker, Diretor do Design Industrial do Grupo Renault

Motorizações: o que se sabe

Ao vivo, e a cores, o Clio V agrada ao primeiro olhar, mostrando uma postura um pouco mais madura, sobretudo por passar a ter uma frente com um desenho mais homogeneizado na gama da marca. Esta era uma das prioridades do projeto: visto de longe ou de perto, o novo Clio tinha que ser imediatamente identificado como um Clio, mas também como um Renault.

A Renault ainda não divulgou todos os detalhes técnicos relativos à nova plataforma CMF-B, nem à gama de motores que vai estar disponível. Mas a imprensa francesa especializada tem avançado com a hipótese de virem a estar disponíveis três motores.

A oferta de unidades a gasolina seria composta pelo 1.3 turbo partilhado com a Daimler, já usado em vários modelos da Aliança e pelo novo três cilindros de 1.0 l. Quanto ao Diesel 1.5 dCi, também deverá continuar disponível, juntando-se à gama o já confirmado E-Tech híbrido. Neste caso, segundo as mesma fontes, deverá tratar-se de um híbrido que junta um motor 1.6 a gasolina com um alternador de grandes dimensões, no lugar do volante-motor e de uma bateria, para uma potência combinada que se especula possa andar pelos 128 cv.

O futuro de um Clio R.S. ainda não foi falado, mas, a existir, poderá utilizar o mesmo motor 1.8 turbo do Alpine A110 e do Mégane R.S., talvez com a potência diminuída para os 220 cv, que é o valor da última edição especial do Clio R.S. 18, na geração anterior. A não ser que a Renault opte por uma alternativa híbrida, o que poderá ser uma hipótese…

Conclusão

A Renault não fez uma revolução no estilo exterior da quinta geração do Clio, nem o podia fazer, dada a aceitação que a quarta geração teve e continua a ter. Em vez disso, tornou-o mais próximo dos outros modelos da gama, em termos visuais, apesar de ter mudado para uma plataforma totalmente diferente da usada pela geração quatro.

Se o mercado não mudar totalmente de gostos, o novo Clio tem tudo para agradar ao público europeu. Isso é o que se verá durante a sua primeira aparição pública, marcada para o próximo Salão de Genebra, durante a primeira semana de março. Curiosamente, nesse dia será também mostrada a nova geração daquele que é o seu principal rival no segmento, o novo Peugeot 208. Prevê-se uma edição bem animada do certame suíço.

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