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Testámos o novo Volkswagen Caddy. É um bom companheiro de trabalho?

Baseado na plataforma MQB, o novo Volkswagen Caddy está mais sofisticado do que nunca. Mas será que isso faz dele um bom "companheiro de trabalho"?

Normalmente o “tempo de vida útil” de cada geração dos veículos comerciais ligeiros é mais longo do que no caso dos ligeiros de passageiros. Por isso mesmo, sempre que surge uma geração totalmente nova a evolução assemelha-se, quase sempre, a uma revolução. E isso é evidente no caso do novo Volkswagen Caddy.

Recentemente apresentado, o novo Caddy representa uma significativa evolução face ao antecessor. Baseado na plataforma MQB (a mesma usada, por exemplo, pelo Golf), o comercial ligeiro da marca alemã encurtou mais do que nunca as “distâncias” entre este tipo de propostas e os veículos ligeiros de passageiros.

Mas será que isso se traduz numa proposta melhor para quem usa o carro como um “instrumento de trabalho”? Para descobrir a “resposta” pusemo-lo à prova. Será que passou no “teste”?

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Volkswagen Caddy © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

“Ares de família”

No capítulo estético é evidente o esforço da Volkswagen em aproximar o estilo do novo Caddy ao das mais recentes propostas da sua gama. Na dianteira, a grelha entre os faróis foi substituída por uma faixa de cor preta, enquanto na traseira (e apesar da muita chapa típica dos veículos comerciais) são notórios os apontamentos visuais típicos da Volkswagen.

Contudo, é no interior que a aproximação do Caddy à restante gama Volkswagen é mais evidente. Desde o desenho do tabliê até à quase total ausência de comandos físicos, tudo no interior do Caddy nos traz à memória as propostas de passageiros da marca germânica.

É claro que só temos materiais duros (nem seria de esperar outra coisa num ligeiro de mercadorias), contudo a sua montagem não merece quaisquer reparos, aparentando uma robustez que promete longos quilómetros de utilização sem ruídos parasitas. Ainda assim, como não há bela sem senão, esta colagem às mais recentes propostas da Volkswagen “passa a fatura” no campo da ergonomia.

É verdade que temos bons espaços de arrumação (há uma enorme prateleira junto ao tejadilho), mas neste campo o Caddy perde para a nova Kangoo. Ao mesmo tempo, a ausência de comandos físicos para a ventilação não torna especialmente intuitiva a sua operação, algo que seria de evitar num veículo que será o “escritório” de muitos profissionais. O comando da caixa manual numa posição algo baixa também podia ser revisto.

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Diesel, para que te quero?

Numa altura em que até os ligeiros de mercadorias parecem, aos poucos, estar a afastar-se dos motores Diesel, o Caddy ainda não se despediu destes, e a unidade que tive oportunidade de testar estava equipada com o 2.0 TDI na variante de 122 cv associado a uma caixa manual de seis relações.

Este motor relembrou-me por que razão elegi como “motor da minha vida” um propulsor Diesel. É verdade que, uma vez que está instalado num veículo comercial, o seu refinamento não é o mesmo que apresentava da primeira vez que me cruzei com ele, no Tiguan (cujo teste podem reler aqui), ainda assim as suas qualidades sobrepõem-se à sua “voz grave”.

Volkswagen Caddy © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Pujante desde as baixas rotações e com uns mais que suficientes 122 cv, este motor permite-nos conduzir relaxadamente com base na curva de binário (320 Nm disponíveis logo desde as 1600 rpm até às 2500 rpm). É verdade que as relações de caixa são algo longas (mas o seu acionamento é preciso e suave), mas o bom disso é que os consumos mantêm-se em baixo mesmo quando estamos com pressa.

Para terem uma ideia, foi preciso algum “entusiasmo” para ultrapassar os 4,9 l/100 km anunciados (nesse caso a média subiu para os 5,8 l/100 km), numa condução normal com longas tiradas em estrada nacional e autoestrada as médias fixaram-se nos 4,9 a 5 l/100 km e com calma consegui andar pelos 4,5 l/100 km.

Já no campo do conforto e do comportamento, o Caddy mostra-nos por que razão a plataforma MQB é o principal chamariz desta nova geração. A direção é precisa, direta e tem um bom peso, e, mesmo com o centro de gravidade mais alto, o pequeno comercial da Volkswagen não perde a compostura quando “apertamos com ele” nas curvas.

Talvez ainda mais importante que isto, o nível de conforto relembra-nos a evolução a que os ligeiros de mercadorias têm sido submetidos. Os bancos, apesar de simples, são confortáveis, a posição de condução também e é fácil percorrer largos quilómetros seguidos com o Caddy sem nos cansarmos (num só dia fiz cerca de 400 km e cheguei ao destino “fresquinho”).

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Talvez não saibam, mas parte do meu “crescimento” enquanto condutor foi feito ao volante de um ligeiro de mercadorias — uma Renault Kangoo de primeira geração com 55 cv, para ser mais preciso.

Ora, perante o novo Volkswagen Caddy é impossível ficar indiferente à evolução que houve em cerca de 20/25 anos neste segmento. Com níveis de conforto típicos dos ligeiros de passageiros, uma boa oferta tecnológica (até o painel de instrumentos é o Virtual Cockpit) e consumos de “fazer inveja”, o Caddy tem de ser, sem dúvida, uma proposta a ter em conta no segmento.

É verdade que, face à nova Renault Kangoo, perde um pouco no campo da modularidade, mas o que não oferece neste capítulo oferece em facilidade de condução e, acima de tudo, refinamento, estando bem mais próximo dos “irmãos” que não estão focados no trabalho e prometendo ser “um bom colega” para quem usa o carro como escritório.

Ficha técnica
Volkswagen Caddy Cargo Business
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Preço

unidade ensaiada

34.888

Versão base: €34.356

IUC: €33

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1968 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta common rail + Turbo de geometria variável + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válv. por cilindro (16 válv.)
    • Potência: 122 cv entre as 2750 e as 4400 rpm
    • Binário: 320 Nm entre as 1600 e as 2500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de seis relações
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4500 mm / 1855 mm / 1798 mm
    • Distância entre os eixos: 2755 mm
    • Bagageira: 3,1 m3 (capacidade do compartimento de carga)
    • Jantes / Pneus: 215/55 R17
    • Peso: 1497 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,9 l/100 km
    • Emissões de CO2: 129 g/km
    • Vel. máxima: 187 km/h
    • Aceleração: 11,2s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: 3/12 anos
    • Mecânica: 2 anos
    • Reviews Interval: 2 anos / 30000km
  • Equipamento
    • Compartimento de arrumação superior na cabina com 2 pegas de entrada no tejadilho
    • Controlo do limpa para-brisas intermitente com sensor de luminosidade
    • Cruise Control adaptativo
    • Jantes liga leve "Colombo" 6.5J x 17" preto brilhante
    • Apoio braço para o banco do condutor
    • Apoio lombar manual para o banco do condutor
    • Pneu suplente em jante de aço, com kit de ferramentas e macaco
    • Ar Condicionado Climatronic automático bi-zona
    • Assistente de mudança de faixa de rodagem "Side Assist"
    • Assistente de permanência na faixa de rodagem "Lane Assist"
    • Câmara de marcha atrás
    • Cockpit digital
    • Sensor de luz/chuva
    • Direção assistida servotronic (sensível à velocidade)
    • Front Assist com travagem de emergência autonoma
    • Porta lateral deslizante no compartimento de carga do lado direito
    • Rádio "Composition" 8.25" com ecrã tátil a cores
    • Retrovisores com ajustes elétricos, aquecidos e retráteis
    • Sistema de alerta ao condutor (Rest Assist)
    • Sistema start-stop com travagem regenerativa
    • Volante multifunções em couro
Extras
Pintura metalizada — 532 euros.
Avaliação
7 / 10
A adoção da plataforma MQB por parte do Volkswagen Caddy veio trazer-lhe qualidades estradistas e um nível de conforto pouco comum no segmento. Robusto, agradável de conduzir e económico, o Caddy tem argumentos para se bater num segmento muito concorrido e onde os franceses reinam. Contra si conta apenas com uma ergonomia melhorável (o abandono das soluções mais tradicionais no interior como os comandos físicos da ventilação não ajudam neste campo) e uma menor oferta de soluções de modularidade.
  • Conforto
  • Consumos
  • Facilidade de utilização
  • Ergonomia (ausência de comandos físicos para a climatização)
  • Indicador do nível de combustível não graduado
Sabe responder a esta?
Qual era a potência do Volkswagen Lupo GTI?
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