Indústria

500 elétrico, Panda e um… novo Punto? O que esperar da re-energizada Fiat

Após uma "dieta" forçada sem modelos, chegam boas notícias de Itália, via Genebra. Um novo plano de investimento dará à Fiat 13 novos ou atualizados modelos até ao final de 2021.

Foi aprovado um plano de investimento de cinco mil milhões de euros, focados na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) que trará, entre outros, à marca Fiat, até ao final de 2021, novos modelos e entrada definitiva na era dos veículos elétricos.

Faz tudo parte de um plano mais vasto que reorganizará todas as atividades da FCA na região EMEA, mas que verá a marca mãe, Fiat, como uma das principais beneficiadas.

Podemos até compreender o pragmatismo de Sergio Marchionne nos últimos 10 anos, o que acabou por deixar várias das suas marcas a “secar”. A aquisição do grupo Chrysler e os limitados recursos financeiros disponíveis, levaram Marchionne a apostar quase tudo nas marcas Jeep e Ram — medidas que se revelaram decisivas e necessárias para garantir a própria sobrevivência da FCA.

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Fiat 500

Agora com Mike Manley aos comandos do grupo italo-americano e com uma FCA financeiramente estável e lucrativa, saem os primeiros sinais de uma aposta renovada na Europa. Um mercado com grandes desafios que se aproximam a passos largos e que necessitam de uma resposta rápida.

Desafios que se resumem, essencialmente, aos relacionados com o cumprimento do patamar das 95 g/km de emissões de CO2 para todo o grupo na União Europeia em 2021.

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Ponta-de-lança

Para tal, a marca Fiat assumirá um papel fulcral — a sua gama constituída por modelos compactos, de baixos consumos e emissões, será essencial para atenuar o crescimento da Jeep na Europa, com uma gama composta apenas por SUV.

No plano de investimento de cinco mil milhões de euros apresentado estão previstos 13 novos ou atualizados modelos, com foco nos segmentos A e B — segmentos históricos onde a Fiat tem tido sempre uma presença forte —, e também na eletrificação.

Fiat Centoventi © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

No Salão de Genebra vimos o seu plano de intenções materializado na surpresa chamada Centoventi. Mais do que um concept comemorativo dos 120 anos que a marca italiana celebra em 2019, é um manifesto rolante revelador do que esperar nos próximos anos.

Não nos prolongaremos sobre a excelência conceptual do Centoventi — já o fizemos em artigo próprio —, mas a base onde assenta é um dos destaques, que servirá de fundação para uma nova geração de pequenos elétricos da marca.

O que aí vem

E o primeiro modelo que beneficiará desta nova base será um novo Fiat 500 100% elétrico. E o conheceremos já no próximo Salão de Genebra, em 2020 — informação oficial.

Não será um renovado 500e que atualmente está em comercialização em partes dos EUA, concebido de propósito para estar em conformidade com as restritas leis do estado da Califórnia, e infame pelas declarações de Marchionne para o não comprarem, já que só lhe trazia prejuízo.

Fiat 500e

Assim, este novo Fiat 500 elétrico não será baseado no 500 que conhecemos, assentando, ao invés, nesta nova base do Centoventi, apesar de ser totalmente distinto deste, de acordo com declarações do chefe da Fiat à AutoExpress, Olivier François:

Um novo 500, totalmente renovado. Um novo objeto. Totalmente elétrico. É uma espécie de Tesla urbano, com um belo estilo. (tipicamente) Italiano, dolce vita num carro elétrico. É o oposto do Centoventi.

Olivier François, CEO da Fiat

Esperem um carro maior do que o 500 e que será acompanhado, ao que tudo indica, por uma variante carrinha, o regresso da clássica Giardiniera. Como acontece com todos os elétricos, não será barato, algo que não preocupa François.

Isto porque o pequeno 500, apesar de ser um dos líderes de vendas do segmento, é também um dos mais caros, com os seus clientes a “esquecerem” as versões base e a irem para as versões mais equipadas e, logo, mais caras, com preços de aquisição a rondar os 24 mil euros, um valor ainda assim abaixo daquele que se espera para o novo 500 elétrico (sem incentivos).

Não foram avançadas especificações finais, mas considerando as dimensões compactas do modelo, sem espaço para grandes conjuntos de baterias, tal como vimos no Honda E Prototype, é de prever que a autonomia elétrica se situe acima dos 200 km.

Centoventi será próximo Panda?

Fosse pelo toque do peluche de um panda no interior do Centoventi, fosse pelo conceito em si — similar na abordagem ao Panda original, lançado em 1980 — tudo indica que o Centoventi é uma aproximação fidedigna do que poderemos esperar do próximo Fiat Panda, a surgir no final de 2020.

Fiat Centoventi © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Algumas dúvidas permanecem ainda, mas o que é certo é que assentará sobre uma nova plataforma — fica por saber se a base do Centoventi é compatível com motores de combustão, ou então, de acordo com alguns rumores, veremos uma nova plataforma, por agora denominada B-Wide 3.0, que serviria de base aos futuros modelos de segmento A, B e até C (como já acontece com o Tipo) da Fiat, Jeep e até… Lancia.

Certezas também para as motorizações, que recorrerão aos novos Firefly, já conhecidos nos renovados Renegade e 500X, que no caso do novo Panda e 500, incorporarão uma variante atmosférica associada a um sistema mild-hybrid de 12 V.

Fiat Panda

Um novo “Punto” nos planos

O rumor de um regresso ao segmento B, um segmento com tanto significado para a Fiat, foi um dos temas mais discutidos em Genebra. No entanto, não esperem um novo Punto nos mesmos moldes daquele que saiu do mercado em 2018.

As hipóteses mais discutidas para um sucessor, ainda que indireto, do Punto, resumem-se a duas. A já mencionada 500 Giardiniera, que, ao que tudo indica, será um verdadeiro segmento B (comprimento até 4,0 m e cinco portas), e um pequeno SUV mais acessível que o 500X.

Fiat Punto

Considerando os planos que já existem para o “baby-Jeep”, posicionado abaixo do Renegade (também com comprimento a rondar os 4,0 m), esta última hipótese ganha muita força, até pela pujança comercial que este tipo de veículos apresenta atualmente no mercado, que promete continuar nos próximos anos.

Se a 500 Giardiniera é praticamente uma certeza que irá surgir, o pequeno SUV seria um excelente complemento para cobrir a parte do segmento mais sensível a questões de preço. As estimativas apontam para que possa surgir em 2021, precisamente o último ano do anunciado plano de investimento de cinco mil milhões de euros.

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E mais?

Fica por saber o que acontecerá ao Fiat Tipo, um modelo que tem conhecido algum sucesso no mercado europeu, e que graças a uma política de preços agressiva, tomou em parte o lugar do Punto.

Sergio Marchionne o ano passado não deu muitas esperanças para a continuação do modelo na União Europeia, já que os custos adicionais para cumprir as normas ambientais eram demasiado elevados, obrigando a elevar o seu preço.

Fiat Tipo

No entanto, Mike Manley, o novo CEO do grupo, mudou o discurso para termos não tão definitivos. O Fiat Tipo ao que tudo indica, verá a sua carreira prolongada até 2022, com previsões de uma atualização no próximo ano, que deverá focar, precisamente, na sua conformidade com as normas ambientais — significará nova atualização nos motores ou até novas motorizações, como os Firefly.

 

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